segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Vai um gin do Peter’s?

Por um venerando ancião de 84 anos, uma multidão de jovens ouviu as razões por que vale a pena acreditar no futuro!
O mesmo ancião relembrou aos senadores e aos mais altos dignitários do Estado alemão as fases obscuras da sua história, com um alerta pungente para o risco de alguns erros se virem a repetir, naturalmente com outras configurações.
Foi ainda o mesmo ancião, alemão de nascença, a assumir perante judeus o horror do holocausto. Por seu turno, como católico reconheceu, junto dos protestantes, os ensinamentos de Martinho Lutero. Como cristão, agradeceu aos muçulmanos o testemunho de fé dos filhos de Maomé. Aos alemães apontou como figuras históricas de referência vários estrangeiros, todos eles santos. E assinalou-lhes a pobreza humana que se esconde naquela sociedade de enorme bem-estar e eficiência. A um italiano explicou que a sua profunda matriz germânica se engrandecia na pertença ao «povo de todos os povos», conforme definiu, poeticamente, a Igreja. Tudo isto nos quatro dias da Visita Pastoral de Bento XVI(1) à Alemanha. Mais uma viagem memorável, com mensagens antológicas. Arriscaria dizer: intemporais. Nas terras que pertenceram à zona de ocupação soviética (DDR), o Papa falou simultaneamente à Europa rica e envelhecida, e às gerações mais novas, empenhado em antecipar um futuro pleno de humanidade e liberdade. O lema da Visita apontava uma bússola: «Onde há Deus, há futuro
O Papa filósofo e pedagogo é pródigo em acordar sentidos novos nos conceitos mais batidos, daqueles que nos habituámos a banalizar. A sua abordagem cristalina e revolucionária (talvez por ser cristalina) torna tudo simples e, sobretudo, de uma beleza imensa. É um efeito semelhante ao daqueles restauros felizes, que redescobrem a riqueza de telas engelhadas e pardas.
Das suas dezanove comunicações, deixo pequenos aperitivos (agrupados por temas), sugerindo que não percam os textos integrais do Discurso no Reichstag(2), da Homilia da Missa em Erfurt(3), da Vigília de Oração com os Jovens(4). Índice temático:
- «Tornar(mo)-nos para este mundo o delicioso vinho da alegria e do amor de Cristo»
- Fé é acreditar junto com os outros
- Aos políticos: «distinguir o bem do mal» como pediu Salomão
- Os cristãos beneficiam com todos: luteranos, judeus, ortodoxos, muçulmanos, agnósticos (sobre estes, cf  Homilia  da Missa de 25.Set.)
- Respostas às pobrezas do Ocidente rico
- Figuras transformadoras da História
- Abrir o futuro à Humanidade 

«Tornar(mo)-nos para este mundo o delicioso vinho da alegria e do amor de Cristo» (Missa em Berlim – 22.Set.) 
- «… Onde deixarmos que o amor de Deus actue plenamente sobre a nossa vida e na nossa vida, aí se abre o céu… Aí as pequenas coisas da vida diária têm o seu sentido, e os grandes problemas encontram aí a sua solução.» (Vésperas Marianas – 23.Set.)
- «Deus sabe transformar em amor mesmo as coisas pesadas e acabrunhadoras da nossa vida. Importante é “permanecermos” na videira, em Cristo.» (Missa em Berlim – 22.Set.)
- «… Ir, como cristãos, ao encontro dos nossos concidadãos e convidá-los a descobrirem connosco a plenitude da Boa Nova, a sua presença, a sua força vital e beleza. (…) (E) desse modo, viver num mundo onde Deus está presente e torna a vida bela e rica de significado.» (Missa em Erfurt – 24.Set.)
- «A vida cristã é uma “existência-para”: um viver para o outro, um compromisso humilde a favor do próximo e do bem comum.» (Missa em Friburgo– 25.Set.)
- «… Aderir confiadamente à beleza do plano de Deus e da providência que Ele, na sua graça, reservou para nós. Então, também na nossa vida, o amor de Deus tornar-se-á, por assim dizer, carne, tomará progressivamente forma. Não devemos ter medo no meio das nossas preocupações sem fim. Deus é bom.» (Missa em Friburgo– 25.Set.)
- «Só a relação profunda com Deus torna possível uma atenção plena ao homem, tal como sem a atenção ao próximo se empobrece a relação com Deus. Portanto, (a Igreja) ser aberta às vicissitudes do mundo significa… testemunhar segundo o Evangelho, com palavras e obras, aqui e agora, a soberania do amor de Deus. (…) (De) facto, a vida presente inclui a ligação com a vida eterna.» (Encontro Católicos Frib.– 25.Set.)

