segunda-feira, 12 de março de 2012

Vai um gin do Peter’s?

Se há história que daria um bom argumento para um filme épico seria a dos Descobrimentos portugueses. 
Aliás, está já em rodagem um filme sobre um dos grandes descobridores – Vasco da Gama. Trocando a película pela pedra, o PADRÃO DOS DESCOBRIMENTOS desfia um pouco da narrativa desses séculos gloriosos. Um monumento muito marítimo, que fica especialmente deslumbrante visto do mar, com a proa a flutuar acima da linha de água. Assim navegam para sempre os heróis da maior gesta da nossa história.


Trinta e três figuras dispõem-se em fila indiana, numa complementariedade ascendente, que assume uma hierarquia explícita, iniciada (como é expectável) pelo Infante D.Henrique. Ali estão reunidos, em pedra lioz, cientistas, navegadores, governantes, estrategas e os artistas que registaram o feito, ao longo de várias gerações. A lista completa inclui: Infante D.Henrique – o Navegador, a segurar uma nau na mão direita, de velas enfunadas ao vento, D.Afonso V (o Africanista), Vasco da Gama, Afonso Gonçalves Baldaia (navegador), Pedro Álvares Cabral (descobridor do Brasil), Fernão de Magalhães, Nicolau Coelho (navegador), Gaspar Côrte-Real (navegador), Martim Afonso de Sousa (navegador), João de Barros (escritor), Estêvão da Gama (capitão marítimo), Bartolomeu Dias (descobridor do Cabo da Boa Esperança), Diogo Cão (navegador), António Abreu (navegador), Afonso de Albuquerque (o maior Vice-Rei da Índia), São Francisco Xavier (Jesuíta, patrono dos missionários), Cristóvão da Gama (capitão), Infante D.Pedro – Duque de Coimbra (filho de D. João I) e sua mãe – a rainha Filipa de Lencastre, Fernão Mendes Pinto (aventureiro, autor de a «Peregrinação»), Frei Gonçalo de Carvalho, Frei Henrique Carvalho, Luís Vaz de Camões, Nuno Gonçalves (pintor, a quem são atribuídos os Painéis de S.Vicente), Gomes Eanes de Zurara (cronista), Pêro da Covilhã (viajante), Jácome de Maiorca (cosmógrafo), Pêro Escobar (navegador), Pedro Nunes (matemático), Pêro de Alenquer (navegador), Gil Eanes (navegador), João Gonçalves Zarco (navegador) e D.Fernando – o Infante Santo (outro dos filhos da Ínclita Geração, martirizado em Marrocos). Olham o Tejo, alinhados nesta sequência: 




A caravela de pedra abraça um padrão estilizado, com uma cruz saliente e o escudo de Portugal. Obra do escultor Leopoldo de Almeida, foi inaugurado em 1960 para comemorar o quinto centenário da morte do Infante D.Henrique. Corresponde à réplica definitiva do monumento que tinha sido erigido, em materiais frágeis, para a magnífica Exposição do Mundo Português (1940), como «Pavilhão dos Descobrimentos». Nesse primeiro Padrão tinham colaborado Leopoldo de Almeida e o Arquitecto Cottinelli Telmo. Mas tivera de ser desmontado no final dos anos 50. Há imagens sugestivas dessa Exposição e dessa construção efémera, no gin de 19 de Maio de 2010, a propósito do filme «Fantasia Lusitana».
No interior do Padrão, há vários espaços expositivos, auditórios e um miradouro no último andar, a 50m de altura. 




No exterior, está embutida na calçada portuguesa uma gigantesca Rosa-dos-Ventos, de 50m de diâmetro, oferecida a Portugal pela África do Sul. Ao centro, o mapa desenha as principais rotas das Descobertas dos séculos XV e XVI, enquadradas por linhas azuis ondulantes, a lembrar as vagas sulcadas pelos galeões dos nossos antepassados, em todos os mares do planeta.



