domingo, 28 de agosto de 2011

Domingo ….. Se Fores à Missa !


Esta semana li algures uma definição de “ética” de que gostei muito. Dizia o autor que o princípio da ética  é respeitarmos as regras, sem ser por obrigação. Em termos universais, estas regras, genericamente, são o bem e o mal, o egoísmo e o altruísmo, a consciência colectiva ou o individualismo, o amor à natureza ou a destruição da mesma, a liberdade ou escravidão da humanidade, etc…  Em termos cívicos, estas regras poderão ser o cumprimento dos sinais de trânsito, a formação de uma fila para entrar no cinema, o não deitar lixo para o chão, contribuir para o desenvolvimento da comunidade, etc.  Em termos familiares, também a ética aí se manifesta através de regras naturais como o respeitar os parentes mais velhos, ensinar os mais novos, colaborar nas tarefas da família, partilhar o que se tem, com naturalidade, sem que a isso sejamos obrigados.

Em termos religiosos, quando leio os evangelhos e escuto os ensinamentos de Jesus, não posso deixar de reparar que a ética é transversal a todos eles.  Todos os princípios, todas as regras e normas que Jesus ensina e pede aos discípulos e, consequentemente, a nós todos, até aos dias de hoje, não são cumpridos por obrigação, com imposição de pena, multa ou coima, mas sim são acatados por opção, por amor.  Obviamente, quando Jesus diz “quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la” não se refere à morte física. Pelo contrário, o que Jesus nos diz é que a verdadeira vida é a que vem de dentro de nós, é a quem nos vem da alma e das coisas do espírito e não a que nos vem do mundo. Precisamos das coisas do mundo, claro, é nele que vivemos, é dele que desfrutamos, mas quando nos apegamos demasiado a elas, ficamos muitas vezes escravizados e não conseguimos seguir em frente, porque o peso das nossas coisas e o medo de as perdermos, como se perdêssemos a própria vida, impede-nos de avançar. As coisas do mundo, os bens materiais existem para nos servir, não para nos subjugar. Valem o que valem, enquanto têm uso, enquanto não se esgota o fim a que se destinam; mas quando já não nos servem, devem sair da nossa posse, devem rodar. Não devem nunca ocupar espaço a mais na nossa vida e no nosso tempo; o tempo é finito e se o ocupamos na totalidade com as coisas do mundo, garanto-vos que não vai sobrar espaço para as coisas da alma e do coração.

Domingo Se Fores à Missa …. Desapega-te !

maf

Evangelho segundo S. Mateus 16,21-27. 
A partir desse momento, Jesus Cristo começou a fazer ver aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito, da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos doutores da Lei, ser morto e, ao terceiro dia, ressuscitar.  Tomando-o de parte, Pedro começou a repreendê-lo, dizendo: «Deus te livre, Senhor! Isso nunca te há-de acontecer!». Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: «Afasta-te, Satanás! Tu és para mim um estorvo, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens!»
Jesus disse, então, aos discípulos: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la.  Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Ou que poderá dar o homem em troca da sua vida? Porque o Filho do Homem há-de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um conforme o seu procedimento.

sábado, 27 de agosto de 2011

Pensamentos impensados


Esse aborto chamado acordo ortográfico
Há tempos li, num jornal, um trecho que para mim não fazia sentido; o jornalista usou a palavra setor que eu liguei à maneira como os alunos, agora, tratam os professores. Compreendi o escrito quando vi que o que êle queria dizer era sector. Também li a palavra espetador e não percebi patavina: o escritor estaria a referir-se a um bandarilheiro, a um tipo que assava frangos no espeto? Se tivesse escrito espectador, eu teria percebido à primeira. Sempre soube o que era uma arquitecta, por isso quando vi a palavra arquiteta só me vieram à ideia os nomes de Jane Russel, Jane Mansfield, Sophia Loren e Gina Lolobrigida; essas sim, eram verdadeiras "arqui-têtas".
 
Começou de pequenino a tocar flauta mas era tão baixo que tinha que pôr-se em cima duma cadeira.
 
Os hooligans gritam palavras de ordem ou palavras de desordem? 
 
Mais uma tradução à letra:
Batem leve, levemente
Eat who flame for me (como quem chama por mim).
 
Em que diferem Carla Bruni e Angela Merkel? Carla Bruni tudo leva a crer que vestirá Dior; Angela Merkel veste pior.

