Cuidados
- Dormiste bem esta noite?
- Não sei, estava a dormir.
No barbeiro
Veja se decora o corte da minha barba, que eu não duro sempre.
Avisos à navegação
Vejo um anúncio que diz próximo do metro. Serão 99 centímetros?
Pontualidades
Quando Jesus Cristo disse a Sua Mãe, Mulher ainda não chegou a minha hora, não sabia que os relógios tinham adiantado uma hora.
Predestinação
O país com maior índice de alcoolismo de ser a Pielo-Rússia.
Maus comportamentos
Quando Deus criou Adão já sabia que ele ia desobedecer; alguma fuga de informação...
SdB (I)
As melhores viagens são, por vezes, aquelas em que partimos ontem e regressamos muitos anos antes
sábado, 30 de junho de 2018
sexta-feira, 29 de junho de 2018
Da cidadania e da existência
Passava ontem pelos corredores de um hospital com valência de maternidade quando me defrontei com uma placa que indicava um serviço. O nome do serviço? Simples: nascer cidadão. Poucas coisas me fizeram lembrar tanto a revolução francesa como o singelo dístico com duas palavrinhas apenas. Nada de liberdade, igualdade, fraternidade; nada de guilhotinas ou cabeças decepadas, vestígios de brioches com que se devia alimentar a população se não houvesse pão para o efeito. Apenas, e tão somente, nascer cidadão. Não se nasce bebé, não se nasce princesa ou filho querido. Nasce-se cidadão, apesar do cavalo de baloiço; nasce-se cidadão, apesar da cara de bebé anúncio de papas.
Pedi para me tirarem uma fotografia ao dístico: fizeram melhor, tiraram a este poster onde ressaltam várias coisas: a indicação dos dois ministérios que tutelam estas actividades - justiça e trabalho e segurança social; a indicação do simplex, esse programa de eficiência fabril ao serviço do Estado e, claro está, dos cidadãos. Porém, uma frase chamou-me à atenção, e repito uma afirmação antiga, como se eu levasse com um tijolo pelas ventas. A frase é simples e gramaticalmente correcta: para existir é preciso ter nome. É o nome que nos dá existência, e o número de contribuinte, que é já já a seguir, é a impressão digital, não do amor, da ternura, da preocupação pelo presente e futuro daquele ser indefeso, mas da máquina fiscal.
O problema do Estado - e problema seguramente irresolúvel - é o facto de ser uma engenharia processual expurgada de afecto, de calor humano, de relacionamento social. O Estado vive de normas de execução permanente, de procedimentos, de tentativas de eficácia e de controlo. Poucas frases são tão frias como nascer cidadão ou para existir é preciso ter nome. Agora, que dá jeito ter estes serviços nas maternidades, dá. O Estado não tem - nem saberia como - de regozijar-se porque nasce mais um ser humano; limita-se a acrescentar um input num programa de estatísticas, a atribuir um número que perseguirá o agora cidadão até ao fim da vida, a requerer um nome para dar existência a um bebé que, na quase totalidade dos casos, é fruto do amor de duas pessoas que vêm naquele ser a sua continuidade e o seu enlevo, não uma linha, um número, uma influência num gráfico.
Os nomes que se dão a quem nasce são a forma como nos referiremos àquele bebé, depois rapaz, depois adulto, ou como o chamaremos para nos abraçar, dar a mão e sentido a uma vida. Existe por si, como lugar geométrico do amor; tem nome, não para existir (porque existe desde o momento em que foi concebido, e desde o início dos tempos, como parte do plano de Deus) mas para se distinguir dos outros, mesmo daqueles que têm o mesmo nome dele. A cidadania, por mais importante que seja, é posterior ao amor. O Estado é que não sabe, nem pode, falar disso. Falo eu, para lembrar o dia 27 de Junho, dia em que o destino e a eternidade sorriram de novo para mim. E o outro sorriso, o humano, virá depois. Já não falta tudo.
JdB
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quinta-feira, 28 de junho de 2018
Textos dos dias que correm
O Coração é o Seu Amigo
O verdadeiro problema reside na mente, porque a mente é formada pela sociedade humana e especialmente projectada para nos manter escravizados. O corpo tem uma beleza própria. Ainda faz parte das árvores e do oceano, das montanhas e das estrelas. Não foi contaminado pela sociedade nem foi envenenado pelas igrejas, pelas religiões e pelos padres. Mas a mente foi completamente condicionada e distorcida ao receber ideias que são totalmente falsas. A nossa mente funciona quase como uma máscara que esconde o nosso verdadeiro rosto.
A arte da meditação consiste em transcender a mente, e o Oriente dedicou toda a sua inteligência e todo o seu génio durante quase dez mil anos a um único objectivo: descobrir a maneira de transcender a mente e os seus condicionamentos. Do esforço de dez mil anos resultou o aperfeiçoamento do método da meditação.
Em poucas palavras, meditação significa olhar para a mente, observar a mente. Tente examinar a mente, olhando em silêncio para ela - sem explicações, sem apreciações, sem condenações, sem qualquer julgamento, a favor ou contra -, observe-a apenas, como se não tivesse nada a ver com ela. Aprecie apenas o tráfego que vai na mente. E o milagre da meditação faz com que, só por ser observada, esta vá lentamente desaparecendo.
No momento em que a mente desaparece, você alcança a última porta, que é muito frágil e que também não está contaminada pela sociedade: o seu coração. Na verdade, o seu coração cede-lhe imediatamente a passagem. Nunca o detém, ele está quase sempre preparado para a sua chegada e abrirá a porta que dá acesso ao ser. O coração é seu amigo.
Osho, in 'Acreditar no Impossível'
***
Meditação e Opinião
Em matéria de arte, de amor ou de ideias creio serem pouco eficazes anúncios e programas. Pelo que toca às ideias, a razão de uma tal incredulidade é a seguinte: a meditação sobre qualquer tema, quando é positiva e autêntica, afasta inevitavelmente o meditador da opinião recebida ou já aí existente, do que com mais graves razões que quanto agora suponham, merece chamar-se «opinião pública» ou «vulgaridade». Todo o esforço intelectual que com rigor o seja afasta-nos solitários da praia comum, e, por rotas recônditas que precisamente o nosso esforço descobre, conduz-nos a lugares retirados, situa-nos sobre pensamentos insólitos. São estes o resultado da nossa meditação. Pois bem: o anúncio ou programa reduz-se a antecipar esses resultados, deles arrancando previamente a via ao cabo da qual foram descobertos. (...) Um pensamento separado da rota mental que a ele conduz, insulano e escarpado, é uma abstracção no pior sentido da palavra, e, por esse motivo, é ininteligível.
Ortega y Gasset, in 'O Que é a Filosofia?'
O verdadeiro problema reside na mente, porque a mente é formada pela sociedade humana e especialmente projectada para nos manter escravizados. O corpo tem uma beleza própria. Ainda faz parte das árvores e do oceano, das montanhas e das estrelas. Não foi contaminado pela sociedade nem foi envenenado pelas igrejas, pelas religiões e pelos padres. Mas a mente foi completamente condicionada e distorcida ao receber ideias que são totalmente falsas. A nossa mente funciona quase como uma máscara que esconde o nosso verdadeiro rosto.
