quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Pensamento Impensado

Aparição-conferência-exposição

Primeiro ministro: bla bla, bla bla bla, bla; bla bla bla. Estou à vossa disposição.
Jornalista: bla bla. bla bla bla? bla bla bla. bla bla, bla?
Primeiro ministro: bla, bla bla bla. bla bla bla bla. Um grande bla bla bla para vocês todos.
Fim de aparição

SdB (I)

Duas Últimas

Na passada 6ª feira assisti na Meo Arena a um concerto dos/da "Resistência", comemorativo dos seus 25 anos de carreira.

Perante uma casa composta mas longe de estar cheia, que isso de encher aquele gigantesco pavilhão é para poucos, o grupo passou longamente em revista os seus maiores êxitos, quase todos resultantes de interpretações de músicas de terceiros: UHF, Delfins, J Palma, J Afonso, Rádio Macau, R Reininho, Quinta do Bill.

Gostei, como sempre que ouvi este grupo integralmente tributário da música portuguesa. Bom gosto das músicas selecionadas, versões muito próprias das mesmas, destacando-se as magnificas instrumentações (Pedro Joia, Tim, etc..), o ponto forte da banda. As vozes, bastante aceitáveis, foram melhoradas pela presença (a primeira vez) de 2 convidados, Raquel Tavares e A Zambujo, excelentes cada um ao seu estilo.

Apreciei sobremaneira a interpretação de "Cantiga de Amor", dos Radio Macau.

Aqui vos deixo com duas versões da música, a primeira muito idêntica à que ouvi, a segunda a original, da banda de Algueirão e da sua incontornável Xana.

Espero que também gostem.

fq



quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Textos dos dias que correm

A Busca da Felicidade ou do Sofrimento

O homem recusa o mundo tal como ele é, sem aceitar o eximir-se a esse mesmo mundo. Efectivamente os homens gostam do mundo e, na sua imensa maioria, não querem abandoná-lo. Longe de quererem esquecê-lo, sofrem, sempre, pelo contrário, por não poderem possuí-lo suficientemente, estranhos cidadãos do mundo que são, exilados na sua própria pátria. Excepto nos momentos fulgurantes da plenitude, toda a realidade é para eles imperfeita. Os seus actos escapam-lhes noutros actos; voltam a julgá-los assumindo feições inesperadas; fogem, como a água de Tântalo, para um estuário ainda desconhecido. Conhecer o estuário, dominar o curso do rio, possuir enfim a vida como destino, eis a sua verdadeira nostalgia, no ponto mais fechado da sua pátria. Mas essa visão que, ao menos no conhecimento, finalmente os reconciliaria consigo próprios, não pode surgir; se tal acontecer, será nesse momento fugitivo que é a morte; tudo nela termina. Para se ser uma vez no mundo, é preciso deixar de ser para sempre. 

Neste ponto nasce essa desgraçada inveja que tantos homens sentem da vida dos outros. Apercebendo-se exteriormente dessas existências, emprestam-lhes uma coerência e uma unidade que elas não podem ter, na verdade, mas que ao observador parecem evidentes. Este não vê mais que a linha mais elevada dessas vidas, sem adquirir consciência do pormenor que as vai minando. Então fazemos arte sobre essas existências. Romanceamo-las de maneira elementar. Cada um, nesse sentido, procura fazer da sua vida uma obra de arte. Desejamos que o amor perdure e sabemos que tal não acontece; e ainda que, por milagre, ele pudesse durar uma vida inteira, seria ainda assim um amor imperfeito. Talvez que, nesta insaciável necessidade de subsistir, nós compreendêssemos melhor o sofrimento terrestre, se o soubéssemos eterno. Parece que, por vezes, as grandes almas se sentem menos apavoradas pelo sofrimento do que pelo facto de este não durar. À falta de uma felicidade incansável, um longo sofrimento ao menos constituiria um destino. Mas não; as nossas piores torturas terão um dia de acabar. Certa manhã, após tantos desesperos, uma irreprimível vontade de viver virá anunciar-nos que tudo acabou e que o sofrimento não possui mais sentido do que a felicidade. 

Albert Camus, in "O Homem Revoltado"

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Crónica de um viajante a Washington (5) [ou também Duas Últimas]


Mais do que ilustrar onde estarei daqui a um ano se me mantiver nestas funções nacionais e internacionais, importa referir a legenda da fotografia junto ao cotovelo esquerdo do dançarino: no child should die of cancer. Para os médicos, este ano pouco menos de 2000 na conferência, a motivação é esta. Para nós, Pais (mas também voluntários, sobreviventes, profissionais) a motivação é principalmente esta, mas também nos cabe o conforto quando o herói não sai a assobiar em direcção ao por do sol, mas fica pelo caminho. 

Hoje deixo-vos com música que fui ouvindo durante a semana - num táxi, num jantar, numa conversa. Música boa, que merece ser ouvida.