SdB (I)

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

colheita tardia

em tudo,
um travo a coisas antigas,
como esse verão indiano
que nunca mais cantámos de mãos dadas,
até fazer sangue - e do sangue fazer vida.

contudo,
também tu te levantarás,
rumo ao futuro,
desse lençol frio de trevas,
a uma simples palavra minha:

-levanta-te, homem, que ainda és Homem.
-levanta-te, pequeno Lázaro, e caminha.

gi

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Deixa-me rir...

Caros audiophiles, after many weeks of commemorating artists who have recently died, this week I want to look to the present and future and introduce two different artists who are completely new to me but who, I discovered, have been performing for some years already.

Passenger is a British troubadour/guitarist called Mike Rosenberg. He used to be a group but then he downsized, and travelled around Australia, performing in the city streets where he met and collaborated with other musicians along his journey. Out of these experiences in 2010 came an album Flight Of The Crow, and this song, What You're Thinking, is the result of one of these collaborations, with an Australian musician Josh Pyke:



Keren Ann is an Israeli-Dutch singer and composer, who is based mainly in Paris and New York. Recording solo since 2000, she states that she is influenced by Jewish folk music and French chanson, by Russian literature and French poetry, and by Bob Dylan and Suzanne Vega for her unique sound. She has been compared to a dreamy mix of Françoise Hardy and  Beth Gibbons of Portishead. This is my favourite song so far, You Were On Fire:





I hope you enjoy these two distinctive voices and investigate these artists further...

A proxima,

PO

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Ponto de Vírgula

Deste enlevo nos arrancou o Melchior com o doce aviso do “jantarinho de suas incelências”. Era noutra sala, mais nua, mais abandonada: - e aí logo à porta o meu supercivilizado Príncipe estacou, estarrecido pelo desconforto, e escassez e rudeza das coisas. (...)
Jacinto ocupou a sede ancestral – e durante momentos (de esgazeada ansiedade para o caseiro excelente) esfregou energicamente, com a ponta da toalha, o garfo negro, a fosca colher de estanho. Depois, desconfiado, provou o caldo, que era de galinha e rescendia. Provou – e levantou para mim, seu camarada de misérias, uns olhos que brilharam, surpreendidos. Tornou a sorver uma colherada mais cheia, mais considerada. E sorriu, com espanto: - “Está bom!”

in A Cidade e as Serras, Eça de Queirós
Empada de Galinha

Ingredientes Recheio:
  • Galinha
  • Chouriço
  • 2 Cebolas (1 inteira e 1 picada)
  • 2 Dentes alho picados
  • 2 Fatias finas de bacon
  • Salsa picada
  • 1 Folha de louro
  • Azeite
  • Sal e pimenta
  • 1 Colher de chá de farinha
  • 1 Gema de ovo
Preparação do recheio:

Cozer a galinha com água, sal, o chouriço e a cebola inteira.
Quando a galinha estiver cozida reservar o caldo e deixar arrefecer, reservar também o chouriço.
Depois de arrefecer desfiar a galinha, tirar a pele ao chouriço e cortar tudo em bocadinhos.
Num tacho fazer um refogado com o azeite, a cebola, o louro e os dentes de alho, juntar os bocadinhos da galinha, do bacon e do chouriço.
Polvilhar com a farinha e envolver bem deitando um pouco do caldo da cozedura, deixar apurar e temperar com sal, pimenta e a salsa.
Deixar arrefecer o recheio.
 
Ingredientes para a Massa:
  • 400g de Farinha
  • 1 ovo batido
  • caldo de galinha q.b.
Preparação da massa:

Amassar a farinha com o ovo e aos poucos ir juntando pequenas quantidades de caldo, sem parar de amassar, até obter uma massa lisa e elástica.
Fazer uma bola e deixar repousar por 20 minutos.

Nota: receita tirada da internet

MFM

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Duas últimas

Fiéis e surpreendentes leitores,

Fruto de um exercício que tanto tem de meritório como de inútil, decidi olhar para mim próprio, nesta 2ªfeira em que vos escrevo. Que procurava? perguntarão curiosos, se bem que moderadamente interessados. Uma mancha traiçoeira na pele de um falso moreno? Vestígios de gota? Uma hérnia discal ou uma rotura de ligamentos? Nada disso. Procurava, apenas, a minha imaginação...

Ao princípio temi tê-la perdido, já que de tudo o que encontrei - uma imensidão de inutilidades -  ela não fazia parte do rol. Depois, resultado de uma persistência digna dos mais corajosos ou, quem sabe, dos mais obstinados, detectei-a. Estava amarfanhada a um canto, com o viço de uma rosa deitada à intempérie. Empunhava um cartaz nas mãozitas anquilosadas onde, num itálico desmaiado, se lia com esforço: daqui não levas nada...   

