As melhores viagens são, por vezes, aquelas em que partimos ontem e regressamos muitos anos antes
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Duas últimas
O meu texto de hoje é o texto de um indignado. Junto-me, assim, às massas nova-iorquinas e madrilenas e comungo da sua vontade de protestar. O meu protesto não terá o alcance nem o impacto dos ocupantes de Wall Street, mas nem por isso é menos veemente.
Então não querem lá ver que me propus postar três fados de alguém que muito prezo, chamado Vicente da Camara, e nenhum deles existe no YouTube?
Fiquei danado, e só o muito respeito e consideração que nutro pelo dono deste estabelecimento me impediu de aderir à greve geral do próximo dia 24 e de desfilar avenida abaixo com um cartaz a dizer "Abaixo o YouTube".
Não havendo Vicente da Camara, deixo-vos com uma segunda escolha não menos fadista: Ray Charles e o tema "Georgia on my mind". É o que há.
JdC
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segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Vai um gin do Peter’s ?
Vale a pena
ouvir as reflexões de grandes homens para se perceber como é difícil ser-se
positivo e oferecer motivações construtivas, quando se tem de lidar com o
esforço, puro e duro.
Comecemos por Mark Twain: «Faz todos os dias uma coisa
que não te apeteça fazer; é a regra de ouro para te ires habituando a fazer o
teu dever sem dor.» Podíamos
também lembrar as célebres palavras de Churchill, dirigidas aos britânicos, em
Maio de 1940, a prometer, com enorme coragem e verdade: sangue, suor e
lágrimas. Os exemplos não teriam fim, tornando mais genial a excepção, ou
seja, ser-se capaz de converter o esforço num desafio atraente. Nada menos do
que isto.
Por iniciativa da conhecida
empresa alemã de automóveis, Volkswagen, um grupo de engenheiros foi convidado
a motivar o cidadão comum para subir as escadas fixas de locais públicos, em
vez da comodidade das rolantes, mesmo ao lado. Não, não se invocaram as
vantagens para a saúde. Nem as recomendações ecológicas e de poupança energética,
que até eram relevantes para os engenheiros. Menos ainda a sedutora
argumentação estético-dietética, a que o público feminino costuma ser sensível.
Tudo começou por se formular a
questão do modo mais exigente e positivo. Digamos que um bom ponto de partida
favorece um bom ponto de chegada. A questão partiu desta premissa: como tornar as
escadas fixas mais apetecíveis que as rolantes? Como associar maior
divertimento às fixas, para serem a primeira escolha? Citando os gestores desta
iniciativa, tão saudável: «Can we get more people to choose the stairs by making it fun to do?». O final da pergunta indicia bem o tipo de abordagem adoptada, propiciando
uma solução benigna e atractiva.
Por isso, não se estranha que a
resposta tenha sido 100% musical, interactiva, originalíssima, sob a forma de
um teclado gigante, intitulada «happy
people on piano». Tudo de uma simplicidade genial. Muito
contagiante:
Um excelente serviço prestado pela feliz combinação de ciência, tecnologia e boa psicologia humana.
A iniciativa foi aplicada em Estocolmo, Milão, Hong Kong,
Chile, sempre com o maior sucesso, conseguindo inverter drasticamente as
estatísticas, a favor do uso das escadas fixas. Fosse no metro, fosse em
centros comerciais e demais espaços públicos, a maioria nem hesitou em optar pelo
maior esforço. Esse o mérito mais ambicioso deste projecto.
Conclusão expressiva do grupo de engenheiros: «Fun
can obviously change behaviour for the better. We call it The Fun Theory.»
Naturalmente, que nem tudo na vida comporta divertimento.
Nem sempre se conseguem desencantar incentivos divertidos para mitigar a
dificuldade e o desconforto de
algumas decisões de vida, incontornáveis. Ainda assim, esta solução simbólica
convida-nos a empenharmo-nos mais nessa tentativa, facilitadora de bons
resultados.
De facto, fazer as pessoas felizes e investirmos em ser felizes parece-me uma
boa divisa. Nesse sentido, aqui vai um pequeno contributo, que alia música e exercício
físico, nos sons festivos da quadra natalícia que se aproxima, desejando a cada
um a motivação mais inspirada para as
melhores escolhas na vida:
Maria
Zarco
(a preparar o
próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)
domingo, 20 de novembro de 2011
Domingo, Se Fores à Missa!
Há
alguns Domingos, o meu caro colega dominical e ilustre Dono deste
Estabelecimento falava-nos de serviço e de voluntariado e da importância de
dedicarmos parte do nosso tempo aos outros e à sociedade. Posso dizer que tive a sorte de me terem sido
transmitidos esses valores, quer em casa quer na escola, desde muito cedo e,
até hoje, eles fazem parte integrante da minha vida.
