segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Vai um gin do Peter’s?


No MNAA está patente, até 25 de Setembro(1), uma exposição em torno da obra emblemática do pintor mais vanguardista (arrisco dizer) do final da Idade Média e Renascimento – Jheronymus Bosch  (1450-1516). O Tríptico Das Tentações de Santo Antão contracena com duas telas da mesma oficina, vindas da Flandres (Museu em Bruges) e temporariamente cedidas a Portugal. Nas duas próximas Quintas(2), dias 15 e 22, haverá visitas guiadas às 21h, 22h ou 23h, assim como aos fins-de-semana.  

O modernismo de Bosch é inquestionável. A ponto de a sala com as suas telas, no Museu do Prado, ser a preferida dos visitantes mais novos. De facto, revela-se tão vanguardista, que nos esquecemos que cinco séculos nos separam da sua vida… Mas não da sua arte! Menos ainda do seu imaginário ou do seu interesse pelo universo psicológico. Num certo sentido, como que antecipa a ficção científica. Incrivelmente actual.    

Bosch descende de uma família de pintores miniaturistas, de quem terá herdado o gosto pela minúcia. Viveu na Holanda, relacionando-se com a elite da época. Entre os seus coleccionadores encontrava-se o rei de Espanha, Filipe II, Margarida da Áustria e inúmeros aristocratas espanhóis, franceses e italianos. Tendo sido casado com uma herdeira rica e vinte cinco anos mais velha, não deixou descendência. Era membro da Irmandade de Nossa Senhora, que reunia a nobreza e a alta burguesia, onde terá alargado os contactos, chegando a obter encomendas de Veneza. Celebrizado em vida, ficou remetido ao esquecimento nos séculos seguintes, até ser redescoberto pelos adeptos do Romantismo, no século XIX, encantados com o seu estilo apocalíptico e a exploração inesgotável do fantástico.

As incursões de Bosch ao mundo dos pensamentos, dos sonhos, das memórias, foram também muito apreciadas pelos discípulos de Freud, em especial pelo famoso psiquiatra suíço, Carl Gustav Jung, que o considerou: «The master of the monstrous… the discoverer of the unconscious

Note-se que nem tudo em Bosch é ironia e moralização. Há, acima de tudo, uma agudeza psicológica invulgar e um talento especial para contar histórias, usando o pincel em vez do lápis. São histórias que mergulham na interioridade humana e espelham a existência espiritual. Ao lado dos poucos seres humanos nas telas pulula uma multidão vociferante de criaturas surreais, ferozes e mortíferas, com enorme carga simbólica.

Quando trabalha o rosto das personagens, Bosch fixa-lhes o temperamento e os movimentos da alma. Num dos seus auto-retratos deixa transparecer um olhar vivo e perscrutador, atento à realidade, que está longe de se esgotar no mundo visível:


Também Bosch está longe de se esgotar nos rótulos por que se celebrizou. Vale a pena rever telas menos divulgadas para se perceber a sua riqueza de perspectiva e realçar facetas que parecem desviar-se do padrão conhecido, como a empatia e o humor suave. Naturalmente já com as marcas da sua originalidade esfusiante, pródiga a inventar novas criaturas.

Uma das primeiras representações da infância de Jesus respira uma serenidade e harmonia que, dificilmente, associamos à sua arte:


Christ Child with a Walking Frame
c. 1480
Oil on panel, diameter 28 cm
Kunsthistorisches Museum, Vienna


Outra tela do mesmo período, talvez pela delicadeza da temática, transmite a mesma calma sóbria e solene. À maneira de Bosch, foi transposta para a época e o país do pintor, decalcando os costumes e o guarda-roupa do século XV. Já ali ressalta a típica acumulação de planos, em zoom, permitindo a coabitação de diferentes cenas. Tudo com enorme detalhe.


Epiphany
1475-80
Oil on panel, 74 x 54 cm
Museum of Art, Philadelphia


O pintor do grotesco e do absurdo transborda de humor, habilmente esgrimido para surtir efeitos didácticos. As múltiplas narrativas que congrega num mesmo tríptico, apontam para o horizonte último da vida. Nos painéis interiores (central e volantes laterais) superabunda a cor, enquanto nas portas exteriores – i.e., nas «grisalhas» – Bosch limita-se a uma paleta de tons cinzas e cenas de tema único. Assim, o observador era colhido de surpresa, quando as portas do armário se abriam (apenas em dias festivos) e era assaltado pela explosão cromática que jorra dos seus trípticos, cravejados de histórias e de habitantes, num efeito de caleidoscópio. Muito atordoante!

