19 setembro 2012

Ponto de Vírgula

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)



in "Tabacaria", Álvaro de Campos



Petit-Gateau (bimby)

Ingredientes:
1 barra chocolate (200gr)
160 gr margarina
160 gr açúcar
80gr farinha
3 ovos

Modo de Preparação:

Derrete-se o chocolate com a manteiga durante 5 min/50º/vel4.
Junta-se os 3 ovos, o açúcar, a farinha e mistura-se 2min/vel6. Untam-se as forminhas com margarina (se for de silicone, como foi no meu caso, não é preciso). Aquece-se o forno a 250º e depois de quente põem-se as forminhas durante 6 minutos.

(Receita tirada daqui)



MFM

18 setembro 2012

Duas últimas

Nos últimos anos, os meus irmãos e eu temos procurado reunir as respectivas famílias pela altura do Verão – tarefa cada vez mais difícil à medida que os filhos vão crescendo – sendo o objectivo a realização de passeios que duram 2 ou 3 dias por um Portugal para mim quase completamente desconhecido. Dessa forma já andámos por terras de Trás-os-montes, Minho e, este ano, Beira Alta (Serra da Estrela). Falta ainda muita coisa, sobretudo o Sul, à espera de mais oportunidades.
Sendo um irmão meu que é padre o grande organizador e impulsionador destes programas, é natural que o “turismo religioso” assuma alguma preponderância, para mais num país que tem nessa área muita coisa boa e interessante para ver, sinal da grande relevância que a Igreja e sobretudo as ordens religiosas tiveram desde os primórdios na formação e desenvolvimento de Portugal. Asseguro-vos que, nos locais mais escondidos e improváveis, poderemos encontrar belos exemplares de diferentes estilos arquitectónicos ou artísticos. Este ano, por exemplo, na ida para Norte, passámos pelo Sardoal, onde vimos na Igreja Matriz da terra as tábuas do Mestre de Sardoal, referenciadas do início do século XVI. 
Mas nem só de coisas da fé vivem estas viagens! Também temos visto bonitos castelos e palácios ou paisagens e vistas de cortar a respiração, dado passeios a pé por trilhos mais ou menos poeirentos, tomado banho em praias fluviais ou barragens o mais desertas possíveis, seguido de agradáveis almoços tipo picnic, jantado e dormido em casas de turismo de habitação e passado uma parte dos serões a ouvir algumas leituras de textos de autores portugueses previamente seleccionados (Torga, Almada, etc…).
Enfim, os programas têm sido intensos e talvez um pouco cansativos mas, a meu ver, muito proveitosos. Quer culturalmente, quer porque fortalecem os relacionamentos e o espírito de família, aproximando mais as pessoas. E ainda porque permitem mostrar, sobretudo aos mais novos, a riqueza histórica e a diversidade deste pequeno/grande país tantas vezes menosprezado (então agora!) mas que tem tanto para mostrar. 
Fausto Bordalo Dias é natural de Vila Franca das Naves, terra do concelho de Trancoso de que este ano estivemos bem perto (embora haja quem diga que nasceu a bordo do navio Pátria, a meio do Atlântico, numa viagem para Angola, onde viveu desde bebé!). Dele, um dos meus cantores portugueses (seguramente no top 3), escolhi “Todo este Céu”, uma das minhas músicas preferidas.

Espero que também gostem.
  
fq


17 setembro 2012

Moleskine Espanhol (I)

Bizarrias. Sento-me na Iberjoya (Madrid) a ver quem passa, enquanto A. deambula por ali à procura de potenciais negócios. Passos os olhos pelo jornal e, na última página, sou confrontado com um novo recorde do Guinness - a mulher mais baixa do mundo. É uma indiana que tendo atingido a maioridade (condição necessária para ir a concurso) se quedou nos pouco mais de 61 ou 62 cm. Impressão, impressão, não foi a altura diminuta, mas o ar sorridente com que, estendida numa mesa e com dois livros nas extremidades, se deixou medir. Ambiciona ser actriz em Bollywood e garante que vai ter sucesso. Acima de tudo não se deixa fotografar com políticos, porque não vende a imagem. Não sei se inveje o sorriso se me confranja. O título da fotografia é inequívoco: o zoo do século XXI.