Na
escola, teria eu uns 12 ou 13 anos, faziamos visitas quinzenais aos meninos
internados no Hospital da Estefânia.
Desses tempos, mantém-se viva a
lembrança de duas sensações particulares: uma física e outra de carácter mais
emocional. A hora da nossa visita
coincidia com o lanche das crianças, uma caneca de leite com chocolate e pão
com doce ou bolachas. Há coisas que nos
marcam sem sabermos bem porquê e também, confesso, não costumo perder muito
tempo a procurar razões que jazem para além do consciente e do óbvio, mas o
facto é que o cheiro daquele leite com chocolate (talvez fosse Ovomaltine) me
acompanha até hoje, sempre que entro num hospital. A outra sensação, mais
profunda e emocional, era uma sensação de “perda”, quando na quinzena seguinte
já não encontrávamos o menino A ou a menina B, a quem nos tinhamos afeiçoado
nos últimos meses.
Em
casa, lembro-me que por altura do Natal, o meu Pai metia-nos a todos, ou quase
todos, porque todos não cabíamos, no seu carro com um saco cheio de batatas,
cebolas, leite, pacotes de bolachas, azeite, roupa, brinquedos, etc... e íamos
levar todos esses bens a uma familia carenciada. Ele fazia questão que fossemos
nós a dar, em mão, os brinquedos às crianças. Sinceramente não me lembro se era
sempre a mesma familia, nem quantos Natais o fizémos, mas lembro-me que nós
achávamos tudo aquilo“uma seca”, para utilizar uma expressão de hoje em dia.
Nos
dias de hoje, faço parte das Equipas da Noite que visitam os Sem Abrigos de
Lisboa, colaboro no Banco Alimentar sempre que posso e mais algumas coisas que
vão surgindo, embora o tempo seja escasso.
É
certo que a máxima “quando dou, recebo” é uma realidade e, de facto, quando me
dou sinto total satisfação, mas acredito que o que deve estar subjacente ao
voluntariado, ou seja, a razão principal que nos impela a praticar o
voluntariado deverá ser porque realmente acreditamos que o nosso tempo e o
nosso empenho vai fazer alguma diferença naquela pessoa ou naquela associação
que estamos a ajudar. Se nos baseamos somente na nossa própria satisfação, vai
acontecer que um dia isso já não nos satisfaz, e facilmente largamos.
É
como as esmolas. Quantos de nós damos
esmola só por descargo de consciência ou para satisfação própria, em vez
de nos darmos ao trabalho de fazer uma
distinção real entre quem realmente precisa e quem se aproveita? Ou então
caímos na situação oposta e não damos a ninguém! É verdade ou não? A verdadeira esmola, a verdadeira caridade, o
verdadeiro serviço e voluntariado só funciona com uma única matéria prima: o
nosso tempo.
Domingo
Se Fores à Missa ....... Partilha o Teu Tempo!
Maf
EVANGELHO
Mt 25, 31-46
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando o Filho do homem vier
na sua glória com todos os seus Anjos, sentar-Se-á no seu trono glorioso. Todas
as nações se reunirão na sua presença e Ele separará uns dos outros, como o
pastor separa as ovelhas dos cabritos; e colocará as ovelhas à sua direita e os
cabritos à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita:
‘Vinde, benditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está
preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-Me de comer; tive
sede e destes-Me de beber; era peregrino e Me recolhestes; não tinha roupa e Me
vestistes; estive doente e viestes visitar-Me; estava na prisão e fostes
ver-Me’. Então os justos Lhe dirão: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome e
Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber? Quando é que Te vimos
peregrino e Te recolhemos, ou sem roupa e Te vestimos? Quando é que Te vimos
doente ou na prisão e Te fomos ver?’. E o Rei lhes responderá: ‘Em verdade vos
digo: Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o
fizestes’. Dirá então aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de Mim,
malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos. Porque
tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber; era
peregrino e não Me recolhestes; estava sem roupa e não Me vestistes; estive
doente e na prisão e não Me fostes visitar’. Então também eles Lhe hão-de
perguntar: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome ou com sede, peregrino ou
sem roupa, doente ou na prisão, e não Te prestámos assistência?’. E Ele lhes
responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o deixastes de fazer a um dos
meus irmãos mais pequeninos, também a Mim o deixastes de fazer’. Estes irão
para o suplício eterno e os justos para a vida eterna».
sábado, 19 de novembro de 2011
Pensamentos impensados
E Q sempre actual
(...) Depois, com um suspiro:
- E outra coisa, filho...Trazes de lá algumas orações, das boas, das que te ensinassem por lá os patriarcas, os fradezinhos?...