A arte da meditação consiste em transcender a mente, e o Oriente dedicou toda a sua inteligência e todo o seu génio durante quase dez mil anos a um único objectivo: descobrir a maneira de transcender a mente e os seus condicionamentos. Do esforço de dez mil anos resultou o aperfeiçoamento do método da meditação.
Em poucas palavras, meditação significa olhar para a mente, observar a mente. Tente examinar a mente, olhando em silêncio para ela - sem explicações, sem apreciações, sem condenações, sem qualquer julgamento, a favor ou contra -, observe-a apenas, como se não tivesse nada a ver com ela. Aprecie apenas o tráfego que vai na mente. E o milagre da meditação faz com que, só por ser observada, esta vá lentamente desaparecendo.
No momento em que a mente desaparece, você alcança a última porta, que é muito frágil e que também não está contaminada pela sociedade: o seu coração. Na verdade, o seu coração cede-lhe imediatamente a passagem. Nunca o detém, ele está quase sempre preparado para a sua chegada e abrirá a porta que dá acesso ao ser. O coração é seu amigo.
Osho, in 'Acreditar no Impossível'
***
Meditação e Opinião
Em matéria de arte, de amor ou de ideias creio serem pouco eficazes anúncios e programas. Pelo que toca às ideias, a razão de uma tal incredulidade é a seguinte: a meditação sobre qualquer tema, quando é positiva e autêntica, afasta inevitavelmente o meditador da opinião recebida ou já aí existente, do que com mais graves razões que quanto agora suponham, merece chamar-se «opinião pública» ou «vulgaridade». Todo o esforço intelectual que com rigor o seja afasta-nos solitários da praia comum, e, por rotas recônditas que precisamente o nosso esforço descobre, conduz-nos a lugares retirados, situa-nos sobre pensamentos insólitos. São estes o resultado da nossa meditação. Pois bem: o anúncio ou programa reduz-se a antecipar esses resultados, deles arrancando previamente a via ao cabo da qual foram descobertos. (...) Um pensamento separado da rota mental que a ele conduz, insulano e escarpado, é uma abstracção no pior sentido da palavra, e, por esse motivo, é ininteligível.
Ortega y Gasset, in 'O Que é a Filosofia?'
quarta-feira, 27 de junho de 2018
Ai xico leva-me à igreja *
tinha uma chamada não atendida, feita meia hora antes. o meu amor por este homem dita que onde quer que eu esteja, à hora que for, não o deixe sem resposta. ligo. ligaste-me. sim liguei. onde andas? estou na Praça das Flores. a voz tinha o tom pouco sereno. mas onde? na rua? sim, sim. que foi? estás aflito. tive aqui uma chatice. ó pá deixa-me, já te disse, deixa-me em paz! gritou. xico, xico, o que é? vou-te buscar. está bem. e mais gritou. não fiques parado. vai andando à rua de são bento. rua de são marçal 106. e desligou. voei ao Príncipe Real. 106, 106, lá em baixo.106. estaciono a quebrar a esquina. tudo calmo. 106, a porta é branca, fechada, campainha iluminada com autocolante azul "fumadores". toco. ao tlin-tlão de consultório médico a porta abre, um homem vestido de saloia e lenço na cabeça, beiças escandalosamente escarlates, abre um sorriso e diz-me boa noite! venho só à procura de um amigo. entre. hesito e desvia-se para eu ver. mirono a sala minúscula. pode entrar, insiste. o meu amigo sorri ao balcão. faço sinal. como é? a saloia percebe e graceja – entre, assim já não sou a única mulher.
eis-me num bar gay, com quinze tipos, se tanto. recorro ao olho do meio, que vê tudo sem olhar. controlo o movimento nas minhas costas e estabeleço uma inabalável descontracção. então pá? pregaste-me um susto do caraças. que estupidez, desculpa. um chato embicou comigo. telefonaste na hora H. e quê? e nada. safei-me. que bebes? um fino. e como é? estou bem aqui? claro. são meus amigos. vou-te apresentar. respeitosa e alegremente a saloia espetou-me dois beijos e o barman estendeu-me um risonho bacalhau. senti os quinze olhares cravados em mim aquietarem-se e a sensação de perigo dissipar-se. quando dou de caras com Napoleão Bonarparte em tamanho XXL fico fascinada. penso no tamanho, no desperdício, e realizo. qual bando de travestis má língua... é Carnaval. porra xico, se tens dito vinha de Josefina. deixa lá. voltamos segunda. levo o xico, entro. já viste o tapete novo do prédio? não é bestial? foi o advogado do 1º que mandou pôr. gosta de espionagem. sabes quem é. sei. mandou encerar as escadas, pintar a entrada. um amor. e nem queiras saber a finesse que corrupia aqui toda a semana. subimos, ceamos e leu-me um poema da Manuela de Freitas muito bonito e muito revolucionário. até amanhã xico. a missa é ao meio dia? é, vê se vens, o coro é maravilhoso. uma beleza.
DaLheGas
---
* publicado originalmente em 28.02.2009
eis-me num bar gay, com quinze tipos, se tanto. recorro ao olho do meio, que vê tudo sem olhar. controlo o movimento nas minhas costas e estabeleço uma inabalável descontracção. então pá? pregaste-me um susto do caraças. que estupidez, desculpa. um chato embicou comigo. telefonaste na hora H. e quê? e nada. safei-me. que bebes? um fino. e como é? estou bem aqui? claro. são meus amigos. vou-te apresentar. respeitosa e alegremente a saloia espetou-me dois beijos e o barman estendeu-me um risonho bacalhau. senti os quinze olhares cravados em mim aquietarem-se e a sensação de perigo dissipar-se. quando dou de caras com Napoleão Bonarparte em tamanho XXL fico fascinada. penso no tamanho, no desperdício, e realizo. qual bando de travestis má língua... é Carnaval. porra xico, se tens dito vinha de Josefina. deixa lá. voltamos segunda. levo o xico, entro. já viste o tapete novo do prédio? não é bestial? foi o advogado do 1º que mandou pôr. gosta de espionagem. sabes quem é. sei. mandou encerar as escadas, pintar a entrada. um amor. e nem queiras saber a finesse que corrupia aqui toda a semana. subimos, ceamos e leu-me um poema da Manuela de Freitas muito bonito e muito revolucionário. até amanhã xico. a missa é ao meio dia? é, vê se vens, o coro é maravilhoso. uma beleza.
