As melhores viagens são, por vezes, aquelas em que partimos ontem e regressamos muitos anos antes
30 abril 2026
29 abril 2026
Das saudades de quando éramos pequenos *
| Praia d'El Rey vista por um iPhone, 6ªfeira, 28 de Maio, pelas 20.00h |
28 abril 2026
Joana *
Deve ter sido o cheiro do quarto. Ou a cor da paisagem das janelas. Ontem lembrei-me de ti. No início nem foi lembrança, foi como se nunca tivesses existido. Foi como quem relê um livro esquecido e recorda vagamente que já tinha imaginado, a conta gotas, todos aqueles lugares. Todos aqueles sorrisos. Depois veio tudo de uma vez.
Cantavas com a tua imitação de sotaque baiano as músicas da rádio, muito afinadinha, e pedias-me que te ensinasse os acordes. Cheiravas sempre a protector solar e nunca me negavas um sorriso, a mim, o rei dos tolos. Abraçavas-me por trás sem pedir licença e ignoravas a minha indiferença. Tinhas um coração grande de mais no peito, grande demais para mim, pelo menos.
Nunca te deixaste cair, apesar dos dias insistirem em seguir a regra, apesar de eu continuar a arranjar maneira de te afogar as ideias em seco. Mandavas-me bilhetes a dizer que era eu que te dava asas e desenhavas joaninhas para explicar melhor. Não guardei nenhum.
Depois veio o vendaval que foi e eu percebi tudo. Levaram-te o coração, as asas e a música. Nunca me perdoei, sabes? Tu ainda me agradeceste, com os olhos a brilhar, e eu a saber que era tarde demais para te valer. Para nos valer.
Acabou por ser o medo a entalar-me as palavras na garganta e a arrumar-te no fundo da gaveta das recordações. Sempre o mesmo medo.
ZdT
* publicado originalmente a 20 de Julho de 2010
27 abril 2026
26 abril 2026
IV Domingo da Páscoa
EVANGELHO – João 10,1-10
Naquele tempo, disse Jesus:
«Em verdade, em verdade vos digo:
Aquele que não entra no aprisco das ovelhas pela porta,
mas entra por outro lado,
é ladrão e salteador.
Mas aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas.
0 porteiro abre lhe a porta e as ovelhas conhecem a sua voz.
Ele chama cada uma delas pelo seu nome e leva as para fora.
Depois de ter feito sair todas as que lhe pertencem,
caminha à sua frente
e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz.
Se for um estranho, não o seguem, mas fogem dele,
porque não conhecem a voz dos estranhos».
Jesus apresentou lhes esta comparação,
mas eles não compreenderam o que queria dizer.
Jesus continuo: «Em verdade, em verdade vos digo:
Eu sou a porta das ovelhas.
Aqueles que vieram antes de Mim são ladrões e salteadores,
mas as ovelhas não os escutaram.
Eu sou a porta.
Quem entrar por Mim será salvo:
é como a ovelha que entra e sai do aprisco e encontra pastagem.
O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir.
Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida
e a tenham em abundância».
25 abril 2026
Pensamentos Impensados
What's in a name. Nasceu numa família pobre e cedo foi engrossar as hostes do trabalho infantil; começou como trolha, depois tornou-se pedreiro e o passo seguinte lógico foi ascender a pato-bravo. Quando nasceu e o registaram puseram-lhe o nome de Henrique Cimento.
Justiça. Há regiões nos países muçulmanos onde não se pode aplicar a pena de morte por lapidação; o deserto do Saara, por exemplo.
Tratamento. Parece que beber água é bom para quem tem pedras nos rins; daí...água mole em pedra dura...
Botânica. A couve-flor pode ser considerada verdura?
Nas Missas, por alturas do Ofertório, recolhem-se os donativos dos fieis; não é considerado recolher obrigatório.
Aos homens-estátua dá-se dinheiro para não fazerem nada; o mesmo se passa com alguns políticos.
SdB (I)
24 abril 2026
Poemas dos dias que correm
esplêndido photomaton destes meses (também eles brancos)
tal como estes versos (de rima branca)
e uns tantos poemas ainda por escrever (brancos).
não sei bem porquê, mas é alva a memória que guardo
das paredes de tua casa,
dos livros que nela guardas,
da ponta dos teus cigarros,
da quase não-cor da tua bebida preferida,
das minhas palavras a mais
das tuas palavras a menos
- e de mais umas quantas coisas que não vou aqui escrever
(o poeta a que falta coragem é, também ele, um poeta em branco).
só os teus olhos não eram brancos,
antes de uma impossível cor de avelã,
mas disso, ou também disso,
não tenho eu qualquer culpa.
