segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Vai um gin do Peter’s?


É quase desconhecida a peça de Natal escrita em 1940 por Jean-Paul Sartre (1905-1980), quando era prisioneiro de guerra na Alemanha nazi. Inimaginável no autor que se celebrizou por escrever as obras de referência do existencialismo. Sartre costuma também ser lembrado pela recusa do Nobel da Literatura em 1964 (numa época em que este Prémio tinha muito prestígio) e, genericamente, por ter animado o debate político, ético e filosófico do Paris do pós-guerra, sobretudo da esquerda gaulesa, em duo com Simone de Beauvoir. Aliás, a partir de 1945 a peça começou a cair no esquecimento até ser liminarmente banida pelo próprio autor, cujas convicções político-filosóficas mergulhavam num subjectivismo e num cepticismo crescentes que, paradoxalmente, o fez desacreditar de tudo e de todos. Assim isolava o ser humano num casulo onde só o próprio caberia, sem qualquer élan: «O inferno são os outros» ou «O homem: uma paixão inútil

Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir junto à estátua de Balzac

«Barioná, o filho do trovão» é o título original da peça de Sartre, posta em cena num Natal gélido, passado nos barracões destinados aos proscritos políticos do Terceiro Reich. Juntamente com um padre amigo, também prisioneiro, o filósofo alinhou nas celebrações da festa da Natividade. Talvez por sentir quanto era vital acender pequenas luzes de esperança naquele lugar de escuridão, oferecendo a resistência possível ao esmagamento anímico com que o nazismo procurava subjugá-los. Isto recorda outra consideração de Sartre: «O pior mal é aquele ao qual nos habituamos.».

À coragem de Sartre, em 1940, juntou-se este ano a ousadia do Teatro da Trindade em parceria com um grupo de actores – a companhia TEO/Teatro do Ourives – pondo em cena(1) (até 23 de Dezembro) a peça nascida no cativeiro e adoptando o título «Barioná ou o jogo da dor e da esperança». A TEO está ligada a uma instituição dedicada à recuperação de toxicodependentes – o Vale d’Acor – a favor de quem revertem as receitas do espectáculo que ajuda a iluminar o Natal lisboeta.

Para além do apoio a uma causa tão meritória para o país, a peça também vale por si. Percebe-se que o texto é concebido por um homem nas franjas do cristianismo, num arremesso de fé frágil, cheia de reservas e inúmeras objecções, múltiplas perguntas e um sem-fim de dúvidas, uma enorme tensão e, acima de tudo, uma angústia agressiva, um desassossego interior que lhe sai às golfadas. Tudo isto enriquece a peça e o Natal, porque todos têm lugar no Presépio, tal qual são, em qualquer fase da vida, na medida em que queiram. Muito interessante, até pela invulgaridade de revelar uma perspectiva menos comum sobre o nascimento de Jesus e as reflexões a que convida. É Sartre, com a autoridade de quem acredita pouco e duvida muito, que mostra como em face do Menino, tudo se pode transformar, relançar, reacordar. É o mesmo Sartre que, nas suas imparáveis deambulações filosóficas revela facetas muito díspares e contraditórias ao longo da vida. Duma vida que lhe pesava horrivelmente, saltando de ideologia em ideologia, sempre insatisfeito, até acabar por professar o anarquismo: «Tudo foi calculado, excepto como viver.». Mas numa fase de relação mais benigna com o mundo, também defendeu: «Tudo o que recebemos vem dos outros. Ser é pertencer a alguém.».

A peça centra-se na figura de Barioná, um chefe judeu, orgulhoso e patriótico, racionalista e táctico, a urdir uma rebelião surda contra as forças ocupantes de um recanto empobrecido e periférico do poderoso Império romano. A alusão ao Reich é por demais óbvia. E a luta de Sartre também está lá por inteiro, no indefectível Barioná, que ninguém verga…

… Ninguém até a vida lhe trocar as voltas e um bebé se atrever a nascer, apesar de ter proibido a sua comunidade de ter mais filhos. Ironia das ironias: a sua mulher esperava um filho, enquanto toda a região se alvoroçava com o anúncio do nascimento de um outro bebé, muito promissor para o povo judeu. A contragosto, forçado pelos acontecimentos, Barioná dispõe-se a salvar o bebé promissor, uma vez que os romanos o tomaram por concorrente de César. Nessa caminhada de luta até ao Presépio original, Barioná cruza-se com a história de muitos homens, com diferentíssimas motivações de vida. Nessa caminhada de crescimento interior, um dos Magos dá-lhe o mote para a transformação, a partir de dentro: «Tu sofres e, no entanto, o teu dever de homem é esperar. (...) Porque o homem é sempre muito mais do que aquilo que é».