DaLheGas
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* publicado originalmente em 28.02.2009
terça-feira, 26 de junho de 2018
Duas Últimas
Para mim o campeonato do mundo de futebol resume-se aos jogos de Portugal e, muito talvez, caso Portugal seja eliminado brevemente, à final. No entanto, para que esse muito talvez se efective, a final - caso não seja protagonizada também pela pátria amada - tem de ter alguém que seja da minha preferência clara. Como me posicionarei num Croácia - México? Ou num Rússia - Arábia Saudita (se é que ainda pode acontecer...). Para ver um jogo de futebol tenho de torcer claramente por uma das partes, porque a ideia do desporto pelo desporto parece-me uma ligeira vacuidade neste caso. Ora, gostei muito de Dubrownik e a Croácia é Europa; mas o México tem boa música... Assim sendo, entre os dois países, mon coeur balance... O argumento seria replicável a outros países, mas fico-me por aqui.
Hoje tenho demasiadas actividades para me interessar pela ressaca do Irão - Portugal. Pouparei frases tão criativas como jogo impróprio para cardíacos ou este esplendor de criatividade e imbecilidade que ensinaram aos jogadores, logo depois de lhes terem explicado o significado de egrégios avós: a ideia de aprender a sofrer. Ouvi a frase dita várias vezes por jogadores depois de jogos que só não perdemos por sorte, ou manifesta azelhice do adversário. Espanha jogou connosco à rabia, o Irão deu cabelos brancos ao Fernando Santos. Eu não aprendi a sofrer - nem sei muito bem como isso se processa no decorrer de um jogo.
Como nota de rodapé, expresso a minha alegria pela destituição de Bruno de Carvalho, por números que me parecem (quase) demolidores. Ver Bruno de Carvalho nos últimos meses era ver uma espécie de demência cega, uma aparente calma que escondia uma violência sem nexo. O Sporting não merecia Bruno de Carvalho, e eu, ao contrário dos jogadores da selecção, não quero aprender a sofrer.
Deixo-vos com música uruguaia, um género que teremos tempo de aprender até sábado, parece-me. Não sei quem são, não ouvi até ao fim, não afianço nada. Atirem-se e confiem. Ou aprendam a sofrer.
JdB
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segunda-feira, 25 de junho de 2018
Confissão
Vi ontem de noite, sentado num sofá, o Trinitá, cowboy insolente, um clássico do meu tempo de menino (1970 / 1971). A confissão não é o facto de ter visto, mas o facto de ter gostado.
JdB
Pensamento Impensado
Adivinha
Omnipresidente é o menos
Aparecer é pra já
Os mundos já são pequenos
Mais mundos que ele aí está.
Dicas: Marcelo, Bruno de Carvalho, Trump.
SdB (I)
Omnipresidente é o menos
Aparecer é pra já
Os mundos já são pequenos
Mais mundos que ele aí está.
Dicas: Marcelo, Bruno de Carvalho, Trump.
SdB (I)
domingo, 24 de junho de 2018
Festa do Nascimento de S. João Baptista
EVANGELHO Lc 1, 57-66.80
Naquele tempo,
chegou a altura de Isabel ser mãe e deu à luz um filho.
Os seus vizinhos e parentes souberam
que o Senhor lhe tinha feito tão grande benefício
e congratularam-se com ela.
Oito dias depois, vieram circuncidar o menino
e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias.
Mas a mãe interveio e disse:
«Não, Ele vai chamar-se João».
Disseram-lhe:
«Não há ninguém da tua família que tenha esse nome».
Perguntaram então ao pai, por meio de sinais,
como queria que o menino se chamasse.
O pai pediu uma tábua e escreveu:
«O seu nome é João».
Todos ficaram admirados.
Imediatamente se lhe abriu a boca e se lhe soltou a língua
e começou a falar, bendizendo a Deus.
Todos os vizinhos se encheram de temor
e por toda a região montanhosa da Judeia
se divulgaram estes factos.
Quantos os ouviam contar
guardavam-nos em seu coração e diziam:
«Quem virá a ser este menino?».
Na verdade, a mão do Senhor estava com ele.
O menino ia crescendo e o seu espírito fortalecia-se.
E foi habitar no deserto
até ao dia em que se manifestou a Israel.
Naquele tempo,
chegou a altura de Isabel ser mãe e deu à luz um filho.
Os seus vizinhos e parentes souberam
que o Senhor lhe tinha feito tão grande benefício
e congratularam-se com ela.
Oito dias depois, vieram circuncidar o menino
e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias.
Mas a mãe interveio e disse:
«Não, Ele vai chamar-se João».
Disseram-lhe:
«Não há ninguém da tua família que tenha esse nome».
Perguntaram então ao pai, por meio de sinais,
como queria que o menino se chamasse.
O pai pediu uma tábua e escreveu:
«O seu nome é João».
Todos ficaram admirados.
Imediatamente se lhe abriu a boca e se lhe soltou a língua
e começou a falar, bendizendo a Deus.
Todos os vizinhos se encheram de temor
e por toda a região montanhosa da Judeia
se divulgaram estes factos.
Quantos os ouviam contar
guardavam-nos em seu coração e diziam:
«Quem virá a ser este menino?».
Na verdade, a mão do Senhor estava com ele.
O menino ia crescendo e o seu espírito fortalecia-se.
E foi habitar no deserto
até ao dia em que se manifestou a Israel.
sábado, 23 de junho de 2018
Pensamentos Impensados
Paralelismo convergente
Se as Coreias chegarem a acordo, é um acordo sem paralelo.
Fotocliché
O cognome de Marcelo é Marcelfie.
Bulhas
Na Guerra dos 100 anos, quantos anos houve de compensação?
Contrastes
Água mole em pedra dura, dura enquanto não seca.
Novas dietas
Há alimentos que têm fósforo, haverá algum que tenha isqueiro?
Estados
Água mole é pedra dura...se fôr gelo.
Mezinhas
O melhor local para uma fábrica de pastilhas anti-ácido é em Santa Maroia da Azia.
Para tudo há remédio
Nunca pensou chegar em primeiro lugar, mas quando aconteceu conformou-se.
SdB (I)
Se as Coreias chegarem a acordo, é um acordo sem paralelo.
Fotocliché
O cognome de Marcelo é Marcelfie.
Bulhas
Na Guerra dos 100 anos, quantos anos houve de compensação?
Contrastes
Água mole em pedra dura, dura enquanto não seca.
Novas dietas
Há alimentos que têm fósforo, haverá algum que tenha isqueiro?
Estados
Água mole é pedra dura...se fôr gelo.
Mezinhas
O melhor local para uma fábrica de pastilhas anti-ácido é em Santa Maroia da Azia.
Para tudo há remédio
Nunca pensou chegar em primeiro lugar, mas quando aconteceu conformou-se.
SdB (I)
sexta-feira, 22 de junho de 2018
Textos dos dias que correm *
(...)