O monumento evoca os marcos (também em pedra) que os navegadores portugueses implantavam em terras recém-descobertas, a assinalar a soberania da coroa portuguesa nessas novas latitudes. Poucos restam desses tempos áureos, resistindo uns três na Sociedade de Geografia de Lisboa(1) e outro na Alemanha, como vestígios garbosos dos avanços de Diogo Cão, Bartolomeu Dias e Vasco da Gama, na África austral ou na Ilha de Moçambique – após a dobragem do Cabo da Boa Esperança.

Painel na Assembleia da República, a representar Diogo Cão junto ao padrão que indica a presença portuguesa no estuário do rio Zaire. O navegador foi o primeiro a colocar marcos, com inscrições eloquentes. Reza o seguinte no «Padrão de Sto.Agostinho» (implantado a 1482-83): «Era da criação do Mundo de 6681 anos, do nascimento de Nosso Senhor Jesus de 1482 anos, o mui alto, mui excelente poderoso príncipe, el rei D. João II de Portugal mandou descobrir esta terra e pôr estes padrões por Diogo Cão, escudeiro da sua casa.»

Avisava o célebre mentor da descolonização e independência dos povos da América Latina, Simón Bolívar (1783-1830): «Um povo ignorante é um instrumento cego da sua própria destruição.» Nesse sentido, relembrar a história dos povos é crucial para inspirar e dar substância ao futuro. Não menos para Portugal, nesta hora difícil.  

Maria Zarco
(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)
_____________
(1)  Sociedade de Geografia de Lisboa, http://www.socgeografialisboa.pt, na Rua das Portas de Santo Antão (perto do Coliseu dos Recreios), nº 100. Tel. 213 425 401.

domingo, 11 de março de 2012

Domingo …… Se Fores à Missa!


3º Domingo da Quaresma. Para nós, Cristãos, aproxima-se o dia da grande festa – a Páscoa. Que preparativos estamos a fazer?  Que caminho estamos a escolher para lá chegar? Dou por mim tão alheada do tempo de Quaresma L! Preparo-me para uma reunião de trabalho, analisando todos os pormenores, calculando todas as possibilidades. Preparo-me para um jantar, comprando os  alimentos com antecedência, pondo a mesa para os convidados.  Preparo-me para uma viagem, comprando o bilhete de avião ou enchendo o depósito de gasolina. Preparo-me para uma festa, preparando a roupa e o cabelo.  Então porque razão não me preparo na e para a Quaresma? Porque deixamos, tantas vezes, as coisas de Deus para trás? Ele,  que deveria ser  o mastro do nosso barco, o ideal da nossa vida. Ele, que tudo nos dá e nos pega ao colo quando fraquejamos. Ele, que nos interpela e chama todos os dias e teimamos em não ouvir.  Que esta Quaresma não nos passe totalmente despercebida. Que encontremos nela um propósito  de vida, uma orientação de caminho. Quanto mais não seja, que ela nos traga um tempo de recolhimento e oração.

Domingo, Se Fores à Missa ….. Prepara a tua Quaresma!

Maf


 EVANGELHO Jo 2, 13-25

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. Encontrou no templo os vendedores de bois, de ovelhas e de pombas e os cambistas sentados às bancas. Fez então um chicote de cordas e expulsou-os a todos do templo, com as ovelhas e os bois; deitou por terra o dinheiro dos cambistas e derrubou-lhes as mesas; e disse aos que vendiam pombas: «Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai casa de comércio». Os discípulos recordaram-se do que estava escrito: «Devora-me o zelo pela tua casa». Então os judeus tomaram a palavra e perguntaram-Lhe: «Que sinal nos dás de que podes proceder deste modo?». Jesus respondeu-lhes: «Destruí este templo e em três dias o levantarei». Disseram os judeus: «Foram precisos quarenta e seis anos para se construir este templo e Tu vais levantá-lo em três dias?». Jesus, porém, falava do templo do seu corpo. Por isso, quando Ele ressuscitou dos mortos, os discípulos lembraram-se do que tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra de Jesus. Enquanto Jesus permaneceu em Jerusalém pela festa da Páscoa, muitos, ao verem os milagres que fazia, acreditaram no seu nome. Mas Jesus não se fiava deles, porque os conhecia a todos e não precisava de que Lhe dessem informações sobre ninguém: Ele bem sabia o que há no homem.

