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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

"O fado, canção de vencidos"




“Esta questão sobre o que é ou não é o Fado sempre levantou discussões que não têm fim à vista porque cada um de nós interioriza o que bem entende sobre esse mistério, que é, quanto a mim, idêntico ao mistério da própria vida, ou não cuidasse o Fado de quase tudo quanto a rodeia e envolve. Para mim é uma canção que nasce da saudade do paraíso perdido, que a todos habita, incluindo aqueles, quase todos, que disso não se dão conta.”

Fadista de renome comentou, da forma acima, parte do meu post da passada 5ªfeira sobre fado. Tendo a discordar, apesar do respeito e do entendimento pela argumentação aduzida. Mas temo que se dê ao fado uma dimensão emocional que ele nem sempre tem. Em condições muito específicas, que desenvolverei num outro dia, o fado é mais do que “apenas” um género musical. Talvez nessas alturas seja uma canção que nasce da saudade do paraíso perdido.  Talvez nessas alturas o fado seja uma partilha que o fadista estabelece com o público com vista à ordenação de um coração magoado pelo ciúme, pela desgraça, pela saudade ou pela traição. A confissão, no seu sentido mais amplo, é isso mesmo: o início do apaziguamento, do sossego de uma alma perturbada pelas circunstâncias. Será por isso, também, que o fadista canta: a partilha ilumina um buraco negro.

O fado diferencia-se do rock, do pop, de outros géneros musicais, mesmo portugueses. Porquê? Porque em grande parte das vezes fala do dia a dia das pessoas, dos seus dramas, das suas angústias, dos seus sofrimentos ou aspirações. É uma poesia falada na primeira pessoa do singular. Três sextilhas ou uma quadra glosada em décimas não são, tantas e tantas vezes, um simples exercício de elaboração de rimas e métricas – são uma história, contam uma história.

O fado, para ser mais do que um “simples” género musical, requer mais: intimidade, compreensão do que se diz e do que se ouve, a redução ao mínimo de recursos tecnológicos, proximidade, sinceridade e coerência. Um homem a cantar a Rua do Capelão, um japonês a cantar o fado meia noite numa língua que ninguém percebe, um fadista no palco, cego por um renque de projectores que o impede de ver o público, podem cantar o fado? Sim, claro. Mas cantam o fado enquanto género musical, não enquanto "saudade do paraíso perdido".   

JdB

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

"O Fado, canção de vencidos"

José António Sabrosa compôs este Pintadinho. Durante toda a minha vida o ouvi cantado por Maria Teresa de Noronha, com versos de Rita Mariano de Carvalho. Ontem, por puro acaso, ouvi uma versão cantada por Camané, com versos de Manuela de Freitas, cuja primeira quadra me interessa em termos de tese de mestrado.

Oiçam os dois e digam de vossa justiça.

JdB



segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Património imaterial da Humanidade

O Fado nasceu um dia, 
quando o vento mal bulia 
e o céu o mar prolongava, 
na amurada dum veleiro, 
no peito dum marinheiro 
que, estando triste, cantava, 
que, estando triste, cantava. 

Ai, que lindeza tamanha, 
meu chão , meu monte, meu vale, 
de folhas, flores, frutas de oiro, 
vê se vês terras de Espanha, 
areias de Portugal, 
olhar ceguinho de choro. 

(...)


Fado Português (José Régio, in 'Poemas de Deus e do Diabo')











quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Deixa-me rir...

Voltando à música portuguesa (que tem sido muito relegada para segundo plano….). Hesito entre esta Senhora e a Amália. Não me consigo decidir sobre qual prefiro… mas hoje preferi esta Senhora.

Ficha técnica:

Fadista: Maria Teresa de Noronha
Título: Fado das Horas
Poema: D. António de Bragança
Video: Sem história
Interpretação: 10/10
Sensibilidade: 10/10
Graça, encanto, categoria: 10/10
Simplicidade: 10/10
Capacidade de tocar a alma: 10/10 (embora haja muitos que sejam 10/10)
Ranking dentro dos fadistas: 10/10 (meu ranking, claro) – ex-aequo com o António Mello Correia

Nota: fiquei hesitante entre este fado e o Rosa Enjeitada (talvez ainda melhor pelas extraordinárias, maravilhosas, perturbadoras inflexões de voz). Mas tenho um fraquinho por este fado…




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