-Trago-as de chupeta, titi! E numerosas, copiadas das carteiras dos santos, eficazes para todos os achaques! Tinha-as para tosses, para quando os gavetões das cómodas emperram, para vésperas de lotaria...
- E terás alguma para cãimbras? Que eu às vezes, de noite, filho...
-Trago uma que não falha em cãimbras. Deu-ma um monge meu amigo a quem costuma aparecer o Menino Jesus...(...)
(Eça de Queiroz in A Relíquia)
Cambiante
A cor azul tem várias tonalidades: o azul claro, o azul escuro, o azul celeste, o azul cueca ou bebé, etc. Dado que os ministros usam um uniforme azul, devia haver o azul ministro.
O iluminado
Há uns anos, Mário Soares disse que já via luz ao fundo do túnel; devia estar nalguma adega, a voz entaramelou-se-lhe pois queria dizer a luz ao fundo do tonel.
Sabedoria antiga
Escusas de ficar descansado pois a mim não me falta esquecimento.
Treinos
Na Tv, António Sequeira (não sei quem é) diz que que Paulo Bento é o treinador de todos os portugueses. Eu nem sequer jogo; jogo com palavras, mas não vejo o Paulo Bento a treinar-me.
SdB(I)
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
o jogo favorito*
(* poema inspirado na leitura do romance homónimo, de leonard cohen)
havia uma rapariga chamada shell.
existiam também muitas outras raparigas,
existiam também muitas outras raparigas,
com nomes parecidos e ao mesmo tempo diferentes.
um rosário de raparigas,
um rosário de raparigas,
para sempre fixadas no auge absoluto da sua perfeição,
com o seus corpos exultantes,
resistentes à usura do tempo, à ferrugem dos dias.
ele era um filme, caótico,
ele era um filme, caótico,
canhestramente montado,
o trabalho de um óbvio amador.
elas eram, pelo contrário,
gloriosas obras de arte,
fotografias perfeitas de memórias petrificadas.
quando dele não restar senão a poeira e as palavras,
quando dele não restar senão a poeira e as palavras,
elas serão as suas pirâmides de gizé,
as suas cordilheiras imperiais,
cascatas sublimes causando perpétuo espanto,
vestígios orgulhosos e perenes de uma civilização
- ele - em tempos idos fluorescente.
havia uma rapariga chamada shell.
havia uma rapariga chamada shell.
uma concha de abrigo.
por isso fugiu dela,
como se faz das coisas que têm potencial suficiente
para nos mudar a vida.
gi.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Deixa-me rir...
Caros audiophiles, this week I was invited to a jazz festival concert performed by the French pianist and composer Claude Bolling.
I had never heard of him but I was assured that he is legendary. Indeed, if you check his internet profile as I did, you will discover that he has composed music for around 100 films, and that he has collaborated with many famous jazz artists such as Duke Ellington, Lionel Hampton, Stephane Grappelli and Oscar Peterson.
His most famous and enduring composition is the 1975 Suite for Flute and Jazz Trio. Here he marries classical flute with traditional jazz rhythms, "a mix of baroque elegance and modern swing", consisting of seven movements: Baroque and Blue, Sentimentale, Javanaise, Fugace, Irlandaise, Versatile, Veloce.
This piece proved so popular in America that it remained the #1 sales jazz album for two full years.
So I was curious to discover this 'new artist' for myself. Claude Bolling, now 81 years old, speaks terrible English but he made an effort to communicate, which is always endearing, and it became evident from his body language and rapport with his musicians that he has a mischievous childlike sense of humour and Gallic charm.
I was not disappointed. In the first half of the concert he performed his famous Suite, and in the second half he played a mix of jazz 'standards' from Gershwin, Grappelli, Louis Armstrong, New Orleans. Of course he is a most accomplished pianist. OK, his style is, to my contemporary ears, light and pleasant, perhaps nothing more. But I am interested to know if you, my audiophiles, are familiar with him and what you think.
I present here two of the seven movements:
A proxima.
