segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Vai um gin do Peter’s ?

O filme «RUMO À LIBERDADE»(1) confirma bem quanto a realidade supera a ficção. O realizador australiano, Peter Weir, que ficou conhecido em 1989 com «O Clube dos Poetas Mortos» e anos depois com «The Truman Show», analisa aqui os limites da resistência humana. Sobretudo anímica e psicológica, diferentemente do que poderíamos supor.


O argumento baseia-se na experiência de um polaco – Slavomir Rawicz – que publicou um livro a relatar a sua fuga memorável de um campo de concentração na Sibéria, em 1940. O título dessa obra, «The Long Walk: The True Story of a Trek to Freedom»(2), foi um sucesso editorial rotundo, embora esteja por apurar a fronteira entre os factos e algum possível exagero. Ainda assim, é notável alguém sair vivo de uma prisão soviética e, a seguir, sobreviver a sete mil kilómetros, entre a Rússia profunda, no Inverno profundo, e a Índia, atravessando cinco países hostis.

A paisagem percorrida, apesar de fascinante, não podia ser mais inóspita. Ali, a beleza estéril, de horizontes gigantescos, tinha a face terrível do reino da morte. Depois da violência dos guardas soviéticos, é o pior inimigo a enfrentar. Weir não faz concessões e o filme corre num registo próximo do documentário, onde nem a fotografia lindíssima alivia a pressão enorme e os perigos infindáveis que espreitam os pobres fugitivos.


A primeira invulgaridade do filme consiste em expor o terror bolchevique e o rasto de destruição deixado pelo comunismo, em todas as latitudes onde se impôs. Sim, estamos habituados a ver diabolizar (aliás, com bons motivos) o nazismo. Mas não o sovietismo. Menos ainda durante a II Guerra, onde o alinhamento com os Aliados e a ferocidade do ataque germânico parecem ter oferecido razões de sobra para branquear todos os excessos sanguinários de Estaline. Equivalentes aos de Hitler. Como se o povo russo não tivesse sido a primeira e a maior vítima dos Bolcheviques (cujas atrocidades não começam nem acabam com Estaline), bem antes das tropas do Führer invadirem o seu país, na célebre Operação Barbarrossa.


Além da ânsia incontível de liberdade, o mentor do grupo de desertores é também instigado pela sua bondade natural: voltar a casa para dizer à mulher que lhe perdoa a sua estranha denúncia, obtida sob tortura. O rol de calúnias que ela assinara, condenara-o a vinte anos de reclusão na Sibéria. É impressionante esse início da película, na escuridão tenebrosa de um gabinete prisional dos novos ocupantes da Polónia, onde se cruzam olhares que dizem tudo: no esgar predador e implacável do militar russo, que nunca perde a compostura, nos olhos marejados de lágrimas de arrependimento e humilhação na delatora manietada, ou no olhar estupefacto e depois enraivecido do acusado num processo fantoche. Impera a mentira, cunho inequívoco do mal à solta. É a hora das trevas.

Um crítico de cinema compara este filme à trilogia do Senhor dos Anéis, quer pela força da natureza, erguendo-se como personagem autónoma, quer pela presença intensa do mal, assumindo contornos de uma personagem a orquestrar na sombra. De modo mais subtil e sóbrio (e humilde), também o bem encontra expressão, sobretudo em momentos de pessoas –gestos, olhares, actos– e em acontecimentos aparentemente menores. Nada, em ninguém, está dado por adquirido, enquanto houver vida. Há, de certo modo, uma imprevisibilidade no bem, inteiramente desconhecida ao mal, muito mecânico no seu trilho devastador, até à morte. Daí a criatividade insuspeita do bem, que precisa de tempo para emergir e vencer. O imediato costuma ser o horizonte de afirmação do mal, sempre que surgem circunstâncias favoráveis. Mas é-lhe difícil resistir à passagem do tempo. Vem isto a propósito do pequeno grupo de fugitivos, onde se reúne o oportunismo de uns, o cinismo de outros, o idealismo de poucos, a insensatez de alguns, a combatividade e a coragem de todos. Também em todos, naturalmente em doses diferenciadas: alguma maldade, muita bondade e um enorme gosto pela vida! A revelar-se nas ocasiões menos expectáveis, nas pessoas menos esperadas… Porque a sobrevivência de cada um passou a depender, ao milímetro, do bando de bravos que se atrevera a escapar da prisão. Sem mais afinidades do que essa corrida conjunta a furar as camadas de arame farpado que murava a sua masmorra. 

