As melhores viagens são, por vezes, aquelas em que partimos ontem e regressamos muitos anos antes
18 junho 2011
Maravilhas dos dias que correm
Pensamentos impensados
17 junho 2011
Apelo Nacional!
Recebido via correio electrónico. Subscrevo, dentro do que me for possível.
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Portugal Afundou... (!)
Queres que aconteça um milagre económico no nosso país?
Então deixa-te de seguir dissertações de economistas ao serviço de interesses, que não os nossos! Não te deixes mais manipular pelo marketing!
Faz aquilo que os políticos, por razões óbvias, não te podem recomendar sequer, mas que individualmente podes fazer:
Torna-te PROTECCIONISTA da nossa economia!
Para isso:
1. Experimenta comprar preferencialmente produtos fabricados em Portugal. Experimenta começar pelas idas ao supermercado (carnes, peixe, legumes, bebidas, conservas, preferencialmente, nacionais).
Experimenta trocar, temporariamente, a McDonalds, ou outra qualquer cadeia de fast food, pela tradicional tasca portuguesa. Experimenta trocar a Coca-cola à refeição, por uma água, um refrigerante, ou uma cerveja sem álcool, fabricada em Portugal.
2. Adia por 6 meses a 1 ano todas as compras de produtos estrangeiros, que tenhas planeado fazer, tais como automóveis, TV e outros electrodomésticos, produtos de luxo, telemóveis, roupa e calçado de marcas importadas, férias fora do país, etc., etc...Lê com atenção e reencaminha para que sejamos muitos a ter esta atitude!
Portugal afundou, somos enxovalhados diariamente por considerações e comentários mais ou menos jocosos vindos de várias paragens, mas em particular dos países mais ricos. Confundem o povo português com a classe política incompetente e em muitos casos até corrupta que nos tem dirigido nos últimos anos e se tem governado a si própria.
Olham-nos como um fardo pesado incapaz de recuperar e de traçar um rumo de desenvolvimento.
Agora, mais do que lamentar a situação de falência a que Portugal chegou, e mais do que procurarmos fuzilar os responsáveis e são muitos, cabe-nos dar a resposta ao mundo mostrando de que fibra somos feitos para podermos recuperar a nossa auto- estima e o nosso orgulho.
Nós seremos capazes de ultrapassar esta situação difícil. Vamos certamente dar o nosso melhor para dar a volta por cima, mas há atitudes simples que podem fazer a diferença.
O desafio é durante seis meses a um ano evitar comprar produtos fabricados fora de Portugal. Fazer o esforço, em cada acto de compra, de verificar as etiquetas de origem e rejeitar comprar o que não tenha sido produzido em Portugal, sempre que existir alternativa.
Desta forma estaremos a substituir as importações que nos estão a arrastar para o fundo e apresentaremos resultados surpreendentes a nível de indicadores de crescimento económico e consequentemente de redução de desemprego. Há quem afirme que bastaria que, cada português, substituísse em somente 100 euros mensais as compras de produtos importados, por produtos fabricados no país, para que o nosso problema de falta de crescimento económico ficasse resolvido.
Representaria para a nossa indústria, só por si, um acréscimo superior a 12.000.000.000 de euros por ano, ou seja uma verba equivalente à da construção de um novo aeroporto de Lisboa e respectivas acessibilidades, a cada 3 meses!!!
Este comportamento deve ser assumido como um acto de cidadania, como um acto de mobilização colectiva, por nós, e, como resposta aos povos do mundo que nos acham uns coitadinhos incapazes.