Perito em jogar com duplos e triplos sentidos, convoca uma parafernália de símbolos, que se inserem no vasto património literário e folclórico da Europa ocidental. A fonte de inspiração preponderante é a Bíblia, sobretudo as passagens da vida de Cristo, para além dos santos eremitas, que o fascinam, talvez por terem dispensado os fugazes confortos mundanos e afrontado as maiores tentações do ser humano. Em Bosch, as tentações são corporizadas por exércitos de seres repugnantes, apenas visíveis aos olhos do santo. Curiosamente, é rara a presença de santas nas suas pinturas.

O bem e o mal aparecem fortemente contrastados. Aos sábios do deserto opõem-se entes maléficos, demoníacos. De um lado: figuras modestas, generosas, de enorme candura e coragem, que se apoiam na humildade e na entrega ao seu caminho para resistirem às duras investidas das forças do mal. Do outro: silhuetas obscuras, de formas retorcidas, burlescas, algo selváticas e assustadoras, em postura de ataque, encarnando uma profusão de vícios e de toda a espécie de seduções. 

Aplica-se a Bosch o título de um famoso filme de Wim Wenders: tão longe, tão perto. É extraordinário como as suas personagens hiper imaginativas parecem falar a linguagem do nosso tempo, com a longevidade característica dos grandes artistas.


Painéis interiores do Tríptico das Tentações de Santo Antão (3) c. 1500.
                      Assinado (canto inferior esquerdo do painel central). Óleo sobre madeira de carvalho

OUTRO TEMA: num relance, aqui vai uma súmula das imagens do milhão e meio de jovens que se reuniu em Madrid para participar na Jornada Mundial da Juventude, em plenas férias:


http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=lZMeNklEcn0

Maria Zarco
(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)
_____________
(1) Museu Nacional de Arte Antiga, www.mnarteantiga-ipmuseus.pt/pt-PT/exposicao%20permanente/obras%20referencia/ContentDetail.aspx?id=214
     Rua das Janelas Verdes,  Telefone: (351) 21 3912800  E-Mail: mnarteantiga@imc-ip.pt

     «Esta exposição, realizada em parceria com o Museu Groeninge (Bruges, Bélgica), coloca o Tríptico das Tentações de Santo Antão do MNAA criticamente em confronto com o Tríptico do Juízo Final e o Tríptico das Provações de Job, ambos da colecção do museu de Bruges

     Horário do Museu:
3ª feira: 14h00-18h00;  4ª feira a Domingo: 10h00-18h00;  5ªs (8.Set.): 10h00-00h00.
Encerrado às 2ªs feiras, 3ªs feiras de manhã.

(2) Visitas guiadas para adultos, sem inscrição prévia e limitado à capacidade da sala. Ponto de encontro no Átrio “9 de Abril”:
Quintas, 15 e 22 de Setembro: 21h00, 22h00 ou 23h00. Note-se que das 18h00 às 20h30 0 Museu estará encerrado.
Domingo, 11 e 25 Setembro: 11h30
Domingo, 18 Setembro: 11h30 e 15h30

Visitas orientadas para grupos
Terça-feira (tarde), Quarta a Sexta-feira (manhã e tarde)
Com marcação prévia através de e-mail mnaa.se@imc-ip.pt ou telefone 213912800
.