   
Beleza. Fui a Roma pela primeira vez há 30 anos. Voltei lá em 1986. De ambas as visitas retive uma certeza inabalável: a mulher italiana era a mais bonita do mundo. Regressei em 2011 e tudo se desvaneceu. Raparigas feias, com mau ar, deselegantes, más figuras. Falo, obviamente, da mancha de que nos apercebemos quando andamos na rua. Estive em Madrid três dias. A tal mancha foi francamente positiva: raparigas/mulheres bem lançadas, com bom ar, elegantes, figuras bonitas ou equilibradas.

La movida. 6ª feira fomos deambular pelas ruas. Entre as 17 horas e as 23.30 andámos pela Gran Via e ruas adjacentes que desembocam na Plaza Mayor/Puerta del Sol. Gente, gente, gente, predominantemente locais - ou pelo menos a falarem castelhano como locais. Uma mole imensa a descer e a subir ruas, a falar alto, a ocupar passeios e praças, a ver artistas de rua, a gozar os 28º - 30ºC que se fazem sentir. Retenho a Calle Montera, ainda ao fim da tarde. Não há um lugar numa esplanada, transita-se a pé com dificuldade. De repente, surgida do nada, uma mulher bonita, com uma figura esmagadora do alto dos seus mais de 1,80 m, um vestido preto e justo a realçar-lhe a elegância. É uma prostituta. Já não me choco facilmente com este tipo de exploração mas surpreendeu-me o cenário, de tão contrastante que era: dia claro, a rua ocupada maioritariamente por jovens, ela muito bonita, desenquadrada da dignidade e do ambiente, sem uma penumbra a disfarçar. Vidas perdidas, quando poderiam ser aproveitadas numa actividade menos humilhante e mais estética. E se ela merecia... 

Imagens de Madrid.   


  
JdB

16 setembro 2012

24º Domingo do Tempo Comum


Hoje é Domingo e eu não esqueço a minha condição de católico.

Já contei esta história mais de uma vez. Volto a fazê-lo, não porque me faleça a imaginação nestes dias calorentos de Madrid, mas porque recordá-la é colocar adiante dos meus olhos o que, num determinado ponto de vista, é o mais importante. Aquando da morte do Álvaro Cunhal, um militante comunista escreveu no livro de condolências: conhecer-te mudou a minha vida, camarada. Independentemente de quem a proferiu e de quem era o camarada, não mais esqueci esta história. Um dia, ainda eu fazia parte das equipas de Nossa Senhora, fizemos este exercício: o que diríamos a Cristo se nos cruzássemos com ele na rua? A minha resposta foi simples: conhecer-Te mudou a minha vida.

Não tenho visões, não levito, não penso que todos tenhamos uma cruz para carregar, não vivo apavorado com o fogo eterno do inferno, não me confesso todas as semanas, não profiro frases inflamadas carregadas de beatério vazio, não cito Deus e Nossa Senhora com os olhos em alvo. Sou uma católico normal, que falha, que tenta ser melhor, que acredita no desafio quotidiano da santidade. Tenho a minha dose de lutos feitos, outra, seguramente menor, de lutos por fazer. Do ponto de vista positivo, naquilo que sou ou em que me tornei, na minha resposta aos dramas ou aos desafios, na forma como olho para o mundo em meu redor, em tudo isto, repito, a minha Fé está presente e tem um papel determinante. Muitas outras coisas ajudaram, nomeadamente os Amigos com quem me cruzei. Sem lhes tirar a importância - e cada um deles sabe isso - questiono-me onde estaria sem a Fé, mesmo que, aqui e ali, alguém tivesse mencionado o meu exagero. Sem a minha espiritualidade cristã (e os Amigos, obviamente...) não teria encontrado sentido para um sofrimento específico, teria ficado no rancor ao não encontrar sentido para outro sofrimento específico.    