Os nossos vizinhos Espanhóis há muitos anos que fazem isso. Quem já viajou com Espanhóis sabe que eles, começam logo por reservar e comprar as passagens, ou pacote, em agência Espanhola, depois, se viajam de avião, fazem-no na Ibéria, pernoitam em hotéis de cadeias exclusivamente Espanholas (Meliá, Riu, Sana ou outras), desde que uma delas exista, e se encontrarem uma marca espanhola dum produto que precisem, é essa mesma que compram, sem sequer comparar o preço (por exemplo em Portugal só abastecem combustíveis Repsol, ou Cepsa). Mas, até mesmo as empresas se comportam de forma semelhante! As multinacionais Espanholas a operar em Portugal, com poucas excepções, obrigam os seus funcionários que se deslocam ao estrangeiro a seguir estas preferências e contratam preferencialmente outras empresas espanholas, quer sejam de segurança, transportes, montagens industrias e duma forma geral de tudo o que precisem, que possam cá chegar com produto, ou serviço, a preço competitivo, vindo do outro lado da fronteira. São super proteccionistas da sua economia! Dão sempre a preferência a uma empresa ou produto Espanhol! Imitemo-los nós no futuro!
Passa este texto para todos os teus contactos para chegarmos a todos os portugueses.
Quando a onda pegar, vamos safar-nos. Será um primeiro passo na direcção certa!
swans, à porta da aula magna
mas sei que era decerto primavera nessa noite
em que desenhávamos tangentes e paralelas
nessas nossas conversas de náufrágio,
que tão bem sabemos reconhecer à légua.
lá dentro, e lá atrás, a música noise musculada
servia apropriadamente de banda sonora
para mais uma noite numa cidade emprestada,
que calhou ser esta, mas bem poderia ser outra,
mesmo que não gostemos de o reconhecer.
pelo retrovisor e pelo oráculo, passado e futuro,
como moving walls nos filmes de aventura,
ameaçando esmagar este tempo presente (tudo o que temos).
falávamos do butão, da tailândia, da tua ilha, geografias precisas
(ou preciosas), por onde os nossos afectos vôam
quando nós, seus não donos e ainda menos senhores,
- de tudo o que nos afaste dos silogismos da amargura,
da tentação de nos reduzirmos a um vale de lágrimas,
desse abismo que nos situa num teatro do absurdo.
era noite, primaveril, doce. recordo-me bem
do seu abraço suave e dos seus lábios sobre os meus
e só por isso sei que não falo de um sonho
em que entrássemos nós, o passado e o futuro,
geografias próximas e longínquas, toda a geometria
dos afectos, quando a conseguimos articular.
longe ou perto, ontem ou depois de amanhã, não sei bem,
mas sei que dou deveras graças por poder escrever isto,
principalmente a um domingo (dia em que me falta tudo),
tal como dou graças pela tua amizade e presença.
e é por tudo isto que te conto um segredo (posso?):
voei, nessa mesma noite, até ao grande templo das pedras;
dominei, finalmente, a grande geometria humana;
encontrei, acho, a coragem para deixar o sonho
e dizer-te que "arqueologia futura" sôa-me bem,
nem tu sabes quanto.
16 junho 2011
Moleskine
15 junho 2011
Preta, canja e Dona N.

A dona N., senhora cujo pai foi um dia aos E.U.A. e se apaixonou pelo nome estrangeiro, decidiu baptizar a filha com este nome que aparentava ser tão diferente.
Esta senhora, com setenta e oito anos, e fruto das vicissitudes e da ordem natural da vida a que estava habituada, mudou-se para o campo, com o marido, tinha 18 anos. Como marido e mulher, enquanto casal, enquanto seres humanos e enquanto família humilde tiveram uma vida perfeitamente normal, com aspirações a pouco mais do que umas couves, feijão verde e raminhos de coentros. Tiveram dois filhos, e hoje a dona N. tem 4 netos e mais um ou dois bisnetos.
O marido morreu, fruto de álcool a mais e de um vício que era pouco falado. O vinho era mais do que um acompanhante social, era uma prova de masculinidade com os amigos e com a família. Ai do homem que não gostasse do seu copo de vinho às nove da manhã; quer-se dizer, já se alimentou os animais, já se levantou a comida da terra para o dia e as unhas já estão sujas. Tornava-se então normal que às nove e meia da manhã já se tivesse bebido um ou dois copos de vinho.
Infelizmente, foi o que o estragou e acabou com a vida dele. Não do ponto de vista social, porque no campo ninguém quer saber se o marido de alguém aparece a dormir à porta da cooperativa às duas da manhã. A posição social e o que os outros vão pensar é uma atitude urbana. No mundo rural, o homem caído de bêbado numas escadas alheias não incomoda, chega-se pró lado e ele há-de acordar.