é como gostar de uma canção:
há coisas que não se explicam,
coisas que não precisam de explicação,
coisas simples que simplesmente são.
ou então não.
mas em tudo o que não é
há ainda uma vertical vitória
dos sonhos que caíram
como árvores:
impecavelmente lúcidas,
morrendo de pé.
ou pelo seu próprio pé.
gi.
23 abril 2026
22 abril 2026
Vai um gin do Peter’s ?
FLANNERY (II) POR PEDRO MEXIA E POR FILÓSOFA
Em Novembro passado, num encontro cujo mote era uma frase inspiradora de Tchekov – «Diz-me o que desejas, dir-te-ei quem és» – comemorou-se o centenário do nascimento da escritora norte-americana Flannery O’Connor (menção no ‘gin’ de 14.JAN.2026). Por sorte, a conferência com a filósofa Maria João Mayer Branco e o poeta Pedro Mexia está gravada (cf link no final), pelo que pode descobrir-se uma abordagem invulgarmente profunda e original da polémica e q.b. ácida escritora do Sul dos EUA.
Na sessão de Novembro, as primeiras considerações couberam à académica de filosofia, doutorada sobre arte e filosofia no pensamento de Nietzsche – Maria João Mayer Branco – que nos oferece uma chave de leitura extraordinária para se percorrer a obra áspera e indigesta de Flannery. A filósofa alerta para o alcance maior das bizarrias desagradáveis das personagens dos contos da norte-americana, pejadas de maleitas, taras, baixezas e de aparência repugnante, com comportamentos desprezíveis e venais, as mais das vezes, sem plena consciência, nem necessariamente vontade de praticar o mal. Lembram «O Estrangeiro», de Camus. Misteriosamente, essa escumalha humana está também sujeita ao dom, que lhe é completamente estranho, embora capaz de a transfigurar: «Todas as minhas histórias são sobre a acção da graça numa personagem que não é [sequer] muito capaz de a suportar». Mais: a graça actua imprevistamente, desinstalando a personagem, deixando-a sem chão (dir-se-ia, hoje) e, desse modo, proporcionando-lhe um horizonte infinitamente maior, mas não necessariamente confortável ou desejado. O leitor é igualmente desinstalado, num efeito próximo da placagem (no primeiro embate), surpreendendo-se com o adensar de uma narrativa focada no misterioso lusco-fusco, que envolve a existência humana.
A frase de Tchekov ajuda, depois, a explorar a obra de Flannery, apontando-se ao que move o ser humano, ao que está na raiz das suas decisões. Lembra a filósofa: quando está mal orientada a busca de totalidade, inscrita na natureza humana, os desejos surgem como impulsos indomáveis, excessivos e autodestrutivos.
Seguidamente, a filósofa faz uma comparação audaciosa entre as tragédias gregas e a norte-americana, católica à maneira dos Estados sulistas dos EUA: parte-se da premissa de que o sofrimento humano deriva de um erro moral, que pode ser compensado ou mesmo resolvido, se se optar pelo Bem. A vulnerabilidade ao mal marca as personagens de O’Connor e das tragédias gregas. Porém, na norte-americana, essa vulnerabilidade é também a chave da salvação humana. Mas a sua perspectiva não é psicológica, como em Dostoievski, porque as tramas de Flannery focam-se nas convulsões da alma. O seu estilo narrativo é seco até ao osso, os contextos básicos e até vulgares, assentes em factos sem justificações, nem atenuantes para a catadupa de comportamentos escabrosos (maioritariamente) das personagens. Os ambientes são desoladores; as paisagens tristes e brutais; o céu é duro como aço; as gentes feias e venais.
O mundo descrito por O’Connor é o da modernidade: vazio, em múltiplas acepções, pois Deus está morto. Não há alegria, nem confiança. Vive-se em extrema solidão, sem quaisquer laços afectivos. Apenas há interdependências funestas e degradantes. As relações humanas só se aprofundam e harmonizam, quando algo de sagrado acontece, para lá do que as próprias personagens poderiam ou saberiam desejar, pois nem se atreveriam a tanto, demasiado atoladas numa existência mesquinha, que confundem com a medida da realidade.
Em Flannery, assiste-se a uma disputa vital entre as forças do bem e as maléficas, muito activas no ser humano, cuja natureza tende para o caos. Tudo o que acontece de positivo provém de uma brecha imprevista de Bondade, que toca o humano, elevando-o. Fica patente a origem sobrenatural dessa potência transformadora. Inexplicávelmente, esse “ouro raro” tem uma predilecção pelos mais perdidos, mais deficientes, mais criminosos, querendo salvá-los para lá de toda a lógica humana. Se o mal predomina, o Bem é a raridade que irrompe, quando e onde menos se espera, para resgatar um infeliz aprisionado em vícios e num ciclo inexorável antropofágico.
