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terça-feira, 3 de julho de 2018

Duas Últimas

Neste estabelecimento que é sério, embora se fale de sexo, também se fala de política, embora pouco. No fundo, como o cardamomo, que deve ser usado com parcimónia. 

Vim a saber, há poucos dias, de um futuro acampamento, organizado, patrocinado, dinamizado e promovido pelo Bloco de Esquerda. Chama-se 15º Acampamento Liberdade (houve já 14 e nem dei por isso...) e realiza-se de 25 a 30 de Julho no Parque de Campismo de Martinchel. Quer seja através de um artigo de José Manuel Fernando, no Observador, quer seja através de uma fotografia do programa que circula pelo Whatsapp, muitos saberão de temas importantes que serão discutidos durante estes dias, nomeadamente suporte básico de vida ou desconstrução da masculinidade tóxica.  Eu fixei um tema em particular: direito à boémia: necessidade de vida noturna (sem 'c') para produção e radicalização cultural

Parece-me, por isso, que Bohemian Rhapsody (porque fala de boémia, ou de Boémia) é um tema apropriado. Espero que o grupo parlamentar aprecie o meu gesto.

JdB


terça-feira, 5 de novembro de 2013

Duas últimas

Há três semanas, talvez, colaborei no baby-sitting de uma criança de dois anos. Durante um fim de semana partilhámos os mesmos espaços de uma casa e eu acompanhei-lhe os sonos, as brincadeiras, as refeições. O seu afecto ingénuo manifesta-se no sorriso com que me recebe, na ligeireza com que me dá a mão ou me pede colo, na prontidão com que pergunta por mim e aponta o meu carro. É uma criança simpática, com quem é fácil estar-se.

Quando esta criança olha para mim não tem nada prévio dentro dela, isto é, não há memórias de cheiros, de arquitecturas, de imagens que lhe condicionem o afecto por ninguém. No fundo, tem um disco rígido totalmente vazio, ansioso, quase, por enchê-lo com o amor dos mais próximos. E eu dei por mim a olhar para esta criança e a pensar na felicidade que é ser-se assim, sem ideias preconcebidas, sem noção de saudades e de ausências, totalmente disponível para tudo o que é um beijo, um jogo, uma mão que se dá para que a escada se torne segura.

Talvez devêssemos todos ambicionar esta simplicidade de criança, de que Jesus já falava. Olhar para os outros, para a vida, com uma mente e um coração desprovidos de memórias que tantas e tantas vezes nos condicionam a relação com os outros, connosco próprios. Uma simplicidade de criança, era o que dava jeito, aqui e ali.

***

Deixo-vos com uma parte da Cantata BWV 140, de Bach, que ouvi a semana passada na Igreja de S. Roque, num concerto magnífico com Tom Koopman e o coro da Gulbenkian. As versões (iguais) são adaptadas à mestria de Jacques Loussier e à dos Swingle Singers.

JdB


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