Fé é acreditar junto com os outros (Missa  em Erfurt – 24.Set.)
- «Para o cristão acrescenta-se algo mais (que o legado de nascença). Mediante o Baptismo, ele nasce de novo, nasce num novo povo, que é de todos os povos, um povo que engloba… todas as culturas, e no qual se encontra verdadeiramente em casa, sem perder a sua origem nacional. (…) no povo de todos os povos, no qual todos somos irmãos e irmãs.» (Encontro com os Jornalistas – 22.Set.)
- «(Na Igreja), Ele sustenta-nos e, todos os membros se sustentam uns aos outros. Juntos resistimos às tempestades… Não cremos sozinhos, cremos com toda a Igreja, de todo o lugar e de todo o tempo, com a Igreja que está no Céu e na terra.» (Missa em Berlim – 22.Set.)
- «A fé não é um mundo paralelo do sentimento, que possamos permitir-nos como um extra, mas é aquilo que abraça o todo, que lhe dá sentido, interpreta-o… apontando para Deus e a partir de Deus. Por isso é importante estar informados, compreender, manter a mente aberta, aprender.» (Encontro Seminaristas – 24.Set.)
- «Não vivemos sozinhos no mundo. Precisamente nas coisas importantes da vida, temos necessidade de outras pessoas. (…) Ninguém chega a crer, se não for sustentado pela fé dos outros; (…) E ajudamo-nos mutuamente a orientar-nos, a identificar o nosso lugar na sociedade.» (Vigília com Jovens – 24.Set.)
- «(Cristo) está sempre diante do Pai, intercedendo por nós, e é assim que Ele, nesta hora, está no meio de nós e nos quer atrair para dentro da sua oração. Na oração de Jesus, encontra-se o lugar interior da nossa unidade. Tornar-nos-emos um só, se nos deixarmos atrair para dentro de tal oração. (…) A unidade suprema não é a solidão duma mónada, mas unidade através do amor.» (Celebração Ecuménica – 23.Set.)

Aos políticos: «distinguir o bem do mal» como pediu Salomão
- «Na convivência humana, a liberdade não é possível sem a solidariedade. (…) Só usando também as minhas forças para o bem dos outros é que posso verdadeiramente realizar-me como pessoa livre.» (Boas-Vindas em Berlim – 22.Set.)
- «… o sucesso há-de estar subordinado ao critério da justiça (…) “Se se põe de parte o direito, em que se distingue então o Estado de um grande bando de salteadores?” – sentenciou uma vez Sto.Agostinho. (…) O homem é capaz de destruir o mundo.» (Reichstag– 22.Set.)
- «Como se reconhece o que é justo?... O cristianismo (…) apelou para a natureza e a razão como verdadeiras fontes do direito; apelou para a harmonia entre razão objectiva e subjectiva,… que pressupõe serem duas esferas fundadas na Razão criadora de Deus.» (Reichstag– 22.Set.)
- «Devemos ouvir a linguagem da natureza e responder-lhe coerentemente. (…) (Existe) também uma ecologia do homem… uma natureza que deve respeitar e não pode manipular como lhe apetece. O homem não é apenas uma liberdade que se cria a si própria.» (Reichstag– 22.Set.)
- «Foi na base da convicção sobre a existência de um Deus criador que se desenvolveram a ideia dos direitos humanos, a ideia da igualdade de todos os homens perante a lei, o conhecimento da inviolabilidade da dignidade humana…» (Reichstag– 22.Set.)
- «…Não é concebível que uma sociedade se possa manter a longo prazo sem um consenso sobre os valores éticos fundamentais.» (Encontro Muçulmanos – 23.Set.)
- «(Imitando o rei Salomão, pedir) um coração dócil, a capacidade de distinguir o bem do mal e, deste modo, estabelecer um direito verdadeiro, servir a justiça e a paz.» (Reichstag– 22.Set.)