Então é assim. Pouco me sai e são horas de recolher, porque no memorando de entendimento não estão contempladas manhãs sonolentas no remanso de uma cama adquirida a preço justo. E por isso ofereço um doisemum, porque mesmo da maior secura criativa pode sair um pingo de generosidade artística. A mesma música, duas interpretações. Oiçam, decidam, escolham, partilhem. E voltem sempre, mesmo que vislumbrem uma senilidadezita no dono e editor do estabelecimento.

JdB 





domingo, 21 de agosto de 2011

21º Domingo do Tempo Comum

Hoje é Domingo, e eu não esqueço a minha condição de Católico.

São quase duas da manhã e, dentro de quinze minutos, os sub-20 de Portugal defrontam o Brasil para a final do campeonato do mundo. Faço horas, conversando com um querido amigo com quem partilhei este evangelho e o desafio de escrever sobre ele. Leio e releio o texto de hoje e questiono-me sobre aquilo que quero realçar. Poderia falar sobre a constituição da igreja - esta igreja imperfeita porque humana, que é  a minha e na qual me revejo - tão bem representada na quantidade imensa de jovens que se reúnem em Espanha em volta do sucessor de Pedro. Poderia divagar - tal como o amigo que me acompanha nesta madrugada futebolística - sobre os verdadeiros motivos pelos quais Jesus ordena aos discípulos que não revelem que Ele é o Messias.

Opto, nesta hora tardia que revela um pensamento mais difuso e cansado, por uma abordagem dupla, porventura mais simplista, mas não menos importante. Quem afirmamos nós que é Jesus? O que significa dizer, na nossa vida diária de relações profissionais e pessoais, no olhar que derramamos pelo próximo, na gestão das nossas quezílias, no perdão que damos ou pedimos, nos rancores e nos braços estendidos, que Cristo é o Messias, o filho de Deus vivo? O que significa isso na prática, para que não se traduza na simplicidade inconsequente de uma frase vazia e sem sentido? 

Um outro exercício, moderadamente interessante, quiçá, seria interrogarmo-nos sobre a nossa reacção se  Cristo nos aparecesse pela frente. Na verdade, o que lhe pediríamos ou o que lhe diríamos? Numa primeira reacção, quem me acompanha nesta noitada futebolística respondeu: talvez quisesse uma confirmação - porque eu poderia não perceber quem Ele era - e lhe pedisse para me levar no seu projecto

São duas e meia da manhã e Portugal empata. Escrevo com um olho na televisão e com outro no texto, porque não vislumbro incoerência nem desrespeito nesta divisão de atenções. O que diria eu, ou o que pediria eu? Talvez duas frases simples: conhecer-Te mudou a minha vida. Faz de mim um santo.

Bom Domingo para todos.

JdB


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus


Naquele tempo,
Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe
e perguntou aos seus discípulos:
«Quem dizem os homens que é o Filho do homem?»
Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista,
outros que é Elias,
outros que é Jeremias ou algum dos profetas».
Jesus perguntou: «E vós, quem dizeis que Eu sou?»
Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse:
«Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo».
Jesus respondeu-lhe:
«Feliz de ti, Simão, filho de Jonas,
porque não foram a carne e o sangue que to revelaram,
mas sim meu Pai que está nos Céus.
Também Eu te digo: Tu és Pedro;
sobre esta pedra edificarei a minha Igreja
e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus:
tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus,
e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».
Então, Jesus ordenou aos discípulos
que não dissessem a ninguém
que Ele era o Messias.

sábado, 20 de agosto de 2011

Pensamentos impensados


Ao Ministro da Economia (será Senhor?): Oi ÁLVARO! É assim mesmo! Aos grandes homens basta apenas um nome para serem identificados; temos o Hitler, o Reagan, o Estaline, o Churchill e tantos outros. Para si basta Álvaro. Já eu, simples mortal, para me identificar, tenho de dizer o nome, o sobrenome e os apelidos materno e paterno; também tenho de dizer o número do BI e o número de contribuinte. Força ÁLVARO!, está na hora de poupar.
 
O Ministro do Interior disse que era necessário fazer mais com menos dinheiro. Sei uma maneira melhor: comprar muito e não pagar. Penso que esta fórmula não será inédita, pois é o que o Estado faz aos fornecedores.
 