Talvez o mais espantoso seja o facto dessa Salvação se dispor a descer aos infernos para salvar mais alguém (que não merece), sem se deixar enojar pela acumulação de imundice, que Flannery nos obriga a encarar com um realismo dispensável (diria).
Se o mal é difícil de justificar, a graça é ainda mais incompreensível, qual pai que corre a abraçar um filho pródigo, regressado por motivos de sobrevivência. O lado solar da vida, o amor surgem sem explicação e as nossas abordagens racionalistas de pouco servem para tentar entender o indizível. Naturalmente, também esbarramos com os mistérios do mal e do sofrimento. E revoltamo-nos, porque não lhes encontramos motivo suficiente, nem forma de os controlar e erradicar. Que difícil aceitar esse inexplicável, com boa cara, como Flannery nos lembra em cada conto! Que difícil tolerar a dor considerada injusta, por querermos aplicar à realidade uma harmonia capaz de cancelar as realidades dolorosas, que teimam em ensombrar-nos. Nas palavras da filósofa (citada por aproximação): nós queremos uma explicação para o mal, para a dor. Mas a dor só é ilógica se for olhada de um ponto de vista, em que a vida teria uma ordem. Isso provém de um ponto de vista que me parece preguiçoso. Os livros de O’Connor exigem do leitor o contrário da preguiça: são filosóficos, suscitam espanto e choque e reflexão e pensamento. A perspectiva religiosa presente nestes livros também é muito exigente, porque não consola, não facilita, não há fé na humanidade, per se. ‘Apenas’ se crê num sentido transcendente (na mais pura acepção), que desafia a própria realidade e os limites humanos, por ser ilógico para os nossos padrões, desafiante para a própria religião.
Pedro Mexia (a partir do 36:50’) também faz uma reflexão inspiradora sobre Flannery, representativa da literatura do Sul dos EUA, conhecida por grotesca. Aplicou aos seus contos uma máxima do Pe.António Vieira sobre os pregadores brilhantes: o ideal não é as pessoas saírem do sermão contentes com o pregador, mas descontentes consigo próprias. O mesmo visam os escritos de Flannery para acordar os leitores, maioritariamente entorpecidos.
Comparou-a ao grande génio literário dos EUA, também sulista – Faulkner, e ainda a Kafka pelas estranhas personagens, e a Samuel Beckett pelo humor negro. A agudeza de Flannery sobre o mal é invulgar. Sintetizava O’Connor sobre a diferença entre crentes e não crentes na percepção do mal: ‘a maioria das pessoas acha que através do pecado obtém a liberdade, enquanto um cristão acha que através do pecado perde a liberdade’. Sobretudo, não tinha ilusões de que para falar do humano, com a incontornável (over)dose de fraquezas e de lama, é indispensável sujar os sapatos.
Flannery atinha-se aos factos, porque, segundo ela, «Um facto revela um mistério». Assim professava o que designava de ‘realismo cristão’, puro e duro, desprovido de sentimentalismo e emotividades consoladoras. O seu catolicismo – num contexto geográfico de grande tensão com o protestantismo (dominante, onde vivia) – resultava viril, nos antípodas (quase) do culto latino-americano ou do europeu do Sul, afectivamente enriquecido pela devoção mariana, maternal. Na sua literatura, ressalta essa abordagem austera ao cristianismo, numa busca de autenticidade, apenas orientada para o objetivo (à americana), sem facilitações e muito confrontacional.
No livro «Mistério e costumes», que reúne as suas inúmeras palestras universitárias, Flannery expõe o sentido da sua obra. Partindo da mediocridade humana, evidenciava melhor o efeito extraordinário da graça «em território amplamente dominado pelo diabo», dizia.