PO
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quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Ponto de Vírgula
Cresceu rapidamente um enclave. (...) A natureza era generosa e, quando o rigor dos ventos alísios lhes fez sentir mais longo o tórrido Inverno que vai de Maio a Dezembro, então alimentaram-se das fragantes goiabas, das brancas anonas, da carne áspera do coco, do untuoso abacate, das bananas que combatem eficazmente as diarreias e da perturbante polpa da sapota.
in As Rosas de Atacama, Luis Sepulveda
Honduras - travel.nationalgeographic.com
Sashimi de Frutas
Ingredientes
1/2 unidade(s) de manga
150 gr de melão em fatias
1 fatia(s) de abacaxi
1 unidade(s) de kiwi
1/2 unidade(s) de mamão papaya
1 unidade(s) de goiaba
1 unidade(s) de laranja
1 unidade(s) de maracujá
2 colher(es) (sopa) de mel
1/2 colher(es) (café) de canela-da-china em pó
quanto baste de hortelã para decorar
Preparação
Corte todas as frutas em finas lâminas (com exceção da laranja que apenas devem ser tirados os gomos).
Com as frutas cortadas, sobrarão aparas.
Corte estas aparas em cubos e misture-as, em um recipiente separado, à polpa de maracujá, mel e canela.
Montagem: Coloque no centro do prato fruta sobre fruta, formando um caracol. Ao redor, regue com a calda preparada separadamente e decore com menta e hortelã.
Nota: receita tirada da internet
MFM
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Duas últimas
Caros leitores amigos, detentores de uma fidelidade e persistência que roçarão a generosidade inexplicável,
Ele há dias em que a escuridão nos invade, fruto de datas que estão para chegar e nos perturbam o sossego a que nos sentíamos com direito. Tudo parece então bizarro, confuso, difícil - aqui e ali angustiante. A nossa amiga Luiza Azancot alegaria leão em casa de carneiro, ou virgem no domicílio de plutão. Seguramente um desalinhamento dos astros, um ligeiríssimo desvio do centro de gravidade da terra, um crescimento infinitesimal no achatamento dos pólos.
Se olharmos para a despensa percebemos que colocámos o açúcar pilé ao lado do hipoclorito, as alcaparras encostadas ao detergente , o sabão macaco apoiado no veuve cliquot. Em tudo perceberemos um tom de falsidade, uma nota dissonante, uma assimetria preocupante. São dias dolorosos, feitos de uma certeza marcadamente sofredora.
Perguntar-se-ão, dilectos leitores dotados de uma resistência quase para-normal, a que data funesta me refiro e que me provoca erisipela ao nível do sistema nervoso. Eu revelo, porque não sou rapaz para segredos: hoje termina o prazo para a entrega trimestral da declaração do iva e respectivo pagamento, algo que deixa qualquer profissional liberal com um ataque de mau génio.
Deixo-vos com António Zambujo e as vozes búlgaras, algo que, à primeira vista, pode ser semelhante a uma lata de sardinhas arrumada na gaveta dos fatos de banho: um casamento bizarro. Se gostarem manifestem-se ruidosamente; se não tiverem gostado digam-me, que eu conheço blogs bons, bonitos, modernos e originais.
JdB
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segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Fórmula para o caos
Silvio Berlusconi (parte 1). Chegou o tão esperado, e desejado por muitos, fim político de Il Cavalieri. Proponho esta semana deambular pela história.
O ainda chefe de governo italiano é oriundo de uma família de classe média-baixa de Milão. O primeiro dinheiro que ganhou foi a trabalhar como alfaiate, dado os escassos recursos de que dispunham os seus pais. No entanto, desde novo que denotou uma brilhante esperteza para os negócios. Aos 23 anos, enquanto cursava Direito numa universidade italiana, começou a erguer a sua fortuna no negócio do imobiliário e da construção. Em 1974, depois de todos os dividendos que logrou como construtor, adquiriu o seu primeiro canal de televisão. Dai até ao fim dos anos 80 o seu império não mais parou de crescer. Em 1988 controlava, como accionista maioritário, as três principais estações de televisão privadas e o clube de futebol AC Milan.
Em 1992 o escândalo político rebentou em Itália. Depois de uma profunda e exaustiva operação judicial que ficou conhecida como " Mãos Limpas ", foram denunciados os vários casos de corrupção que envolviam os principais partidos políticos italianos, com destaque para a Democracia Cristã (centro-direita) e o Partido Comunista (esquerda). Começou-se a desenhar uma novo quadro partidário em Itália. A sociedade transalpina exigiu o total refundamento dos valores políticos vigentes no país. Aproveitando o vazio criado pela operação Mãos Limpas, Silvio Berlusconi decidiu fundar um novo partido chamado Forza Itália. Era uma força partidária de direita e matriz liberal. No fundo, vinha ocupar o espaço deixado pela Democracia Cristã. O magnata dos media, em 1993, montou uma gigantesca operação mediática de promoção do seu novo partido, tendo em vista a vitória nas eleições legislativas de 1994.