Palavra da salvação.

sábado, 10 de março de 2012

Pensamentos impensados


Saúde
Sou uma pessoa que, graças a Deus, é raro estar doente. Posso dizer que tenho uma relação saudável com as doenças.
 
Pobreza
Li, há muitos anos, uma descrição sobre a Grécia:
a Grécia é um país muito pobre; os homens vivem das cabras e a cabras vivem das pedras.
 
Natalidade
Mais uma observação sobre a fraca natalidade em Portugal.
Já alguém pensou em convidar para vir passar uns tempos cá no país o Berlusconi, o Zézé Camarinha, o Heffner (dono da Playboy), o Pinto da Costa (é indígena), o Strauss Kahn e, como segunda escolha, o Bill Clinton?
 
Adornos capilares
Quando, há uns anos. o Sá Pinto bateu no Artur Jorge, tentaram saber o que este terá dito na altura ao agressor; para isso usaram a técnica do read my lips que não deu qualquer resultado, dado o tamanho do bigode de Artur Jorge.
 
Grito revolucionário
A terra a quem a trabalha.
Expulsão a quem atrapalha.

SdB (I)
 

sexta-feira, 9 de março de 2012

Moleskine

Saúde (I). Decidi fazer um check-up. Consultei uma médica amiga de há muitos anos, marquei os variados exames para, numa manhã bem esgalhada, poder dar conta do recado. Só num dos exames houve um ligeiro atraso. Para poder não falhar o seguinte, consultei uma das funcionárias, indagando se demoraria muito tempo. Respondeu-me que faltava um bocadinho. Sei que consigo ser um maçador, pelo que não desisto e indago: sou muito engenheiro, importa-se de me definir o que é um bocadinho? Não há sítio onde se faça uma pergunta concreta que não nos respondam com algo vago. 

Saúde (II). Acompanho alguém que vai fazer um exame médico com alguma complexidade. Antes peço para o médico me dar notícias logo que possível. Uma enfermeira informa-me, solícita e sorridente, que o doutor vai falar comigo, que o exame já terminou. Aparece um cavalheiro que me pergunta: queria falar comigo? Pergunto se foi ele que fez o exame à pessoa em questão. A resposta é afirmativa, com laivos de impaciência, porque já está à civil, tem papéis debaixo do braço, e se calhar tem compromissos para o almoço. Surge então o surpreendente na boca de um médico que vai dar novas sobre um exame complexo: diga-me o que quer saber, especificamente... Hesito entre perguntar-lhe pela regularidade intestinal, pela vida depois da morte, ou pela extinção do lince da Malcata. O que quero saber? Com o advérbio especificamente? De facto, alguns médicos podem saber tudo sobre doenças do seu foro, mas chumbaram na cadeira de relação com os doentes.

Música. Apeteceu-me, olhem. Porquê? Não sei, é um mistério...
      


Sporting. Tenho uma relação desinteressada com o futebol. Acho um desporto na generalidade maçador e o meu clube de eleição não é, infelizmente, a excepção que confirma a regra. Vi-o jogar ontem e ganhar esforçadamente ao Manchester City. Questiono-me se será o Sá Pinto o o treinador que vai devolver as glórias ao clube de Alvalade. Foi colega de faculdade da minha filha e, num qualquer evento social, fui-me apresentar, porque nalgumas ocasiões tornamo-nos conhecidos por sermos pais de alguém. Sendo um velho de espírito, aprecio alguns pormenores de educação, e o Sá Pinto tinha-as: quando me aproximei apertou imediatamente o botão do blazer, porque alguém lhe deve ter ensinado que não se fala com uma pessoa mais velha de casaco desapertado.