(3) Nota do MNAA sobre o Tríptico das Tentações de Santo Antão:
«Uma inventada unidade do espaço integra as múltiplas cenas e narrativas que preenchem o painel central e os volantes laterais, território para um formigar de seres e de episódios que desafiam a nossa interpretação e que ocupam, literalmente, os quatro elementos do universo (céu, terra, água e fogo), matéria matricial da representação. Santo Antão divisa-se em três sequências da sua lendária experiência eremítica: à esquerda, agredido física e directamente pelos demónios que o elevam no ar e precipitam no solo; à direita, enfrentando a tentação da carne e o pecado da gula; a meio do painel central, sendo confrontado talvez com a maior de todas as tentações, a do abandono da Fé. Aí, no centro de tudo, no centro de um redemoinho diabólico, num espaço e num tempo invadido pelo mal, Santo Antão olha para nós e aponta para uma dupla representação de Cristo, figura e imagem refugiadas numa ruína.
Para além desta narração hagiográfica, a obra encerra no seu conjunto uma visão totalizante do Mundo invadido pelo Mal, personificado aqui por uma legião de seres demoníacos e aparentemente fantásticos que também significam um tributo do pintor a uma longa tradição figurativa medieval. O tríptico pode considerar-se, assim, o equivalente visual de um velho tratado de demonologia, muito embora Bosch entenda o espaço e o mundo numa unidade sintética moderna, também pela utilização, não oculta, antes expressamente patente, das mais chocantes imagens, no que é um modo novo de utilizar, organizar e mostrar um material iconográfico antigo e tradicional.
A contemplação da peça não fica completa se não se virem as dramáticas “grisalhas”, no reverso dos painéis laterais, que nos mostram dois passos da Paixão de Cristo: a Prisão e o Caminho do Calvário no momento do encontro de Cristo com Santa Verónica. Ambas as cenas são marcadas pela violência e por um espaço desértico em primeiro plano, deserto que é lugar de cadáveres e de condenados, de morte e desolação, o que vem acentuar a mensagem pessimista, embora não desesperada, de todo o tríptico.
Incorporada no MNAA a partir do antigo palácio real das Necessidades, desconhecem-se as circunstâncias da chegada da obra a Portugal, não sendo certo que tenha feito parte da colecção do humanista Damião de Góis, como algumas vezes é referido





domingo, 11 de setembro de 2011

Domingo, Se Fores à Missa!


Foi  hoje, mas há 10 anos, em Nova Iorque, quem não se lembra????  Aquelas imagens chocaram o mundo inteiro, revoltaram corações, indignaram almas, destruíram vidas.  Logo hoje, o Evangelho fala-nos de perdão e compaixão. Parece um contra-senso. Como é possível alguém perdoar um acto horrendo como aquele?  Que compaixão se poderá ter por um assassino da pior espécie, que mata impiedosamente? 
Perdoar é relevar, é esquecer, é aceitar o outro, apesar dos seus actos. Mas não deveria o acto de perdoar estar associado ao acto do arrependimento?  Ou seja, de que serve o meu perdão se o outro não mostrar arrependimento?  Será que o perdão, como acto unilateral, contribui para a consciência colectiva, para o bem universal, independentemente do outro querer, ou não, esse perdão?
Ou será que o perdão só tem o seu sentido pleno quando o “perdoado” toma consciência do acto?  A maioria das passagens do Evangelho que relatam cenas de Jesus a perdoar, salvo erro, quase todas elas descrevem alguém que se aproxima de Jesus, com humildade ou com grande fé, pedindo-lhe perdão. 
Então, como é possível perdoarmos este tipo de pessoas, como as que estiveram envolvidas no “Nine Eleven” e em outros actos semelhantes? O perdão de que Jesus nos fala acontece no nosso coração;  é um acto de amor voluntário; é a nossa própria predisposição, como católicos, para  não condenar, não julgar e não virar as costas.  A sociedade encarrega-se de punir o acto, em si,  aplicando uma pena proporcional à gravidade do mesmo e essa punição deve existir; mas o perdão, o verdadeiro perdão, está para lá da pena. O verdadeiro  perdão acontece quando conseguimos rezar por e pedir a salvação de todos esses “pecadores” (coloco aspas para que a palavra se leia em sentido figurado... não gosto nada da palavra pecador, tal como ela é usada no catecismo !) O verdadeiro perdão é quando Jesus diz ”Pai, perdoai-os porque não sabem o que fazem”

Domingo, Se Fores à Missa ……  Perdoa !