Deixara de fumar há um ror de anos. Restavam-lhe agora os charutos, que apreciava sem regularidade nem sabedoria, para lhe matarem um gosto que iria consigo para a cova. Não bebia em excesso. O último desvario datava do início de uma idade mais adulta, quando fora protagonista de uma ressaca difícil e de uma vergonha que lhe ficara na memória. Não jogava descontroladamente, subjugado pela ilusão de vencer a casa ou de derrotar o cálculo de probabilidades. Jogava como era - seguro. Embora mais do que lhe permitiria a saúde e a estética, não comia obscenamente ou às escondidas, não mantinha locais reservados e secretos onde guardava iguarias pecaminosas. Tinha do sexo uma visão sossegada, não conseguindo desligar o corpo do coração, exigindo na cama prazer e sentimento em simultâneo. Nunca se drogara, nunca o ousara fazer. Quisera fumar ópio, confessava, mas porque tinha lido o Tintim e a ideia se instalara na mente fantasiosa ao passar os olhos pelo Lótus Azul.
Em bom rigor, não tinha tendência aparente para a adição nas suas formas mais corriqueiras: cigarros, comida, droga, jogo, mulheres, álcool. Era aparentemente um homem sem vícios. E no entanto, cedo percebera que talvez tivesse a dependência mais perigosa de todas, porque em certa medida lhe matava a simplicidade, a satisfação corriqueira, o inesperado que faz sorrir. No fundo, o seu vício era esse: não ter vícios. O seu vício consistia em percorrer a vida de uma forma obsessivamente determinada, circulando entre duas linhas imaginárias, paralelas, estreitas, que definiam o seu comportamento. O seu vício estava ali: não se afastar nunca da certeza, da regularidade, da normalidade estatística, do correcto e do comedimento. Ironicamente, talvez o seu vício fosse a sua salvação.
Não fumava, não bebia, não jogava. Viciara-se no equilíbrio, e a consequência dessa dependência era um voo de alma de amplitude quase nula.
(...)
Alberto Catarino Carvalho, in Crónicas de uma Viagem à Beira (Edição do autor, 2008)
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* publicado originalmente em 17.04.2013
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* publicado originalmente em 17.04.2013
quinta-feira, 21 de junho de 2018
Textos dos dias que correm
A Verdade é um Modo de Estarmos a Bem Connosco
Cada época, como cada idade da vida, tem o seu secreto e indizível e injustificável sentido de equilíbrio. Por ele sabemos o que está certo e errado, sensato e ridículo. E isto não é só visível no que é produto da emotividade. É visível mesmo na manifestação mais neutral como uma notícia ou um anúncio de jornal. Donde nasce esse equilíbrio? Que é que o constitui? O destrói? Porque é que se não rebentava a rir com os anúncios de há cento e tal anos? (Rebentámos nós, aqui há uns meses, em casa dos Paixões, ao ler um jornal de 186...). Mas a razão deve ser a mesma por que se não rebentou a rir com a moda que há anos usámos, os livros ridículos que nos entusiasmaram, as anedotas com que rimos e de que devíamos apenas rir. O homem é, no corpo como no espírito, um equilíbrio de tensões. Só que as do espírito, mais do que as do corpo, se reorganizam com mais frequência. Equilibrado o espírito, mete-se-lhe uma ideia nova. Se não é expulsa, há nela a verdade. Porque a verdade é isso: a inclusão de seja o que for no nosso mecanismo sem que lhe rebente as estruturas. Ou: a coerência de seja o que for com o nosso equilíbrio espiritual. A verdade é um modo de estarmos a bem connosco. Mas é um mistério saber o que nos põe a bem ou a mal. Os anúncios de há cem anos eram ridículos porque sim. Nos meus escritos de há anos, mesmo nos ensaios, aquilo de que me separo não são muitas vezes as ideias, a argumentação, mas um certo modo de se olhar para os argumentos, os problemas, um certo nível humano de encarar as coisas. Leio um ensaio de há vinte anos e sinto que eu tinha menos vinte anos. Há um nível etário para a mesma verdade nos existir. A verdade de que falei há vinte anos é-me exactamente a de hoje; e todavia há um desfasamento no modo como corri para ela e me entusiasmei com ela e me comovi com ela. Tudo agora me acontece ainda mas num registo diferente. Não é em si que as verdades envelhecem: é com as rugas que temos no rosto e na alma.
Vergílio Ferreira, in "Conta-Corrente 2"
Cada época, como cada idade da vida, tem o seu secreto e indizível e injustificável sentido de equilíbrio. Por ele sabemos o que está certo e errado, sensato e ridículo. E isto não é só visível no que é produto da emotividade. É visível mesmo na manifestação mais neutral como uma notícia ou um anúncio de jornal. Donde nasce esse equilíbrio? Que é que o constitui? O destrói? Porque é que se não rebentava a rir com os anúncios de há cento e tal anos? (Rebentámos nós, aqui há uns meses, em casa dos Paixões, ao ler um jornal de 186...). Mas a razão deve ser a mesma por que se não rebentou a rir com a moda que há anos usámos, os livros ridículos que nos entusiasmaram, as anedotas com que rimos e de que devíamos apenas rir. O homem é, no corpo como no espírito, um equilíbrio de tensões. Só que as do espírito, mais do que as do corpo, se reorganizam com mais frequência. Equilibrado o espírito, mete-se-lhe uma ideia nova. Se não é expulsa, há nela a verdade. Porque a verdade é isso: a inclusão de seja o que for no nosso mecanismo sem que lhe rebente as estruturas. Ou: a coerência de seja o que for com o nosso equilíbrio espiritual. A verdade é um modo de estarmos a bem connosco. Mas é um mistério saber o que nos põe a bem ou a mal. Os anúncios de há cem anos eram ridículos porque sim. Nos meus escritos de há anos, mesmo nos ensaios, aquilo de que me separo não são muitas vezes as ideias, a argumentação, mas um certo modo de se olhar para os argumentos, os problemas, um certo nível humano de encarar as coisas. Leio um ensaio de há vinte anos e sinto que eu tinha menos vinte anos. Há um nível etário para a mesma verdade nos existir. A verdade de que falei há vinte anos é-me exactamente a de hoje; e todavia há um desfasamento no modo como corri para ela e me entusiasmei com ela e me comovi com ela. Tudo agora me acontece ainda mas num registo diferente. Não é em si que as verdades envelhecem: é com as rugas que temos no rosto e na alma.
Vergílio Ferreira, in "Conta-Corrente 2"
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quarta-feira, 20 de junho de 2018
Vai um gin do Peter’s?
O QUE SE ESCONDE NA TELA E SÓ O PINTOR SABE ?... TESTEMUNHO DE J. POMAR
É possível que muitos considerem a comunicação humana um processo banal, de tão familiar que resulta, para a maioria. No entanto, é das dimensões mais reveladoras da sofisticação da nossa espécie, no planeta. Basta lembrar que se baseia numa capacidade de representação exímia.
Como explica a antropóloga norte-americana Mary Catherine Bateson, comunicar implica dominar e manusear o efeito figurativo e simbólico para traduzir a complexidade do pensamento e o que a percepção humana capta. Aqui entra a metáfora – veículo de transmissão por excelência, que afinal não é exclusivo dos poetas, mas a ferramenta “vulgar” da linguagem humana. Mesmo quando a sua produção flui automaticamente, com a espontaneidade da respiração.
