19 maio 2013

Solenidade de Pentecostes

Hoje é Domingo, e eu não esqueço a minha condição de católico.
Pelas leituras de hoje perpassa a existência do Espírito Santo; nos Actos dos Apóstolos conta-se o milagre das línguas; S. Paulo fala da diversidade; S. João relata o sopro. É Domingo de Pentecostes, o contrário da Torre de Babel, porque hoje é o dia em que a linguagem se tornou uma.
Celebramos hoje também a Festa dos Povos, e em vários sítios se lembram os inúmeros imigrantes que vieram para cá trabalhar, que contribuíram para o enriquecimento de um Portugal, terra de Nossa Senhora, que teima em subsistir. 
Somos um país cosmopolita. Fomos exílio de reis, local de procura de melhores condições de vida, terra aprazível que se visita em turismo. Por esta altura, as ruas da nossa zona são o lugar geométrico de línguas diversas, ponto de encontro de turistas e imigrados. Um olhar distraído não verá mais do que uma profusão de idiomas que se entendem apenas na geografia comum que procuraram. Um olhar mais atento verá que a linguagem é diversa, mesmo entre gente que se crê herdeira das mesmas palavras e da mesma construção frásica. 
Todos conseguimos ser estrangeiros uns dos outros - nos empregos, dentro de casa, na convivência com os nossos mais próximos. Todos usamos palavras inadequadas, que os outros não entendem. E esses outros fazem o mesmo connosco, tenham nascido nos Urais ou neste rosto com que a europa fita o mundo. A linguagem que usamos é própria dos tempos, imprópria da santidade. Assenta num código de egoísmo, orgulho, rancor, indiferença, cegueira de alma. É uma linguagem que existe desde sempre, mas que não tende para a eternidade.  
Que haja, no coração de todos, a utopia cristã do Império do Espírito Santo, pois só ele torna possível a fraternidade universal, só ele transforma a babel na linguagem única do Amor.   

Bom Domingo para todos.

JdB



Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana,
estando fechadas as portas da casa
onde os discípulos se encontravam,
com medo dos judeus,
veio Jesus, colocou Se no meio deles e disse lhes:
«A paz esteja convosco».
Dito isto, mostrou lhes as mãos e o lado.
Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.
Jesus disse lhes de novo:
«A paz esteja convosco.
Assim como o Pai Me enviou,
também Eu vos envio a vós».
Dito isto, soprou sobre eles e disse lhes:
«Recebei o Espírito Santo:
àqueles a quem perdoardes os pecados ser lhes ão perdoados;
e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».

18 maio 2013

Pensamentos (não) impensados


Não há nada mais deprimente do que os noticiários de televisão.
Abrem normalmente com más notícias e só falam de cortes, impostos, descontos, retroactivos e outras más notícias.
Depois, às vezes aparece um sujeito com umas olheiras até aos pés, que fala com a velocidade de um carro de bois e debita umas ideias que só os iluminados compreendem.
A seguir vem "a bola", sendo visita assídua um tipo guedelhudo que fala um português do Bairro da Mouraria; parece que é muito entendido em futebol, pelo que deveria ficar-se por aí, e entre os seus iguais. A mim, nunca me passaria pela cabeça falar de "bola" pois não sei nada.
Ainda no campo do desporto-rei também aparece com uma certa frequência um fulano com a barba por fazer e com uma cara que parece que toda a gente lhe deve dinheiro e ninguém lhe paga.
Tenta falar castelhano e fá-lo com uma pronúncia de fazer inveja aos portugueses que frequentam Badajoz. Como fala rápido penso que é isso que se chama despacho de pronúncia
E assim, para levantar o moral dos portugueses, são os nossos noticiários.
Não haverá nenhuma empresa que queira patrocinar um canal de televisão só com boas notícias?

SdB (I)

Pensamentos impensados


Pulos
Os tripulantes saltam mais do que os bi-polares?

Oração à Troika
Tenho FÉ, tem CARIDADE
Só assim posso ter ESPERANÇA
De poder haver bonança
Logo após a tempestade. 


Baixas e rebaixas
Saldos, promoções e descontos podem ser uma trêta; o Benfica foi aos descontos e lixou-se.

O poder duma letra
Cinotécnico - Homem que em Portugal prepara cães para trabalhar.
Sinotécnico - Homem que na China prepara cães para serem comidos.

Princípios
Princípio de Lavoisier - Nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.
Princípio de Gaspar - Nada se cria, tudo se perde, tudo se transforma em impostos.

Piadas
Sabes a última?
A última, sei-a.


SdB (I)

16 maio 2013

Deixa-me rir...


