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sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Duas Últimas

Igreja do Santo Salvador em Chora, Istambul, Turquia (imagem tirada daqui)

4ªfeira almocei na Acreditar, uma tradição que já tem vários anos. Cada um leva qualquer coisa e sentamo-nos onde calha, na sala de jantar da Casa. São voluntários, Pais, crianças, profissionais, membros da direcção. Há bacalhau, arroz de pato, croquetes, rolo de carne ou lombo de porco, bolo rei, doces vários. Há queijo e vinho, conversa e boa disposição. 

Este ano (quase, quase) a meu pedido, uma mãe cabo-verdeana fez cachupa, algo que não comia há muitos anos. Outra mãe, moçambicana, com quem tirei fotografias no palácio de Belém, fez um prato do norte, com banana verde e coco. A cachupa estava deslumbrante, para o meu gosto. Fiz tantos elogios à Eugénia que ela, amável, me mandou uma caixa para casa, com uma recomendação: ponha um ovo estrelado; ou então uma posta bem fresca de peixe...  Não fiz nem uma coisa nem outra, mas comi tudo com pequenos grunhidos de prazer.

Fui agradecer à Eugénia, mãe de um miúda em tratamento. E disse-lhe: espero não a ver cá em casa para o ano, mas se por acaso cá estiver espero que faça cachupa outra vez.  Ela sorriu, simpática e respondeu: espero não estar; se tudo correr bem vou para casa não tarda. Perguntei-lhe quando, achando que era para a semana, ou coisa parecida... É em Junho, já tenho saudades da minha casa...

Junho são mais seis meses afastada do que lhe é mais familiar e querido: o crioulo, o vento local, o mar, talvez uns pés descalços, uma filha a correr. Para ela, no entanto (e não sei há quanto tempo está na Casa) Junho é já já a seguir.  

Aos meus fiéis leitores, mas também a todos os que colaboram com o estabelecimento através de posts regulares, desejo um Santo Natal. Que o Menino Jesus, acolhedor e humilde, seja o destino certo e fiel do olhar de cada um de nós nesta época. E que os Pais da Acreditar, em particular os que permanecem na Casa carregados de esperança, tenham um Merry Little Christmas...

Obrigado,

JdB

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Duas Últimas

O Natal está quase aí, falta pouco mais de uma semana. Talvez faça sentido começar a passar no estabelecimento algumas músicas que me ficaram mais no ouvido. Walking in a Winter Wonderland faz parte do meu imaginário. Durante alguns anos, o presépio e a árvore de Natal - até se ter abatido este adorno natalício ao efectivo - eram feitos lá em casa ao som do mesmo disco de músicas da época. O disco parece ter-se extraviado e já não me recordo quem cantava esta música. 

Deixo-vos com a mesma música e duas interpretações diferentes - Michael Bublé e Dean Martin, ambos artistas apreciados pelo editor e dono do estabelecimento. 

Ainda é cedo para desejar um Santo Natal, mas já podemos ir fazendo uma espécie de estágio de altitude...

JdB 



terça-feira, 9 de abril de 2013

Duas últimas

Sábado, a convite do meu querido amigo fq, jantámos no convento do Beato. O evento revertia para o Vale de Acór, uma associação que se dedica à recuperação de toxicodependentes. A noite começou com umas pequenas palavras de boas-vindas do Pe. Pedro Quintela, presidente da instituição. Fatalmente, numa sala onde estão 700 pessoas, é difícil impor o silêncio, pelo que o discurso teve um permanente zumbido de fundo. O silêncio imperou quando se rezou uma avé-Maria. Para alguns seria apenas o respeito. Para a grande maioria, estou certo, o silêncio não era mais do que o espaço oferecido ao que é importante e que norteia a vida de tanta gente - a oração. 

Entre fundos angariados e notoriedade ganha, a noite foi um sucesso. Além disso, a comida era excelente, a companhia de primeira água - e havia música para quem quisesse dançar. Eu também me atirei à pista mas, confesso, mais por devoção do que por convicção. Tenho da dança - como tenho, aliás, de muitos outros temas -, uma visão antiquada e que, estou certo, já aqui a partilhei. Em bom rigor, eu sou um homem de chás dançantes. Eu explico - mais concretamente, repito-me.

Alguém me dizia, citando pessoa próxima, que a promiscuidade no metropolitano chama-se animação no recinto de dança. Com efeito, todas as pistas, para evitar espaços vazios que dêem ideia de festa moribunda, são exíguas. Se as 700 pessoas presentes quisessem dançar a mesma música, ocupariam a pista. E outra pista igual, e mais outra ainda... Ora, quem dança não presta atenção, na grande generalidade dos casos, ao espaço vital que cada um de nós precisa à sua volta para bailar com quem escolheu. Uma pista de dança é um local potencialmente perigoso, exactamente por causa desta falta de atenção ao lebensraum individual e momentâneo. Numa pista de dança podem vazar-nos um olho com um cotovelo levantado de forma descontrolada, podem romper-nos um tendão com um salto agulha que se desequilibra no movimento de descida. De facto, há gente que sente um frenesim interior tão grande que tem uma necessidade imperiosa de se agitar furiosamente - quase mesmo desgovernadamente. A dança é uma catarse sem lágrimas, é a expulsão dos demónios  - ou é um momento ridículo.

Dançar é, para mim, um momento de afecto, porque faço as catarses de forma recatada, expulso os demónios comendo trouxas de ovos - e tenho horror exagerado ao ridículo. Dançar não é um movimento de braços e de pernas, mas um movimento do coração, é ensaiar na pista uma coordenação que se repete na vida. Dançar não é chocar com o vizinho, dar encontrões, invadir espaços alheios, ameaçar a integridade física do próximo. Dançar bem a dois é viver bem a dois - é agarrar, aproximar, afastar sem desligar, ensaiar novos passos, rir das dessintonias, comover-se com o sossego de dois corpos enroscados, ouvir a música que marca o ritmo do casal. Sou, decididamente, um homem de chás dançantes.

Deixo-vos com música que é a metáfora da vida: dois corpos que se juntam depois das almas já se terem juntado. Isto sou eu a dizer coisas, que já nasci antiquado. 

JdB  

      

quinta-feira, 21 de julho de 2011

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