Os cristãos beneficiam com todos: luteranos, judeus, ortodoxos, muçulmanos, agnósticos (sobre estes, cf  Homilia  da Missa de 25.Set.)
- «A cultura da Europa nasceu do encontro entre Jerusalém, Atenas e Roma, do encontro entre a fé no Deus de Israel, a razão filosófica dos gregos e o pensamento jurídico de Roma.» (Reichstag– 22.Set.)
- «A Igreja sente grande proximidade com o povo judeu. (…) Para os cristãos não pode haver uma quebra no evento salvífico. A salvação vem precisamente dos judeus. (…) (O) Sermão da Montanha não abole a lei mosaica, mas desvenda as suas possibilidades mais escondidas e faz surgir novas exigências…» (Encontro Judeus – 22.Set.)
- «Para Lutero, a teologia não era mera questão académica, mas a luta interior consigo mesmo… “Como posso ter um Deus misericordioso?” O facto que esta pergunta tenha sido a força motriz de todo o seu caminho, não cessa de maravilhar o meu coração. Com efeito, hoje quem se preocupa com isto…? (…) Quase todos pressupõem que Deus terá de ser generoso e, no fim de contas,… ignorar as nossas pequenas faltas. (…) Mas verdadeiramente são assim pequenas as nossas faltas?... Não, o mal não é uma ridicularia. Mas não seria forte, se verdadeiramente colocássemos Deus no centro da nossa vida.» (Encontro Igr.Evangélica – 23.Set.)
- «Para corresponder à sua verdadeira tarefa, a Igreja deve esforçar-se sem cessar por distanciar-se desta sua secularização e tornar-se novamente aberta para Deus. (…) Em certo sentido, a história vem em ajuda da Igreja com as diversas épocas de secularização, que contribuíram de modo essencial para a sua purificação e reforma interior. De facto, as secularizações (…) sempre significaram uma profunda libertação da Igreja de formas de mundanidade…» (Encontro Católicos Frib.– 25.Set.)

Respostas às pobrezas do Ocidente rico
- «… Constatamos uma indiferença crescente na sociedade, que, nas suas decisões, tende a considerar a questão da verdade sobretudo como um obstáculo, dando por isso prioridade às considerações utilitaristas. (…) Mas há necessidade duma base vinculativa para a nossa convivência; caso contrário, cada um vive só para o seu individualismo.» (Boas-Vindas em Berlim– 22.Set.)
- «Onde a razão positivista (actual) se considera a única cultura suficiente, … diminui o homem… Digo isto pensando precisamente na Europa… Assim coloca-se a Europa, face às outras culturas do mundo, numa condição de falta de cultura e suscitam-se, ao mesmo tempo, correntes extremistas e radicais. A razão positivista (…) não é capaz de perceber algo para além do que é funcional, assemelha-se aos edifícios de cimento armado sem janelas, nos quais nos damos o clima e a luz por nós mesmos… É preciso tornar a abrir as janelas… aprender a usar tudo isto de modo justo.» (Reichstag– 22.Set.)
- «Com a recusa do respeito a este Deus único, perde-se sempre também o respeito pela dignidade dos homens. E do que seja capaz o homem que recusa Deus… no-lo revelaram as horríveis imagens que chegaram dos campos de concentração…» (Encontro Judeus – 22.Set.)
- «…À medida que o mundo se afasta de Deus, vai-se tornando cada vez mais claro que o homem, na petulância do poder, no vazio do coração e na ânsia de prazer e felicidade, “perde” progressivamente a vida. A sede de infinito está presente no homem… O homem foi criado para a relação com Deus e precisa d’Ele.» (Celebração Ecuménica – 23.Set.)
- «Vivemos num tempo em que se tornaram incertos os critérios de ser homem. A ética foi substituída pelo cálculo das consequências. (…) Sem o conhecimento de Deus, o homem torna-se manipulável. (…) Hoje a caridade cristã exige o nosso empenho mesmo pela justiça no mundo…»(Celebração Ecuménica – 23.Set.) 
- «Não é a auto-realização, o querer possuir e construir-se a si mesmo, que opera o verdadeiro desenvolvimento da pessoa humana – (…) que facilmente se muda numa forma de refinado egoísmo – mas sim a atitude do dom de si…» (Vésperas Marianas – 23.Set.)
- «(Na Alemanha de hoje há) pobreza nas relações humanas e pobreza no âmbito religioso. Vivemos num tempo caracterizado em grande parte por um relativismo subliminar que penetra todos os âmbitos da vida… Isto exprime-se na inconstância e descontinuidade de vida de muitas pessoas e num individualismo excessivo.» (Encontro Católicos  ZDK – 24.Set.)
- «…No nosso mundo rico ocidental, há carências. Muitas pessoas carecem da experiência da bondade de Deus… Precisam de lugares, onde possam expor a sua nostalgia interior. (…) (Que) o Senhor nos indique sempre o caminho para, juntos, sermos luzes no mundo e mostrarmos ao nosso próximo o caminho para a fonte, onde possam saciar o seu profundo anseio de vida.» (Encontro Católicos  ZDK – 24.Set.)
- «Não são os nossos esforços humanos nem o progresso técnico do nosso tempo que trazem a luz a este mundo. (…) Ao nosso redor pode haver a escuridão e as trevas, todavia vemos uma luz: uma chama pequena, minúscula, que é mais forte do que a escuridão… Cristo… brilha neste mundo… e a fé n’Ele penetra, como uma pequena luz, tudo o que é escuro e ameaçador.» (Vigília com Jovens – 24.Set.)