Velhices. No outro dia, quando fui ao Porto, acompanhava-me também uma jovem de 30 anos. A dada altura falou-se de música, do gosto de dançar, da relativa aversão que os homens de hoje em dia têm a essa actividade que, segundo um amigo de juventude (e dos meus colegas de Duas Últimas) era a única forma legal de um rapaz se agarrar a uma rapariga em público. Depois, maçador e velho, dei por mim a explicar-lhe algumas regras de há 35 - 37 anos: pedia-se a uma rapariga para dançar e agradecia-se no fim;  não se dançava a fumar nem a beber, porque era falta de respeito; a dança era uma actividade a dois, e não em grupo; havia a expressão slow, hoje aplicada, provavelmente, a algum jogador de futebol. E outras, que tinham alguma estética... Hoje estou assim, nostálgico, mas também não vou pedir desculpa a ninguém...

Façam o favor de ser felizes.

JdB      

quinta-feira, 8 de março de 2012

Deixa-me rir...


Caros Audiophiles, this week I return to my occasional theme of a musician who is generally associated with one particular song.
In this case, a song which transcended its folk roots to become a hugely popular hit. Many people may not remember his name, but nearly everyone knows the song.
Ralph McTell is an English folk songwriter for over forty years. Within folk music circles he is as much a national treasure as, let's say, Elton John in the pop world. Like all the best songwriters, he is a fine observer of the world around him and the people who inhabit it, and of the internal complex nuances of our minds, and he has the ability to express these honestly and with sympathetic humanity and humour.
The song he is best known for is Streets Of London. Composed in 1969 it achieved popular and international recognition in 1974. But its themes of poverty and destitution and loneliness, the hidden underbelly that an ostensibly wealthy city prefers to forget, remain relevant today. In fact, as if to mark this timeless quality, my chosen video stitches together several versions of the song through the decades of Ralph McTell's career. There is also a charming interview with McTell about the origin of the song and what it means to him.




Have you seen the old man in the closed-down market
Kicking up the paper with his worn out shoes?
In his eyes you see no pride, hands held loosely at his side,
Yesterday's paper telling yesterday's news.

So how can you tell me you're lonely, and say for you that the sun don't shine?
Let me take you by the hand and lead you through the streets of London,
I'll show you something to make you change your mind.

Have you seen the old girl who walks the streets of London
Dirt in her hair and her clothes in rags?
She's no time for talking, she just keeps right on walking,
Carrying her home in two carrier bags.  

In the all night cafe, at a quarter past eleven,
Same old man is sitting there on his own,
Looking at the world over the rim of his tea-cup,
Each tea lasts an hour, then he wanders home alone.

Have you seen the old man outside the Seaman's Mission,
Memory fading with the medal ribbons that he wears?
In our winter city, the rain cries a little pity
For one more forgotten hero, and a world that doesn't care.

Ralph McTell's songs deserve to be much more widely recognised. I love so many, but I would like to present one more here which I think exemplifies his understanding of humanity and his songwriting skills. Even though he was still young when he wrote it, it is a wise reflection upon a married couple who have grown old together, seen through the eyes of the man and his infidelities and insecurities who has come to appreciate his wife as the rock upon which his life is built.
It is, I think, the most romantic love song one could ever hope to hear. The song is called Naomi.