Por último, Mexia lembra a actualidade de O’Connor, quando nos intima a viver a fundo, com garra, aceitando expormo-nos ao risco que a vida comporta, na senda do verso de Höderlin – «Onde está o perigo, está aquilo que salva». Num spot publicitário do detergente skip, o slogan vai na mesma linha: ‘as nódoas também fazem parte do jogo’. Todavia, Flannery enjeita ferozmente qualquer forma de vida utilitarista, que privilegia uma certa obsessão (bastante americana) pela produtividade. A existência humana é antes mostrada em todos os cambiantes de mal, com todo o seu mistério, sem vislumbres de explicações plausíveis. Menos ainda acomodatícias:
21 abril 2026
Planear as cidades que queremos habitar *
Dez anos depois da publicação da Laudato Si’ (LS), é com alegria que reconhecemos que este texto do Papa Francisco – cuja importância tem vindo a ser reforçada pelo Papa Leão XIV – não foi apenas uma encíclica sobre o ambiente, mas um documento vivo, capaz de gerar processos. Em Portugal, como em vários outros países, têm surgido comunidades mais conscientes, práticas pastorais renovadas e movimentos que articulam fé, justiça social e cuidado da Criação. Estes frutos mostram que a conversão ecológica é um caminho possível.
Apesar destes avanços, quando falamos de cuidado da Casa Comum, os territórios urbanos (cidades) continuam muitas vezes ausentes do nosso horizonte imediato de conversão ecológica. Pensamos na floresta, no oceano, no clima. Pensamos menos no espaço urbano — apesar de ser aí que grande parte das populações nasce, vive, trabalha e envelhece.
As cidades são a expressão mais visível da ação humana sobre a terra e o espaço por excelência onde se constroem e alimentam as relações comunitárias. Se “tudo está interligado” (LS §91), então não podemos separar a crise ecológica da forma como organizamos as nossas cidades, distribuímos o solo, planeamos a habitação, o transporte e o espaço público. A ecologia integral passa, inevitavelmente, pela ecologia urbana.
Neste contexto, o planeamento e o urbanismo acompanhados de políticas de reconversão urbana que, de modo integrado, conjuguem as temáticas da mobilidade, do espaço público, da circulação em modos suaves, da promoção de mais árvores e espaços verdes, entre outras, são decisivas. Apenas com um conjunto articulado de políticas e medidas é possível um resultado amplo e satisfatório.
Planear não significa encontrar soluções infalíveis para todos os problemas, mas preparar e orientar decisões políticas de forma coerente, reduzindo o risco de iniciativas desarticuladas (muitas vezes, contraditórias) e promovendo uma utilização mais justa e eficiente dos recursos públicos. O planeamento territorial é, por isso, um exercício de responsabilidade coletiva.
Este imperativo torna‑se particularmente evidente nas regiões interiores, de fronteira ou em processo de desertificação. São estes territórios que sofrem de forma mais aguda os efeitos do envelhecimento da população, do abandono, da estagnação económica e da perda de acesso a serviços essenciais. São também, cada vez mais, os territórios mais expostos aos impactos das alterações climáticas e às consequências devastadoras de fenómenos extremos, como os incêndios florestais ou as cheias, tal como vivemos no início deste ano.
Esta leitura encontra eco em diagnósticos recentes, como o 9.º Relatório da Coesão Económica, Social e Territorial, publicado pela Comissão Europeia em 2024, que alerta para o risco real de agravamento das desigualdades sociais e regionais no contexto das transições climática, digital e demográfica. O relatório sublinha que a convergência entre países esconde assimetrias territoriais profundas e que, sem políticas públicas sensíveis às pessoas e aos lugares, estas transformações tendem a penalizar sobretudo os territórios mais frágeis, envelhecidos ou menos conectados.
Não é possível um país desenvolver‑se de forma sustentada e sustentável se for deixando partes do seu território para trás. A forma como desenhamos as cidades e organizamos o território tem impacto direto na nossa consciência coletiva, na coesão social, na eficiência económica e na capacidade de resposta aos desafios presentes e futuros. Ecologia urbana implica garantir equidade no acesso à habitação digna, à educação, aos cuidados de saúde, ao trabalho, ao tempo, à cultura e à participação cívica e comunitária.
O diálogo construtivo entre municípios, académicos, sociedade civil e agentes económicos é condição para alcançar estes objetivos. O planeamento e o urbanismo são, por isso, instrumentos de concretização da justiça social e não apenas domínios técnicos reservados a especialistas. O território reflete escolhas, prioridades e exclusões, tornando visível quem fica à margem.
A Laudato Si’ alerta para o risco de cidades “que se tornam inabitáveis por causa da poluição, do caos e da ausência de espaços verdes” (LS §44), mas reconhece também que a cidade pode ser lugar de criatividade e solidariedade, quando é pensada a partir da pessoa humana e do bem comum. Não se trata de rejeitar a cidade, mas de a reconciliar com a vida.
Felizmente, temos bons exemplos nos quais nos podemos inspirar. Paris, como se pode ver nesta reportagem da Bloomberg, é a prova de que é possível fazer e viver as cidades de modo diferente. Os resultados são já visíveis, por exemplo, ao nível da qualidade de vida e da redução da poluição do ar e da água. E embora ainda haja caminho a fazer neste processo de transformação, a direção parece estar a trazer frutos e a fazer a cidade (re)florescer.