Ser-se santo do quotidiano, dizia no outro dia a alguém, tem a sua dose de egoísmo, porque nos torna a vida melhor. Zangamo-nos menos, temos menos apetência para o remorso ou para o rancor, somos menos orgulhosos, mais compreensivos, mais tolerantes, com um olhar mais consistente sobre o drama alheio, com mais espírito de serviço. Recordo a frase de Sophia de Mello Breyner no seu Retrato de Mónica:

"Mas a santidade é oferecida a cada pessoa de novo cada dia, e por isso aqueles que renunciam à santidade são obrigados a repetir a negação todos os dias".

Conhecer-te mudou a minha vida.

Bom Domingo para todos,

JdB


***   

EVANGELHO – Mc 8,27-35
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo,
Jesus partiu com os seus discípulos
para as povoações de Cesareia de Filipe.
No caminho, fez-lhes esta pergunta:
«Quem dizem os homens que Eu sou?»
Eles responderam:
«Uns dizem João Baptista; outros, Elias;
e outros, um dos profetas».
Jesus então perguntou-lhes:
«E vós, quem dizeis que Eu sou?»
Pedro tomou a palavra e respondeu: «Tu és o Messias».
Ordenou-lhes então severamente
que não falassem d’Ele a ninguém.
Depois, começou a ensinar-lhes
que o Filho do homem tinha de sofrer muito,
de ser rejeitado pelos anciãos,
pelos sumos sacerdotes e pelos escribas;
de ser morto e ressuscitar três dias depois.
E Jesus dizia-lhes claramente estas coisas.
Então, Pedro tomou-O à parte e começou a contestá-l’O.
Mas Jesus, voltando-Se e olhando para os discípulos,
repreendeu Pedro, dizendo: «Vai-te, Satanás,
porque não compreendes as coisas de Deus,
mas só as dos homens».
E, chamando a multidão com os seus discípulos, disse-lhes:
«Se alguém quiser seguir-Me,
renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.
Na verdade, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á;
mas quem perder a vida, por causa de Mim e do Evangelho,
salvá-la-á».

15 setembro 2012

Pensamentos impensados


Securas
A seca que assola Portugal pode ser uma vantagem: nada pode ir por água abaixo.
 
Tauromaquia?
Conversando com uma senhora pela qual tenho a maior consideração e estima, disse-me ela que não gostava de toiradas, só das pegas; disse-lhe eu: o Pinto da Costa também.
 
Einstein
Tudo é relativo; para os portugueses, a Espanha é um país de Leste, e para os japoneses os Estados Unidos é um país oriental.
 
Testemunhas
Os oculistas são as melhores testemunhas oculares.
 
Comes e bebes
Em Lisboa, mais propriamente na Mouraria, há uma "peregrinação" que se chama a Rota das Tasquinhas".
A Rota? Será arrota?

SdB (I)

13 setembro 2012

Moleskine


Vocações.  Domingo passado, por altura da oração dos fiéis, o prior de Santo António pediu para rezarmos também pela MM que ingressaria numa ordem de freiras contemplativas. Há alguns anos, um outro filho deste meu amigo e colega de liceu ingressaria nos jesuítas. Embora não inédito, é raro numa mesma família haver duas vocações (na órbita deste estabelecimento temos um exemplo com três vocações), pelo que o tema faz-nos pensar. A grande maioria dos meus Amigos são católicos (na expressão modernamente errada, praticantes).  Todos damos valor à oração, todos vamos à missa por rotina, tradição ou gosto, todos temos respeito e amizade pelos consagrados. Nalguns casos, mesmo, admiração. No entanto, uma grande franja dos meus Amigos (os tais católicos praticantes) não gostaria de ter um filho/a consagrado. No fundo, no fundo, não prescindimos de uma missita. O que não queremos é que sejam os nossos filhos a celebrá-la...

Criatividade. Uma evolução na procura de emprego. Tenho a dizer que não conheço a Carolina. Mas desejo-lhe tudo do melhor.