Figuras transformadoras da História
-«…O fruto da santidade dura pelos séculos.» (Missa em Erfurt – 24.Set.)
- «Os Santos, mesmo onde são poucos, mudam o mundo. E os grandes Santos continuam a ser forças transformadoras em cada tempo.» (Missa em Erfurt – 24.Set.)
- «…A imagem dos santos foi repetidamente objecto de caricatura… como se o ser santo significasse estar fora da realidade, ser ingénuo e viver sem alegria. (…) Cristo não se interessa tanto de quantas vezes vacilamos e caímos na vida, como sobretudo de quantas vezes nós, com a Sua ajuda, nos erguemos. (…) Não vos chama porque sois bons e perfeitos, mas porque Ele é bom e quer tornar-vos seus amigos. Sim, vós sois a luz do mundo, porque Jesus é a vossa luz.» (Vigília com Jovens – 24.Set.)
- «Uma vez alguém instou a Bem-Aventurada Madre Teresa (de Calcutá) a dizer qual seria, segundo ela, a primeira coisa a mudar na Igreja. A sua resposta foi: tu e eu!» (Encontro Católicos Frib.– 25.Set.)
- «Ninguém pode crer sozinho. Recebemos a fé, diz-nos Paulo, através da escuta. E a escuta é um processo que requer o estar juntos… Este grande “com”, sem o qual não pode haver qualquer fé pessoal, é a Igreja. E esta Igreja não se detém diante das fronteiras dos países; demonstra-o as nacionalidades dos Santos (da Alemanha) que mencionei: Hungria, Inglaterra, Irlanda e Itália. Daqui se vê como é importante a permuta espiritual (…) (Continua) a ser, fundamental que acreditemos juntos em todos os Continentes e aprendamos uns dos outros a acreditar.» (Missa em Erfurt – 24.Set.)  
- «Foi decisivo para o desenvolvimento do direito e o progresso da humanidade que os teólogos cristãos… se tivessem colocado da parte da filosofia (e não da fé nas divindades), reconhecendo como fonte válidas para todos a razão e a natureza na sua correlação.» (Reichstag– 22.Set.)

Abrir o futuro à Humanidade 
- «Os olhos de quem acredita em Cristo vislumbram, mesmo na noite mais escura, uma luz e vêem já o fulgor dum novo dia. A luz não fica sozinha. Ao seu redor, acendem-se outras luzes.» (Vigília com Jovens – 24.Set.)
- «Quem crê em Cristo, tem um futuro. Porque Deus não quer aquilo que é árido, morto e artificial…; é Ele que nos dá a vida em abundância.» (Missa em Berlim – 22.Set.)
- «N’Ele, o nosso futuro está assegurado; (Deus) dá sentido à nossa vida e pode levá-la à plenitude.» (Saudação em Fribrugo – 24.Set.)
- «No nosso tempo de inquietação e indiferença (…) o Senhor ressuscitado oferece-nos um refúgio, um lugar de luz, de esperança e confiança, de paz e segurança. Onde a secura e a morte ameaçam os ramos, aí, em Cristo, há futuro, vida e alegria; aí há sempre perdão e novo início, transformação ao entrar no seu amor.» (Missa em Berlim – 22.Set.)
- «(Com Deus) a fidelidade é possível, porque Ele está sempre presente. É que Ele existe ontem, hoje e amanhã; Ele não pertence apenas a este tempo, mas é futuro e pode sustentar-nos em cada momento.» (Encontro Seminaristas – 24.Set.)
- «… Dar-nos conta que (Deus) exerce o seu poder (omnipotente) de maneira diferente de como costumamos fazer nós, os homens. Ele próprio impôs um limite ao seu poder, ao reconhecer a liberdade das suas criaturas. (…) (Quando) vemos as coisas tremendas que sucedem por causa (da liberdade), assustamo-nos. Mantenhamos a confiança em Deus, cujo poder se manifesta sobretudo na misericórdia e no perdão.» (Missa em Friburgo – 25.Set.)