Também São Paulo, mestre na arte de converter comunidades, nos oferece imagens que ajudam a pensar a cidade para lá da técnica. Tal como a comunidade é comparável a um corpo com muitos membros, diferentes e interdependentes, também a cidade não pode ser concebida como um conjunto de fragmentos isolados. Um território verdadeiramente ecológico é um corpo integrado, onde cada parte conta e onde as fragilidades não são empurradas para fora do campo de visão.
Quando o território é organizado sem esta lógica, tudo se transforma em barreira: à mobilidade, ao encontro, à dignidade. Mas quando o planeamento assume a sua função social, do betão pode florescer a beleza de um espaço que acolhe, cuida e integra.
Cuidar da Casa Comum é também acolher a cidade como lugar humano, social e espiritual. E aprender a ver novas oportunidades no espaço urbano, porque a beleza que procuramos pode não estar fora dele, mas na forma como escolhemos habitá‑lo.
Margarida Ferreira Marques
20 abril 2026
19 abril 2026
III Domingo da Páscoa
EVANGELHO – Lucas 24,13-35
Dois dos discípulos de Emaús
iam a caminho duma povoação chamada Emaús,
que ficava a sessenta estádios de Jerusalém.
Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido.
Enquanto falavam e discutiam,
Jesus aproximou Se deles e pôs Se com eles a caminho.
Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem.
Ele perguntou lhes.
«Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?»
Pararam entristecidos.
E um deles, chamado Cléofas, respondeu:
«Tu és o único habitante de Jerusalém
a ignorar o que lá se passou estes dias».
E Ele perguntou: «Que foi?»
Responderam Lhe:
«O que se refere a Jesus de Nazaré,
profeta poderoso em obras e palavras
diante de Deus e de todo o povo;
e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes
O entregaram para ser condenado à morte e crucificado.
Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel.
Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu.
É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram:
foram de madrugada ao sepulcro,
não encontraram o corpo de Jesus
e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos
a anunciar que Ele estava vivo.
Mas a Ele não O viram».
Então Jesus disse lhes:
«Homens sem inteligência e lentos de espírito
para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram!
Não tinha o Messias de sofrer tudo isso
para entrar na Sua glória?»
Depois, começando por Moisés
e passando por todos os Profetas,
explicou lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito.
Ao chegarem perto da povoação para onde iam,
Jesus fez menção de ir para diante.
Mas eles convenceram n’O a ficar, dizendo:
«Ficai connosco, Senhor, porque o dia está a terminar
e vem caindo a noite».
Jesus entrou e ficou com eles.
E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção,
partiu-o e entregou-lho.
Nesse momento abriram se lhes os olhos e reconheceram n’O.
Mas Ele desapareceu da sua presença.
Disseram então um para o outro:
«Não ardia cá dentro o nosso coração,
quando Ele nos falava pelo caminho
e nos explicava as Escrituras?»
Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém
e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com ele,
que diziam:
«Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão».
E eles contaram o que tinha acontecido no caminho
e como O tinham reconhecido ao partir o pão.
18 abril 2026
Pensamentos Impensados
Os engarrafamentos de trânsito poderão fazer com que aumente a taxa de alcoolémia?
O filho de um português e de uma francesa é luso-gaulês, se for de doi portugueses é luso-português.
Há tempos, uns comerciantes decidiram pôr nas montras dos seus estabelecimentos as dívidas dos caloteiros; eram facturas expostas.
Pedro era poeta; a sua especialidade eram versos delico-doces, por isso era chamado Pedro Homem de Mel.
Músicos que toquem um requiem têm de estar afinados, quando não é toque a finados.
SdB (I)
17 abril 2026
Textos dos dias que correm *
Os pássaros assobiam as primeiras claridades lá fora, declarando oficialmente mais uma noite em branco. Tenho sono. Não teria qualquer dificuldade em adormecer se tentasse, a cama é do melhor que se pode pedir, macia e bem guarnecida de coberturas, o cansaço é do que pesa no corpo, como uma subtil multiplicação da força de gravidade que se traduz numa lentidão de paquiderme à medida que me vou arrastando de divisão em divisão, só não me apetece ir dormir, por enquanto. O silêncio do meu dia velho vai sendo interrompido, a espaços, pelo bulício do dia novo dos outros.