É dos segredos do filme esta riqueza de cambiantes incríveis do ser humano, multifacetado. Isso é notório logo no desfile de personalidades marcantes que se acotovelam nos dormitórios infectos do cárcere siberiano. Tudo ali parece negativo, a começar pela temperatura, de -40º C. Nos guardas percebe-se quanto o medo excessivo lhes tolda o raciocínio, transformando o mais manso dos homens numa fera temível. Basta armá-lo. Um dos prisioneiros, de aspecto muito correcto, subsistia espiritualmente (nas palavras dele!) à custa do ânimo revigorante dos prisioneiros mais novos e voluntariosos. Um autêntico parasita psicológico, vendedor de sonhos em que não tinha coragem para acreditar. Outro dos veteranos da prisão, um estrangeiro destemido, desafiava a ordem prisional, apenas pelas suas atitudes atípicas. Deixava os guardas, literalmente, à beira de um ataque de nervos, enquanto ele se mantinha imperturbável, na sua fleuma altiva e intimidante.

A frágil articulação entre os sete foragidos, a procurarem abrigo nas tempestades geladas da Sibéria, explora os paradoxos extraordinários do ser humano, forçados a entender-se e a superar óbvios ressentimentos. A rasar o impossível. Só que o impossível tornou-se um desafio diário, ao longo de um ano e tal de fuga por entre desertos de neve ou de dunas escaldantes. Himalayas incluídos.
  
Quem diria que o mais respeitador da hierarquia seria o ladrão do grupo (o único com cadastro justo), capaz de matar por puro capricho? Inseparável da sua navalha, a que carinhosamente chamava de «loba» (desenho gravado na lâmina), usava-a como extensão natural da mão direita, sem pejos. Quem diria que se revelaria também o mais sentimental, incapaz de abandonar a pátria, apesar de o cadastro o condenar à clandestinidade, igual a um sem-abrigo? Seria ainda dos melhores psicólogos do grupo, especialista em detectar o mal, descortinando os crimes alheios mais remotos. A má vida ensinara-lhe a reconhecer as marcas indeléveis que o erro deixa inscritas na pessoa. Muito curioso.


Quem diria que o mais generoso e idealista seria a escolha unânime para chefe? Que o seu desvelo paternalista seria tão apreciado para comandar uma missão temerária contra as forças da natureza?

Quem diria que o cínico por excelência era, afinal, dos leais e profundos, muito arreigado à realidade (no fundo, à verdade)? Era também o outro grande psicólogo do pequeno grupo: um americano mais velho, de olhar glacial, hiper desconfiado, que se fazia tratar pelo título, sem primeiro nome: «Mister Smith». Fora o tal valente que afrontara a ordem prisional.

Pesavam-lhe desgostos e falhas, que não perdoava a si próprio


Previsível e interessante foi o efeito benigno da chegada de um elemento feminino: uma polaca já com muito passado, apesar da pouca idade, e uma tenacidade invulgar – Irene. Tornou-se o elo de ligação espontâneo entre todos, quebrando o muro de silêncio em que os homens se tinham entrincheirado, por precaução e falta de interesse mútuo. Um puro equívoco, que Irene desfez habilmente, reaproximando-os uns dos outros. Humanizando a relação paupérrima que tinham instaurado, cingindo-se aos actos de subsistência básicos. Tinham-se habituado a funcionar com modos rudes, tensos e dessintonizados. Por qualquer minudência pegavam-se… Valia a autoridade natural que todos reconheciam no polaco, em especial o cadastrado russo que, embora indomável e individualista, percebia como ninguém a importância da liderança num grupo.