Maf

Evangelho segundo S. Mateus 18,21-35. 
Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe: «Senhor, se o meu irmão me ofender, quantas vezes lhe deverei perdoar? Até sete vezes?»  Jesus respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.  Por isso, o Reino do Céu é comparável a um rei que quis ajustar contas com os seus servos.  Logo ao princípio, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos.  Não tendo com que pagar, o senhor ordenou que fosse vendido com a mulher, os filhos e todos os seus bens, a fim de pagar a dívida.  O servo lançou-se, então, aos seus pés, dizendo: 'Concede-me um prazo e tudo te pagarei.’  Levado pela compaixão, o senhor daquele servo mandou-o em liberdade e perdoou-lhe a dívida.  Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, apertou-lhe o pescoço e sufocava-o, dizendo: 'Paga o que me deves!’  O seu companheiro caiu a seus pés, suplicando: 'Concede-me um prazo que eu te pagarei.’  Mas ele não concordou e mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto lhe devia.  Ao verem o que tinha acontecido, os outros companheiros, contristados, foram contá-lo ao seu senhor.  O senhor mandou-o, então, chamar e disse-lhe: 'Servo mau, perdoei-te tudo o que me devias, porque assim mo suplicaste;  não devias também ter piedade do teu companheiro, como eu tive de ti?’  E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos até que pagasse tudo o que devia.  Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar ao seu irmão do íntimo do coração.»

sábado, 10 de setembro de 2011

Pensamentos impensados


Visitas guiadas
Há cerca de 50 anos visitei o Paço dos Duques de Bragança, em Guimarães; nesse tempo não havia Guias nem Cicerones e as visitas eram "guiadas" por contínuos ou porteiros. A pessoa que guiou o grupo lá foi debitando umas patacudas até que a certa altura, e para acabar, encolheu os ombros e disse: coisas dos tempos dos Condes e dos Marqueses.

Madeira
Alberto João queixa-se de falta de liquidez: será vinho?

Mais Madeira
Diz-se: se não há dinheiro não há palhaços. A Madeira é excepção, não há dinheiro e há palhaços.

Disseram-lhe para estar socegado e...ele cegou.

Ouvido na TV
O Governo  quer fazer...bla, bla, bla, mas a oposição está contra. Gostava de saber o que é uma oposição a favor.

Traduções My Way

Um inglês aparentava um chilique. Alguém quis ser simpático e perguntou: sit down well? (sente-se bem?).

SdB (I)

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Ponto de Vírgula

- T-O-M!
Ouviu um pequeno barulho atrás dela e voltou-se precisamente a tempo de agarrar o rapaz por uma ponta do fato e prendê-lo.
- Anda cá! Eu bem podia ter-me lembrado daquele armário. O que estiveste ali a fazer?
- Nada.
- Nada? Olha para as tuas mãos. Olha para a tua boca. O que é isso?
- Não sei, tia.
- Pois eu sei. É compota, é o que é! Já te disse quarenta vezes que, se não deixasses de mexer na compota, te tirava a pele. Dá cá essa vara.
A vara fez um movimento no ar, e o pequeno, vendo o caso mal parado, disse:
- Olhe para trás de si, tia.
A senhora deu uma reviravolta e apanhou as saias, que estavam em perigo. No mesmo instante o rapaz fugiu, saltou por cima da vedação de madeira e desapareceu.
A tia Polly ficou um momento surpreendida e por fim deu uma gargalhada.

in As Aventuras de Tom Sawyer, Mark Twain


Geleia de Maçã com Hortelã

Ingredientes:

2 kg de maçãs vermelhas
2 lt de água
sumo de 1 limão
800 g de açúcar
2 colheres de sopa de folhas de hortelã picadas
 
Preparação:

Corte as maçãs, retirando as sementes e as eventuais partes escuras. Ponha numa panela com a água e a hortelã bem picada. Cozinhe até a fruta ficar bem macia, mexendo de vez em quando. Passe as maçãs numa peneira.
Leve a fruta temperada de volta ao lume, misturando o açúcar aos poucos, até que se dissolva. Ferva, mexendo, até atingir a consistência de geleia.

Nota: Receita tirada da internet

MFM

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Alma pelo Tempo




Nos ponteiros que regulam as horas da minha vida, existe um traço


descontínuo, desafiando a matemática do “tic-tac” e desgovernando

demoras.
                                                                                                                                                                                     
Mudo de direcção, ziguezagueando entre cansaços e harmonias de sentires.

E como um ágil caçador de borboletas, extraio com o meu

                 
camaroeiro de memórias, bocados da vida e do seu lixo.





VNC

Deixa-me rir...