Para seu espanto, o que mais o transfigurou foi o olhar paciente e incrivelmente humilde dos pais do Menino que atraía multidões sedentas de milagres, de soluções rápidas para o dia-a-dia, tudo motivos desprezíveis e mesquinhos para Barioná, de gente que se esquivava a assumir o rumo da história, cedendo à cobardia da superstição paternalista.   

A evolução interior tocou-lhe tão fundo que nem hesitou em entregar a vida pelo Bebé de Belém, a fim de salvar o seu povo. E deixa à mulher a mensagem mais marcante que um pai pode deixar ao filho pequenino, que já não chegaria a conhecer: dizer-lhe que o pai morreu na alegria, porque desistira de se bater pela esterilidade, oferecendo a vida para que novas vidas pudessem iluminar o futuro da humanidade.

No olhar da jornalista portuguesa acreditada junto do Vaticano – Aura Miguel – a peça interpela-nos porque: «Barioná, o chefe da aldeia, era um homem recto e justo. Entrincheirado nas suas razões, considerava-se “o Senhor da vida e da morte”. Proclamava que “Deus nada pode contra a liberdade do homem” e, assim, gradualmente, foi endurecendo o seu coração contra tudo e contra todos, com a promessa de que “nunca dobraria o joelho diante de ninguém”. Só que, imprevisível, um grande Acontecimento irrompe pela sua vida.
E, quando, pela aldeia, a caminho de Belém, passam os Reis Magos, um deles diz-lhe: “Tu sofres e, no entanto, o teu dever de homem é esperar. (...) Porque o homem é sempre muito mais do que aquilo que é”. O rei Baltazar confronta Barioná e convida-o a caminhar na esperança, sob pena de ficar a “ruminar o instante fugaz, olhar para o seu umbigo de forma rancorosa, arrancar do seu tempo o futuro e encerrá-lo ao redor do presente”.
Sobre o percurso de liberdade de Barioná (…) também nós podemos ficar bloqueados na medida do instante e, aflitos com as preocupações do presente, duvidarmos que somos feitos de esperança, capazes de estabelecer um nexo com o Todo que dá sentido à existência.» (in RR on-line 2011-12-09).

Como presente de Natal a cada um, sugiro esta peça que abre o caminho à Esperança, anunciada a todos os homens de Boa Vontade, ano após ano, desde há dois milénios. BOAS-FESTAS a todos.

Maria Zarco
(a preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)
______________
(1) No Teatro da Trindade, ao Chiado, até 23 de Dezembro.  Sessões de Quinta a Sábado:21h00 e ao Domingo: 16h00.     Localização: http://maps.google.pt/maps?hl=pt-PT&tab=wl
     Site http://teatrodoourives.blogspot.com/     http://www.facebook.com/Teatro.Ourive

     COMPRA DOS BILHETES: na FNAC, na TicketLine Tel: 707 234 234, www.ticketline.sapo.pt; ou nas Bilheteiras do Teatro da Trindade:
Horário: Terça: 14h às 20h;  Quarta a Sábado: 14h às 22h; Domingo: 14h às 18h
Tel: 213 420 000 | 92 798 28 34; Email:
bilheteira.trindade@inatel.pt
Descontos:  às Quintas é preço único de 5€ enquanto nos outros dias varia entre 8€ e 14€; Associados da Fundação INATEL, Jovens (-25 Anos), Grupos (+10 Px), Seniores, FNAC.

Ficha Técnica
De: Jean-Paul Sartre.
Encenação e dramaturgia: Júlio Martín da Fonseca.
Figurinos: Sílvia Perloiro
Elenco: (Barioná) José Nogueira Ramos, (Sara) Sara Ideias, (Baltazar) José Simão, (Lelius) José Sebastião, (O Publicano/Simão) Gonçalo Sarávia, (O Anjo) Ana Sofia Santos, (O Feiticeiro) Ricardo Abril, (Caifás) Manuel Vieira, (Jerevhá) Nuno Cortez, (Shalam) João Pires, (Paulo) Nuno Torres, (Mulher) Célia Santiago, (Coro/Multidão) Alexandra Pato, Diana Resende, Eduardo Pereira, Hermínia Resende, João Ramos, Maria Muge, Mariana Fonseca, Sofia Caetano e Vitor Procopio.

Produção executiva: Isabel Avillez - Sofia Sá Lima
Produção: Duc in altum | Teatro do Ourives
Apoios: Associação Vale de Ácor
Classificação: M/12
teatrodoourives@gmail.com

Tlm: 91 910 26 70


domingo, 18 de dezembro de 2011

Domingo …. Se Fores à Missa !