À medida que escapam ao frio, depois ao calor tórrido e, pior ainda, à sede horrenda num deserto sem fim, vemos desvendarem-se perfis humanos enriquecidos, capazes de uma amizade mais transparente e leal, com um relacionamento que o tempo ajudou a purificar, em nome da sobrevivência física e da sanidade mental. Os perigos superados em conjunto depuraram o seu olhar e a sua vontade. Tudo se tornou frontal, cristalino, sem subterfúgios nem zonas cinzentas. Porque nada como a proximidade da morte para dissipar dúvidas sobre o rumo da vida, quando é a vida o que se procura. Paradoxal? Só na aparência… 




Maria Zarco
(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)
_____________
(1) FICHA TÉCNICA

Título original:
THE WAY BACK
Título traduzido em Portugal:
RUMO À LIBERDADE  

Realização:
Peter Weir
Argumento:
Peter Weir e Keith Clarke
Produzido por:
Joni Levin, Peter Weir, Duncan Henderson and Nigel Sinclair
Fotografia:
Russell Boyd
Banda Sonora:
Burkhard von Dallwitz
Duração:
133 min.
Ano:      
2010
País:
EUA

        Elenco:

Jim Sturgess  (o polaco, Janusz)
Ed Harris        (o americano)
Collin Farrell  (Valka, o cadastrado russo)
Dragos Bukur  (Zoran, um dos fugitivos)
Saoirse Ronan (Irena)
Sally Edwards (mulher de Janusz),
Zahary Baharov (o terrível inquisidor russo),
etc.
Local das filmagens:
ÍNDIA : Darjeeling, West Bengal.
MARROCOS: Erfoud, Ouarzazate,
BULGÁRIA: Sofia, Vakarel e New Boyana Film Studios.
AUSTRÁLIA: Sydney, New South Wales.

 

Site oficial:

http:// http://www.thewaybackthemovie.com/


 (2)  Editado em Portugal pelas edições ASA, com o título «A Longa Caminhada». 


domingo, 14 de agosto de 2011

Domingo ....... Se Fores à Missa!


Às vezes pasmo com os Evangelhos que leio! Este é um deles .... leiam-no (é curto) e digam-me lá se “é da minha vista” ou se este evangelho não vos parece muito pouco cristão!  Então Cristo, quando veio, não veio para salvar todos? O sol, quando nasce, não nasce para todos ? Na leitura, Jesus diz claramente que só veio para salvar os filhos de Israel, a descendência de Abraão e vai mais longe: chama “filhos” aos  descendentes de Abraão e “cachorros” aos outros. Confesso que fiquei indignada.  Ensinamos aos nossos filhos que todos devem ser iguais, todos são filhos de Deus, que devemos lutar pela justiça e pela igualdade de direitos, credos e oportunidades, que o bem deve prevalecer sobre o mal, que Cristo é amor, amor incondicional por cada um de nós indiscriminadamente, etc.. etc... e de repente surge esta leitura para nos trocar as voltas? Não sei, não entendo.  Vou estar com muita atenção na homilia de hoje para tentar ver alguma luz nesta leitura tão cinzenta.

A única explicação plausível seria a de fazer sobressair a fé daquela mulher que continua a insistir e a acreditar no poder de Cristo, mesmo depois de ele recusar a ajuda. Dela, podemos tirar a mensagem de que quanto maior a nossa fé, maior será o nosso conforto nos momentos de aflição.

Domingo, Se Fores à Missa ...... Tem Fé !

MAF


Evangelho segundo S. Mateus 15,21-28.

Naqueles dias, Jesus partiu dali e retirou-se para os lados de Tiro e de Sídon. Então, uma cananeia, que viera daquela região, começou a gritar: «Senhor, Filho de David, tem misericórdia de mim! Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio.» Mas Ele não lhe respondeu nem uma palavra.
Os discípulos aproximaram-se e pediram-lhe com insistência: «Despacha-a, porque ela persegue-nos com os seus gritos.»  Jesus replicou: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.»
Mas a mulher veio prostrar-se diante dele, dizendo: «Socorre-me, Senhor.» Ele respondeu-lhe: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorros.»  Retorquiu ela: «É verdade, Senhor, mas até os cachorros comem as migalhas que caem da mesa de seus donos.» Então, Jesus respondeu-lhe: «Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se como desejas.» E, a partir desse instante, a filha dela achou-se curada.

sábado, 13 de agosto de 2011

Pensamento impensado

A simpática colaboradora/comentadora PCP referindo-se aos meus escritos disse que eu era um poço sem fundo, uma verdadeira fonte inesgotável. Saberá o que é a angústia de ver aproximar-se o dia da entrega dos "Pensamentos Impensados" e não ter imaginação?

Já Eça de Queiroz, numa carta a Pinheiro Chagas, e a propósito dos escritos a que se tinha comprometido dizia:eu conheço a situação, é medonha, e mais adiante não podendo arrancar uma só ideia útil do crânio, do peito ou do ventre...Mas se eu quiser comparar-me com os meus "colegas" criadores, vejo que ganho por larga maioria.