Caros audiophiles, this week I am highlighting one of the great voices of English folk music. Sandy Denny began performing solo in small folk clubs in the late 1960s before joining the soon-to-be-legendary folk group Fairport Convention. Reflecting later on Sandy's audition for them, the group noted: "It was a one-horse race...she stood out like a clean glass in a sink of dirty dishes."
In the space of only two years there followed three still classic albums which deeply influenced and evolved traditional English folk music towards electric folk rock, thanks to the combination of the group's multi-talented rock musicianship and her folk roots.
With their innovative reputations cemented, Sandy Denny decided to pursue a solo career again and develop her songwriting during the 1970s. During this period, she was invited to become the only guest singer ever to record with Led Zeppelin. Sadly, like so many, she also pursued drink and drugs, and in 1978 she fell down some stairs and suffered a fatal brain haemorrhage, aged only 31 years.
However, her artistic status was already secured, most notably by one of her very earliest compositions, which recently has been voted the greatest English folk song ever.
This song exemplifies her constant songwriting preoccupations with love and loss, the passage of time and the changing seasons, and highlights her timeless evocative voice, matched perfectly by Fairport Convention's understated instrumental accompaniment and, in particular, the legendary Richard Thompson's sympathetic guitar.

Who knows where the time goes?
Across the evening sky, all the birds are leaving
But how can they know it's time for them to go?
Before the winter fire, I will still be dreaming
I have no thought of time

For who knows where the time goes?
Who knows where the time goes?

Sad, deserted shore, your fickle friends are leaving
Ah, but then you know it's time for them to go
But I will still be here, I have no thought of leaving
I do not count the time

For who knows where the time goes?
Who knows where the time goes?

And I am not alone while my love is near me
I know it will be so until it's time to go
So come the storms of winter and then the birds in spring again
I have no fear of time

For who knows how my love grows?
And who knows where the time goes?





A proxima.
PO

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Novidades

O Adeus, até ao meu regresso... sempre se assumiu como um albergue espanhol: são todos bem-vindos desde que tragam farnel.

Para comprovar a teoria, amanhã teremos mais uma bloguista - VNC - que me foi apresentada (virtualmente, como tudo agora) pelo PO, o homem que em Londres dá um carácter internacional ao estabelecimento.

Apareçam, leiam, oiçam, apreciem, comentem. É com muito gosto que a recebo cá. Espero que se dê bem e que decida ficar. 

JdB

our own private nine eleven


nessa terça-feira de setembro,   
não foram só as torres que caíram,


arrastando 


( 
u
m
h
o
m
e
m
c
a
i
)

o estadunidense e marmóreo orgulho,
feito de betão, aço e vidro,
esmagados como o mais frágil papelão.

nesse dia de setembro,
caíram outras duas torres,
ou talvez um rei e uma raínha,
metáfora ainda mais óbvia - paciência..

hoje, quando o skyline de manhattan
chora, em silêncio, os seus dois braços decepados,
lembro-me de nós os dois,
nessa já tão longínqua barcelona,
e das cinzas em que, sem nos darmos conta,
tão brutalmente nos transformámos.

(mas, a bem dizer, entre tantos e tantas, quem ligaria
a mais duas ou menos duas casualties of war?)

gi.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Duas últimas


Hoje faço uma pausa na música portuguesa com que vos tenho fustigado nos últimos tempos e proponho que ouçam My Back Pages, de Bob Dylan, aqui numa versão ao vivo que juntou no palco do Madison Square Garden, em 1992, alguns dos maiores génios dos tempos já longínquos da minha mocidade, do próprio Dylan a Clapton, passando por Young ou Harrison. Nomes a quem estarei sempre eternamente grato pelos grandes momentos que me proporcionaram e continuam a proporcionar, nos discos que gravaram ou nos espectáculos ao vivo a que tive o privilégio de assistir, neste caso poucos, é certo, que Portugal não é destino de passagem habitual de génios que não sejam os da bola!

Esta musica está inserida num álbum de Dylan de 1964 chamado Another Side of Bob Dylan, que representou uma viragem, uma mudança (usando um cliché tão em voga nestes tempos nublados, terá sido uma mudança “estratégica”?) no percurso do grande compositor, então muito criticado pelos “puristas” de Woodstock, da folk e da contracultura, por ter aderido à guitarra eléctrica e talvez mesmo à vil fama! Mas o certo é que mudou e não se deu mal, produziu depois deste outros álbuns absolutamente fantásticos – poderia enumerar vários – e “construiu” uma longuíssima carreira que ainda hoje dura, mesmo que actualmente de forma algo penosa, suponho que para ele mas sobretudo para os muitos admiradores, que os 70 anos já vão pesando!