O Evangelho de hoje é um dos meus preferidos. O SIM de Maria.  Maria é a primeira entre os cristãos a comprometer-se nesta grande aventura da fé. Dela nasce a Igreja, morada de Deus no meio dos homens. E tudo começou com um simples Sim. Apesar das dúvidas, apesar do medo e do espanto, da vergonha que iria passar perante a comunidade, ao ficar grávida, apesar da hesitação inicial, ela diz Sim.  E reparem que ficar grávida nem sequer estava nos planos dela, pois estava consagrada a Deus.  Que difícil é aceitar o projecto de Deus para nós, quando esse não é o nosso projecto ! É preciso uma fé muito grande para acreditar que “no matter what” devemos seguir os planos de Deus e não os nossos. 

Deus pede-nos, a cada um de nós, pequenos sins no nosso dia-a-dia. Não precisamos de grandes feitos ou acções fantásticas para sermos  verdadeiros cristãos. O verdadeiro cristão sabe que é nas pequenas coisas, através de pequenos gestos, que o cristianismo se revela. É na persistência e na coerência da sua forma de ser e estar, na alegria que demonstra, no empenho no trabalho, no estar atento e alerta, disponível para Deus e para os outros.  Ser cristão nos dias de hoje, não é mais do que  viver, com coerência, os ensinamentos e os princípios que Jesus nos deixou. Amar a Deus e amar o próximo, sem reservas, sem preconceitos, sem complicações. É olhar à volta e conseguir dizer sim. Este sim que nasce no coração. Este sim que só sai da boca para fora se houver um trabalho prévio de predisposição. É muito mais fácil dizer não, que sim. É muito mais trabalhoso e moroso construir do que destruir. Maria poderia ter dito simplesmente não e a vida dela seguiria normalmente. Mas, ao invés, ela entendeu o projecto de Deus para ela, porque no seu coração existia já a predisposição de agradar a Deus e de confiar n’Ele.  Assim façamos nos também. Abramos o nosso coração e deixemos que Deus actue nele.

Domingo, Se Fores à Missa ……..  Dá o Teu Sim!

Maf

EVANGELHO Lc 1, 26-38
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José, que era descendente de David. O nome da Virgem era Maria. Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril; porque a Deus nada é impossível». Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra». 


Palavra da salvação.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Pensamentos impensados


A semana passada publiquei 3 fotografias perguntando o que tinham em comum A saia da bailarina chama-se "tutu"; o bispo é Desmond Tutu e o relógio marca "ten to two".
25 de Abril, sempre! Pudera, não! Era feriado todos os dias.
O símbolo da França é um galo e com uma bela postura adequada ao General De Gaulle. Com o Sarkozy, o símbolo deveria ser um galinho da Índia, vulgo cócó.
Suponhamos que os serviços secretos escutam a seguinte conversa:
No 1º quartel estão as armas de Saraiva; no 2º quartel estão as armas de Lourenço. Imediatamente pensam tratar-se de uma revolução, quando afinal era uma conversa sobre heráldica.
Na TV está a passar uma telenovela chamada Pai à Força. Com o máximo respeito pergunto: trata-se da vida de S. José?
A palavra supositório foi inventada pelos peruanos. Se decompusermos o vocábulo, teremos PER-O-ANUS.
PS- Foi usado o novo acordo ortográfico.

SdB (I)

a propósito da amizade


não tenho lenços,
mas guardo mil flores nas algibeiras,

para quando teus
olhos de água como ribeiras

me trespassarem,
escondendo suas dores aos centos.

gi.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Deixa-me rir


Caros Audiophiles, while researching my previous post on the theme of being 17 years old, I found a fascinating video of Frank Sinatra in a recording studio in 1965. It was part of a television documentary which had followed Sinatra during six months of making music recordings, performing concerts and acting in movie films, and included interviews with him discussing his personal life in the public spotlight, his career and his legacy. You can find other parts of this illuminating documentary on youtube.
For me the most captivating section is here in the studio where he shows how and what he does best. Sing. To watch him perform, relaxed but totally focused on his job, totally in command of his environment, hearing instinctively every musical note played. Most interestingly, his body language and facial expressions when he listens intensely and critically, and quietly satisfied, to the recording's playback.
He wanted to be remembered as an innovative singer with a distinctive style. Here he reveals his understanding of the 'crooning' style of singing that preceded him in the early years of the 20th century. 'Crooning' refers to the soft sentimental style that became possible with the invention of the microphone and amplification. Before the microphone, a singer was generally obliged to project his or her voice loudly, and therefore often with less feeling, in order to be heard at the back of a theatre. Bing Crosby, one of Sinatra's idols, was the archetypal easy-listening crooner.
But Sinatra was influenced by the authentic emotion of the blues, especially of Billie Holiday. Ella Fitzgerald once commented: "With Frank, it's always this little guy, telling this ... story."
He was also influenced by jazz rhythms. His phrasing was considered impeccable, getting to the heart of a song by emphasizing words and lines in ways that made a song more personal, whilst his ability to hold notes, sing above or behind the beat and rest on a note were hallmarks of a singer fully in command of his instrument.
To read a longer appreciation of Sinatra's innovative style, and from which some of my words have come:




When I was seventeen
It was a very good year
It was a very good year for small town girls
And soft summer nights
We'd hide from the lights
On the village green
When I was seventeen

When I was twenty-one
It was a very good year
It was a very good year for city girls
Who lived up the stair
With all that perfumed hair
And it came undone
When I was twenty-one

When I was thirty-five
It was a very good year
It was a very good year for blue-blooded girls
Of independent means
We'd ride in limousines
Their chauffeurs would drive
When I was thirty-five

But now the days are short
I'm in the autumn of the year
And now I think of my life as vintage wine
From fine old kegs
From the brim to the dregs
It poured sweet and clear
It was a very good year
 
 
Well, 2011 has not been a very good year, at least in terms of the global economy, and 2012 promises to be even tougher in this regard.
But I hope that you all can find reasons to look back at this year with warmth and personal satisfaction, and I wish everyone can look forward to the coming year with fresh enthusiasm and optimism.
In fact, just like being 17 again - full of frightening uncertainty but also exciting mystery and opportunity!
 
A proxima.
 
PO

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Ponto de Vírgula

   Colin sentou-se num banquinho cujo assento era revestido de borracha alveolada sob um oleado sedoso a condizer com a cor das paredes, e Nicolas começou nestes termos:
   - Faça uma base de pâté quente como para uma entrada. Prepare uma enguia grande cortada em postas de três centímetros, ponha as postas da enguia numa panela, com vinho branco, sal e pimenta, cebola às rodelas, um raminho de salsa, tomilho e louro e um dente de alho. 
   - Não consegui afiá-la como queria – disse Nicolas –, a ponta está muito gasta.
   - Tenho de trocá-la – disse Colin.
   Nicolas continuou.
   - Ponha a cozer, retire a enguia da panela e coloque-a numa frigideira. Passe o caldo por uma peneira de seda, acrescente erva-espanhola e mexa até o molho se agarrar à colher. Passe pela peneira, cubra a enguia com o molho e deixe ferver durante dois minutos. Coloque a enguia no
pâté. Faça um cordão de cogumelos à volta da base, decore o centro com ovas de carpa. Deite por cima uma porção de molho que tinha reservado.
    - Está bem – aprovou Colin – penso que o Chick vai gostar. […]
Nicolas retomou a sua tarefa, que consistia em desenformar a gelatina de filetes de solha, recheada de lâminas de trufa, destinada a guarnecer a entrada de peixe.


 in L´Écume des Jours, Boris Vian


Foie gras com cogumelos salteados

Ingredientes:

1 foie gras (fígado de pato fresco) de mais ou menos 300 g
200 g de cogumelos shiitake
200 g de cogumelos shimeji
1/2 copo de shoyu (molho típico japonês à base de soja)
1/2 copo de saquê (bebida típica japonesa)
Gordura de pato ou manteiga
Sal grosso
Pimenta

Preparação:

SALTEADO DE COGUMELOS:
Corte os shiitakes em tiras e separe as cabeças dos shimejis. Numa frigideira grande, pré-aquecida, coloque para derreter um pedaço pequeno de fígado, para que se transforme em gordura (como se fosse um bocado de manteiga). Uma vez derretido e quente, coloque todos os cogumelos a fritar, mexendo bem para que a gordura e o calor se espalhem por igual.
Quando os cogumelos estiverem bem murchos, adicione o shoyu e deixe reduzir, sem parar de mexer. Ainda com os cogumelos um pouco molhados, acrescente o saquê e deixe reduzir novamente, sem parar de mexer, até que fiquem bem húmidos. Reserve, cobrindo com uma tampa para mantê-los quentes enquanto o fígado é preparado.

FOIE GRAS:

 Aqueça uma frigideira, em lume médio. Quando estiver quente, corte fatias de 1 cm de espessura de fígado de pato e deite-as delicadamente sobre a superfície de frigideira. Deixe fritar até dourar levemente cada lado das fatias. Esta operação não pode passar de 2 minutos no total, senão o foie gras ficará muito passado (quanto mais tempo fritar, menor ficará a fatia, pois ela derrete como manteiga). 
Sirva duas fatias por pessoa, junto com os cogumelos. Acrescente um pouco de sal grosso e pimenta a gosto.

Nota: Receita tirada da internet

MFM

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Duas últimas

O post de hoje é uma das composições clássicas de que mais gosto. Conhecia-a antes de ter visto o filme que a tornou célebre e não tem portanto para mim as conotações pedófilas que o filme lhe deu. Oiçam de preferência mais do que uma vez e sintam toda a força e a beleza da música de Mahler. E já agora, que tenham todos um Bom Natal.