Sabendo que podemos aprender com todos, o filme deste gin é a prelecção de um outro sábio (em sentido bem diverso), co-fundador da Apple – STEVE JOBS–, que nos deixou a 5 de Outubro. Foi proferida, em 2005, na Universidade de Stanford, onde ensinam os craques das Finanças mundiais. Sintetizando as suas recomendações – para além da divisa que praticou à exaustão «Think Differently» – amar a vida, em especial, a família e o trabalho; descobrir a importância crucial da morte para identificar o essencial e decidir sabiamente: «Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para ajudar a tomar grandes decisões.» Uma sabedoria com ecos salomónicos, aplicada ao mundo empresarial:




Maria Zarco
(a preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)
______________
(1) Para consultar os textos, na íntegra, aceda ao site: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/travels/2011/index_germania_po.htm
     Os títulos dos encontros são bastante explícitos acerca da temática em foco, facilitando assim a sua escolha. Ex: encontro com os luteranos ou com os judeus, os muçulmanos, a Ortodoxia, num Santuário mariano que resistiu ao comunismo, etc.
(2) Discurso no Reichstag (22.Set.): http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2011/september/documents/hf_ben-xvi_spe_20110922_reichstag-berlin_po.html…. site
(3) Homilia da Missa em Erfurt (24.Set.): http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/homilies/2011/documents/hf_ben-xvi_hom_20110924_domplatz-erfurt_po.html
(4) Vigília de Oração com os Jovens (24.Set.):  http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2011/september/documents/hf_ben-xvi_spe_20110924_vigil-freiburg_po.html

domingo, 9 de outubro de 2011

Domingo, Se Fores à Missa !



Há 15 dias, o JdB postou um artigo titulado  “São  40 anos”, sobre a morte de uma pessoa que nos era muito querida. Na altura fiz um comentário ao post, que volto agora a publicar.

Também eu, durante muito tempo, não há 40, mas há 20 anos, chamei a esta família "a minha segunda família"; aliás, nuns versos que lhes dediquei, dizia eu "esta família a quem aprendi a amar". É bem verdade. Que tem ou teve a sorte de ser acolhido no seio desta família, sabe bem o que é o amor e a amizade desinteressados. À mesa há sempre lugar para mais um; à noite, sempre se arranja mais uma cama. A alegria, a fé, a força de vida, a partilha e a música, entre outros, são os verdadeiros alicerces desta família. Sendo católica, a morte, para mim, mais não é do que um até sempre! Até sempre Tia M.A., olhe por nós, vele por nós, reze por nós.

Maf

Evangelho segundo S. Mateus 22,1-14.
Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se de novo aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo e, falando em parábolas, disse-lhes:
«O Reino do Céu é comparável a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho.
Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram comparecer.
De novo mandou outros servos, ordenando-lhes: 'Dizei aos convidados: O meu banquete está pronto; abateram-se os meus bois e as minhas reses gordas; tudo está preparado. Vinde às bodas.’
Mas eles, sem se importarem, foram um para o seu campo, outro para o seu negócio.
Os restantes, apoderando-se dos servos, maltrataram-nos e mataram-nos.
O rei ficou irado e enviou as suas tropas, que exterminaram aqueles assassinos e incendiaram a sua cidade.
Disse, depois, aos servos: 'O banquete das núpcias está pronto, mas os convidados não eram dignos.
Ide, pois, às saídas dos caminhos e convidai para as bodas todos quantos encontrardes.’
Os servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos aqueles que encontraram, maus e bons, e a sala do banquete encheu-se de convidados.
Quando o rei entrou para ver os convidados, viu um homem que não trazia o traje nupcial.
E disse-lhe: 'Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?’ Mas ele emudeceu.
O rei disse, então, aos servos: 'Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.’
Porque muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos.» 

sábado, 8 de outubro de 2011

Pensamentos impensados


Mariscos
Siza Vieira pediu ostras; esqueceram-se: Siza Vieira foi ostra...cizado.

Datas
Para Jesus Cristo, o ano de 33 foi crucial.

Flores...do entulho
No dia 25 de Abril de 1974 arvoraram o cravo como símbolo. Mais tarde veio a saber-se que os cravos provinham das ferraduras da maioria dos políticos.

Tracção animal
Dizia-se que a bicicleta era o único meio de transporte em que a besta que puxava ia sentada. Então e o barco a remos?

Economia
Há muito que digo que posso comprar tudo o que quero. Deixei de querer o que não posso comprar.

Humor um pouco negro
Era um grupo de amigos que só pensava em almoçaradas e jantaradas; eu não fazia parte do grupo, mas conhecia-os a todos. Um dia, um dos elementos aparece com uma cara triste, e informa que outro dos elementos está muito mal, com uma doença grave. Após alguns momentos de tristeza, alguém sugere: e se fizéssemos um almoço de despedida?

