As armas de Jesus são essa penúria,
E essa carne expostas à intempérie,
E os cães devoradores e a matilha boquiaberta;
As armas de Jesus são a cruz de Deus,
Ser um vagabundo que se deita sem fogo e sem lugar,
E as três cruzes levantadas e a sua ao meio.
As armas de Jesus são essa pilhagem
Do seu pobre rebanho, essa lotaria
Do seu pobre enxoval às mãos dum soldado;
As armas de Jesus são essa frágil cana,
E o sangue que corre do seu lado como um rio,
E o antigo lictor e o antigo feixe;
As armas de Jesus são esse escárnio
Aos pés da cruz, são esse zombar
Aos pés da cruz e a brusquidão
Do algoz, da tropa e do governo,
São o frio do sepulcro e o enterro,
As armas de Jesus são o desarmamento,
A injúria e a afronta, eis o seu engenho,
A cinza e as pedras, eis o seu minifúndio
E os seus aposentos e o seu ducado;
As armas de Jesus são o tenro arbusto
Entrançado sobre a sua bela fronte como uma frágil rede,
Selando a sua realeza com um selo de paródia;
Os discípulos covardes, eis a sua confraria,
Pedro e o canto do galo, eis a sua senhoria,
Eis a sua tenência e capitania.
Charles Péguy, Oitavo dia de La Tapisserie de sainte Geneviève et de Jeanne d’Arc, 20 de novembro de 1912
Retirado daqui
As melhores viagens são, por vezes, aquelas em que partimos ontem e regressamos muitos anos antes
Mostrar mensagens com a etiqueta Charles Péguy. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Charles Péguy. Mostrar todas as mensagens
segunda-feira, 26 de março de 2018
terça-feira, 15 de novembro de 2016
Por causa de um poema enviado por mão amiga
Oferecimento
Se necessitas de virgens, Senhor,
se necessitas de valentes sob o teu estandarte
aí estão Clara, Teresa, Domingos, Francisco, Inácio…,
aí estão Lourenço, Cecília…
Mas se, por acaso, alguma vez precisares de um preguiçoso
e de um medíocre, de um ou outro ignorante, de um orgulhoso,
de um cobarde, de um ingrato e de um impuro,
de um homem cujo coração esteve fechado e cujo rosto foi duro…,
aqui estou eu.
Quando te faltarem os outros, a mim sempre me terás.
(Charles Péguy)
Se necessitas de virgens, Senhor,
se necessitas de valentes sob o teu estandarte
aí estão Clara, Teresa, Domingos, Francisco, Inácio…,
aí estão Lourenço, Cecília…
Mas se, por acaso, alguma vez precisares de um preguiçoso
e de um medíocre, de um ou outro ignorante, de um orgulhoso,
de um cobarde, de um ingrato e de um impuro,
de um homem cujo coração esteve fechado e cujo rosto foi duro…,
aqui estou eu.
Quando te faltarem os outros, a mim sempre me terás.
(Charles Péguy)
***
Talvez nada irrite tanto uma espécie de incréus do que esta aparente humildade dos crentes ou, para usar uma expressão felizmente fora de moda, os tementes a Deus. Esta humildade surge-lhes como falsa, hipócrita, ridícula porque, no fundo no fundo, vão todos à missa mas são todos pecadores...
Ora, esta humildade não é um exercício vão, mas a definição muito exacta do que na realidade somos: medíocres porque nos falta a ambição de voar mais alto; orgulhosos porque não cedemos em nome de vitórias sem interesse, cobardes porque nos amedrontamos perante o desafio da santidade.
A consciência do (pouco) que somos é a oportunidade para recebermos. Se já somos muito, o que nos falta ter ainda? Sabermo-nos pouco é tornarmo-nos pequenos, não é diminuirmo-nos. E como essa pequenez aspirarmos a tudo, ao mundo inteiro.
Falarmos com Deus e afirmarmo-nos tudo aquilo que Péguy se afirmou é o mesmo que falarmos com o próximo e afirmarmo-nos pouco. O nosso próximo é o Deus terreno, do quotidiano, a quem falhamos constantemente.
JdB
Etiquetas:
Charles Péguy,
JdB
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Acerca de mim
Arquivo do blogue
-
▼
2019
(85)
-
▼
Março
(25)
- Dos cuidadores informais - um outro olhar
- III Domingo da Quaresma
- Pensamentos Impensados *
- Poemas dos dias que correm
- Sobre o destemor
- Duas Últimas e poemas dos dias que correm
- Textos dos dias que correm
- Do vegetarianismo como fonte de tristeza
- II Domingo da Quaresma
- Pensamentos Impensados (versão convalescente)
- Poemas dos dias que correm
- Vai um gin do Peter’s ?
- Duas Últimas
- Textos dos dias que correm
- "A nossa música prevê o nosso futuro"
- I Domingo da Quaresma
- Duas Últimas *
- da interpretação de Ulisses, de James Joyce
- Poemas dos dias que correm
- Quarta-feira de Cinzas
- Textos dos dias que correm
- Dos telefones como elementos de suspeita
- 8º Domingo do Tempo Comum
- Pensamentos Impensados *
- Duas Últimas
-
▼
Março
(25)