Esqueço-me sempre, algures entre a rotina e a inércia, que cada dia é, espante-se, um dia novo. Pior, tendo a confundir uns dias com os outros e acuso-os, injustamente, de serem todos iguais. Reclamo da ausência da novidade como quem reclama que a sopa está insossa, e atrevo-me a apontar o dedo aos que, de uma forma ou de outra, estão próximos o suficiente para serem responsáveis pela falha.
Salpico o vidro da janela com impressões da ponta do nariz, alternando as ideias entre quem é o chefe da cozinha da vida e quantidade de tons de azul novos que são inventados todas as madrugadas. Decido ir dormir, afinal, para amanhã estão guardadas vinte e quatro horas, todas novas, se eu quiser.
ZdT
* publicado originalmente a 2 de Novembro de 2010
16 abril 2026
15 abril 2026
Poemas dos dias que correm
Maria Andrade
Maria Andrade
só com o Ciclo Preparatório
e sem saber
o que é um adjectivo
dedica-se ao estudo
da Termodinâmica Generalizada
frequenta mesmo um curso pago
no Centro Paroquial dos Anjos
o professor diz aos alunos
que ao fim de umas tantas lições
o que uma dona de casa
poupa no gás
dá-lhe para pagar o curso
e depois começa a dar-lhe mesmo
para fazer poupança
e investir
é assim que é feita
a auto-avaliação dos conhecimentos
Maria Andrade delicia-se
com a teoria
da água a ferver
do banho-maria
do frigorífico
da panela de pressão
da garrafa termos
(ah as paredes adiabáticas)
da caixa Tupperware
do demónio de Maxwell
gere o arquivo dos virginais tricots
como um sistema
minimizando a entropia dele
ou seja as traças
e a moda
influenciando
o ambiente turbulento de mudança
pelo uso do marketing
e da publicidade
que funciona com a moda
mas não com as traças
dobra
poesia reunida
a continuação do fim do mundo (1995)
assírio & alvim
2021
14 abril 2026
Das engrenagens *
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| Fotografia tirada da net |
A interdependência, que não é mais do que uma engrenagem perfeitamente concebida - não é um vantagem ou um exercício de eficácia fabril. A interdependência é apenas aquilo que nos salva.
13 abril 2026
12 abril 2026
II Domingo da Páscoa
EVANGELHO – João 20,19-31
Na tarde daquele dia, o primeiro da semana,
estando fechadas as portas da casa
onde os discípulos se encontravam,
com medo dos judeus,
veio Jesus, colocou Se no meio deles e disse lhes:
«A paz esteja convosco».
Dito isto, mostrou lhes as mãos e o lado.
Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.
Jesus disse lhes de novo:
«A paz esteja convosco.
Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós».
Dito isto, soprou sobre eles e disse lhes:
«Recebei o Espírito Santo:
àqueles a quem perdoardes os pecados ser lhes ão perdoados;
e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».
Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo,
não estava com eles quando veio Jesus.
Disseram lhe os outros discípulos:
«Vimos o Senhor».
Mas ele respondeu lhes:
«Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos,
se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado,
não acreditarei».
Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa
e Tomé com eles.
Veio Jesus, estando as portas fechadas,
apresentou Se no meio deles e disse:
«A paz esteja convosco».
Depois disse a Tomé:
«Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos;
aproxima a tua mão e mete a no meu lado;
e não sejas incrédulo, mas crente».
Tomé respondeu Lhe:
«Meu Senhor e meu Deus!»
Disse lhe Jesus:
«Porque Me viste acreditaste:
felizes os que acreditam sem terem visto».
Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos,
que não estão escritos neste livro.
Estes, porém, foram escritos
para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus,
e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.
11 abril 2026
Pensamentos Impensados
Auto-estima: diz-se de quem trata bem os automóveis.
Os filhos ilegítimos também descendem dos antepassados?
Quem estiver proibido pelos médicos de comer sal também estará proibido de receber salário?
Se à Beatriz Costa tivessem cortado a franja, teria ficado com um aspecto confrangedor?
Mouzinho de Albuquerque tinha furor ultramarino?
Os flambeados também podem fazer-se com aguardente; neste caso chama-se lume brandy.
SdB (I)
10 abril 2026
09 abril 2026
Imagem e poema dos dias que correm
***
Nós os vencidos do catolicismo
que não sabemos já donde a luz mana
haurimos o perdido misticismo
nos acordes dos carmina burana
não é que no mais fundo não creiamos
mas não lutamos já firmes e a pé
nem nada impomos do que duvidamos
depois de ouvir como a samaritana
que em espírito e verdade é que se adora
Deixem-me ouvir os carmina burana
e no homem que dizem que criaste
se temos o que temos e jogamos
"Meu deus meu deus porque me abandonaste?"