SdB (I)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Textos dos dias que correm


Bem pudera Santo António ser luz do mundo sendo de outra nação; mas, uma vez que nasceu português, não fora verdadeiro português se não fora luz do mundo, porque o ser luz do mundo nos outros homens é só privilégio da Graça; nos Portugueses é também obrigação da natureza. […]

E se António era luz do mundo, como não havia de sair da pátria? Este foi o segundo movimento. Saiu como luz do mundo e saiu como português. Sem sair ninguém pode ser grande […]. Assim o fez o grande espírito de António, e assim era obrigado a o fazer, porque nasceu português. […]

Quis Cristo que o preço da sepultura dos peregrinos fosse o esmalte das armas dos portugueses, para que entendêssemos que o brasão de nascer portugueses era a obrigação de morrer peregrinos: com as armas nos obrigou Cristo a peregrinar, e com a sepultura nos empenhou a morrer. Mas se nos deu o brasão que nos havia de levar da pátria, também nos deu a terra que nos havia de cobrir fora dela. Nascer pequeno e morrer grande é chegar a ser homem. Por isso nos deu Deus tão pouca terra para o nascimento e tantas para a sepultura. Para nascer, pouca terra; para morrer, toda a terra; para nascer, Portugal; para morrer, o mundo. Perguntai a vossos avós quantos saíram e quão poucos tornaram? Mas estes são os ossos de que mais se deve prezar vosso sangue.”

Padre António Vieira, Sermão de Santo António, Roma, na Igreja de Santo António dos Portugueses, 1670

i like girls

i like girls

in their summer dresses,
in their winter dresses,
in their spring dresses,

even if watches and engines
are not their most notorious interest,
i would easily swap those
for their, you know,
for all the rest.

which is another way to say
for girls at their
very very best.



gi.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Steve Jobs, 1955 - 2011

Deixa-me rir...


Caros Audiophiles, the new George Harrison documentary film Living In The Material World by Martin Scorsese has just been released. Three and a half hours long but totally absorbing. Combining archive video, private family photos and home movies, and interviews with his many musician friends, the film follows his life from Liverpool childhood through to his fame and huge contribution as a Beatle, and later as solo artist, but also as film producer for Monty Python films, and as humanitarian philanthropist highlighted by his organisation of the 1971 Concert For Bangladesh, his charitable response to the devastating floods and famine in that country,an idea pre-dating LiveAid by many years.

This is a portrait of a fascinating, enigmatic, complex man. One of the most celebrated people on the planet but who questioned his importance in the world and searched for enlightenment and spiritual faith.

Harrison himself explains: "By having money, we found that money wasn't the answer." And so began a "journey inward" that led him to experiment with LSD, Eastern religion, meditation and Indian music. Each of these influenced his songwriting, through which he tried to "teach future generations how to live free of the assumptions he'd had to unlearn".

Later, an older-and-wiser Harrison reflects: "People say I'm the Beatle who changed the most, but to me, that's what life's about."

Scorsese himself says: "The more you're in the material world, the more there is a tendency for a search for serenity and a need to not be distracted by physical elements that are around you. His music is very important to me, so I was interested in the journey that he took as an artist. The film is an exploration. We don't know. We're just feeling our way through."



George Harrison's legacy of songs as a Beatle need no introduction or promotion - Within You Without You, While My Guitar Gently Weeps, Here Comes The Sun, Something... - so here I present some of his best known solo work:







Not bad for only "the third most talented Beatle"!

 A proxima. PO

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Ponto de Vírgula

   Na casa da Azurara sempre se chamara jantar à refeição da uma hora. A outra era a ceia, e flutuava entre as oito e as nove horas. No intervalo merendava-se. Os primeiros convidados para o jantar do dia das três missas foram os três padres (...) Com as pessoas da casa já faziam uma bela mesa! (...)
   Todas fumegantes do belo arroz de frango enfeitado a rodelas de chouriça, tornaram-se indispensáveis as imensas travessas brancas, de louça inglesa, tão louvadas pelo comendador Faria.

in A Velha Casa II - As Raízes do Futuro, José Régio


Galinha assada com arroz árabe (Jordânia)
  
2 frangos do campo                                            1 c. de chá de açafrão das índias
sumo de limão                                                   1 c. de café de noz-moscada
azeite                                                               1 c. de chá de canela
sal                                                                    1 vagem de cardamomo (só as sementes)
pimenta                                                            1/4 de c. de café de pimenta de Caiena
1 c. de sopa de manteiga                                    250 g de arroz basmati
1 cebola picada                                                 2 chávenas de caldo de galinha
4 dentes de alho picados                                    50 g de amêndoas laminadas
1 c. de chá de cominhos                                     40 g de sultanas


Tempere os frangos com sumo de limão, um fio de azeite, sal e pimenta. Coloque-os num tabuleiro e leve ao forno a 200ºC, durante 1 hora. Ao final de 30 minutos abra o forno e vire os frangos de lado. Entretanto, faça um refogado num tacho com a manteiga, a cebola e o alho. Junte a mistura de especiarias - cominhos, açafrão-das-índias, noz-moscada, canela, cardamomo e pimenta de Caiena - e frite-a ligeiramente.Adicione o arroz e deixe fritar por 1 minuto. Cubra com o caldo de galinha e deixe cozinhar durante, aproximadamente, 8 minutos. Numa frigideira, frite as amêndoas com um fio de azeite. Junte-as ao arroz e, cerca de 1 minuto antes de apagar o lume, acrescente as sultanas.