Pedro Castelo Branco
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domingo, 13 de novembro de 2011
33º Domingo do Tempo Comum
Hoje é Domingo, e eu não esqueço a minha condição de católico.
Durante um tempo da minha vida colaborei em cursos de preparação para o matrimónio, falando a noivos de várias idades e proveniências. Entre outras coisas dizia-lhes algo que me parecia importante (e que penso já ter referido neste espaço): o mundo está cheio de advogados, médicos, engenheiros competentes. O que marca a diferença - não só, mas também, num ambiente profissional - é a forma como nos relacionamos com os outros, como tocamos a vida de quem está perto de nós, como dizemos que não a relações assentes na prepotência e no aproveitamento de fragilidades humanas.
Noutra dimensão, cada vez acredito mais que a inteligência não é uma virtude, mas que se torna virtude através da forma como a utilizamos em benefício do próximo. Todos nós nos recordaremos de políticos detentores de uma inteligência talvez acima da média, mas que arrastaram povos para o abismo, ou que defenderam posições radicalmente contra o que é de mais elementar em termos de respeito humano.
Todos nós teremos talentos próprios, dons com que nascemos e para os quais, para além do seu eventual desenvolvimento, pouco contribuímos. Tal como vem na parábola abaixo, nada do que temos nos pertence de facto. Tudo nos foi dado para por a render isto é, tudo nos foi dado para por ao serviço do próximo, para melhorar a vida de quem vive junto de nós ou que palmilha uma existência mais difícil.
Deus dá-nos talentos. Como agradecemos ou retribuímos esta dádiva? E de que maneira os pomos a render? Quem, na realidade, beneficia deles? Recebemos cinco e entregamos dez, ou escondemos o que nos foi entregue, numa atitude medrosa que não é mais do que o egoísmo de quem vive debruçado sobre si mesmo e se acobarda de mudar a vida em seu redor?
bom Domingo para todos,
JdB
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo,
Disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola:
«Um homem, ao partir de viagem,
chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens.
A um entregou cinco talentos, a outro dois e a outro um,
conforme a capacidade de cada qual; e depois partiu.
O que tinha recebido cinco talentos
fê-los render e ganhou outros cinco.
Do mesmo modo,
o que recebera dois talentos ganhou outros dois.
Mas, o que recebera dois talentos ganhou outros dois.
Mas, o que recebera um só talento
foi escavar na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor.
Muito tempo depois, chegou o senhor daqueles servos
e foi ajustar contas com eles.
O que recebera cinco talentos aproximou-se
e apresentou outros cinco, dizendo:
‘Senhor, confiaste-me cinco talentos:
aqui estão outros cinco que eu ganhei’.
Respondeu-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel.
Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes.
Vem tomar parte na alegria do teu senhor’.
Aproximou-se também o que recebera dois talentos e disse:
‘Senhor, confiaste-me dois talentos:
aqui estão outros dois que eu ganhei’.
Respondeu-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel.
Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes.
Vem tomar parte na alegria do teu senhor’.
Aproximou-se também o que recebera um só talento e disse:
‘Senhor, eu sabia que és um homem severo,
que colhes onde não semeaste e recolhes onde nada lançaste.
Por isso, tive medo e escondi o teu talento na terra.
Aqui tens o que te pertence’.
O senhor respondeu-lhe: ‘Servo mau e preguiçoso,
sabias que ceifo onde não semeei e recolho onde nada lancei;
devias, portanto, depositar no banco o meu dinheiro
e eu teria, ao voltar, recebido com juro o que era meu.
Tirai-lhe então o talento e dai-o àquele que tem dez.
Porque, a todo aquele que tem,
dar-se-á mais e terá em abundância;
mas, àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado.
Quanto ao servo inútil, lançai-o às trevas exteriores.
Aí haverá choro e ranger de dentes’».
sábado, 12 de novembro de 2011
Pensamentos impensados
Ouve-se falar na reforma da Justiça. Será reforma por inteiro?
Há tempos, um tipo apresentou-me a sua Mulher dizendo Esposa. Como é uma palavra que odeio, perguntei-lhe: Esposa é com X ou com CH?
Um vendedor de televisão por cabo tentava vender o produto a um professor catedrático, dizendo que tinha chamadas de borla. O doutor disse: borla já eu tenho e até tenho capelo.
Silogismo
Portugal tem muitas rotundas Segundo algumas pessoas, as rotundas não se contornam, controlam-se. Logo, Portugal é um país controlado (pela troika).