Mas, apesar desse desinteresse e despreocupação por uma dependência, a dona N. sofreu muito com a morte do marido. Dizia-me, zangada, que se só se almoça uma vez, se só se planta uma coisa de cada vez e se o sol só se alevanta uma vez, porque é que se bebe vinho mais do que uma vez?. Não soube responder-lhe. Como é que se explica um vício a uma senhora que nunca teve uma televisão, não sabe ler, nunca tomou um remédio e que acha que a única coisa que está mal no mundo é haver árvores sazonais: oh menina, o que eu mais queria era morangos todos os dias.
Chorou muito, chorou ao meu lado e eu não soube o que dizer. Limitei-me a ficar ao lado dela a sentir que o assunto devia ser desviado para ajudá-la a esquecer a única coisa que a fazia sofrer.
O T., fruto da sua inexperiência no campo, vê na dona D. uma ajuda essencial para a nova vida dele. Ela subia às árvores, limpava sebes e chamava preguiçoso a quem não lavra a terra todos os dias, chamava idiota a quem não plantava uma batata na altura certa.
Esta é a dona N. Foi esta senhora pequenina, com a força de um gigante que me fez dar valor a mais coisas e a perceber que há coisas que se fazem uma vez por dia e não se devem fazer mais: como o copo de vinho, como o mau feitio.
Como diz o meu pai, já não se perdeu tudo.
TdB
14 junho 2011
Duas últimas
Trabalho parte substancial do meu tempo na área do ambiente, num sector “pesado” e com mediatização qb: o da gestão e tratamento de resíduos (lixo, para algumas línguas viperinas!) industriais perigosos. Resíduos, ou seja, o que resta, o remanescente, resultado da actividade directa ou indirecta do homem; industriais, porque derivados das diversas actividades desenvolvidas pelas industrias existentes em Portugal – cada vez menos, desgraçadamente –; perigosos porque, não sendo convenientemente geridos, são de facto perigosos para o meio ambiente, água, ar, solos e, por essa via, para a saúde do homem e dos outros seres vivos.
É uma área em que Portugal evoluiu bastante nos últimos anos, sobretudo desde 2008, dispondo actualmente de instalações de tratamento modernas e eficientes, ao nível do melhor que existe lá fora e, tão ou mais importante, de uma consciencialização e informação em relação ao tema bastante avançadas. Com gosto o afirmo, numa época em que, infelizmente, há mais motivos para criticar do que para elogiar o que por cá se fez ou vai fazendo. Tratando-se de materiais muito sensíveis, em que qualquer falha, mesmo que menor, poderá ter imediata repercussão no exterior, a segurança e o apertado controlo das operações são essenciais em instalações deste tipo.
A letra da música que escolhi fala destas questões e de outras afins: a contaminação do mar e das praias, as condições de trabalho nalgumas fábricas, as famigeradas centrais nucleares.
Fausto Bordalo Dias, já anteriormente postado neste blogue por pessoas com bom gosto, é para mim claramente um dos maiores nomes da música popular portuguesa. Possuidor de uma obra vasta, com diversas grandes letras e músicas. Curiosamente, nasceu a bordo de um navio, daí, talvez, a sua apetência por estas questões da poluição!
Espero que não achem este texto (demasiado) maçudo e que gostem desta Rosalinda.
fq
13 junho 2011
Fórmula para o caos
12 junho 2011
Solenidade do Pentecostes
Hoje é Domingo, e eu não esqueço a minha condição de Católico.
Tiro três notas deste evangelho - ou talvez divida o texto nas três partes que, para a minha sensibilidade, me parecem óbvias: há o medo, há a paz e há o desafio.
Jesus encontra os discípulos receosos de um ambiente hostil em que viviam. Também nós vivemos num mundo em que por vezes temos medo de ser ridicularizados, identificados com uma mensagem caduca que fala de Amor, ligados a uma estrutura - a Igreja - de que tanto se quer dizer mal. Também nós vivemos de certa forma perdidos, às escuras, à procura de uma referência que seja uma luz, perturbados por tudo aquilo que nos aflige, nos consome, nos torna mais egoístas.