Ruy Belo | "Obra Poética de Ruy Belo" - Vol. 1, pág. 147 | Editorial Presença Lda., 1984
08 abril 2026
Vai um gin do Peter’s ?
UM PINTOR DA ‘JOIE DE VIVRE’
Paris aproveitou a Primavera para lançar mais uma mega exposição, no imperdível Musée d’Orsay, dedicada a um dos expoentes do impressionismo – Pierre-Auguste Renoir. O título da mostra é eloquente – «Renoir et l’amour», assim como as garridas manchetes dos media, a evocar o denominador comum das suas telas: «MERCI LA VIE!»
| À DTA. - auto-retrato, de 1910 |
Renoir acrescentou ao fascínio dos impressionistas pela luz, a audácia de pintar o sabor da vida, apanhando-a na pose mais festiva e alegre. Segundo os curadores: «Renoir regarde le monde comme on embrasse quelqu’un que l’on aime depuis toujours». Explicava o artista: «c’est avec mon pinceau que j’aime». Por isso, é frequente considerar-se que pintou o amor, a beleza (sobretudo, a do arquétipo feminino), a alegria, a paixão pela vida.
Oriundo de um meio pobre, com uma infância marcada por grandes privações, a mera ousadia de apostar numa profissão de alto risco, como a pintura, roçava o aventureirismo irresponsável. Nascido em 1841, ainda apanhou os resquícios da mortandade da Revolução Francesa (1789) e a estrondosa derrota gaulesa nas Guerras napoleónicas. Em vida, assistiu à humilhante derrota de França na Guerra Franco-Prussiana e à guerra civil durante as dolorosas experiências da Comuna de Paris, para além dos tumultos sociais causados pela Revolução Industrial! Tudo isso Renoir enfrentou com garbo e um sentido positivo inesperado! De onde lhe viria tanta confiança no futuro, face ao mundo algo sombrio que o rodeava?
Com os comparsas impressionistas, Renoir convocou a ‘joie de vivre à la française’ para contribuir para as mudanças de mentalidade de oitocentos, quando as sociedades se democratizavam; o cidadão comum ganhava destaque; a indústria do entretenimento despontava, sobretudo nas grandes cidades; a maior facilidade de locomoção aumentava os horizontes das gentes rurais, antes confinadas ao lugar onde tinham nascido; novos países nasciam, redesenhando-se as fronteiras da Europa e dos impérios ultramarinos. Todo o mundo era composto de mudança e o apetite pelo presente aguçava-se, na ânsia de acompanhar a voragem do tempo, saborear os pequenos momentos, os prazeres visíveis, ainda que fugazes. Os artistas estavam ávidos de devorar as modas nascentes e plasmá-las numa expressão artística de vanguarda.
| Duas das mais célebres obras de Renoir, imortalizam momentos efémeros, captando os ambientes festivos, que o pintor tanto apreciava. |
| Retratista muito procurado pelos seus contemporâneos, Renoir pintava com enorme rapidez, como foi o caso com o compositor alemão. |
| As figuras femininas eram as musas do pintor: «La Balancoire», 1876. |
Voltando a Renoir, são espantosas as pessoas que irradiam alegria no meio da turbulência e das incertezas do dia-a-dia. Como se estivessem sentadas ao nosso lado, enquanto todos atravessamos a tempestade… São companhias fantásticas na vida, corajosamente pascais, abertas ao desfecho luminoso da ressurreição.
Páscoa Feliz com a ‘joie de vivre’ de Renoir, se possível, com um salto a Paris!
(a preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)
07 abril 2026
Do elogio *
Não fui educado no, e para o elogio. Como é normal na natureza humana, não eduquei no, e para o elogio. Para efeitos desta pequena dissertação interessa-me pouco as consequências desse modo de educar: sei o peso que isso teve em mim, sei o peso que teve naqueles que me competiu educar; o que está feito não tem conserto, apenas pode servir de lamentação saudável e honesta ou de aprendizagem para o futuro. Mas a história do elogio não é apenas de pais para filhos, mas de amigo para amigo, de cônjuge para cônjuge, de colega de trabalho para colega de trabalho.
Olho para trás. Talvez eu tenha crescido numa época em que se dava pouca importância às crianças, em que se achava que elas não deviam ser salientes nem ter o poder de perorar sobre tudo. Talvez eu tenha crescido num meio cheio de pudores de vocabulário: não se dizia vermelho nem se dizia lábios, como não se dizia ovários nem virilha. E também não se dizia amor - pelo que a expressão amo-te estava reservada para o cinema ou para a literatura - ou simplesmente para as pessoas com menor pudor expressivo. Talvez então possa pensar que havia um pudor qualquer de linguagem no elogio: dizer-se muito bem!, ou de facto tens muito jeito!, estava vedado aos que também não diziam amo-te. Eu sei que não é verdade, mas a argumentação dá-me jeito.