Perante esta alta fasquia partilhada pela humanidade, onde se diferenciam os que melhor se exprimem, como é o caso dos artistas?
Para alguns, começa na atitude perscrutadora e curiosa, empenhada em interrogar-se incessantemente sobre a realidade circundante e descobrir-lhe o nexo. O olhar maravilhado da criança à descoberta do mundo será o protótipo desta predisposição positiva. Para Pomar, a representação do «espanto» personifica-se na aparição do predador mais esquivo do reino animal, aqui de perfil, olhar penetrante e mandíbulas escancaradas, semi-encoberto por uma amálgama de fragmentos de corpo humano. A incorporação da literatura na pintura de Pomar é uma constante, num ambiente de forte carga simbólica, que recorda a atmosfera onírica dos contos do argentino Jorge Luís Borges.
![]() |
| «L'Étonnement», 1979, na fase neo-expressionista |
Os tigres superabundam no legado de Pomar, normalmente na pose felina, em que o perigo espreita.
![]() |
| 1ª tela: «Tigre» (detalhe), Colecção Millennium BCP. 2ª tela: «A tigresa», 1978. |
Para Picasso, a maior diferença entre o artista (de todas as artes) e o cidadão comum residiria no olhar. É a conclusão partilhada por muitos outros, como Pomar. A aptidão para descortinar de forma mais intensa a realidade influenciaria o modo posterior de a representar. Aqui, o artista percorreria o trilho do cientista-investigador, também ele apaixonado pelo que lhe é dado ver.
Porém, será numa segunda etapa do processo que o artista mais pode distinguir-se da maioria, ao avançar para a dimensão «invisível», procurando chegar à essência velada sob a carcaça visível do real. Por exemplo, esta é uma marca d’água da literatura russa, tal a abundância de escritores fiéis à via clarificada pelo lendário poeta-escritor Alexandre Pushkin (1799-1837).
Mas ainda que não haja lugar a incursões capazes de suplantar a materialidade, só por si, a capacidade de representação artística já constitui uma superação notável e transfiguradora.
Júlio Pomar (1) teve o condão de renovar a realidade a partir do que via, fosse pela visão física, fosse pela memória, fosse pelo imaginário coleccionado ao longo da vida ou por outra fonte interior. Tentava sugerir uma nova perspectiva sobre a circunstância conhecida, para a reabilitar, de modo que até o cenário mais comezinho pudesse ganhar um brilho imprevisto, um interesse irresistível. Escreveu: «É pela escolha da imagem que o poeta ou o pintor usam o quotidiano. E o destino da imagem torna-se outro, desneutraliza-se, e daí o espanto das pessoas que nela já não reconhecem o que é de todos os dias. E não estão enganadas. […] Este quotidiano, tido por neutro, ou nulo, e cuja banalidade já não detém a atenção, torna-se […] trama que vem do fundo do tempo e que se lança para o desconhecido […].»
![]() |
| «Azenhas do mar», 1952. Num jogo de claros-escuros, revemos os recortes abruptos da costa atlântica portuguesa, talhada por rochedos angulosos, que demarcam o limite da terra firme. |
O fado, em Pomar, é castiço e popular, de tonalidades aconchegantes:
Na arena, a coragem desmedida dos forcados ou a dupla cavaleiro & cavalo empenhada em domar a força bruta do touro, impregnam o ambiente de adrenalina:
![]() |
| Duas telas dedicadas à festa brava, que Pomar muito apreciava |
Na fase neorrealista, de 1940s e 1950s, a crítica social e política contagiou as telas. Em 1947, esteve encarcerado 4 meses, na cela ao lado de Mário Soares. Naqueles anos, a denúncia à pobreza era a prioridade:
![]() |
| «O almoço do trolha», 1946-50, numa versão evocativa de um Presépio da cintura industrial das grandes cidades. |
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| 1ª tela: «Gandanheiro», 1945. 2ª tela: «Maria da Fonte», 1957, num registo que se assemelha a uma revolta camponesa. |
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| «Subúrbio», habitado por jovens mães vindas do campo em busca das oportunidades que florescem nas áreas metropolitanas. |
Mestres das letras e figuras de ficção também posam para as suas telas. D.Quixote reforça o lado sonhador e a disposição para um combate etéreo, mais pessoal e distante da realidade exterior. Lembra um ícone:
Fernando Pessoa surge visionário e reflexivo, ora contracenando com escritores seus contemporâneos, ora desdobrado nos múltiplos heterónimos:
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| 1ª tela: «Fernando Pessoa» ainda mais enigmático; 2ª tela: «Edgar (Allan) Poe, Pessoa e o Corvo», 1985. |
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| «Lusitânia no bairro latino (retratos de Mário de Sá Carneiro, Santa-Rita Pintor e Amadeo de Souza-Cardoso)». |
Poeticamente, Pomar usava a metáfora do cinema para explicar o embate desconfortável do público «não-informado» (quis chamar-lhe) com a pintura, equiparável a apanhar apenas a última imagem de um filme. Incompreensível e decepcionante. Discorrendo sobre o seu ofício:
«O que é próprio do pintor é ver. Há duas famílias de fazedores de imagens: aqueles para quem ver é sobretudo ver alguma coisa — alguma coisa de atordoador, diria Dali; e aqueles para quem ver é puro ver-estar a braços com a sua pequena sensação, diria Cézanne. Este ver situa-se num domínio que é exterior ou anterior à palavra […].
O que conta, o que faz o olhar do pintor, não é tanto fazer um quadro, como ver: ver o que se passa sobre a tela. Ali onde o quadro se faz, e durante este fazer do quadro. […] [O] acto de ver, forma a essência da pintura, e não é susceptível de ser posto em palavras. […] Por muito minuciosa que seja, a descrição de um quadro não ajuda a penetrar no seu enigma, não permite identificar o que vive no coração da obra. […] A pintura é áfona, não usa som nem palavras. Daí a afinidade com o instante de morte: na fixidez do olhar que precede a cegueira definitiva.[…]
No ateliê faço e refaço — por vezes sem sequer me dar ao trabalho de desfazer. Não só para fazer melhor. Mas também por necessidade de destruir, de remastigar uma dada experiência que não me matou a fome. […]
O meu trabalho não consiste em acrescentar, dia após dia. […] O meu trabalho alimenta-se daquilo que despedaça. […] Procedo por destruições sucessivas. Rasuro. E estou em crer que a rasura dá o (não) sentido à frase, dá o nervo à forma, dá a vertigem ao espaço.
Um quadro não me interessa senão enquanto se faz, durante o corpo-a-corpo com o que parece indizível. Sou avaro do meu prazer.
Sonho quadros que nunca terminariam, [...] um quadro […] é uma aposta. Considerá-lo, ou não, acabado implica outra aposta.
Apetece-me chamar odisseia a essa viagem que é a execução de cada quadro. […] Chamo-lhe odisseia ou via-sacra, com as suas estações em que o protagonista cai e torna a levantar-se. Mas o cenário é o da solidão […].