Caros Audiophiles, last week I went to see a band from Duluth Minnesota called Low. Although they have been in existence for 20 years, their music has simply not been on my radar. I took a chance after being intrigued recently by one song, whIch one I don't even recall.

Before the concert, behind the stage there are two screens that project giant digital countdowns which suggest an explosive opening.

But Low, in name and in musical style, turn out to be intimate low-key minimalists. Just three musicians, a guitar with small amplifiers, a tiny drum kit, a keyboard and a bass guitar.

There is a reverential hush as they unassumingly walk onto the stage. Barely acknowledging the audience, Alan Sparhawk begins gently to caress his guitar, while his wife Mimi Parker pads her drums, often with brushes, and Steve Garrington adds dolorous piano chords and bass guitar, the tempo slow but rhythmic and library-quiet. Delicate and precise.

Complimenting this meditative soundscape, the two screens begin to project archive film and pictures 
of majestic landscapes, mountains and forests, of urban architecture and slow-moving transportation. Atmospheric and hypnotic.

Sparhawk provides most of the lead vocals, but my favourite moments are the songs sung by Mimi Parker. Her voice is so tremulous and breathtakingly beautiful that you want to savour every phrase.

Then sometimes, unexpectedly, there are more dramatic moments, when the guitar suddenly screeches with feedback and effects in unison with a buzzing bass guitar. As Sparhawk tells the audience near the end, he can “hear the moon turn to blood”.

Low are promoting their new album The Invisible Way. As Alan Sparhawk explained in an interview: 
"The songs are about intimacy, the drug war, the class war, plain old war war, archaeology and love. This time we've used piano, lots of piano...and an acoustic guitar. We've made many records, and you know ourmodus operandi.: slow, quiet, sometimes melancholy, and, we hope, sometimes pretty...  Please enjoy what we made. We think it’s beautiful.” 

It was indeed beautiful. Time seemed to stand still. I was mesmerised, enchanted. It was an intoxicating, almost transcendent evening. Low are a revelation.




And the love we all need
Was running hard to be free
It got caught up in the forest
By the branches on the trees

By the creatures of the daylight
And the beasts of the night
Then the mountains and the rivers
Took their toll on its lean

It went stumbling down a hillside
Where it landed on its knees
On its knees, on its knees
On its knees – End scene

And the love we all need
Once relented from its speed
We adored it and abused it
Til it brought us to our knees
To our knees, to our knees
To our knees






A proxima.

PO

14 maio 2013

Duas últimas


Anteontem, dia 12 à noite, a minha mulher e eu estivemos em Fátima, nas cerimónias religiosas evocativas da 1ª aparição de Nossa Senhora aos três pastorinhos, ocorrida em 1917. Tenho sempre a intenção de ir a Fátima nesta altura do ano, e de carro, o que não é propriamente muito difícil. Porém, várias vezes esse bom propósito tem esbarrado em questões e preocupações mundanas e prosaicas que me fazem desviar do caminho certo, o que felizmente não sucedeu este ano. Como já sabia, em boa hora voltei.

Refere o Pe. Tolentino de Mendonça no artigo publicado ontem neste blogue, que “à medida que o tempo passa, acredito mais no Segredo de Fátima”. E a MAF no artigo de Domingo, escreve em relação aos peregrinos: “olho-os com respeito e com amor. Sei que por detrás de cada quilómetro, por baixo de cada chaga, existiu um milagre na vida dessa pessoa”. Concordo e subscrevo na íntegra as duas opiniões. Acrescento que não se vai a Fátima sem emoção, não se está em Fátima sem um estremeção e não se sai de Fátima sem paz e ânimo redobrados. E os exemplos de tantas pessoas anónimas, as mais das vezes disponíveis e alegres, que nos entram persistentemente pelos olhos dentro só nos podem interpelar a melhorar.    

Enquanto observava o que me rodeava e me sentia contente e reconfortado por ali estar, sem notar o frio ou um ou outro encontrão mais brusco, não pude deixar de reflectir sobre Portugal e a Europa. Parafraseando um amigo meu: “desligámo-nos do transcendente, daquilo que nos uniu, e justifica a comunidade. A comunidade para além do interesse imediato, instintivo, de sobreviver como espécie ou indivíduo. Se for apenas isso, só isso, é curto”. Espero que Fátima se mantenha como uma reacção e uma resposta a este rumo suicidário e ruinoso, mostrando o que vale verdadeiramente a pena para lá de coisas óptimas, mas caducas, como o dinheiro, o poder ou o meu bem-estar.   