JdC


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Fórmula para o caos


No seguimento do post anterior, relativo aos primeiros anos de actuação política de Silvio Berlusconi, partilho este artigo do ex-conselheiro do Senado italiano Edoardo Campanella. Ficam bem vincadas as razões pelas quais Berlusconi esteve tanto tempo no poder. E, ao contrário do que é a percepção generalizada da opinião público, o fenómeno deve-se em grande parte ao eleitorado italiano e não tanto às manobras judiciais em que Il Cavalieiri se especializou.

Pedro Castelo Branco

A Itália sempre teve um fraco por figuras autoritárias. Imperadores, reis, príncipes ou déspotas detiveram o poder uns após outros desde o tempo do Império Romano. A última personalidade dominante, Silvio Berlusconi, abandonado pelos seus apoiantes sob a pressão dos mercados financeiros globais, deixou de ser primeiro-ministro. A fragmentação política, as restrições de idade e a exaustão emocional induziram-no a prometer que não concorreria outra vez a cargos governativos.

A queda de Berlusconi marca o fim de um dos mais controversos capítulos recentes da democracia ocidental. A História julgará as acções de Berlusconi, mas os Italianos permanecem divididos. Todos concordam que ele nunca foi primus inter pares. Para os seus devotos, era como um monarca iluminado, um homem que desistira dos seus bem-sucedidos negócios privados para ajudar a Itália a reconstruir-se a partir das cinzas do sistema partidário Italiano do pós-Guerra, sistema este que desembocara num vasto escândalo de corrupção que deixara quase nenhuma parte do governo sem mácula. Para os seus oponentes, Berlusconi era comparável a um déspota, mesmo que eleito democraticamente, que abusava do seu cargo ao perseguir os seus interesses comerciais e ao proteger-se de sanções legais.
Qualquer que seja o ponto de vista, a história da ascensão e queda de Berlusconi foi escrita há muito tempo, durante o Renascimento, na obra clássica de Niccolò Machiavelli O Príncipe. Berlusconi seguiu cuidadosamente todos os ensinamentos de Machiavelli em como obter e manter o poder – todos menos um, e esse lapso selou o seu destino.
De acordo com Machiavelli, um cidadão proeminente é escolhido como príncipe pelo favor dos seus concidadãos se a sua autoridade for apercebida como proveniente da sua capacidade de os defender da elite (naquele tempo, a nobreza). Quando Berlusconi começou em 1994 a sua aventura política, os italianos queriam protecção de uma classe dirigente que se revelara completamente corrupta. Apresentou-se como um bilionário autodidacta, disposto a entrar na política para o bem do país. A sua enorme riqueza era a garantia da sua honestidade.
Mas Berlusconi também garantiu a sobrevivência de uma classe política que tinha perdido a sua credibilidade. Muitos líderes do centro político italiano foram acusados de corrupção; a esquerda perdera o seu encanto depois do colapso da União Soviética; e a direita nunca readquiriu confiança devido ao legado fascista. Berlusconi apareceu como um salvador, porque parecia posicionar-se algures além destas tendências e dos seus legados envenenados. Os políticos só precisavam de estar com ele ou contra ele, independentemente da ideologia. O seu partido estava baseado num culto da personalidade tão forte que mesmo quando liderava a oposição (como fez durante metade dos 17 anos da sua carreira política), a política italiana manteve-se centrada nele.
Quando estava no poder, Berlusconi era mestre em mantê-lo. De acordo com Machiavelli, um príncipe é elogiado pela ilusão de manter a sua palavra. Possuir os principais canais de TV italianos e muita da imprensa popular simplificava isto para Berlusconi, e algumas vezes terá também recorrido à censura dos canais de televisão estatais. Os seus meios de comunicação reportavam meias-verdades, descrevendo um país com uma economia sólida e uma boa reputação no exterior. De facto, um débil crescimento económico, escândalos legais, e a ausência de objectivos de longo prazo estavam a conduzir a Itália a um declínio íngreme.
Machiavelli argumenta que um príncipe deve estar bem armado para poder agir contra potências externas. No caso de Berlusconi, estas potências eram na verdade internas mas fora do seu controlo. O seu arqui-inimigo era o sistema judicial. Enfrentou 16 julgamentos por ofensas várias alegadamente cometidas antes da sua carreira política. O exército ao seu dispor era o mais forte que uma democracia tem: a lei. Ele aprovou diversas medidas para se proteger e aos mais próximos de si, da perseguição, argumentando ao mesmo tempo que os comunistas conspiravam para o derrubar.
Finalmente chegou a queda. Machiavelli argumenta que as acções do príncipe não devem ser restringidas por considerações morais – que persiga os seus objectivos políticos por quaisquer meios. Isto foi precisamente o que um cada vez mais fraco Berlusconi tentou fazer.
De modo a assegurar o poder nos meses mais turbulentos da sua carreira política, Berlusconi obteve o apoio de muitos membros do parlamento através de patrocínio directo, atacou publicamente os seus perseguidores e tentou enfraquecer o orçamento de emergência adoptado em Julho de modo a beneficiar as suas próprias empresas. Foi aqui que se desviou do caminho de Machiavelli.
Para Machiavelli, o objectivo último de um príncipe deve sempre parecer ser o bem comum, não o seu interesse próprio. Berlusconi entendeu mal esta lição. Confundiu o público com o privado e forçou regularmente o parlamento a tratar dos seus assuntos pessoais, empresariais e legais. No fim da sua aventura política, perdeu o contacto com a realidade, incapaz de reconhecer que uma economia deprimida potenciava o aparecimento e o crescimento do descontentamento popular.
Eventualmente, Berlusconi perdeu o apoio até dos seus lealistas, quando o seu governo perdeu a ilusão que estava a servir um mandato público. Por isso um governo provisório, dirigido pelo tecnocrata Mario Monti, recebeu agora a tarefa de não apenas restaurar a saúde das finanças públicas italianas, mas também de revitalizar a legitimidade das suas instituições democráticas.
Se a visão cíclica da história que impera em Itália está correcta, os italianos estão mais uma vez à espera de ser governados por uma nova personalidade dominante. Mas a paisagem política actual está tão fragmentada que nenhum indivíduo carismático será capaz de ascender ao poder numa altura próxima. O tempo dos príncipes, monarcas iluminados ou dos déspotas democráticos em Itália terminou – pelo menos por agora.