Jesus deseja-lhes a Paz - sobretudo interior, feita de confiança, sem rancores ou raivas. A quantos de nós nos falta esta paz, porque nos cruzámos com quem nos prejudicou, nos fez mal, nos traiu? A quantos de nós falta esta paz porque estamos inundados de falta de paciência para o próximo, ou porque fazemos das nossas relações sociais, profissionais ou afectivas um exercício de poder?
Jesus desafia-os a partir - como nos desafia a nós. Partir tem também uma dimensão metafórica: partir para dar testemunho; partir para revelar Cristo como nosso exemplo e modelo; partir para mudar a vida, mudar o paradigma feito de orgulhos, de cegueira para o que é um bem maior; partir para sentir o desafio da santidade, pedir o discernimento para encontrar o caminho que nos levará ao céu e a força para o seguir.
Bom Domingo para os que me lêem.
JdB
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Na tarde daquele dia, o primeiro da semana,
estando fechadas as portas da casa
onde os discípulos se encontravam,
com medo dos judeus,
veio Jesus, colocou Se no meio deles e disse lhes:
«A paz esteja convosco».
Dito isto, mostrou lhes as mãos e o lado.
Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.
Jesus disse lhes de novo:
«A paz esteja convosco.
Assim como o Pai Me enviou,
também Eu vos envio a vós».
Dito isto, soprou sobre eles e disse lhes:
«Recebei o Espírito Santo:
àqueles a quem perdoardes os pecados ser lhes ão perdoados;
e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».
11 junho 2011
Pensamentos impensados
10 junho 2011
inquietação
rasgo o teclado emprestado, cismando
não sei dizer se cismo só porque sim,
ou se tudo isto (incluindo tu, lamento)
09 junho 2011
Deixa-me rir...
A proxima.
PO
08 junho 2011
Diário de uma astróloga – 8 de Junho de 2011
Além das diferenças que seriam de esperar entre Cape Cod e Roma, comecei a notar que na rua há um numero inusitado de vendedores de flores e que, nos centros comerciais, acontece o mesmo com lojas de lingerie. Isto quer dizer que os habitantes de Roma compram quantidades de flores e de roupa interior sexy.
Por deformação profissional, procuro correspondências planetárias para acontecimentos terrestres e experiências humanas. Este é principio básico da astrologia que pratico: os planetas têm uma ligação cósmica e fundamental a forcas arquetipais ou princípios que influenciam as experiências humanas. Carl Jung chama-lhe sincronismo.
Identificar o que as flores têm em comum com a lingerie é fácil: prazer sensual, apreciação da beleza. De entre o pantheon dos símbolos astrológicos surge imediatamente Vénus e os signos que rege, Touro e Balança.
O arquétipo Vénus representa o principio de amor e beleza. Vénus é o desejo de nos envolvermos em relações românticas e sociais. Vénus é a procura de prazer sensual e estético. Vénus arquétipo é também associado a Afrodite, figura mítica grega, e à própria Vénus, figura mítica romana, deusas do amor, da beleza e da abundância. Como regente de Touro, representa sensualidade e fertilidade e, como regente de Balança, a harmonia, a estética e ligações românticas e sociais. Vénus permite-nos apreciar os prazeres deste mundo. Gozar é um bom verbo para a energia venusiana.
Mas para quê explicar o arquétipo Vénus se o seu significado é tão visível nos quadros de Botticelli:

O NASCIMENTO DE VENUS

A PRIMAVERA (Touro - 20 de Abril a 20 de Maio)
Todos nós temos o planeta Vénus presente nas nossas cartas do céu e, por isso, todos nós temos capacidade estéticas, sensuais e relacionais. Em diferentes doses, dependendo do signo e aspectos do planeta Vénus de cada um..
Por razões estatísticas não posso admitir que os habitantes de Roma tenham uma Vénus mais proeminente nas suas cartas do que o resto da população do mundo. Por isso, na minha cabeça surge a pergunta: a energia de um lugar influencia o comportamento das pessoas?