Deixo-vos com duas Ave Marias de que espero que gostem.

fq




13 maio 2013

13 de Maio de 2013

Foto tirada daqui 

O Segredo de Fátima


À medida que o tempo passa, acredito mais no Segredo de Fátima. Nesse Segredo que desassossega, que nos arranca de casa, dos livros, da cidade e nos lança, anualmente, para a imensidão das estradas. Eu acredito num «não sei quê» que esse Segredo derrama em nós: uma porção de confiança, de abandono e de aventura. Uma vontade de tornar a vida mais que tudo verdadeira. De tornar generosos os projetos e fecundos os laços que nos ligam aos outros. De tornar absoluta a nossa sempre frágil Esperança. 

À medida que o tempo passa, vou conhecendo pessoas cujo tesouro interior foi descoberto, ampliado nos caminhos de Fátima. Pessoas que contam histórias simples, misturadas com sorrisos e lágrimas. Histórias de um Encontro tão parecido ao que teve uma rapariga da Judeia, de nome Maria.

Que têm os peregrinos de Fátima? Têm o vento por asas e a lonjura por canto. Têm a conversão por caminho e a prece ardente por mapa. São filhos de uma promessa que se cumpre dentro da vida.

Gosto dessa frase de Vitorino Nemésio que diz: “em Fátima, a Humanidade inteira passou a valer mais”. Gosto, porque nos caminhos longos, imprevistos e profundos de uma peregrinação, isso nos é ensinado como uma evidência humilde e apaixonante.

José Tolentino Mendonça

13.05.2009

Fórmula para o caos


O futebol não é um caso de vida ou de morte...é muito mais importante do que isso!

O inicio de noite de Sábado, por volta das 22:15, foi um dos piores da história recente do Benfica. Talvez tenha sido mesmo o pior da sua história desportiva. Obviamente que não foi a primeira vez que perdeu o campeonato a pouco tempo do fim da competição. Porém, infelizmente, para os lados da Luz já não se ganham títulos com a frequência a que o clube se habituou nos anos 60, 70 e 80. Nos tempos que correm, a vitória ou perda de um campeonato nacional é um acontecimento marcante e não um evento pontual.

 Não vale a pena fugir da realidade. Vai ser muito difícil recuperar animicamente a equipa para o jogo de Quarta-feira com o Chelsea. Mesmo tratando-se de uma final europeia, sempre esteve presente que o campeonato era a prioridade.

Visto que este blog é propriedade de um sportinguista moderado, daqueles que não acorda nem adormece a pensar no Benfica, deixo aqui um texto que encontrei via Facebook.


Pedro Castelo Branco


Hoje atingimos a pior classificação de sempre na nossa história. Para além de termos ficado fora das competições europeias, conseguimos a proeza de não figurar, sequer, entre os sete primeiros lugares da tabela classificativa a uma escassa jornada do final deste campeonato.

No entanto, mais do que carpir as mágoas e pensar no futuro, os sportinguistas parecem preocupar-se essencialmente com o facto do Benfica aparentar ter perdido tudo na recta final do campeonato. E a situação torna-se mais caricaturesca quando temos a percepção que o percurso do Benfica, por terras lusas e estrangeiras, foi marcado por inúmeras vitórias e presenças em finais. Ou seja, o Benfica não tem razões para ser enxovalhado: fez uma época absolutamente excepcional.

Pelo contrário, nós fizemos a pior época de sempre. Se o Benfica tem razões para se sentir envergonhado, então no nosso caso não há outra solução senão efectuarmos um lento hara-kiri com uma espada de madeira. Não temos absolutamente nenhuma moral para apontar o dedo e gozar como um menino traquinas da primária.

É verdade que o Benfica é o clube mais arrogante de Portugal. É verdade que, na zona de Lisboa, o ar torna-se mais irrespirável a cada vitória benfiquista. O asfalto cede e cada passo representa um esforço hercúleo directamente proporcional à quantidade de benfiquistas que nos rodeiam dada a quantidade de soberba presente na verborreia que proferem.

Porém, os sportinguistas do Porto sentem exactamente o mesmo. E mais: têm razões para este sentimento que vão muito para além de uma rivalidade histórica. Têm razões actuais, justificadas pela razão e pela realidade. O Porto, nas últimas décadas, foi o verdadeiro rival do Sporting, roubando-nos inúmeros jogadores e títulos. O Porto, no pior período da nossa história - o actual - agiu como um abutre, vindo comer a carcaça gasta do leão para encontrar no interior do nosso estômago jogadores como Moutinho e Izmailov. O Porto contratou um avançado sem joelhos apenas para nos atingir onde mais dói: no orgulho e história.