domingo, 11 de dezembro de 2011

3º Domingo do Advento


Vozes com vida


É tão difícil responder à pergunta: “quem és tu?”. Podemos dizer o nome, o género, a idade, a profissão, o estado, a família, os gostos, as ideias, as crenças, a história pessoal, as relações, os projectos, e somos tudo isso e parece que ainda fica tanto por dizer! “Cada pessoa é um mundo”, dizia Clarice Lispector, e descobrir e revelar esse mundo é uma vocação que partilhamos. Estamos sempre a revelar-nos (curiosa a palavra que sugere voltar a pôr o véu sobre algo que se descobriu!), na busca incessante da verdade sobre nós e sobre os outros. Creio que a alegria é também um fruto deste entrelaçado da vida em que somos uns dos outros e uns para os outros. 


Talvez seja por isso que gosto muito de entrevistas. De ler, ver, ouvir, e guardar aqueles momentos em que alguém abre as janelas da alma para nos deixar entrar. Claro que a qualidade de uma entrevista também depende muito da humildade e humanidade do entrevistador, um pouco à maneira de João Baptista: “que ele cresça e eu diminua”. Uma entrevista é um diálogo alargado, uma revelação que se pode partilhar, um ponto de vista que aclara a verdade. Gosto das palavras que comprometem, das ideias que ganham corpo na vida, da autenticidade que gera confiança. Por estes dias apareceu nas livrarias um primeiro volume com 60 entrevistas realizadas pelo jornalista António Marujo ao longo de 20 anos para o jornal Público. “Deus vem a público – Entrevistas sobre a transcendência” oferece-nos uma sinfonia de vozes e de vidas que “estão empenhadas na busca de sentido, na mais funda raiz das ideias, na procura da humanidade (...), na construção de um mundo mais justo e fraterno.” Sabe bem reler ou ler pela primeira vez estes testemunhos de alegria e de dor, de coragem e fidelidade, de humildade e grandeza de pessoas que se gravam na nossa alma. Nas suas palavras percebemos que “quem somos” está intimamente ligado com “quem queremos ser”, o ser relacionado com o agir!


João Baptista é hoje entrevistado por sacerdotes e levitas. Confessa a verdade: “Não sou o Messias”. Identifica-se como a voz (não a de alguns concursos execrandos e abjectos da televisão!) que convida a endireitar o caminho do Senhor. Anuncia que “no meio de vós está Alguém que não conheceis”. Sem técnicas de oratória revela-nos a sua alegria: ele é mensageiro de uma boa nova, diz palavras que abalam certezas bafientas e os privilegiados da riqueza e da religião, baptiza todos os que querem mudar de vida. A sua alegria brota da liberdade de ser todo de Deus, e não se deixar comprar nem amedrontar pelos poderosos. Não se grava também em nós esta alegria, e o desejo de a vivermos?
    