Age has made her frail,  I'm scared to take her in my arms
But there's an understanding now, and a peace behind the eyes
And age is for complaining, but you won't hear much from me
Growing old with Naomi

Now I recall the first time I took her in my arms
At times I was unfaithful
She said: "no future in the past", so we don't talk about it
She keeps a gentle edge on me
I don't mind growing old with Naomi

She wasn't all I wanted
But she's all I'll ever need
Oh, a rich man always wants some more
And I was rich indeed
A rich man and a poor fool
Yet it turned out right for me
How lucky can you get?
Growing old with Naomi

The kids today, they think that they've discovered everything
But me and her, well we'd done it all, without a wedding ring
Sometimes things remind us, and she's smiling back at me
It isn't hard growing old with Naomi

She wasn't all I wanted
But she's all I'll ever need
Oh, a rich man and a poor fool
And I was rich indeed
I never thought her beautiful
But I do now, because I see
I'm getting wiser
Growing old with Naomi

Oh, the place is kind of quiet now, the kids have all left home
We'd like to see more of them, but we're grateful when they call
And in the quietness afterwards she comes and sits by me
Makes me feel like a man
Growing old with Naomi
 
 
A proxima.
 
PO

Saúde dos dias que passam

Passem o rato ao longo das 24 vértebras da coluna vertebral. 
Façam-no lentamente, e poderão ver uma demonstração de como a nossa coluna vertebral afecta todo o nosso corpo e organismo. 
Movam o rato sobre os ossos das costas e poderão vêr as áreas do corpo que são afectadas. 
Este link é muito interessante e pode ajudar-nos a perceber melhor o que se passa "dentro" de nós, se não cuidarmos bem da nossa "espinha".


(enviado por mão amiga)


http://www.chiroone.net/why_chiropractic/index.html

Filmes dos dias que correm

quarta-feira, 7 de março de 2012

Ponto de Vírgula

In the servants' hall two coachmen and three gentlemen's gentlemen stood or sat round the fire; the Abigails, I suppose, were upstairs with their mistresses; the new servants, that had been hired from Millcote, were bustling about everywhere. Threading this chaos, I at last reached the larder; there I took possession of a cold chicken, a roll of bread, some tarts, a plate or two and a knife and fork. With this booty I made a hasty retreat. I had regained the gallery, and was just shutting the back-door behind me, when an accelerated hum warned me that the ladies were about to issue from their chambers. I could not proceed to the schoolroom without passing some of their doors, and running the risk of being surprised with my cargo of victualage; so I stood still at this end, which, being windowless, was dark; quite dark now, for the sun was set and twilight gathering.

in Jane Eyre, Charlotte Brontë



Apple Crumble


6 maçãs em fatias
100 g de nozes picadas
100 g de manteiga amolecida
100 g de farinha de trigo
100 g de açúcar


Distribua a maçã em formas individuais. Salpique com as nozes. Misture a manteiga, a farinha de trigo e o açúcar. Distribua igualmente sobre as formas. Leve ao forno médio (180ºC), pré-aquecido, durante 15 minutos. Sirva com gelado (limão ou nata).


 MFM

terça-feira, 6 de março de 2012

Duas últimas


Em África, ou pelo menos no país em que me encontro, o Zimbabwe, a religião é levada a sério. Aqui não há agnósticos e muito menos ateus e, se os há, não se assumem. É habitual, num qualquer contexto social, perguntarem-me que igreja frequento e suscitarem assuntos religiosos para fazer conversa. Os estrangeiros e principalmente os europeus, campeões do laicismo, sentem-se muitas vezes ofendidos com estas manifestações de religiosidade e consideram-nas um sinal de sub-desenvolvimento.

Perguntaram-me ontem qual era o meu sacrifício de Quaresma. Assim, sem mais nem menos. A pessoa que me fez a pergunta nem sequer me conhecia bem e não sabia portanto se eu era cristão. Não lhe passou pela cabeça que a pergunta pudesse ser deslocada ou considerada indiscreta. É sub-desenvolvimento, dirão os europeus. Os africanos contrapõem no entanto que o declínio da Europa começou exactamente com a negação da Fé. "O futuro pertence-nos porque nós temos Deus e vocês já O abandonaram", dizia-me no outro dia um amigo local.

Depois de todas  estas acusações, senti-me compelido a postar algo alusivo à quadra quaresmal. Para que os africanos saibam que nem tudo está perdido na Europa.

JdC


segunda-feira, 5 de março de 2012

Fórmula para o caos


EUA, UE, Rússia e China.