Parece que faz grande confusão a alguns estrangeiros que em Portugal tudo seja doutor, engenheiro, etc. Em Portugal é assim, no país deles será assado; para o assado há remédio: usem pó de talco.
 
O ouriço-do-mar, devido a um fenómeno chamado partenogénese, não precisa de parceiro para se reproduzir. Poder-se-à chamar família monoparental?

SdB (I)

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

o poeta sem qualidades

sonhava escrever o livro definitivo, o verso-universo,
arrasar e reinventar
toda a literatura.

nunca mais o vi, no bairro em que nos encontrávamos dantes.
o mais certo é ter já desistido,
por esta altura.



gi

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Moleskine

Devaneios. Já o reconheci aqui várias vezes: sou muito judaico-cristão. Os textos sagrados que vou lendo ou que vou ouvindo são fonte de inspiração - ou pelo menos de interiorização, porque na maior parte das vezes ponho pouco em prática. Vem isto a propósito de conversas que vou tendo com quem me desafia a pensar além do desfocado ou quem, na melhor interpretação, me leva a afirmar-lhe o que quero dizer a mim próprio. Lembro-me, especificamente, da parábola dos talentos: acredito que pouco ou nada nos pertence, porque tudo nos foi dado para pormos a render em benefício do próximo. É também por isso que discordo frontalmente da frase: sou dono/a do meu corpo. De facto não somos, sobretudo se houver quem dependa financeira ou afectivamente de nós. Na realidade, não pode haver maior prova de amor do que darmos a vida pelos nossos mais próximos.

Fados. Este estabelecimento é o que cada um quiser fazer dele. Há gente que passa por cá e se vai mantendo como visitante ou colaborador. Há quem escreva para gáudio de quem o lê e que, numa dada altura, fruto das circunstâncias da vida, se afaste, não obstante a promessa permanente de um regresso sem prazo. Há uns dias, entre uns camarões, uma tortilha, uma noite amena na companhia de amigos incondicionais, falou-se de fado e alguém, que já por aqui passou, falou na lenda das rosas. Pois aqui vai, que ser-se dono deste espaço também nos dá obrigações.



Letras. Sou moderado fã musical de Sergio Godinho, pelo que talvez não o postasse aqui no Adeus. Mas há, em qualquer criador, horas particularmente felizes, e quem escreveu hoje é o primeiro dia do resto da minha vida está de parabéns.  Já todos cantarolámos esta música, muitos de nós já sentimos a frase como um lema ou como um desejo. Há mudanças na nossa vida que nos dão trabalho, nos cansam, são uma presa fácil da desmotivação. Mas outras há que, de tão complexas e profundas, fazem de nós uma espécie super-homens, prontos para enfrentar todos os obstáculos, todas as dificuldades. Em nome de quê? Talvez do que escrevi ao início, sobre os talentos. Fica a música para quem, por estes dias, se deitou à tarefa de definir o primeiro dia do resto da sua vida.





O post de hoje está críptico? Azarito... Deve haver, no entanto, quem o entenda.

JdB

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Diário de uma astróloga (6) - 17 de Agosto de 2011

No último post falei sobre Mercúrio retrógrado e, imediatamente, fui vitima dessa energia que se manifesta em dificuldades com a comunicação. O meu computador, do qual dependo para todos os cálculos astrológicos, deixou de funcionar inesperadamente. A sua vida natural acabou sem o menor aviso e, ainda por cima, escolheu uma altura chata para deixar de funcionar.  Uma cliente que vinha de longe, com consulta marcada há mais de um mês, estava a caminho, e eu tive de cancelar a dita consulta à ultima hora.

A minha cliente foi muito compreensiva mas, cancelar esta consulta foi, para mim, uma violação da minha integridade e da minha ética como astróloga, mesmo sabendo perfeitamente que a culpa não foi minha, mas de um circuito eléctrico.  Fiquei arrasada psicologicamente.

Luiza em crise


Apesar da minha principal energia ser Gémeos – adaptável, flexível, lógica – tenho uma forte ligação a Capricórnio com a consequente necessidade de perfeição, de controlo, de responsabilidade e, por isso, odeio, odeio falhar. Seguiu-se o processo de compra do novo computador, a recuperação dos ficheiros, o drama da perda dos dicionários porque são incompatíveis com o novo sistema operativo. Tudo isto deixou-me exausta. Se não fosse a ajuda do meu marido sentir-me-me incapaz de lidar com a situação.  Enfim, a minha reacção deixou-me perplexa, porque normalmente sou uma pessoa capaz de afrontar o mundo.