P. Vítor Gonçalves, tirado daqui



EVANGELHO - Jo 1,6-8.19-28
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João.
Veio como testemunha, para dar testemunho da luz,
a fim de que todos acreditassem por meio dele.
Ele não era a luz,
mas veio para dar testemunho da luz.
Foi este o testemunho de João,
quando os judeus lhe enviaram, de Jerusalém,
sacerdotes e levitas, para lhe perguntarem:
«Quem és tu?»
Ele confessou a verdade e não negou;
ele confessou:
«Eu não sou o Messias».
Eles perguntaram-lhe: «Então, quem és tu? És Elias?»
«Não sou», respondeu ele.
«És o Profeta?». Ele respondeu: «Não».
Disseram-lhe então: «Quem és tu?
Para podermos dar uma resposta àqueles que nos enviaram,
que dizes de ti mesmo?»
Ele declarou: «Eu sou a voz do que clama no deserto:
‘Endireitai o caminho do Senhor’,
como disse o profeta Isaías».
Entre os enviados havia fariseus que lhe perguntaram:
«Então, porque baptizas,
se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?»
João respondeu-lhes:
«Eu baptizo em água,
mas no meio de vós está Alguém que não conheceis:
Aquele que vem depois de mim,
a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias».
Tudo isto se passou em Betânia, além Jordão,
onde João estava a baptizar.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Pensamentos impensados

O que têm em comum estas três fotografias?


SdB (I)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

writer’s block


leitor amigo:
hoje, não tenho nada para escrever que mereça ser escrito,
nada tenho a dizer que mereça – mesmo – ser dito.

ambos sabíamos que haveria de chegar o momento
em que o famoso bloqueio nos sairia ao caminho,
para meu desconforto e para teu merecido descanso.

como se a negação da escrita fosse, em si mesma,
a cerimónia da sua própria confirmação
(no fundo como é a morte a definidora da vida).

a isto chamamos, tu e eu, muito baixinho,
a secreta ontologia das palavras.

rastilhos acesos que tombam em cinzas, de repente,
e que nos deixam a memória repleta de espectros brilhantes

- toda a luz que, até há pouco, existiu.


(silêncio.)


leitor meu, não te distraias.
olha que nada disto verdadeiramente importa..

o que importa é dizeres-te bem alto um segredo:

vais ousar bater com a porta,
vais ousar vencer a troika,
vais espantar de vez do teu espelho
essa viscosa coisa a que chamas medo.

gi.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011




Consagração a Nossa Senhora


Ó Senhora minha, ó minha Mãe, 
eu me ofereço todo a vós, 
e em prova da minha devoção para convosco, 
Vos consagro neste dia e para sempre, 
os meus olhos, os meus ouvidos, 
a minha boca, o meu coração e inteiramente todo o meu ser.
E porque assim sou vosso, 
ó incomparável Mãe, 
guardai-me e defendei-me como propriedade vossa.
Lembrai-vos que vos pertenço, terna Mãe, Senhora nossa.
Ah, guardai-me e defendei-me como coisa própria vossa.




Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo,
o Anjo Gabriel foi enviado por Deus
a uma cidade da Galileia chamada Nazaré,
a uma Virgem desposada com um homem chamado José.
O nome da Virgem era Maria.
Tendo entrado onde ela estava, disse o anjo:
«Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo».
Ela ficou perturbada com estas palavras
e pensava que saudação seria aquela.
Disse-lhe o Anjo:
«Não temas, Maria,
porque encontraste graça diante de Deus.
Conceberás e darás à luz um Filho,
a quem porás o nome de Jesus.
Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo.
O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David;
reinará eternamente sobre a casa de Jacob
e o seu reinado não terá fim».
Maria disse ao Anjo:
«Como será isto, se eu não conheço homem?»
O Anjo respondeu-lhe:
«O Espírito Santo virá sobre ti
e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra.
Por isso, o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus.
E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice
e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril;
porque a Deus nada é impossível».
Maria disse então:
«Eis a escrava do Senhor;
faça-se em mim segundo a tua palavra».


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Diário de uma astróloga – [14] – 7 de Dezembro de 2011

A astrologia da crise – Parte 2 – Urano em Carneiro

Há 15 dias falei sobre Plutão em Capricórnio, um dos aspectos astrológicos necessários para compreender o momento histórico em que vivemos; hoje é a vez de Urano.

Urano é o primeiro dos planetas do nosso sistema solar que não pode ser visto a olho nu. Foi descoberto em 1781, na época que deu origem à Revolução Francesa e durante a luta pela independência dos Estados Unidos da América. Simboliza muitas das características dessa época: liberdade, mudança, rebelião, revolução. A justiça social implícita no slogan  Liberté, égalité, fraternité   é uraniana. Esta energia manifesta-se sem aviso prévio, abana, electrifica, radicaliza, abre novas perspectivas. É associada com inovação tecnológica e é também o “Eureka” de Newton. Na sua expressão mais básica é excêntrica e, na sua expressão mais elevada, representa génio e a capacidade de introduzir melhorias tanto a nível pessoal como a nível colectivo.