Gabriela cravo e canela. Vi dois episódios da novela que passa na SIC. Penso que terei visto os dois únicos, uma vez que escrevo na 4ªfeira à hora de almoço. À luz do que sei hoje o meu olhar é crítico. Talvez os meus fiéis leitores que têm a minha idade, ou mais velhos, possam pronunciar-se. Gabriela foi a primeira novela brasileira que passou em Portugal. Corria o ano de 1977 e, cinco dias por semana, em horário nobre (bem mais cedo do que é agora) o país parava para ver a trama, a representação, a sensualidade, o sotaque. Tudo era novo para nós. Não se falava para casa de ninguém, não se atendiam telefones, não se recebia quem não seguisse a novela com o mesmo fervor. Tudo foi de tal forma marcante que a repetição, com outros actores igualmente bons, me sabe um pouco a ranço. Num tom mais ligeiro, a sensualidade da Gabriela de agora é apimentada com alguma nudez... 
Vale a pena ouvir uma das faixas da novela de 1977.



Madrid. À hora a que me lerem estarei em Madrid. Aproveitarei, entre outras coisas, para ir ao Vale dos Caídos. O pior será o calor que se faz pela capital...


(fotografia tirada da net)

JdB

12 setembro 2012

Diário de uma astróloga – [34] – 12 de Setembro de 2012


ADELE

Na semana passada, uma contribuinte deste blog publicou um comentário e um vídeo sobre a cantora ADELE. Eu compartilho da opinião dela sobre a beleza do vídeo e a qualidade da música. Porém, o seu post despertou-me a curiosidade astrológica que me levou a olhar para a carta da cantora. O seu sucesso meteórico, a auto-suficiência e segurança com se apresenta, a escolha de não pertencer ao molde da maior parte das cantoras actuais, despertavam-me curiosidade. 

Com a sua voz maravilhosa e o seu corpo redondinho, Adele parecia-me Touro. E, efectivamente, este é o seu signo solar. Adele nasceu a 5 de Maio de 1988, às 3:02 da manhã, em Londres. Touro é o signo relacionado com a voz, mais precisamente com a zona do corpo que inclui as cordas vocais. Por isso não admira que muitos cantores sejam deste signo, nomeadamente Ella Fitzgerald, que foi de grande influência no desenvolvimento artístico de Adele. O signo de Touro é também o mais sensual do zodíaco e revela-se na apreciação do próprio corpo, no gozo de se “produzir”, no prazer da comida.

O Sol em Touro de Adele é especialmente forte apresentando uma conjunção com Júpiter que amplia, não só as suas qualidades de voz, mas, também, a sua sensualidade e o seu gosto pelas coisas boas da vida. Tem também uma oposição a Plutão que faz dela uma lutadora, capaz de enfrentar desafios com a convicção de que vai ganhar. Uma quadratura a Marte acentua ainda mais a sua capacidade de afirmação. Com esta combinação de Sol, Júpiter, Plutão e Marte, poucas pessoas lhe poderão fazer frente. A completar este quadro temos o lado artístico representado pelo trígono do Sol a Neptuno, o planeta que simboliza a poesia, a inspiração, a música.

Adele revela estas características abertamente: I like having my hair and face done, but I'm not going to lose weight because someone tells me to … I love food and hate exercise. I don’t have time to work out… I make music to be a musician not to be on the cover of Playboy.

Eu defino a Adele como a rebelde conservadora: é completamente contra-corrente, o que pode ser interpretado pelo seu Ascendente em Aquário, o signo rebelde por excelência. As pessoas com o ascendente em Aquário querem ser vistas como diferentes, independentes das pressões dos outros, do público, da imprensa. Mas no caso de Adele o regente do Ascendente, Urano, encontra-se no signo de Capricórnio, o mais conservador de todos, reforçado pela presença do planeta Saturno, aquele que encarna o gosto pelo passado, pela tradição, pela qualidade. Urano - Saturno é a leitura perfeita do rebelde conservador e em Capricórnio percebe-se melhor a sua maturidade, a sua auto-disciplina, a capacidade de se centrar sobre os seus objectos artísticos

Mas o que torna Adele extremamente simpática é o seu lado genuíno, terra à terra, (não fosse Touro e Capricórnio serem signos de Terra) sem necessitar de protagonismos. Ela própria disse: I don’t really need to stand out, there’s room for everyone. O que a torna numa estrela é o seu talento e não os efeitos técnicos dos seus espectáculos, nem a extravagância da sua roupa ou os escândalos da sua vida pessoal.