Com o novo computador fui ver os meus trânsitos (influências temporárias simbolizadas pelo grau em que se encontra um planeta em órbita relativamente aos planetas da carta natal) para estes dias, para compreender melhor porque fiquei tão desestabilizada com um incidente tecnológico. Esta é uma das  grandes utilidade da astrologia… ajudar-nos a perceber porque é que certos obstáculos aparecem no nosso caminho, e como lidar com eles de forma a não ficarmos agarrados a sentimentos negativos e de culpa que nos impedem de crescer psicológica e espiritualmente.

Confirmei que nesses dias o meu Neptuno natal estava sobre uma forte influência de Saturno. Já suspeitava porque tenho andado a dormir (Neptuno) pouco (Saturno). Neptuno rege à imaginação e, quando influenciado por Saturno (obstáculos, limitações)  imaginamos o pior, tudo parece mais difícil do que realmente é, sentimentos depressivos invadem a nossa psique. Possivelmente também estava a idealizar (Neptuno) a noção da responsabilidade (Saturno). Neptuno representa um energia de dissolução e Saturno princípios de organização, planeamento, controlo e estatuto profissional. Por isso, o medo de perder (Neptuno) o meu estatuto (Saturno) de astróloga eficiente e controlada dominava a situação. 

Inspirada pelo Dalai Lama que disse não há estrelas maléficas, mas sim maneiras negativas de olhar para elas, fui procurar como usar esta energia e este acontecimento de uma forma positiva.

Uma possibilidade seria a de dar forma (Saturno) a sonhos e fantasias (Neptuno), mas eu não faço filmes; por isso tive de me contentar em interiorizar a lição de  renunciar (Neptuno) ao controlo (Saturno) do que efectivamente não posso controlar, isto é, confiar no destino divino. Isso implica transcender (Neptuno) os limites (Saturno) da minha personalidade habitual. Também tenho usado o facto de acordar cedo para criar espaço para meditação (Neptuno) programada (Saturno). 

E assim, a astróloga em mim transformou uma mera chatice num instrumento de compreensão e crescimento psico-espiritual.  Desligar-me um pouco do universo puramente material… No fundo, é só um computador. 

Afinal de contas, não caiu o Carmo e a Trindade. O novo computador está a funcionar, a consulta realizou-se dias mais tarde e a minha cliente contou-me que, como estava já em Cape Cod quando eu cancelei a consulta, resolveu ir passear a Provincetown. Aí passou uma excelente tarde a fazer contactos nas lojas para vender as cerâmicas que faz. Ela própria comentou que, se o meu computador não tivesse morrido, ela não teria feito estes contactos que se podem revelar importantes para a sua difusão como ceramista.


Por hoje é tudo.  Agora vou gozar a presença dos meu netos, incluindo os gémeos que serão objecto do próximo post.  Como é que dois entes com as cartas do céu iguais são tão diferentes?

Luiza Azancot



terça-feira, 16 de agosto de 2011

Duas Últimas


Hoje trago à estampa uma versão do tema "Gaivota" de que gosto especialmente, interpretada por Sónia Tavares, vocalista dos "The Gift", grupo português de Alcobaça.

A musica insere-se num projecto lançado em 2009, de nome "Hoje", de homenagem à grande Amália Rodrigues nos 10 anos da sua morte.

Espero que os frequentadores deste blogue que conhecem e gostam de fado - sei que há verdadeiros especialistas - ouçam esta versão com as virtudes cristãs da tolerãncia e da compreensão, se mais não quiserem ou puderem.

Quanto a mim, tento conseguir o três em um com esta escolha, lembrando Amália Rodrigues - no meu modesto entendimento, com Maria Teresa de Noronha, de longe as duas maiores vozes femininas de fado de sempre -, Alexandre O`Neill, grande poeta autor da magnifica letra e, por fim, prestando singelo tributo a Sónia Tavares, uma grande voz da actualidade musical portuguesa.

Esperem que gostem!

fq

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Assunção da Virgem Santa

A minha alma glorifica o Senhor
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,
porque pôs os olhos na humildade da sua serva:
de hoje em diante me chamarão bem-aventurada 
todas as gerações.
O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas:
Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração em geração
sobre aqueles que O temem.
Manifestou o poder do seu braço
e dispersou os soberbos.
Derrubou os poderosos de seus tronos
e exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens
e aos ricos despediu de mãos vazias.
Acolheu a Israel, seu servo,
lembrado da sua misericórdia,
como tinha prometido a nossos pais,
a Abraão e à sua descendência para sempre.



(Do Evangelho de hoje)

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