A letra, difícil como grande parte das que Dylan escreveu, ainda mais para quem, como eu, lida mal com esta língua dominante, fala da desilusão de tempos passados, que antecipam a tal necessidade de mudança. Uma sequência lógica que nem toda a gente segue, infelizmente…

Nesta versão, aprecio sobretudo os solos de Clapton, um guitarrista excepcional, e a entrada em cena da voz nasalada de Dylan. E, já agora, há uma outra versão desta música que recomendo, interpretada pelos The Birds, que foram certamente, a par de Joan Baez, dos que mais aproveitaram o génio criador de Dylan.

Espero que gostem!

fq



Dylan, Harrison, Neil Young... por tigwenn

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Imagens dos dias que correm

Egipto, Dezembro de 2006

Alerta

Decididamente não consigo acertar com o agendamento dos posts com esta versão moderna do blogger. Assim sendo - e ao contrário do que tem vindo a ser habitual - os textos sairão à hora possível e imprevista... Vão aparecendo, que nunca se sabe.


JdB

Moleskine


Casamento, ou o desafio das memórias. Bebericam-se bebidas diversas, enquanto empregados diligentes passam travessas com iguarias várias. Seguro no copo um belíssimo sorbet de limão com vodka e encontro um amigo de infância com quem não falava há mais de 40 anos, para além de um rápido estás bom? nas areias por vezes ventosas do Guincho. Cumprimentamo-nos com alguma efusividade, até que ele indaga sorridente: então o que tens feito?  Desmaia-se-me o sorriso e hesito se devo perguntar por que década queres que comece?  Não me ocorre mais do que um hesitante olha, ando por aí... (logo eu, que trabalho em casa e que não ando por lado nenhum).
Blogue, ou os mistérios da técnica. Aderi a uma versão moderno do blogger (só saber o que isto significa dá direito a uma bolsa de estudo). Acontece que não atino com a programação automática dos posts. Programa para as 7 da manhã do dia x e o post sai na véspera às 11 da noite. Vou supor questões de fuso horário. Alguém sabe ajudar?
Raciocínios, ou a diferença na atitude. Há quem prefira ser feliz a ter razão, há quem prefira ter razão a ser feliz. Há quem perceba que um abraço é como o primeiro passo  - é com ele que se (re)começam grandes caminhadas.
Roma, Maio de 2011
Livros, ou o encanto das frases. Despachei há semanas um opúsculo anónimo que falava de crise e de possíveis soluções para se sair dela. Retenho uma das três que o autor (ainda que anónimo, há um autor) entende serem fundamentais para darmos a volta: o culto da sobriedade.  Olha...

JdB

sábado, 3 de setembro de 2011

23º Domingo do Tempo Comum



Erros fecundos
Crescemos numa saudável convivência com os nossos erros. Dos mais simples aos mais notáveis dos homens e mulheres não há quem não erre, sucedendo até, como dizia o P. António Vieira, que “nos grandes são mais avultados os erros, porque erram com grandeza e ignoram com presunção”. Educar para o perfeccionismo cultivando o medo de falhar é criar almas escrupulosas e mentes atrofiadas. Aquelas capazes de ver “o argueiro no olho do irmão” e não a “trave” no seu próprio olho, especializadas na letra da lei e não no seu espírito. Mas o contrário também é pernicioso: a desresponsabilização pessoal e social, o erro instituído em costume, o deixar de viver como se pensa passando a pensar como se vive.

Não estou aqui a fazer um elogio do erro mas, como dizia alguém, brincando, “a vida ficou bem mais interessante com aquela falta de Adão e Eva no paraíso”. Claro que não estava a referir-se à profundidade teológica do pecado original nem a querer ofender Santo Agostinho e logo juntou: “não se canta na noite de Páscoa, “ó ditosa culpa que nos mereceu tão grande Redentor”? A possibilidade de errar e de reconhecer o erro não nos diminui; é a persistência no erro, a pretensão de sermos deuses, de viver autosuficientes que impedem a comunhão com Deus e com os outros, e esse é o maior erro da vida!