Balzac foi capaz de conceber, antes de Cezanne, Picasso & Co. […] o inacabamento como chave […] como paradigma da verdade em pintura, […] como abertura ao mundo.»
In «Da Cegueira dos Pintores » (INCM, 1986)
***
Ainda bem que Júlio Pomar foi pródigo em acrílicos, desenhos, ilustrações, esculturas e até em palavra. É significativo que seja um artista plástico, apostado em ver, que tenha chamado aos escritos dedicados à pintura – «Da Cegueira dos Pintores ». Talvez confiasse que nem tudo se descortina pelo olhar físico.
Maria Zarco
(a preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas, numa Quarta-feira)
__________________
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terça-feira, 19 de junho de 2018
Duas Últimas
Volta e meia acontece-me isto, que me parece prosaico: estou num jantar e conheço alguém. Como estávamos ambos meios perdidos, juntámo-nos à conversa. Falámos de música e o cavalheiro em questão, muito mais novo do que eu, proporcionou-me informações relevantes, sobretudo de gente de quem nunca ouvira falar: Garry Moore e, também, os Snowy White (que o meu querido amigo fq já trouxe a este estabelecimento). Também falámos de música clássica, onde divergimos bastante.
Como noutras ocasiões com outras pessoas, este interlocutor falou-me muito do estado de espírito com que se ouvem determinadas músicas. Sinto pouco isso: oiço música clássica bem disposto e mal disposto, oiço música pop numa gama de disposições diferentes e ontem ouvi a época de ouro da música portuguesa enquanto preparava uns spring rolls no forno (a minha mestria limitou-se a acertar a temperatura...).
Deixo-vos com Garry Moore, um músico que enriquece agora a minha playlist de música pop.
JdB
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Músicas
segunda-feira, 18 de junho de 2018
Dos retratos
Este meu novo projecto expositivo consta de 80 retratos que fui fazendo ao longo dos anos a pessoas oriundas de ambientes sócio-culturais muito diversos – do meio da cultura, a grande maioria, a pastores transmontanos e um poeta popular algarvio.
Muitos destes retratos foram já publicados em revistas de arte ou outras, integradas em projectos editoriais nos quais participei.
Cada retrato será acompanhado por um comentário do retratado, descrevendo o que sente e lhe sugere esta imagem que fui desenterrar na sua “alma”. Interessa-me sobretudo, aqui, a relação entre o retrato, enquanto fragmento de uma identidade mais complexa, e a sua perspectivação psicológica atribuída pelo indivíduo retratado que se revê ou não no que é mostrado. É esse jogo de identificação do indivíduo retratado consigo mesmo ou consigo enquanto “outro” que pretendo mostrar.
Carlota Mantero
***
Quando há cerca de trinta anos comecei a fotografar com uma máquina boa, o meu gosto ia para o retrato - sobretudo dos meus filhos, a quem punha um chapéu (panamá, de côco, de palhinha...) e a quem obrigava ao imobilismo. Também fotografava paisagens, mas, nessa vertente, a minha qualidade, em termos de classificação salesiana, não seria mais do que um "satisfaz".
Passados trinta anos, deixei de fotografar retratos. Não me habituei a tirar retratos com estas máquinas modernas e compactas porque não domino o zoom e sinto-me demasiado perto para encher a fotografia com uma cara. Agora fotografo claustros, janelas, telhados, pormenores dissonantes, simetrias e assimetrias. Parece-me, passe a presunção, que mereço um "satisfaz bem".
Não obstante o que fotografo agora, o que me dá gosto ver são retratos. Não retratos de gente famosa numa estância de ski, mas de gente comum, vulgar, que não se assinala por nada de especial, apenas por sorrir, amar, sofrer, ter dores de pernas, pequenos achaques e alegrias, fetiches e ilusões. E por isso me deu tanto gosto esta exposição da minha querida prima Carlota Mantero, que também me deu o gosto de me fotografar. São, como ela diz, 50 retratos: gente séria, gente feia, gente que ri, que se entristeceu naquele preciso dia por um motivo qualquer; gente bonita também, que esconde um mundo por trás de uns olhos vivos, umas mãos tranquilas ou um cabelo desgrenhado; gente que esconde mistérios, transmite paz ou inquietação. Acima de tudo, gente anónima que fala de si com criatividade, de forma sucinta ou mais extensa, que cita uma frase que lhe tocou por um motivo qualquer.
Não cabe, no espaço deste blogue ou na mente do dono do estabelecimento, falar com propriedade e vagar sobre o retrato, mas gostaria de afirmar que a exposição me deu um enorme gosto, não só por ser de quem é, mas pela aura de mistério que abre, pela infinidade de devaneios que proporciona. Talvez aqui venha um dia falar disso em mais detalhe mas, para já, fica a interrogação com que termino o meu texto: quem sou eu naquela fotografia? Quem somos nós nos retratos que nos tiram?
JdB
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domingo, 17 de junho de 2018
11º Domingo do Tempo Comum
EVANGELHO – Mc 4, 26-34
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
Naquele tempo,
disse Jesus à multidão:
«O reino de Deus é como um homem
que lançou a semente à terra.
Dorme e levanta-se, noite e dia,
enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como.
A terra produz por si, primeiro a planta, depois a espiga,
por fim o trigo maduro na espiga.
E quando o trigo o permite, logo mete a foice,
porque já chegou o tempo da colheita».
Jesus dizia ainda:
«A que havemos de comparar o reino de Deus?
Em que parábola o havemos de apresentar?
É como um grão de mostarda, que, ao ser semeado na terra,
é a menor de todas as sementes que há sobre a terra;
mas, depois de semeado, começa a crescer,
e torna-se a maior de todas as plantas da horta,
estendendo de tal forma os seus ramos
que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra».
Jesus pregava-lhes a palavra de Deus
com muitas parábolas como estas,
conforme eram capazes de entender.
E não lhes falava senão em parábolas;
mas, em particular, tudo explicava aos seus discípulos.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
Naquele tempo,
disse Jesus à multidão:
«O reino de Deus é como um homem
que lançou a semente à terra.
Dorme e levanta-se, noite e dia,
enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como.
A terra produz por si, primeiro a planta, depois a espiga,
por fim o trigo maduro na espiga.
E quando o trigo o permite, logo mete a foice,
porque já chegou o tempo da colheita».
Jesus dizia ainda:
«A que havemos de comparar o reino de Deus?
Em que parábola o havemos de apresentar?
É como um grão de mostarda, que, ao ser semeado na terra,
é a menor de todas as sementes que há sobre a terra;
mas, depois de semeado, começa a crescer,
e torna-se a maior de todas as plantas da horta,
estendendo de tal forma os seus ramos
que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra».
Jesus pregava-lhes a palavra de Deus
com muitas parábolas como estas,
conforme eram capazes de entender.
E não lhes falava senão em parábolas;
mas, em particular, tudo explicava aos seus discípulos.
sábado, 16 de junho de 2018
Pensamentos Impensados
Impressões
Gutenberg inventou a imprensa; quanto à conferência de imprensa nada consta.