Almofada
A grande dúvida política da semana é saber se há, ou não, almofada. O PS diz que sim, mas o PSD diz que não. O diferendo pode ser resolvido na rua das Amoreiras, onde uma loja publicita a "semana da almofada".
Vales à caixa... torácica
Entre os "peitos" das senhoras forma-se como que um vale. Nalguns casos pode ser considerado Silicone Valley.
SdB (I)
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
bilhete postal
tenho um livro (em branco) na mala do carro
esplêndido photomaton destes meses (também eles brancos)
tal como estes versos (de rima branca)
e uns tantos poemas ainda por escrever (brancos).
não sei bem porquê, mas é alva a memória que guardo
das paredes de tua casa,
dos livros que nela guardas,
da ponta dos teus cigarros,
da quase não-cor da tua bebida preferida,
das minhas palavras a mais
das tuas palavras a menos
- e de mais umas quantas coisas que não vou aqui escrever
(o poeta a que falta coragem é, também ele, um poeta em branco).
só os teus olhos não eram brancos,
antes de uma impossível cor de avelã,
mas disso, ou também disso,
não tenho eu qualquer culpa.
é como gostar de uma canção:
há coisas que não se explicam,
coisas que não precisam de explicação,
coisas simples que simplesmente são.
ou então não.
mas em tudo o que não é
há ainda uma vertical vitória
dos sonhos que caíram
como árvores:
impecavelmente lúcidas,
morrendo de pé.
ou pelo seu próprio pé.
gi.
esplêndido photomaton destes meses (também eles brancos)
tal como estes versos (de rima branca)
e uns tantos poemas ainda por escrever (brancos).
não sei bem porquê, mas é alva a memória que guardo
das paredes de tua casa,
dos livros que nela guardas,
da ponta dos teus cigarros,
da quase não-cor da tua bebida preferida,
das minhas palavras a mais
das tuas palavras a menos
- e de mais umas quantas coisas que não vou aqui escrever
(o poeta a que falta coragem é, também ele, um poeta em branco).
só os teus olhos não eram brancos,
antes de uma impossível cor de avelã,
mas disso, ou também disso,
não tenho eu qualquer culpa.
é como gostar de uma canção:
há coisas que não se explicam,
coisas que não precisam de explicação,
coisas simples que simplesmente são.
ou então não.
mas em tudo o que não é
há ainda uma vertical vitória
dos sonhos que caíram
como árvores:
impecavelmente lúcidas,
morrendo de pé.
ou pelo seu próprio pé.
gi.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Rei de Copas
(imagem retirada da net)
Nota prévia:
Fujo
do frio como o diabo da cruz. Gosto de calor, de roupas leves, de
teses queimadas e de brisas mornas. Vou pois ter a honra de inaugurar
uma nova rubrica de listas neste prestigiado blogue com o "top
ten" dos maiores calores que apanhei até agora. Foram situações
extremas, na maior parte dos casos muito desagradáveis e que só confirmam
o adágio popular de que "tudo o que é de mais chateia". A
classificação tem mais a ver com o incómodo de que me lembro sentir do que
propriamente com a temperatura. Todas as situações aconteceram contudo bem
acima dos 40ºC.
Os 10 maiores calores
(no sentido literal) que apanhei na minha vida e onde
1º Khyber Pass (fronteira entre o Paquistão e
Afeganistão)
Se
relativamente à maior parte dos outros casos não me lembro da temperatura
exacta
que fazia, neste caso lembro-me bem. Quando saí do automóvel para
participar
numa cerimónia oficial ao ar livre o termómetro marcava 49 graus.
A região,
terra de esconderijo do Bin Laden, de terrorismo e de todo o tipo
de tráficos,
é um lugar de uma beleza rara. Desolado, rude e extremo (no
Inverno as
temperaturas descem aos 20 graus negativos), transmite-nos
simultaneamente uma
sensação de encanto. Por lá passaram o Alexandre da
Macedónia, o Gengis Khan e
outros conquistadores mais modernos. Todos se
deram mal. Se calhar foi por
causa do calor.
2º Bombaim (Índia)
Também
aqui me lembro da temperatura que apanhei: 47 graus. E o pior é que
às 2 da
manhã estavam ainda 37 graus. Acrescente-se uma humidade a rondar os
100% e
temos a antecâmara do inferno. Tive ali a sensação de que o calor
pode ser
insuportavelmente opressivo. Disseram-me que estive lá na altura
pior. Que
depois vêm as monções e que, com elas, vem a libertação. Só pode.
3º Manaus (Brasil)
Que
me desculpem os brasileiros, mas Manaus é um buraco infecto, pegajoso e
irrespirável.