Após os ataques terroristas em 11 de Setembro de 2001, o presidente George W. Bush decidiu retaliar. Fê-lo no Afeganistão dos Talibans (estudantes de teologia). Bush considerava que era o Afeganistão o local onde Bin Laden treinava os jihaditas para travar a denominada guerra santa. E, de facto, situava-se no Afeganistão a mais importante das células da Al-Qaeda. Em Março de 2003, alegadamente depois de tomar conhecimento de factos consumados de que o Iraque de Sadam Hussein possuía armas de destruição em massa, ilegais segundo os padrões internacionais, o Chefe de Estado americano, temendo um novo ataque à pátria da liberdade, tomou a iniciativa de invadir o Iraque e desencadear mais uma guerra. À época, os EUA viam-se envolvidos em dois campos de batalha. Naturalmente, dada toda a envolvente logística e de armamento necessário para travar duas guerras a muitos km de distância, seriam necessárias avultadas quantias de dólares.

Geralmente, quando um estado necessita de alargar a base orçamental, procede a um aumento da carga fiscal. Mas George Bush, oriundo da facção conservadora e monetarista da política americana optou, em lugar de tributar os cidadãos, por emitir grandes quantias de dívida pública com o propósito de financiar as guerras. Recordando que no ano de 2001 teve lugar o colapso das dotcom (empresas tecnológicas) a situação económica no seio dos EUA era anémica. Com isto, o rendimento disponível para investimento em obrigações federais era muito pouco entre os americanos. Aí entra a China. Com a maior reserva de divisas do mundo, foram os chineses os maiores compradores de dívida pública americana. Apesar de, em termos políticos, serem frontalmente contra as guerras do Afeganistão e Iraque, acabam por ser os grandes financiadores das mesmas. É um daqueles casos em que política e economia andam de costas voltadas.

Vladimir Putin acaba de ser eleito presidente da Rússia. Putin desenvolveu uma campanha eleitoral apelando ao nacionalismo russo, a lembrar o tempo soviético, e afirmando que pretende rearmar o exército Russo. Qualquer coisa como 500.000.000.000 USD em dez anos. Este é um fenómeno que preocupa muito o ocidente. Em especial a vizinha União Europeia. A UE depende do gás proveniente da Rússia. Em troca de Gás, seguem para Moscovo milhões de dólares todos os anos. E será com esses dólares que Putin pretende armar o exército. 

Assuntos diferentes mas em tudo semelhantes.

Pedro Castelo Branco

domingo, 4 de março de 2012

2º Domingo do Tempo da Quaresma

Hoje é Domingo, e eu não esqueço a minha condição de Católico.

6ª feira atirei-me de boleia ao Porto. Fui ver, acompanhado de gente da Acreditar, o terreno junto ao IPO que nos foi cedido para a construção da próxima, e provavelmente última, Casa da Acreditar. Daqui por três anos, talvez, teremos entre 13 e 15 famílias que, no seu combate contra o cancro infantil, ali encontrarão uma casa longe de casa. 

No caminho para cá fomos falando de gente que passou por este drama na sua forma mais dolorosa, que é a da perda, da paz que vamos ou não encontrando, do luto que conseguimos fazer, das motivações que nos levam a aproximar ou a afastar da Acreditar. Lembrei-me, como sempre, de uma frase que cito frequentemente: todos os dramas são suportáveis se fizermos deles uma história

Falou-se de fé. Citámos o caso de uma amiga comum, vítima da dor maior, dona de uma alma onde não entra aquilo que nos leva a acreditar no invisível. Dizem-me que, passados tantos anos (provavelmente mais de 15) ainda não encontrou sossego dentro de si. Olho para dentro de mim próprio, e não tenho dúvidas em reconhecer que a fé desempenhou um papel fundamental no caminho que percorro há dez anos. Talvez a dúvida não assente só na importância da fé, mas também na forma como a fé vai montando uma teia de paz. 