Para além disso, o Porto tem sido um exemplo de incorrecção futebolística. Os casos são vários e documentados no maior arquivo de vídeos da humanidade. Qualquer pessoa pode aceder e ver por si a narrativa abjecta dos últimos 20 anos,  que muito nos prejudicou e contribuiu para o actual estado de coisas.

Nesta senda do anti-benfiquismo acéfalo, quero também relembrar uma coisa: o único clube que ficaria verdadeiramente a ganhar com o desaparecimento do Sporting é o Porto. O futebol tornar-se-ia bipolarizado e seria uma guerra entre Norte e Sul, como Pinto da Costa tentou sempre que fosse. E mais: os adeptos do Sporting, rejeitando o vermelho, iriam sempre torcer pelo Porto. Talvez até os filhos fossem portistas e, com isto, aumentassem o número de adeptos.

Posto isto, hoje senti vergonha de vários adeptos serem do mesmo clube que eu. Senti vergonha de festejarem a vitória do clube que, nos últimos trinta anos, mais mal nos fez. Senti vergonha de não sentirem vergonha pelo afastamento da Europa, que levou a terem a capacidade de enxovalhar o Benfica numa época como esta, dando-lhe uma importância que não tem (ou que não deveria ter).

Se queremos ser grandes, temos que pensar como grandes. E hoje pensámos como adeptos de um clube pequeno, satélite do Norte, festejando o campeonato de um rival em detrimento de outro.

O anti-benfiquismo, hoje, tornou-se mais importante que o Sporting. Um dia que nunca mais irei esquecer e dos mais negros da nossa história recente. "


Fonte: http://www.forumscp.com/index.php?topic=53080.0

12 maio 2013

Domingo …… Se Fores à Missa!



O meu pensamento de hoje vai para todos os peregrinos que, neste dia, caminham em direcção a Fátima.  São às centenas.  Vêm de todos os cantos do país.

Movem-se com um único propósito: chegar ao Santuário onde finalmente poderão depositar, nas mãos de Nossa Senhora,  as suas preocupações, os seus anseios, as suas angústias e as suas alegrias.

Movem-se, unidos entre si, ligados por um elo de ligação comum: a FÉ.

Às vezes imagino que situações dramáticas devem ter sofrido essas pessoas, ao ponto de fazerem promessas que incluem andar de joelhos até sangrar, ou andar com os filhos ao colo, até à exaustão ! Não encontrando, eu, nenhuma razão racional que leve um individuo a flagelar-se dessa maneira,  chego à conclusão que essas pessoas, na sua humildade e na sua cultura, são abençoados por uma fé imensa que os leva mais além;  ‘é uma questão cultural’, dirão alguns. Seja!  Até pode ser cultural, mas não deixa de surpreender muitos de nós, que proclamamos ser crentes na fé cristã.

Há alguns anos, eu olhava esses peregrinos com algum desdém, confesso! Pensava: ‘como é possível, as pessoas humilharem-se assim tanto’!  Hoje em dia, olho-os com respeito e com amor. Sei que por detrás de cada quilómetro, por baixo de cada chaga, existiu um milagre na vida dessa pessoa.

Domingo, Se Fores à Missa ……..  Acredita!

MAF

EVANGELHO Lc 24, 46-53
«Enquanto os abençoava, foi elevado ao Céu»

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
«Está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém.
Vós sois testemunhas disso.
Eu vos enviarei Aquele que foi prometido por meu Pai. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos com a força do alto».
Depois Jesus levou os discípulos até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os.
Enquanto os abençoava, afastou-Se deles e foi elevado ao Céu.
Eles prostraram-se diante de Jesus, e depois voltaram para Jerusalém com grande alegria. E estavam continuamente no templo, bendizendo a Deus.

Palavra da salvação.

11 maio 2013

Pensamentos impensados


Publicidade
Gosto daquele anúncio em que uma velhota diz eu conto com a continência.
 
Asilo de 3ª idade
Diz uma enfermeira para a outra: eu conto com a incontinência.
 
Bola
Os 3 grandes do futebol português são o Porto, o Benfica e os outros.
 
Justiça
Isaltino Morais tem muitos recursos mas continua preso.
 
(des) Fiat lux
Os que decidem fazer apagões consideram-se iluminados.
 
Big foot
Calçava 45; era homem com P grande.