Eu escrevi cerca de 500 piadas/patetices; fixem bem: 500. Camilo Castelo Branco escreveu apenas 80 obras; o compositor Haydn "apenas" 104 sinfonias (além de outras coisas). Eu, se me quiser considerar camisola amarela, atiro para o carro vassoura Bizet e Leoncavallo. O 1º, que eu saiba, compôs uma ópera, Carmen, e umas Arleasiennes.

(se alguém se lembrar de mais alguma composição significativa, peço o favor de me informar).

Leoncavallo, compôs uma ópera, os Palhaços, e uma composição menor, a Matinata; também compôs uma ópera a Boémia (ou Boémios) que não deve ter sido apresentada sequer meia dúzia de vezes. (se alguém se lembrar, etc.). A rilhar os dentes, tenho de reconhecer que as óperas citadas são geniais, universais e intemporais.

SdB (I)

PS-Já é tempo de falar a´sério: porque é que dois compositores geniais produziram tão pouco?

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Ponto de Vírgula

Um dos momentos mais deliciosos de uma boa refeição é a vinda desses pequenos manjares de sobremesa que costumam servir com o café. Trufas de chocolate, ginjas caramelizadas, pastas com ou sem amêndoas, mil folhas de laranjas cristalizadas...; não existe um final mais apropriado para um menu do que estes deliciosos bocados, que, como a seguir descobriremos, também têm o seu segredo, a sua pequena infâmia.

in Pequenas Infâmias, Carmen Posadas 



Mini - Queijadas de Sintra

Ingredientes:

250g de farinha
1 colher (sopa) de óleo
sal e água qb

Coloque a farinha em cima da pedra, junte o sal e o óleo, vá adicionando a água aos poucos, a quantidade é a que for necessária para que a massa fique macia, mas que se possa manejar sem pegar. Quando pronta, deixe repousar cerca de 10 m

Entretanto, faz-se o recheio:

400g de queijo fresco
350g de açucar
4 ou 5 gemas (depende do tamanho)
2 colheres (sopa) de farinha
1 colher (café) de canela

Peneira-se o queijo, juntam-se o resto dos ingredientes e bate-se tudo muito bem.

Estende-se a massa muito fininha e coloca-se nas formas. Deve dar-se 4 golpes na massa e sobrepor-se os bordos (para formarem uma espécie de caixa). Depois deita-se o recheio e leva-se ao forno bem quente, durante 15 minutos. Quando se retiram do forno desenformam-se em cima do balcão, com o recheio virado para baixo (forra-se com papel vegetal).

MFM

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Deixa-me rir...

Caros audiophiles, several Portuguese friends have contacted me this week to check that I am safe amid the street riots happening in London and now in other cities. Well, my little ghetto community so far is unharmed. The news pictures have been shocking, The media have exaggerated the problem, but the areas affected have no doubt been physically and emotionally battered and abused by a senseless ignorant minority. A minority in numbers, and it seems, minority in age involving children as young as eleven years.

I believe this situation will end very quickly. Not only because of a much larger police presence in the streets, not only because of the threat and determination by government to catch and to convict the crminals, but most importantly because of the loud condemnation expressed by all sides within these local multicultural communities.

Whatever the reasons for this unexpected rebellion - and it is interesting to note the power of social media technology such as Facebook and Twitter to incite and unite groups of people - the targets of this violence suggest that it is nothing to do with racism or anti-police hatred or the shooting by police of a drug dealer. Even if these reasons are a catalyst, what is the connection with destroying indiscriminately the homes and cars and shops of innocent people in their own communities? Yes, the police have been attacked but only because they were obliged to be there. But it seems that most people have been more interested in stealing TVs and computers and clothes and alcohol. This surely is opportunistic by a majority of people following the lead of a few instigators. Including many schoolchildren on summer holidays with nothing much to do and thinking it might be fun to join in.

The next few days and weeks should clarify how and why this happened. And of course there will be deeper questions asked. About education, about parents' guidance, about social responsibility and respect.