Nota: receita retirada de Eat the World

MFM

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Duas ultimas

Alguns dos que me conhecem perguntar-se-ão como me cabe tanta nostalgia na alma. Outros indagarão da normalidade de tanta nostalgia na alma. Para todos tenho uma resposta simples, infantil e assaz vulnerável a contra-argumentação demolidora: olhem para mim e tentem descortinar tristezas profundas, melancolias tendentes ao suicídio, imobilidades perniciosas ao bom fluido dos humores. Não vislumbram? Certo, significa que não sou uma aberração da natureza.

Sou assim, como outros são de temperamento contente, na alegria esfuziante de um girassol que floresce, no rasgar de um sorriso com a proximidade da primavera, no encanto da novidade ou da descoberta. Não sei quando se terá revelado esta tendência em mim, se tem vindo a agravar-se ao ponto de me imaginar, dentro de alguns anos, deitado num divã enquanto um psiquiatra me explica, diligente e vagamente preocupado, as portas que se fecharam ou abriram extemporaneamente na minha infância.

A semana passada, no decurso do desaparecimento de alguém que me era querido, escrevi nostalgicamente, lembrando os quarenta anos de convívio próximo. Ao longo dos dois dias seguintes fui encontrando gente que fez parte da minha infância mais recuada. A satisfação que fui tendo em vê-los e, no sábado, ter almoçado com muitos, está para além de muitas compreensões - talvez mesmo da minha. Mas eu sou assim, e confesso não ver motivos para pedir desculpa...

A nostalgia não me mata o presente nem me elimina o futuro. São apenas recordações - algumas muito distantes no tempo - que me transportam para tempos felizes. Outros tempos felizes, porque apesar das dificuldades que fui enfrentando a vida foi generosa, oferecendo-me gente, projectos e olhares que me enriqueceram e fizeram de mim melhor pessoa. Com (des)honrosas excepções, tenho nostalgia de inúmeras épocas da minha vida, porque em todas tive momentos de irrepetível felicidade.

Escrevi, como disse acima, sobre os quarenta anos que celebrei interiormente este mês, e que me vieram à memória pelos piores motivos. Deixo-vos, resistentes leitores ao discurso de um permanente velho, com duas músicas que terão feito algum furor nesse ano de 1971. O título da primeira música é particularmente sugestivo. De facto, houve sempre alguém, quiçá na forma metafórica de uma borboleta esvoaçante, que me coloriu o mundo quando ele parecia mais negro.     

JdB



segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Fórmula para o caos


. Portugal passou os últimos dias a especular sobre a reacção do Primeiro-ministro à descoberta do buraco orçamental da Madeira. Esteve muito bem Passos Coelho. Foi o primeiro líder do PSD a demarcar-se, de forma clara e contundente, do descalabro financeiro do jardinismo.

. Teve início a Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque. Este ano marcada pelo pedido unilateral da criação do estado palestiniano. Até ao dia de hoje, ainda não foi feita a votação. Contudo, tudo leva a crer que maioria dos 193 Estados com assento na Assembleia geral vai votar favoravelmente. Não esquecendo que o Conselho de Segurança terá uma palavra a dizer. E ai, haverá com toda a certeza, um veto Americano. 

. A esquerda europeia rejubilou com a vitória dos seus " camaradas " nas legislativas dinamarquesas. Defendem que o centro esquerda foi, é e será sempre o principal pilar da integração europeia. Há, porém, que relevar um facto. O partido vencedor não dispõe de maioria absoluta para governar, tendo por isso feito uma coligação com os comunistas. Ainda acham que coligados com um partido eurocéptico poderão promover maior integração? Não me parece. A única união que os marxistas concebem é aquela que caiu de podre em 1991.

. Na Arábia Saudita as mulheres passarão a dispor de direito de voto a partir das próximas eleições municipais, aliás, as únicas existentes naquele país da Península Arábica. Vendo isto com olhos ocidentais, parece mais uma concessão por receio de uma revolução, semelhante às ocorridas na Tunísia, Egipto e Líbia, do que propriamente por convicção humana.