SdB (I)

09 maio 2013

Contemplação e ação ontem e hoje


Há cada vez mais pessoas que não estão satisfeitas com o mundo em que vivemos. Raras são, porém, aquelas que fazem alguma coisa para o transformar. Destas, umas procuram torná-lo melhor por meio do seu esforço, individual ou coletivo; outras acham que os defeitos do mundo não estão no próprio mundo, mas no olhar de quem nele vive; por isso procuram transformar-se a si próprias e mudar o olhar com que o veem. As primeiras são partidárias da ação; as segundas confiam nos efeitos da contemplação. Ambas as atitudes são universais. Encontram-se em todas as sociedades civilizadas. Determinam os grandes princípios fundamentais das grandes religiões. O Oriente cultivou mais a contemplação; o Ocidente, sobretudo depois do século XIII, desenvolveu mais a ação. A relação do homem com o mundo deu lugar na opções diferentes. Os programas de intervenção ou de não-intervenção diversificaram-se e evoluíram. Há, portanto, uma história da ação e da contemplação. No Ocidente essa história confunde-se com a história da Igreja, e mais precisamente, com a história das ordens religiosas, ou seja com a história do seu sucesso ou insucesso na tarefa de mudar o mundo para melhor, isto é, para resolver os problemas decorrentes da vida do homem em sociedade. 

A minha tese, se assim lhe posso chamar, é que não basta a ação; é preciso também a contemplação. Talvez mais ainda: sem ela de nada vale a ação. Creio que a História da Humanidade mostra isso mesmo. Não a História factológica, superficial, externa, mas a História da realização das potencialidades do género humano. Ou a História da Humanidade em busca da sua plenitude. Ou a história da revelação de Deus presente na realidade concreta do mundo. 

(…) 

Com efeito, a contemplação mostra-nos a fantástica variedade, complexidade e coerência dos fenómenos da vida, da constituição da matéria, e da prodigiosa dimensão e regularidade do mundo cósmico. A contemplação intensifica a fruição da arte na música, na pintura, na poesia, no teatro e no cinema. A contemplação torna-nos sensíveis ao riso e à frescura das crianças e de tudo o que começa de novo. A contemplação faz-nos descobrir em toda a parte homens e mulheres inesperadamente inventivos, generosos e honestos. A contemplação inspira-nos o respeito e a admiração por quem é capaz de manter a dignidade face ao sadismo dos torcionários nas prisões e campos de concentração. A contemplação abre os nossos ouvidos ao clamor dos famintos e dos oprimidos em todo o mundo e em toda a História, e faz-nos partilhar com eles a compaixão pela humanidade ferida. A contemplação introduz-nos no mistério do sofrimento que se torna passagem para a ressurreição através da morte aceite e vencida, e mostra-o em Jesus Cristo, Filho de Deus, sinal da invencibilidade da vida. A contemplação associa como num único sujeito todos os homens e mulheres que desde o princípio do mundo perscrutaram o mistério do Uno e do Todo. Assim, o homem contemplativo perde o medo do futuro. Vive no presente e descobre, a cada passo, nas coisas grandes e pequenas, nas coisas boas e más, na doença e na saúde, na prosperidade e na pobreza, na paz e na guerra, a espantosa realidade das coisas. 

Mas a contemplação é um exercício exigente. Requer a concentração, o despojamento e a solidão. Exige de quem a busca o descentramento de si mesmo. Por isso não é só um exercício de lucidez; é também uma forma de vida. Por isso há ordens religiosas que se lhe consagram inteiramente. A antiga polémica entre ordens ativas e ordens contemplativas não tem sentido. O olhar abrangente e lúcido sobre o mundo diz-nos que a ação e a contemplação não devem ser exclusivas, e que é inútil estabelecer regras acerca do grau de consagração a uma ou outra. Enquanto houver seres humanos que a ela se entregam, de alma e coração, podemos olhar sem medo para o futuro. 

José Mattoso

Historiador 
Congresso Ordens e Congregações Religiosas em Portugal (Lisboa, 2-4-11-2010) 

Post todo oferecido pelo homem de Azeitão





08 maio 2013

Diário de uma astróloga – [51] – 8 de Maio de 2013


As crianças Touro

Estou a passar alguns dias com três dos meus netos.  Os  gémeos nasceram a 27 de Abril e têm o Sol no signo de Touro. O irmão mais velho nasceu no final de Outubro sob uma lua cheia e, consequentemente, tem a Lua em Touro. Actualmente estão 4 planetas nesse signo e, assim, vem mesmo a propósito reflectir sobre crianças taurinas…

A Lua rege o instinto e, por isso, é o primeiro planeta a manifestar-se nos recém-nascidos. As crianças com a Lua em Touro mostram imediatamente a principal necessidade desse signo, SEGURANÇA. Não é de estranhar que o neto que tem a Lua em Touro tenha exteriorizado esta necessidade chorando quando era despido. Sentia a roupa como estrato protector. A solução foi fácil: despi-lo sob um cobertor, e assim evitar o trauma do bebé. Funcionou bem e, pouco tempo depois, já se despia sem qualquer problema. Mas continuou a mostrar a sua Lua em Touro através de outra faceta do signo - o extremo apego às suas coisas. 