From an earlier era of great civil and social rebellion in the late 60s/early 70s, a song about how children and parents can learn from eavh other:



A proxima.
PO

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

sinfonia nº 3, de henryk górecki


esta tarde,
deitei-me sobre a chaise longue,
e escutei um mundo,
inteirinho,
dentro de um búzio.
 
o lamento de uma mãe
e a esperança de uma filha,
escrevendo as suas últimas palavras,
luminosas e exaltantes,
a partir de uma cela da gestapo.
 
as lágrimas que me partiram
são as mesmas que, por alquimia,
me obrigam agora a escrever,
ou melhor, a dar testemunho.
 
nunca se regressa igual de certas coisas.
da beleza dorida e metafísica, seguramente que não.
entre nós e as palavras, o nosso dever falar.*

 
gi.
 
* verso de mário cesariny

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Duas Últimas

Volto hoje às minhas lembranças de juventude com esta música do John Denver que fez parte de um filme tristíssimo com o mesmo nome e de que só me lembro exactamente que era tristíssimo e da música.

Como o título indica, a música fala do sol e da sua luz e este é o tema a que eu me queria hoje referir. Talvez pelo facto de as minhas férias terem beneficiado pouco do sol e, regressado a África, o ter vindo encontrar em todo o seu esplendor. A mim nada me dispõe melhor do que um dia de sol e não tenho dúvidas sobre a benéfica influência dos raios solares no comportamento dos seres humanos (e também de todos os outros seres vivos). A regra é que os povos alegres dispõem de sol em abundância e que os povos tristes e macambúzios não. A excepção é o povo português, ensolarado, porém reconhecidamente triste, saudoso e queixoso. Ou seja, temos o benefício do sol e somos tão felizes como qualquer finlandês que o não tem.

Será que algum Governo pode transformar um povo triste, num povo alegre? Não será com certeza com a oferta de melhores condições económicas e sociais, se não os alemães seriam alegríssimos e os africanos tristíssimos, o que não é obviamente o caso. Será sequer o objectivo de qualquer Governo transformar a tristeza na alegria? Se não é, devia ser. Nós, o sol temos, já só nos falta a alegria.


JdC


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Fórmula para o caos

Os tempos que se vivem são, em termos mediáticos, dominados pela actualidade económica. Não só na Europa, mas também nos EUA. Foram várias as semanas de incerteza relativamente ao acordo entre Democratas e Republicanos com vista ao aumento do tecto de endividamento público. O mundo mudou. Contudo, os lideres mundiais parecem não querer aceitar essa realidade irreversível. Desde que a globalização se tornou um fenómeno de difícil controlo por parte dos Estados que o sistema Keynesiano da contracção de divida para financiar os défices orçamentais se tornou inviável. O gráfico abaixo, surripiado a um blog económico da autoria de Luís Salgado de Matos, demonstra a correlação entre o défice e o crescimento do PIB. É simples observar que o aumento da despesa nos EUA já não reflecte efeitos positivos na produção de riqueza.



Pedro Castelo Branco



domingo, 7 de agosto de 2011

19º Domingo do Tempo Comum

Hoje é Domingo, e eu não esqueço a minha condição de católico.

A omnipotência de Deus é, para um crente, um dado adquirido. Não duvidamos, não questionamos - é assim que as coisas são...  Nesse sentido, o facto de Cristo caminhar sobre as águas não nos surpreende nem entendemos ser uma fantasia do evangelista, se bem que, no limite, pudesse ser uma forma de revelar que a Jesus tudo é possível. 

Outra questão, talvez mais desafiante, é a forma como, nos mais diversos momentos, nos comparamos com a atitude de S. Pedro face ao pé que perdemos quando somos desafiados a caminhar sobre o mar. O que é, para nós, gente de fé, este exercício do aparentemente impossível? Como confiamos em Deus e como entendemos esta ideia da mão que Deus nos estende?  

Há algumas semanas, a minha querida amiga MAF escreveu um belíssimo comentário ao evangelho do dia. Nesse texto manifestava o que era, no seu entendimento, a fé - não é pedir a Deus que lhe dê saúde, mas que a ajude a suportar a doença, entre outros raciocínios semelhantes. Em tom mais figurado, não pedir a Deus que nos dê o jackpot de milhões, mas que nos ilumine para os aplicarmos bem. Nos meus momentos mais difíceis pedi a Deus, obviamente, que curasse quem me era querido. Mas, a seguir ao que era humano pedia o que era desafiante: o dom da aceitação, da não revolta com o mundo, do encontro com o sentido da vida perante o desgosto maior. 