Jesus não andou à procura dos pecadores para os acusar. Era conhecido por comer com eles e sentia-se bem com a sua autenticidade. Acolhia e libertava valorizando mais o futuro do que o passado. Custava-lhe o fingimento e a sobranceria dos que se julgavam justos e impecáveis. O amor não lida bem com a aparência, prefere a transparência, ainda que seja como uma janela a precisar de limpeza. Assim não desiste de salvar e de oferecer um amor incondicional. Porque acredita nas extraordinárias capacidades de cada um de nós. Não andaremos longe de Jesus quando nos habituamos a excluir, a querer perfeito sem oferecer e fazer caminho, a congelar o que existe sem arriscar o novo por medo de errar?

É comprometedora a proposta que hoje nos é feita no evangelho para lidar com os erros dos irmãos. Do diálogo a sós, passando por pelo encontro com dois ou três amigos, confiando na comunidade, nunca se propõe desistir do outro. Curiosamente, mesmo depois de tentar tudo, a ideia de tratar o irmão como um pagão ou um publicano não significa excomunhão: não são eles os grandes destinatários do amor de Deus, aqueles que, surpreendentemente, acolhem Jesus com alegria? Felizes os que descobrem nos erros ocasiões para viver um amor maior, sementes de uma verdade que só encontra quem está disposto a caminhar!

P. Vítor Gonçalves

in VOZ DA VERDADE 04.09.2011


***


EVANGELHO – Mt 18,15-20
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus


Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Se o teu irmão te ofender,
vai ter com ele e repreende-o a sós.
Se te escutar, terás ganho o teu irmão.
Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas,
para que toda a questão fique resolvida
pela palavra de duas ou três testemunhas.
Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja;
e se também não der ouvidos à Igreja,
considera-o como um pagão ou um publicano.
Em verdade vos digo:
Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu;
e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu.
Digo-vos ainda:
Se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa,
ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus.
Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome,
Eu estou no meio deles».

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Pensamentos impensados


Coisas impensáveis
O Museu Arqueológico de S. Miguel de Odrinhas fica a meio caminho entre Sintra e Ericeira. Foi construído em 1995 pela Câmara Municipal de Sintra e consta, principalmente, de "pedras" romanas, tais como lápides, sarcófagos etc.
Há cerca de 50 anos visitei-o pela primeira vez, e não passava de um amontoado de pedras que estavam ao ar livre num terreno murado. 
(Se não era assim era parecido; já lá vão 50 anos).
Quando quis entrar deparei-me com a porta fechada; indaguei quem tomava conta e informaram-me que era a "Sra. Maria", que estaria no campo a trabalhar; fui ter com a conservadora e pedi-lhe para me franquear a entrada; acedeu contrariada, pois estava a trabalhar.
Durante a visita vi vários sarcófagos, em pedra, que continham esqueletos do tempo dos romanos; também vi que por ali passeavam cães. Mostrei estranheza à guia / conservadora, que só me disse: É, às vezes abalam com os ossos.

Atendendo a que Portugal é um dos melhores fabricantes de calçado, são de acarinhar os turistas de pé descalço, pois são potenciais compradores de sapatos.

Há uma luta japonesa, sumo, que por vezes não dura mais do que um segundo ou dois. Seria divertido ver um gago a fazer o relato; ainda balbuciava o nome de um dos lutadores e já eles estavam no balneário.

Tenho um gelado no congelador há mais de 6 meses; será que ele ainda está fresquinho ou já estará cediço?


SdB (I)

Músicas dos dias que correm (ou a graça da contradição com a imagem abaixo)

Imagens dos dias que correm

Ponte Vecchio, Florença (Maio 2011)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

horas mortas

escapeliza cinzel frio
paradigma e paradoxo,

só para melhor voltar a fundir

o meu corpo e a tua alma,
a tua pele e o meu osso.



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Moleskine

CitaçõesA senhora tem entre as pernas um instrumento capaz de dar prazer a milhões - e não consegue fazer mais do que arranhá-lo (Sir Thomas Beecham, maestro, alegadamente a uma violoncelista).