Na astrologia podemos considerar uma alternância entre signos centrífugos e signos centrípetos, os que distribuem e os que concentram energia. O Touro é o primeiro signo centrípeto e, por ser fixo, é o que demonstra maior POSSESSIVIDADE e mais dificuldade em deitar fora seja o que for, mesmo umas sapatilhas rotas que já não lhe servem, como no caso do meu neto. Ver as sapatilhas irem para o lixo é para a sua Lua em Touro como o furto do prazer que elas lhe deram durante as muitas horas em que jogou à bola.

O Sol representa a parte mais consciente da personalidade que só se desenvolve quando as crianças começam a dialogar com o seu ego através de escolhas próprias. Uma das primeiras escolhas das crianças é relativa ao cobertor / brinquedo que precisam para dormir. Outra característica do Touro é a de apreciarem CONFORTO que, a nível físico, se traduz em gostarem de coisas fofas que possam tocar e, a nível emocional, que possam agarrar e segurar. O Linus dos Peanuts com o famoso “security blanket”  é um tourinho com certeza.



O Touro, signo fixo e de terra, não gosta de mudanças, e por isso mesmo aprecia a FAMILIARIDADE. Os meus gémeos evidentemente que gostam de brinquedos, jogos e livros novos, mas também gostam também de voltar aos que já conhecem, pois são os que lhes dão um sentido de constância e permanência e satisfazem a necessidade de estabilidade.

No mundo infantil SEGURANÇA + POSSESSIVIDADE + CONFORTO +FAMILIARIDADE = ANIMAIS DE PELUCHE.  Toda a gente tem Touro no seu tema e, por isso, todas as crianças sentem estas necessidades num grau maior ou menor, consoante os planetas nesse signo. Na casa onde me encontro, o Touro está muito bem representado, tanto a nível infantil como entre os adultos: duas crianças com Sol e Mercúrio, outra criança com Lua, o pai com Sol e Vénus e a mãe com Marte em Touro na casa 2. 

Aos olhos racionais da avó, o mundo animal de peluche ameaça por vezes assumir o controlo da casa.  


Mas verdade seja dita:  estes miúdos são  equilibrados, muito felizes, nada piegas, são desportivos, despachados e independentes. A conclusão que tiro é que, se uma necessidade central da personalidade de uma criança é satisfeita, essa criança torna-se confiante e enfrenta as dificuldades da escola, dos amigos, da vida, com a firmeza dada pela base sólida dos primeiros anos de vida. 

Ao Tourinho (a) na sua vida ofereça peluches!

Luiza Azancot

07 maio 2013

Duas últimas

Sempre tive uma relação incerta com a ópera. Gostava das árias mais bonitas - e seguramente as mais conhecidas - mas, fora isso, maçava-me um pouco. Nunca me ocorreu ouvir um CD nem passar duas horas à frente da televisão a ver o que quer que fosse. Quis o acaso que fosse duas vezes à ópera no espaço de três semanas. Desafiado por uns amigos que tinham um bilhete a mais num camarote em S. Carlos, fui ver O Trovador e o Rigoletto. 

Sempre que me perguntam se gostei, respondo da mesma forma: acima de tudo gostei de ter gostado. Acima de tudo gostei de ter estado duas horas e pouco em cada espectáculo com um ar interessado e nada maçado. Em bom rigor, dei por muito bem empregue o dinheiro que gastei, além de que a companhia e o camarote também ajudavam ao programa. Do Rigoletto gostei tanto que, no dia seguinte à estreia a que assisti, em S. Carlos, sentei-me à frente da televisão para me deliciar com quase 1 hora do mesmo Rigoletto.

Uma das minhas colegas da pós-graduação, que trabalha na cenografia, havia referido o carácter algo ousado (sensual/erótico) da encenação do Rigoletto, pelo que fiquei curioso. Confesso que achei, desse ponto de vista, bastante inócuo. Sobretudo quando comparado com a encenação a que assisti no dia seguinte na televisão (canal Mezzo): no primeiro acto aparecem duas ou três senhoras com os peitos desnudos...

Deixo-vos com ópera, com estilos diferentes: a melancolia imensamente bonita do prelúdio de Tristão e Isolda, de Wagner; uma ária de Gianni Schicchi, de Puccini, ária de que gosto muito.  Por último, duas árias do Rigoletto, de Verdi.