Tem no entanto um povo muito simpático, um teatro lindíssimo e
umas caboclas de
fazer parar o trânsito. Foi importante no curto período em
que teve o monopólio
do comércio da borracha e os seus habitantes acham que
vai voltar a sê-lo um
dia com base nas riquezas ainda inexploradas da
Amazónia. Tomei banho na
piscina do hotel à meia-noite e sequei-me ao ar sem
precisar de uma toalha. Tal
era o calor.
4º Tete (Moçambique)
Moçambique
não é propriamente um país frio, mas os moçambicanos consideram
Tete o pior que
lá há em termos de calor. Passei por Tete algumas vezes a
caminho do Malawi e
pude confirmar os relatos dos soldados portugueses que lá estiveram em operações
militares. Um autêntico forno, garanto-lhes, com
temperaturas a rondar os 45
graus. Ao que parece, o trabalho nas minas de
carvão da região é considerado um
dos mais difíceis do mundo. Dentro das
minas as temperaturas ultrapassam, e
bem, os 50 graus.
5º Nicósia (Chipre)
Quando
o avião estava para aterrar no aeroporto de Larnaca (que serve a
cidade de Nicósia)
o piloto informou que na capital de Chipre estavam àquela
hora 44 graus.
Lembro-me do bafo que entrou no avião quando a porta se abriu
e lembro-me
também da água da piscina do hotel ser quente ao ponto de não
apetecer tomar
banho. Na volta turística que dei pela cidade não houve
igreja na qual não
entrasse. Não por nenhum súbito acesso de Fé ortodoxa,
mas porque eram os
únicos sítios frescos onde se podia estar.
6º Sevilha (Espanha)
Sevilha
é, segundo consta, a cidade da Europa que detém o record da
temperatura mais
elevada. Não estive lá no dia do record, mas os dias de
Verão que lá passei
deram para perceber que o calor faz parte integrante da
vida daquela cidade.
Nas horas mais quentes não se vê ninguém na rua, porque
efectivamente não é
humanamente possível andar na rua. É uma espécie de
Sibéria ao contrário. A
minha mãe tentou andar 100 metros para apanhar um
táxi e desmaiou.
7º Darwin (Austrália)
Haverá
certamente sítios mais quentes no interior da Austrália, mas Darwin é
seguramente
a cidade litoral com temperaturas mais altas ao longo de todo o ano. Estive lá
num Verão particularmente rigoroso e lembro-me concretamente
do vento
escaldante e das enormes dores de cabeça que provocava. A cidade
mais próxima
fica a 4 horas de avião. No meio apenas um enorme deserto de
onde sopra o
vento. Nos jardins públicos de Darwin vêm-se centenas de
aborígenes
alcoolizados à procura de sombras para curar as bebedeiras.
Pudera...
8º Dubai (Emiratos Árabes Unidos)
Dubai
tem o típico calor do deserto apenas temperado por uma ténue brisa
marítima. É
o Algarve nos piores dias elevado à décima potência. No entanto,
tudo lá é tão
climatizado que se consegue estar vários dias sem se dar pelo
calor. O pior é
quando se tem que vir à rua durante o dia. Armei-me em
independente e resolvi
caminhar do hotel até um centro comercial lá perto.
Pensei que ia ter um treco.
Fiquei completamente desidratado e, à chegada ao
centro comercial, devo ter
bebido alguns três litros de água.
9º Roma (Itália)
Muita
gente já deve ter ido a Roma no Verão e sabe pois o calor que lá se
pode
apanhar. Lembro-me concretamente de um dia de Julho em que tinha umas
horas
livres entre duas reuniões e resolvi fazer turismo a pé, engravatado.
Acabei
por ter que ir a correr ao hotel tomar um duche e mudar de roupa pois
fiquei
encharcado em suor. Lembro-me também de ter desligado o ar
condicionado antes
de adormecer e de ter acordado no meio da noite como se
estivesse dentro duma
sauna.
10º Almodôvar (Portugal)
Que
me lembre, foi em Almodôvar que apanhei o maior calor em território
português.
Vinha do Algarve para o Alentejo e parei para pôr gasolina. O
termómetro do
carro indicava 43 graus.
JdC
Etiquetas:
JdC,
Rei de Copas
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Informação
Há algumas semanas participei que, durante o mês de Outubro, iriam aparecer duas novas rubricas neste espaço. A contrário do que se poderia pensar, o blogue não é diferente do resto do país: nem aqui se cumprem prazos. O editor e dono do estabelecimento, sempre obsessivo com a pontualidade, coloca uma mão faltosa num peito contristado.