Cada um de nós tem, à sua maneira e na circunstância própria, um mar sobre o qual caminhar: o desemprego, a doença, o desgosto, as relações cortadas, as raivas, os orgulhos, a solidão. Todos nós nos podemos afundar, vítimas da pouca fé, mas todos nós nos podemos transcender, ver a mão que nos é  estendida e agarrá-la. 

Deus pode tudo, mas Deus não é senão Amor. A mão que Ele nos estende é, também, esse Amor.

Bom Domingo para todos.

JdB


EVANGELHO – Mt 14,22-33

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Depois de ter saciado a fome à multidão,
Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco
e a esperá-l’O na outra margem,
enquanto Ele despedia a multidão.
Logo que a despediu,
subiu a um monte, para orar a sós.
Ao cair da tarde, estava ali sozinho.
O barco ia já no meio do mar,
açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário.
Na quarta vigília da noite,
Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar.
Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar,
assustaram-se, pensando que fosse um fantasma.
E gritaram cheios de medo.
Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo:
«Tende confiança. Sou Eu. Não temais».
Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor,
manda-me ir ter contigo sobre as águas».
«Vem!» – disse Jesus.
Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas,
para ir ter com Jesus.
Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se,
gritou: «Salva-me, Senhor!»
Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o.
Depois disse-lhe:
«Homem de pouca fé, porque duvidaste?»
Logo que saíram para o barco, o ventou amainou.
Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus,
e disseram-Lhe:
«Tu és verdadeiramente o Filho de Deus».

sábado, 6 de agosto de 2011

Pensamentos impensados

À atenção da nossa astróloga
Precisei de ver se tinha febre e agarrei num termómetro dos antigos. Sacudi até que o mercúrio veio para baixo. Pode ser considerado Mercúrio retrógrado?

Piada ouvida por aí
Diz um alentejano para o outro: vai chover. Diz o outro: vai tu.

Esta, é tal a trapalhada de línguas, que só pode ter acontecido na Torre de Babel.
O Rei diz o meu reino por um cavalo. Um cortesão, que dominava mal a língua inglesa, percebe o meu ranho por um cavalo. Vai daí, diz ao Rei: vas t'asseoir. O Rei ficou sem perceber, pois estava sentado.

Penso que os frequentadores deste estabelecimento acharão, por vezes, uma certa piada ao que eu escrevo; sugiro, por isso que vejam o video abaixoIsto é que são piadas; ao pé dele, não passo dum escriba que talvez arranque uns sorrisos amarelos.




SdB (I)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

black lips

há uma banda de rock chamada black lips.
 
(enquanto procurava a tradução mais certeira,
ia escrevendo mentalmente este pequeno poema.)
 
black lips pode querer dizer tanta coisa, tanta..
como tudo afinal - assim nos ensina a vida, pelo menos.
 
por exemplo: lábios pisados.
 
ah, espelho meu, 
sempre eloquente máquina de tradução.
ou de disfórica revelação.

gi.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Música para o tempo que corre...

Imagens dos dias que correm...

Hoje, mas há três anos, partia para o Zimbabwe. Das dezenas de fotografias com que regressei escolhi esta, talvez de uma flat top acacia, porque é também disto que tenho saudades

Recriações dos dias que correm...

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Diário de uma astróloga - 3 Agosto de 2011

Post 5 - Mercúrio e a comunicação

Hoje, Mercúrio entra numa das suas fases retrógradas. Juntamente com os eclipses, é o fenómeno astronómico / astrológico que tem pior reputação no público não astrológico.  Tanto assim, que há coisa de um ano uma jovem telefonou-me quase a chorar. Uma “amiga” ter-lhe-ia dito que a data do seu casamento caía num período em que Mercúrio estava retrógrado. Segunda a “amiga”, isso teria consequências desastrosas, não só para a cerimónia, como também para a sua vida de casada. Acalmei-a, dei-lhe algumas explicações desmistificadora e o casamento realizou-se na data marcada.

O que representa Mercúrio, e porque assusta as pessoas quando está retrógrado?

Os planetas receberam os nomes que têm actualmente dos deuses do Olimpo na sua versão romanizada. O deus grego Hermes foi rebaptizado Mercúrio, mantendo as mesmas características. Eram os deuses mensageiros representados por pés e capacete alados, sempre em movimento. Esta estátua de Hermes encontra-se no Louvre, e é a minha favorita. 