Pedro Castelo Branco

domingo, 2 de outubro de 2011

27º Domingo do Tempo Comum

Hoje é Domingo, e eu não esqueço a minha condição de católico.

Quem, no entanto, contava com um comentáriozito ao evangelho do dia terá de bater a outra porta - que as há, muito melhores do que esta, sobretudo quando é o editor e dono do estabelecimento a redigir pensamentos singelos. Hoje decidi agarrar a 2ª leitura para debitar algumas palavras. Porquê? Porque a epístola de S. Paulo me parece interessante e, também, porque o evangelho me pareceu mais difícil...

Há uns tempos, amiga próxima revelava a sua irritação (talvez mais taquinação) com dois tipos de raciocínios: o de algumas pessoas que dizem com ar convicto: a vida é simples, nós é que a complicamos, e o de outras, que talvez sejam as mesmas, sei lá, que balbuciam de olhos em alvo: eu só queria ser feliz..., acentuando muito o , como quem enfatiza a modéstia do desejo.

Acredito que talvez a vida seja dificílima, como acredito que, quando se pronuncia o desejo de felicidade, nunca se pode aplicar o advérbio . As relações entre as pessoas, o nosso convívio no mundo do trabalho, dos negócios, das famílias são uma tarefa tremenda, incompatível com a ideia de uma simplicidade catitinha destruída por mentes confusas. 

Sou um homem que acredita na santidade, mais do que na felicidade. Acredito, também, que esta virtude permanente é uma viagem, não um destino. Temos que dizer-lhe sim diariamente, persistir, ter a noção de que nunca lá chegaremos, mas que não é por isso que desistimos: quando nos zangamos, quando matamos pessoas no nosso coração, quando nos invade a falta de paciência ou de caridade, quando somos intolerantes às falhas do próximo (sobretudo do muito próximo), quando não conseguimos encontrar formas ou vontade de fazer as pazes, perdoar e querer ser perdoado.

O amor vence tudo, dizia Santo Agostinho. Acredito que sim, mesmo que esse Amor se revista de formas diferentes, conforme as circunstâncias. Ter amor é ser verdadeiro e nobre, ser puro e amável, revestir-se de justiça. Custa? Pois custa e não é pouco!, sobretudo quando nos sentimos injustiçados, quando achamos que os outros não têm razão ou nos sentimos arrogantemente donos de uma verdade própria e inquestionável. 

Em muitos combates que travamos - e alguns são bem mesquinhos - temos sempre dois caminhos. O da vontade de demonstrar poder ou razão, ou o da vontade de derramar o verdadeiro amor. Poderemos nem sempre saber o que devemos fazer, mas, regra geral, sabemos o que não devemos fazer. Nesse sentido - e sobretudo nesse sentido - a vida é simples. Se praticarmos o amor, o Deus da paz estará connosco.

Bom Domingo para todos.

JdB


LEITURA II – Filip 4,6-9

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses

Irmãos:
Não vos inquieteis com coisa alguma.
Mas, em todas as circunstâncias,
apresentai os vossos pedidos diante de Deus,
com orações, súplicas e acções de graças.
E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência,
guardará os vossos corações
e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.
Quanto ao resto, irmãos,
tudo o que é verdadeiro e nobre,
tudo o que é justo e puro,
tudo o que é amável e de boa reputação,
tudo o que é virtude e digno de louvor
é o que deveis ter no pensamento.
O que aprendestes, recebestes, ouvistes e vistes em mim
é o que deveis praticar.
E o Deus da paz estará convosco.

sábado, 1 de outubro de 2011

Pensamentos impensados


Lendas
Há uma actividade que é considerada a mais velha profissão do Mundo. Se é profissão, recebe dinheiro; quem paga é porque trabalha e tem dinheiro.Que trapalhada! É como saber o que nasceu primeiro, se o ovo se a galinha.
Neste caso se foi o cliente ou a empregada.
 
Frases
Os portugueses têm uma dívida soberana; os soberanos são os credores. Também se ouve dizer o Governo está empenhado; pensava que eram os portugueses.
 
Traduções My Way
Village little of driving.
Vila Pouca de Aguiar.
 
Incongruências
Conheço um rapaz, com 10 anos, que devido à sua altura e idade, tem de ir no banco traseiro do automóvel.
No entanto, como está no Colégio Militar, já maneja uma espingarda com baioneta.
 
Abelhudos
Vi na TV Obama a criticar a Europa devido à lentidão em resolver a crise e mais não sei quê. Não aceito que o chefe duma nação riquíssima, com um défice monstruoso, venha criticar outros países. Se ele me pagar, ensino-o a viver com pouco dinheiro e não ter défice.

SdB (I)

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