A carta astral é o retrato do céu no momento do nascimento. Tal como as pessoas, as cidades e os países têm cartas astrais. Ninguém sabe ao certo quando Roma foi fundada, isto é, o momento do seu nascimento, pelo que não é possível fazer a sua carta, mas, no mundo de símbolos astrológicos em que vivo, não tenho qualquer duvida de que esta cidade está sob a influência de Vénus.
Não comecei a comprar lingerie sexy, apesar de escolher roupa um pouco mais elegante do que o costume. Mas o que me trás uma resposta afirmativa à minha pergunta e à certeza de que a energia de um lugar influencia o comportamento das pessoas foi quando vi o meu querido marido, normalmente dotado de espírito cartesiano, analítico e não romântico, entrar em casa no inicio de Primavera com um lindo ramo de flores e, até, uma jarra para eu as poder gozar!
Estou muito feliz com esta mudança para Itália. O espírito prático da Nova Inglaterra estava a sabotar a minha capacidade de gozar a vida. Talvez seja esta capacidade de apreciar e gozar flores, arte, o próprio corpo, a comida, que faz com que a longevidade em Itália seja a maior da União Europeia.
A astrologia e uma disciplina muito antiga. Para mim começa no Géneses 1:14. E disse Deus: haja luminares no firmamento do céu, para fazerem a separação entre o dia e a noite; sejam eles para sinais e para estações, e para dias e anos. É só preciso saber usa-la.
Hoje falei de sinais venusianos mas, para a próxima, falarei de outro luminar - mais precisamente da Lua. Lembro que ao princípio da noite de 15 de Junho vamos ter, tanto em Itália como em Portugal, um eclipse total da Lua. Aliás, em Portugal, a Lua vai nascer eclipsada. Para informações e horas sobre este acontecimento cósmico consultar o Observatório Astronómico de Lisboa:
http://www.oal.ul.pt/index.php?link=destaque&id=201
Os eclipses tem péssima fama, causam espanto e apreensão….Serão mesmo maléficos? Ler o próximo post.
Luiza Azancot
Consultora Astrológica, NCGR-PAA Level IV
07 junho 2011
Aviso
Duas últimas
A harpa paraguaia é um instrumento musical típico do Paraguai e similar a outros instrumentos da América do Sul, particularmente da Venezuela. É uma harpa diatônica com 32, 36, 38 ou 40 cordas, feita com madeira tropical, com um exagerado arco de pescoço e tocada com as unhas e dedos. É comum na execução de músicas da língua guarani e recebeu a influência da música espanhola.
06 junho 2011
Vai um gin do Peter’s ?
Através da voz-off e de um jornalista contemporâneo, a trama recua em flash-back para os momentos-chave da vida de dois homens, nos remotos anos 30. A escolha de um cenário de situação extrema, que é um confronto armado, cria o espaço favorável à tomada de posições claras, reveladoras das personalidades em acção, como se pretende. É a hora dos grandes ideais e dos radicalismos, dos actos nobres e das maiores vilanias. Tudo isto no estilo saleroso e q.b. exagerado dos espanhóis. Habilmente, a banda sonora inclui música gitana, cujos ecos de flamengo nos transportam de imediato para o país aguerrido e de pulsões fortes de uma Espanha ao rubro.
Naquele conflito digladiam-se duas ideologias divergentes e escolhas de vida/vocações antagónicas. A nível político, observamos a complexidade de uma guerra onde potências estrangeiras ensaiam, em solo espanhol, o jogo de forças que eclodiria em 1939: a Rússia de Estaline versus a Alemanha de Hitler e (em muito menor grau) a Itália de Mussolini.
Paralelamente ao combate político-ideológico, também as histórias pessoais desfilam perante nós, em contraste máximo, para evidenciar a possibilidade de eleger rumos distintos e invulgares, mesmo nas circunstâncias mais ingratas, que pareceriam condicionar as alternativas. Porque, além da beligerância pura e dura, também é possível recusar o uso das armas, como faz a personagem aqui biografada. Assim, ergue-se de um lado um sacerdote (factual) de pouca idade e muita iniciativa, empenhado em lançar um “movimento” cristão – o Opus Dei – suplantando os inúmeros obstáculos que a frente anti-clerical lhe levanta. Do outro, um colega (ficcional) de infância – Manolo – bate-se ferozmente pelos franquistas, actuando como agente infiltrado nas hordas republicanas.