Porém, no dia-a-dia, astrólogos e astrónomos utilizam há mais de 2000 anos este símbolo para assinalar de Mercúrio numa carta astral.  




O significado astrológico de Mercúrio deriva das suas características mitológicas e é, assim, o planeta que rege todas as formas de comunicação falada e escrita, a nossa actividade mental mas, também, o comércio, as deslocações, as viagens.

Mas o que significa retrógrado? Anda mesmo para trás? Claro que não. Mercúrio gira em volta do Sol e anda sempre na mesma direcção, como fazem todos os outros planetas. Mas, como orbitam a velocidades diferentes, incluindo a Terra, vistos a partir daqui parecem que ocasionalmente andam para trás - movimento retrógrado.  Quem anda regularmente de comboio sabe do que estou a falar. A física do sistema solar faz com que Mercúrio esteja retrógrado três vezes por ano durante um período de 23 dias.

Ao longo dos séculos tem-se verificado empiricamente que, enquanto Mercúrio está retrógrado, surgem mais problemas, obstáculos, estorvos nas áreas regidas por Mercúrio. Antigamente manifestavam-se sobretudo através de mal-entendidos pessoais. Na actualidade, com a quantidade de meios de comunicação de que dispomos, temos uma panóplia mais ampla. Aqui ficam exemplos de contrariedades mercurianas (sendo alguns de experiência pessoal):

  • Informática – ficheiros perdidos, disco rígidos que falham;
  • Telefone – não se encontram as pessoas com quem precisamos de falar, sem querer apagamos da memória o número de que precisamos;
  • Correio – cartas mal endereçadas não chegam, pacotes rompem-se;
  • Mail – um mail privado mandado para “todos”….
  • Viagens – atrasos de aviões, problemas com o carro.

Todos nós sentimos os efeitos de Mercúrio retrógrado de forma diferente. De vez em quando o mundo inteiro repara que o deus Mensageiro está a gozar connosco. Em Abril 2010 quando as cinzas do vulcão islandês criaram a maior confusão de tráfego aéreo que o mundo jamais viu … Mercúrio estava retrógrado.

Como é que se pode gerir positivamente a energia de Mercúrio retrógrado?

  • Rever, rever, rever, arquivar, arquivar, arquivar.
  • Estar atento a problemas de comunicação, repetir, não assumir que o outro entendeu. Não é altura para meias palavras.
  • Por outro lado é uma excelente altura para limpar a caixa de entrada dos emails já lidos, para fazer cópias dos ficheiros, para acabar projectos que deixamos ficar para trás.
  • Levar um bom livro e paciência se for andar de avião.
  • Se possível, adiar iniciativas novas pois podem precisar de revisão mental.

Sobre a minha jovem lacrimejante. Os convites foram mandados antes de Mercúrio estar retrógrado, e por isso chegaram bem. Todos os pormenores logísticos foram também tratados antecipadamente, assim o casamento correu sem nenhum percalço. A comunicação durante o cerimónia não tem muitas nuances… um SIM na altura certa bastou. A relação entre esposos também parece que não sofreu com o Mercúrio retrógrado… há poucos dias acolheram neste mundo uma filha.

Mercúrio estará retrógrado de 3 a 26 de Agosto e depois novamente de 24 de Novembro a 14 de Dezembro. Nestas alturas as palavras do filosofo grego Epictetus são apropriadas “Temos 2 orelhas e 1 boca para ouvir duas vez mais do que falar”.

Luiza Azancot

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Duas últimas

Regressamos à música étnica - aquela sobre a qual eu disse que ouvia pouco. Hoje atiramo-nos com uma garra sul-americana à valsa venezuelana, na esperança, quiçá, que o camarada Chavez nos oiça e pague os barquitos que encomendou com a seriedade de um pinóquio de nariz ferido.

Infelizmente, os vídeos disponíveis na internet são escassos. Melhor – vídeos há muitos, mas a qualidade sonora dos ditos cujos não é brilhante. Não havendo o desejável, recorre-se ao possível.

Apresento, por isso, dois youtubes: um com músicas de António Lauro, tocadas por uma bonita croata; o outro, de uma obra muito conhecida – El Diablo Suelto – tocada à guitarra portuguesa, por mais estranho que pareça.

Fechem os olhos e dancem mentalmente, se é para isso que o corpo vos puxa. 

JdB 




segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Acerca de mim

Arquivo do blogue