Na revista How to Spend It, suplemento do Financial Times aos Sábados, de que já falei aqui com entusiasmo, existe uma rubrica intitulada The Aesthete. Trata-se de uma simples entrevista, que ocupa uma página inteira, género pergunta-resposta, que visa dar a conhecer os interesses, gostos e hábitos de pessoas consideradas aesthetes (estetas, portanto). São, evidentemente, pessoas ligadas à cultura, à arquitectura, ao design, à moda, aos livros, aos museus. Não necessariamente pessoas muito high-profile, com fotografias nas revistas, mas pessoas que dão cartas nas suas áreas de especialização. Gente com gostos sofisticados e muito dinheiro, habituada a viver num mundo semi-paralelo, onde a fealdade, o desconforto e demais preocupações materiais são coisas do além (nas palavras duma amiga minha…).
Não sei se alguém viu o filme A Single Man, do Tom Ford, o ex-estilista da Gucci. Nunca vi nada tão aesthete na minha vida (nem o filme Io Sono l’Amore, até há muito pouco tempo nos cinemas, o suplanta). Este filme, combinado com uma entrevista que li dele há uns anos, fazem-me crer que TF, pura e simplesmente, não sabe, não convive, não fala, não vive, não quer saber de nada que não seja perfeito, lindo, requintado, caro e extravagante. Uma opção (e uma possibilidade) de vida.
Aqui há uns tempos, no tal suplemento, li uma entrevista a um destes aesthetes (já não me lembro quem) que coleccionava Peter Doig. Tinha-se apaixonado pela obra deste pintor escocês de 51 anos, que viveu parte da sua vida em Trinidad e Tobago e no Canadá. Como nunca tinha ouvido falar neste artista, fui explorá-lo ao Google. Achei muita graça a este vídeo e por isso passo a reproduzi-lo. Um artista simpático, nada vedeta, altamente valorizado (em 2007, o quadro White Canoe foi vendido http://en.wikipedia.org/wiki/Sotheby%27s na Sotheby’s for $11.3 milhões, um record para um artista europeu ainda vivo), fala sobre a sua pintura por ocasião da montagem duma exposição.
Finalmente, só podia escolher uma canção cool, e também intensamente pop, para o meu espaço de hoje. As foi escrita por Stevie Wonder e incluída no seu álbum Songs In The Key Of Life. Aqui é reinterpretada e acho-a bem gira (sobretudo na parte dos coros). Espero que gostem.
PCP