Não tenho certezas. Nem todos os Pais que perdem filhos são crentes, e muitos terão construído uma vida onde as memórias vivem mansamente. Muitos Pais, por outro lado, são crentes, e quem sabe os que viverão entristecidos e sobressaltados? Que ferramentas usarão uns e outros? Ter fé basta para aquietar os nossos desgostos mais profundos? Acreditar numa vida eterna, num Deus que não é senão Amor, no encanto dos anjos como embaixadores celestes? Repito: não tenho certezas, nem poderei afiançar que a fé é uma condição necessária, quanto mais suficiente.

A frase que citei acima, e que me acompanha há anos, talvez dê a chave: todos os dramas são suportáveis se fizermos deles uma história. Eu, estou convicto, quis construir uma história - ou vim a perceber a vantagem de um trilho que segui inconscientemente. À semelhança de muitos, mas ao contrário de muitos, também, a vida levou-me a escolher a fé como personagem principal. Poderia questionar-me se foi esse o segredo, mas temo ser presunçoso. Afinal, o meu caminho é o meu caminho, nada mais do que isso. E a ideia que tenho de mim próprio será sempre influenciada por esta dúvida: sou o que sou ou sou o que vejo no espelho? 

Bom domingo para todos.

JdB         



EVANGELHO – Mc 9,2-10

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo,
Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João
e subiu só com eles
para um lugar retirado num alto monte
e transfigurou-Se diante deles.
As suas vestes tornaram-se resplandecentes,
de tal brancura que nenhum lavadeiro sobre a terra
as poderia assim branquear.
Apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus.
Pedro tomou a palavra e disse a Jesus:
«Mestre, como é bom estarmos aqui!
Façamos três tendas:
uma para Ti, outra para Moisés, outra para Elias».
Não sabia o que dizia, pois estavam atemorizados.
Veio então uma nuvem que os cobriu com a sua sombra
e da nuvem fez-se ouvir uma voz:
«Este é o meu Filho muito amado: escutai-O».
De repente, olhando em redor,
não viram mais ninguém,
a não ser Jesus, sozinho com eles.
Ao descerem do monte,
Jesus ordenou-lhes que não contassem a ninguém
o que tinham visto,
enquanto o Filho do homem não ressuscitasse dos mortos.
Eles guardaram a recomendação,
mas perguntavam entre si o que seria ressuscitar dos mortos.

sábado, 3 de março de 2012

Pensamentos impensados


Traduções MY WAY
Curl, curl, put the sticks at the sun.
Caracol, caracol, põe os pauzinhos ao Sol.
 
Aviação
A primeira companhia de aviação que houve em Portugal chamava-se Passarola e fui fundada pelo Padre Bartolomeu de Gusmão.
 
Pecados
Está escrito: que o homem não separe o que Deus juntou.
Será ir contra as Escrituras separar gémeos siameses?
 
Literatura
Devido a fuga de informações, já se sabe qual o sucesso literário da próxima Feira do Livro: chama-se A pitonisa de belém ou 100 maneiras de dizer não comento.
 
Natalidade
O Dr. Cavaco Silva está muito preocupado com a fraca natalidade em Portugal. Se olhar para o seu agregado familiar, verá que não fez nada para o aumento de natalidade; 2 pessoas gerarem 2 pessoas, não aumentam a população. Tanto quanto sei, os seus filhos também nada fizeram para aumentar a população.

SdB (I)

sexta-feira, 2 de março de 2012

Friday is a great day to fall in love






"You're only given a little spark of madness. you mustn't lose it"

quinta-feira, 1 de março de 2012

Blogues dos dias que correm

O link foi-me enviado por mão amiga.
Bom para quem gosta de moda, de estética, de beleza. Para quem, no fundo (e plagio) o melhor já chega...
Visitem o blogue. Ao que parece ganhou prémios e teve, num dia, 10.000 visitas, o que me deixou corado de vergonha e pequenez...

http://fashionistaaddict.blogspot.com/


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