Além de Saturno e Urano em Capricórnio, Adele também tem Neptuno nesse signo. Isto quer dizer que pertence ao princípio da geração que foi designada pela geração Indigo. Esta geração, marcada pelo conjunção de dois planetas lentos – Urano e Neptuno, que se encontram todos os 172 anos e durou de 1988 a 1999, será objecto de um outro post. Nem todas as pessoas nascidas nestes 11 anos são Indigo, mas aquelas que têm planetas pessoais em aspecto com estes planetas lentos chamam a si as características desta época de uma forma mais marcante. É o caso de Adele, que tem a Lua conjunta a Urano, Saturno e Neptuno. A Lua simboliza a sua Mãe, e Adele teve a sorte de ter uma mãe que percebeu que tinha uma filha inteligente, cheia de talento e criatividade, mas que respondia mal à autoridade e à escola tradicional e, por isso, inscreveu-a na BRIT – School for Performing Arts and Technology. Ter entrado nesta escola foi fundamental para o seu destino porque foi um projecto escolástico posto no MySpace que a lançou …  and all else is history

O outro símbolo do feminino (e da Arte), Vénus, está na carta de Adele em aspecto com a Lua. Ela já provou que é artista e brevemente vai ser Mãe, integrando assim mais este elemento no seu destino. Tenho a certeza de que conduzirá esta parte da sua vida com a mesma convicção e segurança com que canta.

Luiza Azancot

11 setembro 2012

Músicas dos dias que correm

Que interpretação preferem os leitores do Adeus? Eu prefiro, mil vezes mais, a segunda. Confesso que acho a primeira excessivamente sentimental e mesmo deprimente. Ao invés, a segunda é luminosa, forte, cheia de garra, em perfeita sintonia com o espírito doce e positivo do país irmão. 

Enjoy/desfrutem.

pcp



10 setembro 2012

Vai um gin do Peter’s?


Desde meio de Julho que o Metro estendeu a sua rede ao aeroporto de Lisboa, oferecendo uma alternativa de acesso muito confortável e rápida para os viajantes. 

Na nova estação sobressaem os cartoons de António a evocar figuras públicas da portugalidade, nos dois últimos séculos, aplicadas sobre o revestimento de azulejo branco, que faz o efeito de tela. Nem todas são notáveis. E nem todas são, sequer, especialmente conhecidas, até mesmo pelas más razões. De facto, a escolha é discutível! 

Ainda assim, num desfile histórico com uma selecção algo redutora, aparecem inúmeras personalidades maiores, como: Pessoa, Almada, Sophia, Mª Helena Vieira da Silva, o benfeitor da cultura nacional –Gulbenkian, Mª João Pires, O’Neill, Amadeo de Souza-Cardoso, Eça, Bordalo, Nemésio, Pomar, Duarte Pacheco, Amália, Carlos Paredes, Egas Moniz, Cesariny, Sacadura Cabral e Gago Coutinho, Vergílio Ferreira, Villaret e até Sá Carneiro, entre outros que merecem destaque. 

A par das celebridades, também surgem nomes menos compreensíveis, neste contexto, como: Stuart Carvalhais (da B.D.), os arquitectos Cassiano Branco e Pardal Monteiro, António Sérgio (pensador e político), Solnado ou os quatros fundadores dos maiores partidos da III República, parecendo querer garantir palco às forças políticas com maior assento na Assembleia. Não há dúvida de que os políticos têm tendência para se levar muito a sério… 

Sente-se a falta de: Camilo, Mouzinho de Albuquerque, Manoel de Oliveira, Siza Vieira, Fontes Pereira de Melo, a célebre Ferreirinha (Antónia Ferreira – empresária talentosíssima do século XIX), Régio, Agustina, Alfredo Keil, o Pe. Américo, Rosa Mota e António Champalimaud, entre outros. 

Embora o traço nem sempre seja feliz, resultando em imagens histriónicas e pouco buriladas, não lhes falta expressividade nem semelhança com a figura representada. Quase todas já morreram, salvo um par de excepções, como a grande pianista, a pantera negra do futebol, Júlio Pomar, Soares ou Freitas do Amaral.  

Aqui vai uma visita antecipada à nova estação: 




Apetece aterrar em Lisboa…

Maria Zarco
(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)

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