Aqui brilha o fogoso actor brasileiro Rodrigo Santoro, no papel de líder carismático. Arrebatador. Irresistível. Cheio de ideal. Tudo nele é incendiário, das palavras de ordem ao ânimo magnetizante nas trincheiras. Claro que a correligionária, vinda da Hungria, cedeu logo ao olhar sedutor do herói do povo. Cou de foudre instantâneo!



De facto, o realizador explora maximamente as motivações das personagens, num período fértil de convicções como é a guerra. Todos lutam: seja os revolucionários, mal armados mas destemidos e cheios de picardia; seja os falangistas, com uma poderosa aviação (alemã) mas sem conseguir grandes avanços; seja a minoria ínfima que se bate pela paz, com as armas da paz. Em todos há bravura, empenho e vontade de vencer. Até mesmo no cidadão anónimo. Curiosamente, os gestos de coragem surgem onde menos se espera: num tipo mal encarado, numa estudante desprotegida, numa mulher maltratada, ou até num Manolo que reconhece e salva, à distância, o seu ex-amigo dos bancos da escola. Também o jovem sacerdote, que só foge in extremis, quando a perseguição à Igreja o impede de permanecer em Madrid, vive com galhardia a atribulada fuga, onde rasa frequentemente a morte.

Numa entrevista à CBN, o realizador-argumentista defende que: «You find your religious experience not only in liturgical things or in the church, but in the very act of living in your daily life… (I wanted to) make a movie about life… I think a saint is someone who in a certain time or place pushes a door open, so that light may shine through. (…) As you approach God, He doesn’t ask you what you learned, He wants to know who you are… What we hunger for is to ask questions: Who are we? Why are we?....»
Percebe-se que até ao último fôlego as sortes não estão fechadas para ninguém. Mesmo para os incorrigíveis e relapsos. Há ainda uma réstia de oportunidade para reacertar o caminho. Precisamente, do perdão dado e recebido nasce sempre algum bem. Reparam-se males passados. Resolvem-se ou, ao menos, atenuam-se escrúpulos corrosivos. Removem-se ou reduzem-se vícios cristalizados. Mais: iluminam-se memórias sombrias! Porque esta é uma guerra só com vencedores, a começar pelo próprio. Nem que seja à vista da morte…
À letra, vive-se ali a certeza de que enquanto houver vida, haverá esperança. Pois, onde a esperança tiver a última palavra, a morte dará lugar à Vida.
Maria Zarco
(a preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)
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(1) FICHA TÉCNICA
Título original: THERE BE DRAGONS
Título traduzido em Portugal: ENCONTRARÁS DRAGÕES
Realização: Roland Joffé (que já foi premiado com Óscar)
Argumento: Roland Joffé
Produzido por: Inácio Gomez-Sancha, Roland Joffé, Inácio Muñez e Guy Louthan
Direcção Artística: argentino Eugénio Zanetti (que já foi premiado com Óscar)
Fotografia: do mexicano Gabriel Beristain
Guarda-roupa: Ivonne Blake (que já foi premiada com Óscar)
Caracterização e maquillage: Michelle Burke (que já foi premiada com Óscar)
Banda sonora: Stephen Warbeck
Duração: 122 min.
Ano: 2011
Países: EUA / Espanha / Argentina
Elenco
Charlie Cox (Josemaría Escrivá),
Wes Bentley (Manolo)
Dougray Scott (Robert)
Olga Kurylenko (Ildiko)
Unax Ugalde (Pedro)
Rodrigo Santoro (Oriol)
Geraldine Chaplin (Abileyza)
Ana Torrent (Dolores)
Site oficial: http://twitter.com/#!/ThereBeDragons

Acerca de mim
- JdB
- Estoril, Portugal