Não elogiar uma criança não é a mesma coisa que não elogiar um adulto. Não elogiar um filho não é, por isso, a mesma coisa que não elogiar a pessoa com quem se vive. Não se elogia uma criança porque não se tem feitio para isso ou se acha que as crianças não devem ter elogios. Ora, elogiar um adulto não obedece a nenhuma teoria educativa: é um acto de delicadeza, de incentivo, de simpatia ou da mais elementar justiça. Mas elogiar um adulto - o adulto com quem se vive, por exemplo - é colocá-lo num patamar mais elevado do que o nosso. É reconhecer algo no outro que merece uma certa admiração. E talvez esteja aí um dos motivos para não se elogiar o próximo: não queremos colocar o outro a um nível superior ao nosso. Não queremos vê-lo elevar-se relativamente à nossa normalidade.
Elogiar pode ser um acto de generosidade ou de reconhecimento. Não o fazer a um adulto pode significar uma estratégia, sobretudo - algo que acontece em muitos casos - quando se é particularmente generoso nos elogios aos que nos são menos próximos. A inveja não é só desejar o que os outros têm; pode ser simplesmente, como ouvi no outro dia, não nos regozijarmos com o sucesso do outro. Ainda estou para perceber o que nos leva, na verdade, à parcimónia no elogio. É de graça e tem vantagens, pelo que...
JdB
* publicado originalmente a 4 de Abril de 2019
06 abril 2026
05 abril 2026
I Domingo de Páscoa
EVANGELHO – Jo 20,1-9
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
No primeiro dia da semana,
Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro
e viu a pedra retirada do sepulcro.
Correu então e foi ter com Simão Pedro
e com o discípulo predilecto de Jesus
e disse-lhes:
«Levaram o Senhor do sepulcro,
e não sabemos onde O puseram».
Pedro partiu com o outro discípulo
e foram ambos ao sepulcro.
Corriam os dois juntos,
mas o outro discípulo antecipou-se,
correndo mais depressa do que Pedro,
e chegou primeiro ao sepulcro.
Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou.
Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira.
Entrou no sepulcro
e viu as ligaduras no chão
e o sud&aacu
te;rio que tinha estado sobre a cabeça de Jesus,
não com as ligaduras, mas enrolado à parte.
Entrou também o outro discípulo
que chegara primeiro ao sepulcro:
viu e acreditou.
Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura,
segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.
03 abril 2026
6ª feira Santa
| Raising of the cross (Rembrandt, 1633) |
Pietà
Da pedra e da tristeza, no teu canto,
Comigo ao colo, morto e nu, gelado,
Embrulhado nas dobras do teu manto.
Ia caindo o rio do teu pranto;
E o meu corpo pasmava, amortalhado,
De um rio amargo que adoçava tanto.
Veio descendo lenta, apetecida
Pela terra-polar de que me fiz;
Seiva do mundo, ia caindo, Mãe,
Na sepultura fria da raiz.
Miguel Torga
02 abril 2026
5ªfeira Santa
Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim. No decorrer da ceia, tendo já o Demónio metido no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, a ideia de O entregar, Jesus, sabendo que o Pai Lhe tinha dado toda a autoridade, sabendo que saíra de Deus e para Deus voltava, levantou-Se da mesa, tirou o manto e tomou uma toalha, que pôs à cintura. Depois, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que pusera à cintura. Quando chegou a Simão Pedro, este disse-Lhe: «Senhor, Tu vais lavar-me os pés?». Jesus respondeu: «O que estou a fazer, não o podes entender agora, mas compreendê-lo-ás mais tarde». Pedro insistiu: «Nunca consentirei que me laves os pés». Jesus respondeu-lhe: «Se não tos lavar, não terás parte comigo». Simão Pedro replicou: «Senhor, então não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça». Jesus respondeu-lhe: «Aquele que já tomou banho está limpo e não precisa de lavar senão os pés. Vós estais limpos, mas não todos». Jesus bem sabia quem O havia de entregar. Foi por isso que acrescentou: «Nem todos estais limpos». Depois de lhes lavar os pés, Jesus tomou o manto e pôs-Se de novo à mesa. Então disse-lhes: «Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque o sou. Se Eu, que sou Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também».
Palavra da salvação.
01 abril 2026
Poemas dos dias que correm
camões dirige-se aos seus contemporâneos
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