JdB
   





06 maio 2013

Vai um gin do Peter’s?


Se há edifício em Lisboa que vale uma visita é a Fundação Champalimaud(1). Concebido pelo arquitecto indiano Charles Correa, desenvolve-se por um extenso terreno, entre dois edifícios de formas circulares, ligados por pontes aéreas, vidradas, cheias de luz. As aberturas para o mar e os espaços jardinados pontuam aqueles complexos de tom claro, criando uma atmosfera suave e pacificante.



A localização privilegiada, a bordejar o Tejo junto à Torre de Belém, evoca a primeira epopeia portuguesa, protagonizada pelos marinheiros que se lançaram na descoberta dos mares desconhecidos. Hoje, encontra paralelo na busca das ciências biomédicas – uma viagem igualmente épica ao Desconhecido, e da maior relevância para a Humanidade.

No laboratório da Fundação trabalham investigadores das quatro partidas do mundo para contribuir para o avanço dos tratamentos do cancro, da oftalmologia e de outras especialidades clínicas. A língua de trabalho é, obviamente, o inglês, porque naquele recanto de Lisboa reúne-se um bocadinho do mundo. O sucesso dos estudos ali realizados tem-lhe valido prémios internacionais. Uma das áreas de ponta é, precisamente, a sessão única para debelar as células cancerígenas, a substituir as prolongadas (e agressivas) sessões de quimio e de radioterapia, e reduzindo substancialmente os efeitos secundários. 

Além da actividade biomédica, a Fundação tem patrocinado iniciativas de interesse público, como a difusão da ciência entre os mais novos, materializada pelo TIR que, há uns anos, percorreu o país, com um laboratório ambulante a bordo para incutir nos estudantes a paixão pela investigação científica, equiparável à mais empolgante azáfama detective.

Diferentemente do que é costume entre nós, a concretização do sonho de Champalimaud foi rapidíssima. Poucos anos mediaram entre a morte do fundador que dá o nome à Fundação (2004), e a inauguração do Centro, a 5 de Outubro de 2010. A vontade férrea da Presidente, Leonor Beleza, e o reconhecimento do mérito deste empreendimento, favoreceu o passo acelerado dos trabalhos, que se pautou por uma qualidade e eficiência na construção, difíceis de igualar.



Além da notável harmonia e beleza do conjunto, há peças dignas de nota, como a janela oval do auditório, gigantesca, a lembrar a das cabines das embarcações. Pelas dimensões do vidro e pelas suas características tão peculiares, teve de ser feito por medida, no Japão, e montado por uma equipa de especialistas, sendo exibido como a jóia da coroa, em termos arquitectónicos.



Contíguo ao centro de investigação no edifício, a Nascente, está o simpático Darwin’s Café, com uma vista soberba sobre o rio.    

Apenas uma breve referência ao mecenas desta obra portentosa, guardada no segredo dos deuses até à sua morte, como só ele o saberia fazer: António de Sommer Champalimaud (1918-2004). Empresário de sucesso e enorme visão estratégica, levou uma existência envolta em polémicas e reviravoltas radicais. A intensidade dos 86 anos que lhe couberam em sorte, pareceram equivaler a várias vidas... Aos 19 anos, lançou-se nos cimentos, construindo um império sob o proteccionismo industrial que vigorou durante o regime de Salazar. Ao cimento seguiu-se a indústria do aço, o mundo financeiro e as explorações em Angola e Moçambique. De vento em popa, dir-se-ia que nada o poderia deter. No epicentro das famosas contendas relacionadas com a herança Sommer, viu-se obrigado a longas temporadas fora (fugindo à justiça). Com a Revolução de 1974, foi expropriado do seu vasto empório e voltou a fugir.

Implantando-se no Brasil, relançou a sua fortuna, alargando os negócios à agricultura. No início dos anos 90, regressou a Portugal e recuperou parte do que lhe pertencera, nomeadamente na banca. Individualista, acutilante, aguerrido como poucos e conflituoso era um homem solitário.



Já com idade avançada, decidiu doar um terço da sua fortuna em favor de uma Fundação que pudesse acudir aos invisuais (como ele próprio, no último quartel da vida) e curar outros problemas de saúde crónicos. Para o efeito, o valioso recheio do seu palacete na Lapa foi leiloado pela Christie’s, em Julho de 2005. Na altura, editou-se um livro com as principais peças das 170 que constituíam a sua colecção privada. Entre elas encontrava-se o maior Canaletto pintado na vertical pelo artista italiano, com uma das célebres vistas de Veneza. 