Melenas
Não sei nada de política; Quando vi juntos, em Singapura, o presidente da Coreia, e Trump, pensei que iam para um concurso de penteados.
Modas
A próxima moda Outono/Inverno é uma t-shirt sem mangas.
Reprodução
A Assembleia da República pode ser acusada de favorecer o desaparecimento de algumas espécies ao ter a ideia peregrina de substituir sexo por género. Imagine-se o diálogo entre macho e fêmea: Queres fazer género? Não faço ideia do que isso seja mas não faz meu género.
Passarão
Padre Bartolomeu de Gusmão gostava de cozinhar; foi ele o inventor da caçarola.
A contratempo
O maestro, apesar de ter Parkinson, insistia em reger; os músicos só olhavam para a pauta.
SdB (I)
sexta-feira, 15 de junho de 2018
Artigos dos dias que correm
"Aquarius": Cardeal Ravasi evoca Evangelho sobre acolhimento e desencadeia onda de reações
Uma evocação do Evangelho publicada esta segunda-feira no Twitter pelo presidente do Conselho Pontifício da Cultura, cardeal Gianfranco Ravasi, a propósito do drama vivido pelas pessoas a bordo do barco "Aquarius", no Mediterrâneo, desencadeou uma onda de reações dirigidas ao prelado italiano e à Igreja.
«Era estrangeiro e não me acolhestes», foi a passagem mencionada, extraída do capítulo 25, versículo 43, do Evangelho segundo S. Mateus, que numa tradução em português europeu se lê: «Era peregrino e não me recolhestes, estava nu e não me vestistes, doente e na prisão e não fostes visitar-me».
Gianfranco Ravasi, biblista, aludia ao barco fretado pela organização não governamental SOS Mediterrané, onde se encontram 629 migrantes recolhidos no mar, e que ontem a Itália e Malta recusaram receber, tendo mais tarde recebido ofertas de acolhimento por parte de Espanha e, mais recentemente, da Córsega.
«Eminência, não podemos acolher todos. Como diz a minha velha mamã: primeiro tu, depois os teus, depois os outros, se puder ser...» é o primeiro dos mais de 1600 comentários ao "tweet" do cardeal.
Entre as respostas menos vulgares incluem-se «Que cuide deles o cardeal no Vaticano», «Eram pedófilos e não os prendestes», «O dinheiro do IOR [entidade bancária da Santa Sé] investi-o todo em África», «Vim para traficar, para violar, para islamizar, para viver à borla e não me acolhestes», «Jesus disse que a verdade vos tornará livres. Basta de negros e árabes que comem de borla».
«Abri as portas do Vaticano e colocai lá todos os clandestinos que quiserdes» e «Cardeal vós possuís riquezas imobiliárias superiores à dívida pública italiano, vendei alguns imóveis e ide para África e Médio Oriente para ajudar os pobres; devia estar na primeira linha para cessar o tráfico de escravos», são outros exemplos de comentários.
Há duas horas, o cardeal Ravasi voltou à Bíblia, citando desta vez a primeira carta de S. João (4, 16): «Deus é amor; quem está no amor permanece em Deus e Deus nele», depois de, ontem, ter evocado um autor cristão, Georges Bernanos: «Para encontrar a esperança é preciso ir para lá de todo o desespero. Quando se vai até ao fim da noite, encontra-se uma nova aurora».
«Tempo virá/ em que, exultante,/ te saudarás a ti mesmo chegado/ à tua porta, no teu próprio espelho/ e cada qual sorrirá ante a saudação do outro,/ e dirá: Senta-te aqui. Come./ Amarás de novo o estrangeiro que era o teu Eu./ Dá vinho. Dá pão. Devolve o coração/ a ele próprio, ao estrangeiro que te amou/ toda a tua vida, que ignoraste».
Na coluna que assinava diariamente no jornal italiano "Avvenire", o P. Ravasi, ainda não criado cardeal, citou versos da poesia “Amor após amor”, de Derek Walcott, «o cantor dos mestiços, nascido numa ilha das Caraíbas, Santa Lúcia, em 1939».
«Como se intui, unem-se e sobrepõem-se duas fisionomias diversas, a minha e a do outro, o estrangeiro. Se ao espelho olhamos o nosso rosto, descobrimos nele os traços da humanidade, porque a ela todos pertencemos, para além das diferenças étnicas, culturais, religiosas.
"Amarás o estrangeiro que era o teu Eu", diz o poeta. "Amarás o teu próximo como a ti mesmo", diz a Bíblia. Neste paralelo há dois amores que se fundem, o espontâneo por si próprio e aquele que o é para os outros, muitas vezes conquistado com algum esforço mas que deverá ser, da mesma maneira, intenso.
Devemos tentar reconduzir o nosso coração "a si mesmo", isto é, à sua consciência profunda, e aí descobriremos que há o estrangeiro dentro de nós porque ele é semelhante a nós por causa do próprio Deus que o criou, do próprio Cristo que o redimiu, do próprio amor que foi deposto nele e em nós, e do próprio pecado que obscurece a nós e a ele», observou Ravasi.
Numa das múltiplas ocasiões em que se referiu aos migrantes, o papa Francisco lembrou que «tragicamente, no mundo há hoje mais de 65 milhões de pessoas que foram obrigadas a abandonar os seus locais de residência. Este número sem precedentes vai além de toda a imaginação».
«Se formos além da mera estatística, descobriremos que os refugiados são mulheres e homens, rapazes e raparigas que não são diferentes dos membros das nossas famílias e dos nossos amigos. Cada um deles tem um nome, um rosto e uma história, como o inalienável direito de viver em paz e de aspirar a um futuro melhor para os seus filhos», sublinhou em setembro de 2016.
Depois de encorajar «a dar as boas-vindas aos refugiados» nas casas e comunidades, «de maneira que a sua primeira experiência da Europa não seja a traumática de dormir ao frio nas estradas, mas a de um acolhimento quente e humano», Francisco lembrou as palavras evocadas agora pelo cardeal Ravasi, «tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era estrangeiro e acolhestes-me», e lançou um desafio: «Levai estas palavras e os gestos convosco, hoje. Que possam servir de encorajamento e de consolação».
Na segunda-feira, o arcebispo de Madrid, cardeal Carlos Osoro Sierra, também se exprimiu no Twitter: «O mandato é claro: "Fui forasteiro e hospedastes-me". Para além de considerações políticas e legais, ao ler a vida desde o Evangelho, um vai em busca do outro. #Aquarius é um chamamento de Cristo à Europa».
SNPC
Imagem: D.R.
Publicado em 12.06.2018
Uma evocação do Evangelho publicada esta segunda-feira no Twitter pelo presidente do Conselho Pontifício da Cultura, cardeal Gianfranco Ravasi, a propósito do drama vivido pelas pessoas a bordo do barco "Aquarius", no Mediterrâneo, desencadeou uma onda de reações dirigidas ao prelado italiano e à Igreja.