Uma das rubricas sairá amanhã, se bem que não tenha regularidade definida. Chamar-se-á Rei de Copas (a sequência natural no que toca às Duas Últimas) e versará listas. Listas de quê? Em vindo amanhã logo verão qual é a primeira.
Fica o desafio para a participação de todos: façam as vossas próprias listas seguindo a que sairá amanhã. Mas peço que não as coloquem na caixa de comentários, mas as enviem para o meu mail, já que a generalidade das pessoas que aqui vem comentar o conhece.
Até amanhã, então, para a primeira lista.
JdB
Diário de uma astróloga – [12] – 9 de Novembro de 2011
Cheguei a Lisboa e imediatamente sinto-me submersa por uma energia neptuniana. E não é só a proximidade ao Tejo e ao
Oceano Atlântico.
Como qualquer outro lugar muito antigo, Lisboa e Portugal não tem cartas do
céu precisas porque ninguém sabe ao certo quando foram fundados. Mas não tenho
qualquer dúvida de que tanto Lisboa como Portugal estão sob a influência do
signo Peixe e do seu planeta regente Neptuno.
Peixe é um signo de água e, portanto, ligado a aspectos emocionais. É o 12º signo do zodíaco, já tem a sabedoria de todos os outros, tem uma memória
muito antiga de “somewhere else”. Por ser o último, representa o fim, as perdas
de coisas, pessoas, situações. Procura transcender a realidade nua e fria em
busca de uma realidade ideal, as vezes através da espiritualidade outras vezes
através do álcool e das drogas. Precisa de não ter fronteiras, de se dissolver na
união com os outros seres humanos, com Deus ou com a natureza. Por ser o signo
oposto à organizada Virgem, gosta do caos, de teias, espirais, enfim tudo o que
não sejam linhas rectas, e odeia a definição. Peixe e Neptuno são os arquétipos
da imaginação, da poesia, do cinema, da compaixão, do sacrifício, do êxtase no
seu lado positivo e no lado negativo representam a confusão, as ilusões, os enganos,
o fatalismo do destino, o papel de vítima.
O fado e a palavra saudade, duas coisas que nos são únicas, encaixam
perfeitamente nas características de Peixe e Neptuno. Numa lista das dez palavras
mais difíceis de traduzir publicadas por uma companhia de tradução inglesa está
a palavra saudade. Quando tenho que explicar saudade aos outros povos preciso
de um parágrafo que contém quase todo o arquétipo: “The
feeling it elicits is complex and indefinable: longing, yearning, missing,
homesickness, solitude, loss, and melancholy in one word. It often carries a
fatalist tone and a vague knowledge that the object of longing might never
return.”
Mesmo a origem do nome “Lisboa” está envolta numa nuvem de indefinição. A versão
mais comum diz que vem de Ulisses, Olissipo. Não há prova nenhuma e além de
Ulisses ser um personagem de ficção, só se chamou Ulisses na época Romana. Se
cá passou, como grego que era chamava-se Odisseu. Outra versão ainda mais antiga
aponta para Elassipos, 7º rei da Atlântida como sendo a origem
de Lisboa. Em qualquer destes mitos está
presente o arquétipo Neptuniano – Ulisses no seu barco a vaguear durante anos e
um continente desaparecido, imerso no mundo da imaginação.
Para prolongar a minha estadia para além do tempo que aqui estou, vou
comprar o DVD dos “Mistérios de Lisboa”, para ver quando chegar a Roma. Este filme, baseado no livro de Camilo Castelo Branco, um Peixe do dia 16 de Marco, quando
se estreou em Manhattan teve uma crítica no New York Times, com uma imagem tão
neptuniana que me deixou curiosa. “O
passado no “Mistérios de Lisboa” não fica no passado mas desloca-se em espiral
até ao presente, subjugante ao ponto em que o herói, Pedro, se torna uma mera
anotação da sua própria vida”. Aqui em Lisboa, mais do que em qualquer
outro sito, sinto que esta afirmação é verdade. Sinto a espiral do tempo, o
passado, presente e futuro não ordenados numa linha continua e sinto a minha
vida como uma gota na imensidão oceânica. Não há escape à energia de um lugar.
Mas mesmo antes de partir procuro um momento bem neptuniano: vou a Belém, recordo
com saudade o tempo em que andava à vela, medito alguns momentos junto do
enorme zodíaco feito de calçada, atardo-me no símbolo de Peixes, olho para o céu
de Lisboa e para o voo desordenado das gaivotas… e recito interiormente o fado Gaivota, do poeta
Alexandre O’Neill.
Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.
Luiza Azancot
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Luiza Azancot
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