Sporting. Como li no outro dia num blogue, sou do tempo em que os treinadores do clube aguentavam até ao nascimento do Menino Jesus. Agora já não se sabe se chegam à mudança da hora, altura em que surge o Pai Natal (quando Nossa Senhora ainda não sabe de nada). A vida de um sportinguista é um calvário - e já encanitam os trocadilhos com o apelido do mister. Haja criatividade, porque a paciência já lá está... 
Livros. Leio A Viagem dos Inocentes, de Mark Twain (Tinta da China, 2010). Da internet: Mark Twain, «pai da literatura americana», parte num navio em direcção à Europa, passando pelos Açores, cuja descrição será irresistível para os leitores lusófonos. Respingo, do capítulo referente ao Faial, frases soltas: A comunidade é principalmente portuguesa - ou seja, pobre, apática, modorrenta e preguiçosa.  E outra, ainda: E têm um bando de apóstolos bolorentos, dilapidados, empoeirados, à volta da filigrana, alguns só com um olho, mas com um olhar lascivo no que lhes sobra, e alguns com menos dois ou três dedos, e outros sem nariz que chegue para se assoarem - todos eles aleijados e coitadinhos, mais condicentes com um hospital do que com uma catedral
Tempo. À hora a que vos escrevo, leitores de uma estranha fidelidade, vejo, através da vidraça, uma bátega de água incessante e inclemente. Nunca se viu um Agosto assim, reclamam os vendedores de bolas de berlim e de cornettos da praia de Carcavelos, que há anos apregoam os seus produtos. Trabalhei numa indústria de gelados e conheço a situação - é medonha. O que não se vende hoje não se recupera amanhã. Talvez os centros comerciais vivam felizes: anteontem, pelas cinco e pouco da tarde, o Cascais Shopping estava pejado de gente que se passeava em trajes de Verão, apesar da humidade que encaracola as melenas, porque é férias e a naftalina deita cheiro em não havendo arejamento atempado. Cá em casa - que é o último reduto onde ainda exerço algum vestígio de poder - há divisão de opiniões: a roupa não seca, o que é uma maçada mas, em compensação, não há calor para atormentar quem trabalha. 
Ando ao contrário. Há muito que o digo: quando nasci já era velho (houve quem achasse um bom título de livro...). Agora, que caminho para o ocaso da vida (um cliché...), apetece-me voltar atrás, à minha adolescência, às sensações de quem achava que o ano 2000 era uma miragem e que chegar lá seria um feito de longevidade digno de um matusalém. Talvez seja o desejo de uma certa simplicidade das relações, a ausência de grandes preocupações ou, como diria um amigo no ano de todas as tragédias, a vontade de regressar a um tempo em que a maior inquietação era o desconhecimento do programa da noite.  
Facebook. Amiga próxima, com créditos firmados na escrita qualitativa e abundante de livros, instiga-me a aderir à rede social. Nada no meu corpo se move nessa direcção e explico porquê: sentado diariamente durante algumas horas ao computador, posso alhear-me perigosamente com a simples existência de um mosquito que ronda, com o abanar ligeiro de uma cortina comprada a preços modestos, com o pensamento fugaz sobre a misteriosa vida dos ricos e famosos. Não preciso, por isso de mais distracções, para além de que vejo pouco interesse naquela mecânica. Tentam entusiasmar-me, alegando que encontras gente que não vês há quarenta anos... Deus meu! que medo, encontrar colegas da escola alemã que me diriam eh, pá, não sabia que eras tão gordo...   
Madeira. O descalabro financeiro aperta o cerco ao soba do Funchal (segundo cliché num único post...). Não nutro qualquer simpatia pelo cavalheiro em questão, a não ser aquela que sempre temos por quem é apalhaçado, com uma bonomia própria dos gordos (eu sou uma excepção). A população local - e os turistas - têm muito a agradecer-lhe (há 40 anos o arquipélago seria uma espécie de pardieiro) mas aquela ausência ridícula de sentido de estado roça o vulgar. Ironias da democracia, porque quem elege nem sempre sabe e quem é eleito nem sempre merece... 
Impostos. O ministro Vitor Gaspar anuncia mais impostos. Estou certo de que falarão um dia destes sobre o emagrecimento significativo do Estado, porque se esse tema já foi versado eu estava distraído com o abanar da cortina. Talvez para o Advento, altura em que o Sporting muda de treinador e a visão da rabanada é incompatível com a penúria generalizada. 
Imagens. Do Google de ontem, a celebrar o 110º aniversário da primeira linha de carros eléctricos entre o Cais do Sodré e Algés.

JdB 

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