«Era estrangeiro e não me acolhestes», foi a passagem mencionada, extraída do capítulo 25, versículo 43, do Evangelho segundo S. Mateus, que numa tradução em português europeu se lê: «Era peregrino e não me recolhestes, estava nu e não me vestistes, doente e na prisão e não fostes visitar-me».
Gianfranco Ravasi, biblista, aludia ao barco fretado pela organização não governamental SOS Mediterrané, onde se encontram 629 migrantes recolhidos no mar, e que ontem a Itália e Malta recusaram receber, tendo mais tarde recebido ofertas de acolhimento por parte de Espanha e, mais recentemente, da Córsega.
«Eminência, não podemos acolher todos. Como diz a minha velha mamã: primeiro tu, depois os teus, depois os outros, se puder ser...» é o primeiro dos mais de 1600 comentários ao "tweet" do cardeal.
Entre as respostas menos vulgares incluem-se «Que cuide deles o cardeal no Vaticano», «Eram pedófilos e não os prendestes», «O dinheiro do IOR [entidade bancária da Santa Sé] investi-o todo em África», «Vim para traficar, para violar, para islamizar, para viver à borla e não me acolhestes», «Jesus disse que a verdade vos tornará livres. Basta de negros e árabes que comem de borla».
«Abri as portas do Vaticano e colocai lá todos os clandestinos que quiserdes» e «Cardeal vós possuís riquezas imobiliárias superiores à dívida pública italiano, vendei alguns imóveis e ide para África e Médio Oriente para ajudar os pobres; devia estar na primeira linha para cessar o tráfico de escravos», são outros exemplos de comentários.
Há duas horas, o cardeal Ravasi voltou à Bíblia, citando desta vez a primeira carta de S. João (4, 16): «Deus é amor; quem está no amor permanece em Deus e Deus nele», depois de, ontem, ter evocado um autor cristão, Georges Bernanos: «Para encontrar a esperança é preciso ir para lá de todo o desespero. Quando se vai até ao fim da noite, encontra-se uma nova aurora».
«Tempo virá/ em que, exultante,/ te saudarás a ti mesmo chegado/ à tua porta, no teu próprio espelho/ e cada qual sorrirá ante a saudação do outro,/ e dirá: Senta-te aqui. Come./ Amarás de novo o estrangeiro que era o teu Eu./ Dá vinho. Dá pão. Devolve o coração/ a ele próprio, ao estrangeiro que te amou/ toda a tua vida, que ignoraste».
Na coluna que assinava diariamente no jornal italiano "Avvenire", o P. Ravasi, ainda não criado cardeal, citou versos da poesia “Amor após amor”, de Derek Walcott, «o cantor dos mestiços, nascido numa ilha das Caraíbas, Santa Lúcia, em 1939».
«Como se intui, unem-se e sobrepõem-se duas fisionomias diversas, a minha e a do outro, o estrangeiro. Se ao espelho olhamos o nosso rosto, descobrimos nele os traços da humanidade, porque a ela todos pertencemos, para além das diferenças étnicas, culturais, religiosas.
"Amarás o estrangeiro que era o teu Eu", diz o poeta. "Amarás o teu próximo como a ti mesmo", diz a Bíblia. Neste paralelo há dois amores que se fundem, o espontâneo por si próprio e aquele que o é para os outros, muitas vezes conquistado com algum esforço mas que deverá ser, da mesma maneira, intenso.
Devemos tentar reconduzir o nosso coração "a si mesmo", isto é, à sua consciência profunda, e aí descobriremos que há o estrangeiro dentro de nós porque ele é semelhante a nós por causa do próprio Deus que o criou, do próprio Cristo que o redimiu, do próprio amor que foi deposto nele e em nós, e do próprio pecado que obscurece a nós e a ele», observou Ravasi.
Numa das múltiplas ocasiões em que se referiu aos migrantes, o papa Francisco lembrou que «tragicamente, no mundo há hoje mais de 65 milhões de pessoas que foram obrigadas a abandonar os seus locais de residência. Este número sem precedentes vai além de toda a imaginação».
«Se formos além da mera estatística, descobriremos que os refugiados são mulheres e homens, rapazes e raparigas que não são diferentes dos membros das nossas famílias e dos nossos amigos. Cada um deles tem um nome, um rosto e uma história, como o inalienável direito de viver em paz e de aspirar a um futuro melhor para os seus filhos», sublinhou em setembro de 2016.
Depois de encorajar «a dar as boas-vindas aos refugiados» nas casas e comunidades, «de maneira que a sua primeira experiência da Europa não seja a traumática de dormir ao frio nas estradas, mas a de um acolhimento quente e humano», Francisco lembrou as palavras evocadas agora pelo cardeal Ravasi, «tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era estrangeiro e acolhestes-me», e lançou um desafio: «Levai estas palavras e os gestos convosco, hoje. Que possam servir de encorajamento e de consolação».
Na segunda-feira, o arcebispo de Madrid, cardeal Carlos Osoro Sierra, também se exprimiu no Twitter: «O mandato é claro: "Fui forasteiro e hospedastes-me". Para além de considerações políticas e legais, ao ler a vida desde o Evangelho, um vai em busca do outro. #Aquarius é um chamamento de Cristo à Europa».
SNPC
Imagem: D.R.
Publicado em 12.06.2018
quinta-feira, 14 de junho de 2018
Poemas dos dias que correm *
Vamos a hacer limpieza general
Vamos a hacer limpieza general
y vamos a tirar todas las cosas
que no nos sirven para nada, esas
cosas que ya no utilizamos, esas
otras que no hacen más que coger polvo,
las que evitamos encontrarnos porque
nos traen los recuerdos más amargos,
las que nos hacen daño, ocupan sitio
o no quisimos nunca tener cerca.
Vamos a hacer limpieza general
o, mejor todavía, una mudanza
que nos permita abandonar las cosas
sin tocarlas siquiera, sin mancharnos,
dejándolas donde han estado siempre;
vamos a irnos nosotros, vida mía,
para empezar a acumular de nuevo.
O vamos a prenderle fuego a todo
y a quedarnos en paz, con esa imagen
de las brasas del mundo ante los ojos
y con el corazón deshabitado.
Amalia Bautista (Madrid, 1962)
---------
* enviado por mão amiga
Vamos a hacer limpieza general
y vamos a tirar todas las cosas
que no nos sirven para nada, esas
cosas que ya no utilizamos, esas
otras que no hacen más que coger polvo,
las que evitamos encontrarnos porque
nos traen los recuerdos más amargos,
las que nos hacen daño, ocupan sitio
o no quisimos nunca tener cerca.
Vamos a hacer limpieza general
o, mejor todavía, una mudanza
que nos permita abandonar las cosas
sin tocarlas siquiera, sin mancharnos,
dejándolas donde han estado siempre;
vamos a irnos nosotros, vida mía,
para empezar a acumular de nuevo.
O vamos a prenderle fuego a todo
y a quedarnos en paz, con esa imagen
de las brasas del mundo ante los ojos
y con el corazón deshabitado.
Amalia Bautista (Madrid, 1962)
---------
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