Urano tem uma órbita de 84 anos à volta do Sol e passa, portanto, sete anos em cada signo. Por passar menos tempo em cada signo tem menos importância do que o Plutão em termos de zeitgeist.  Em todo o caso manifesta-se em acontecimentos mundiais e, normalmente, de forma repentina. Em Maio de 2010, mudou do signo mais pacífico, Peixe, para o signo mais aguerrido, Carneiro.

Em Dezembro de 2010 Mohamed Bouazizi imolou-se pelo fogo protestando um imposto injusto e falta de soluções económicas para si e para a sua família.  Este acto individual despoletou o movimento da “Primavera Árabe” que mudou e está a mudar a face da Tunísia, Egipto, Líbia, Síria, Iémen…

Entretanto em França, um humanista de 93 anos, Stephane Hessel, publica, em Outubro de 2010, um panfleto “Indignez-vous”, que vende mais de 3 milhões de exemplares em diversas línguas. As razoes que ele indica para a necessidade de nos indignarmos incluem a crescente diferença entre ricos e pobres, o controle dos media pelos grandes grupos, a necessidade de proteger o ambiente, etc., apelando para uma insurreição não violenta.

A “Cidade de Tendas” de Tel Aviv,  “Los indignados” de Madrid e o movimento  “Occupy Wall Street” que nasceu em Nova Iorque, mas que está a espalhar-se pelos EUA, são algumas das expressões de Urano em Carneiro. Adeus às manifestações pacíficas com velas (Urano em Pisces), chegou a resistência activa (Urano em Carneiro). As exigências ainda não são completamente claras, mas os motivos são claríssimos. Injustiça social: o slogan de OWS fala dos 99%, dos esquecidos pelo sistema político e financeiro actual que causou a bolha económica e que não está a pagar a crise. Estes movimentos exprimem um descontentamento global sobre o aumento dos impostos e a diminuição de pensões e serviços sociais destinados, “soit disant”, a fazer-nos sair da crise.  São profundamente injustos porque afectam uma população que nada ganhou com as especulações financeiras.

Estes protestos tornar-se-ão violentos? O que nos diz a história do Urano em Carneiro?

No período de 1843 a 1850, e falando só de 1848:
·      Marx e Engels publicam o “Manifesto Comunista”, obra tão revolucionaria que dá origem mais tarde à criação da União Soviética, estado de ideais uranianos se bem que a sua aplicação tenha ficado aquém da ideologia.
·        Uma onda revolucionária espalhou-se por mais de 50 países a contestar a autoridade tradicional e a exigir justiça social. Na Europa este período é conhecido pela “Primavera das Nações”. As forcas reaccionárias ganharam provisoriamente, mas à custa de muitos mortos. Porém, no império Astro Húngaro foram abolidos os servos.
·    Em Itália, este ano foi tão conturbado que a expressão “fare un quarantotto” é hoje ainda sinónimo de confusão e agitação.
·         Em Portugal tivemos a nossa Maria da Fonte.

No período entre 1927 e 1934:
·    A bandeira da India é içada pela primeira vez, Gandhi torna-se mais vocal na exigência de independência e inicia a Marcha do Sal como protesto contra o monopólio dos Ingleses. Milhares de indianos juntaram-se a Gandhi nesta manifestação não violenta.
·        Na China, Mao proclama a República Soviética Chinesa (génese da actual República Popular da China) em 1931 e inicia, em 1934, a primeira de uma serie de Marchas.
·        Nos Estados Unidos, o crash da bolsa de 1929 pôs fim a uma bolha especulativa e começou um período de depressão económica. 
·      Na Europa, a republica de Weimar é particularmente afectada pelo crash, o desemprego cresceu para níveis assustadores, o que deu origem à popularidade do partido Nazi e à eleição de Hitler, em 1933.

Estão a ouvir a rima?

Na minha opinião, isto é só o princípio, uma vez que as duas energias principais, Plutão em Capricórnio e Urano em Carneiro, vão encontrar-se no céu, formando um ângulo de 90º sete vezes, entre 2012 a 2015. Este ângulo indica tensão cósmica com reflexo nos assuntos mundanos. Os governos e senhores da finança vão quer manter o poder e o status quo, e a população vai querer uma sociedade mais igual, mais livre, mais justa. O resultado será um conflito do qual sairá um mundo seguramente diferente do de hoje. Melhor ou pior, dependerá de cada um de nós. Também não será vivido com a mesma intensidade por todo o lado. Penso que se sentirá mais nos EUA, uma vez que tem maiores injustiças sociais e, comparado com a Europa, tem vivido numa maior miragem económica controlada pela alta finança.  

Este post é um bocadinho perturbante mas necessário, por isso faço uma pausa no próximo dia 21 de Dezembro, e falarei sobre o solstício de Inverno. No primeiro post de 2012 retomo a parte 3 da astrologia da crise sob o tema “E que posso eu fazer”?

Luiza Azancot

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