Com humor, Champalimaud observava de si próprio que tinha tido tempo para tudo, até mesmo para se portar mal, pois bastavam-lhe um par de horas de sono para ficar fresco e pronto a funcionar. Quando partiu, era o homem mais rico de Portugal e detinha a 153ª fortuna a nível mundial.

Aqui vai a visita virtual à fantástica Fundação doada a Portugal, a antecipar a visita real, quando houver oportunidade:



Maria Zarco
(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)
_____________
(1) Site do Centro: http://www.fchampalimaud.org/newsroom/detail/centro-de-investigacaeo/

05 maio 2013

6º Domingo do Tempo Pascal

Hoje é Domingo, e eu não esqueço a minha condição de católico

Como será, para um adulto, a experiência de um processo de conversão - ou apenas de aproximação à Igreja? Imaginemos o seguinte: tenho 50 anos, uma fé existente mas adormecida, uma ausência completa de vida religiosa, porque foi assim que fui educado. Imaginemos ainda que, por um motivo qualquer, decido aproximar-me da Igreja Católica - ensinamentos, doutrina, história, rituais, bíblia. A decisão é pensada, amadurecida, não é fruto de uma experiência limite, da proximidade com o sofrimento próprio ou alheio, da visão da morte, de uma experiência mística, de uma necessidade imperiosa de encontrar um sentido para a vida. Há uma serenidade na decisão.

Saio do exemplo e olho para o meu percurso, igual ao da esmagadora maioria do meu círculo de amigos. Provavelmente as etapas seriam mais ou menos estas: educação, prática obrigada, discernimento. Segue-se então o abandono ou o aprofundamento, ou ainda a coexistência pacífica e mais ou menos superficial. Nalguns casos, ficar ou sair é a consequência de um episódio marcante que nos força a uma decisão interior. Muitos de nós passaram anos infindos a ouvir as escrituras, a prestar atenção às interpretações, a frequentar retiros ou grupos dentro da igreja, a ler e a pensar sobre as coisas, a educar os filhos na fé. Muitos de nós discerniram o que era o Amor de Deus, tantas e tantas vezes fruto de acasos da vida; muitos de nós zangaram-se com a igreja, saíram discordantes das regras, das práticas, dos exemplos. Houve um caminho feito de um misto de sensações, de emoções, de raciocínios. 

Chegar à igreja na fase adulta é mais difícil? De todo, a história está cheia de exemplos e não há, em mim, um grão de dúvida sobre a possibilidade desse acontecimento, até porque duvidar disso seria um forte atentado ao meu senso mais comum. A mim move-me a curiosidade sobre o processo, não a eficácia do processo. Penso na infinita compaixão de Deus, no poder da oração (e na frase de Kirkgaard que apanhei quando escrevo este texto: a oração não muda Deus, mas muda quem reza), na parábola do filho pródigo ou no episódio do bom ladrão, na intercessão de Nossa Senhora, no amor a uma igreja humana e falível. Tudo isto são emoções ou são decisões? Ou a pergunta é disparatada?

Bom Domingo para todos, em particular para aqueles que um dia quiserem fazer este caminho, porque o caminho é bom.             

JdB

***

EVANGELHO – Jo 14,23-29

Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará;
Nós viremos a ele
e faremos nele a nossa morada.
Quem Me não ama não guarda a minha palavra. Ora a palavra que ouvis não é minha,
mas do Pai que Me enviou.
Disse-vos estas coisas, estando ainda convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo,
que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas
e vos recordará tudo o que Eu vos disse. Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo.
Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. Ouvistes o que Eu vos disse:
Vou partir, mas voltarei para junto de vós.
Se Me amásseis,
ficaríeis contentes por Eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que Eu.
Disse-vo-lo agora, antes de acontecer,
para que, quando acontecer, acrediteis».

04 maio 2013

Pensamentos impensados


Transportes sem alternativa
O avião é um meio de transporte primitivo; ainda não tem alavanca para paragem de emergência.
 
Ditado popular
Comprou uma passagem de avião, o avião caiu e ele morreu.
Diz o povo, e com razão, que quem paga adiantado fica mal servido.
 
Trabalhos forçados
Estava tuberculosa mas ainda não tinha idade para se reformar.
Fazia strip tísica.
 
Nem tudo é corpo
No Conclave, os Cardeais devem ter sempre presença de Espírito.
 
Seguro (não é o que estão a pensar)
Seguro de saúde é o mesmo que seguro de doença?

SdB (I)

Acerca de mim

Arquivo do blogue