JdB
  


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Crónica de um viajante a Washington (4)

Washington
Enfiado quase sempre num hotel, pouco conheci da cidade, com excepção de viagens de Uber (chique a valer) entre pontos de origem e destino. Não me parece uma cidade que tenha muito para ver do ponto de vista arquitectónico. Terá, seguramente, do ponto de vista dos museus. É grande, ampla, organizada e com boas estradas - estamos, afinal, na capital dos EUA. 

É uma cidade cara, onde um café custa 2,5 USD, um pequeno-almoço básico 10 USD. Mas, como em muitos aspectos dos EUA, tem curiosidades. Ontem, por exemplo, fui convidado para jantar com um colega sul-africano e três chineses (um casal de pais e um sobrevivente). Fomos a um restaurante onde o preço médio dos pratos era de 28 a 30 USD, uma caneca de cerveja quase 7. O restaurante tinha bom aspecto, a comida era boa. Mas tinha individuais de papel...



Cosmos Club (I)
O jantar de gala do CCI (organização internacional a que pertenço) realizou-se no Cosmos Club que, segundo me dizem, é um clube de homens, selecto, restrito a pessoas que se tenham notabilizado de alguma forma: cientistas, militares de alta patente, prémios Nobel (sim, sim...), políticos, etc. Uma espécie de Turf português em que a aristocracia é do intelecto, não do sangue... O dress code era claro: casaco e gravata para os homens, vestido ou calças elegantes (há uma expressão de que não me lembro) para senhoras. Havia uma elegância generalizada, com um colorido dado pelos trajes regionais da Índia, do Bangla Desh ou da Indonésia. Um colega do Gana apresentou-se de smoking. 

Cosmos Club (II)
Este parágrafo é ingénuo, eu sei, mas de uma ingenuidade que não deixa de me comover. O jantar no Cosmos Clube foi seguido de um momento musical: um conjunto (banda, como se diz agora) Motown a tocar e a cantar músicas "antigas", mas que ainda agitam corpos. Num repente, na pista improvisada, o israelita dançava com a etíope, o egípcio com a chilena, os ganeses ou os indonésios num grupo indistinto, a rapariga elegante e quase seráfica do Bangla Desh era puxada para a pista com um sorriso discreto  Eu, cavalheiro português, dancei um slow (sim, sim, é assim que se diz) com a anfitriã, que me parecia desejosa de agitar o corpo sem ter com quem. Dancei My Girl, uma música que me pareceu particularmente adequada para dançar com uma rapariga que tem oito filhos e foi, dizem-me posteriormente, campeã (ou praticante apenas) de culturismo.

 

Dançar continua a ser, para mim, um movimento afectivo. Sou menos entusiasta de grupos, mas é gratificante pensar que pessoas que politicamente se poderiam odiar, dançam umas com as outras como se não houvesse amanhã, pessoas que riem e se agitam antes de voltar à dureza das vidas de volta das crianças com cancro. Dançar tem, de facto, uma dimensão primitiva e profundamente libertadora.

Discurso americano [ou também Cosmos Clube (III)]
A anfitriã é americana, obviamente. Tudo no discurso dela é americano. A América é um grande país, ajuda muitos países africanos (e disse isto a uma etíope, porque os EUA ajudam muito a Etiópia...); este clube é muito restrito, os lustres vieram de França e custaram não sei quantos milhares de dólares, ainda esta semana despedi quatro pessoas porque aqui felizmente é fácil despedir...

Almoço rapidamente no MacDonald's. Deixo passar uma família de afro-americanos, volumosos e cheios de crianças. Dizem-me simpaticamente: thank you. Respondo simpaticamente you're welcome. Há um momento de espanto com a minha correcção e murmuram entre si. Uma rapariga nova, que parecia ter um ananás na cabeça não resiste a desejar-me: have yourself a nice day...

JdB

domingo, 15 de outubro de 2017

28º Domingo do Tempo Comum

EVANGELHO – Mt 22,1-14

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo,
Jesus dirigiu-Se de novo
aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo
e, falando em parábolas, disse-lhes:
«O reino dos Céus pode comparar-se a um rei
que preparou um banquete nupcial para o seu filho.
Mandou os servos chamar os convidados para as bodas,
mas eles não quiseram vir.
Mandou ainda outros servos, ordenando-lhes:
‘Dizei aos convidados:
Preparei o meu banquete, os bois e os cevados foram abatidos,
tudo está pronto. Vinde às bodas’.
Mas eles, sem fazerem caso,
foram um para o seu campo e outro para o seu negócio;
os outros apoderaram-se dos servos,
trataram-nos mal e mataram-nos.
O rei ficou muito indignado e enviou os seus exércitos,
que acabaram com aqueles assassinos e incendiaram a cidade.
Disse então aos servos:
‘O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos.
Ide às encruzilhadas dos caminhos
e convidai para as bodas todos os que encontrardes’.
Então os servos, saindo pelos caminhos,
reuniram todos os que encontraram, maus e bons.
E a sala do banquete encheu-se de convidados.
O rei, quando entrou para ver os convidados,
viu um homem que não estava vestido com o traje nupcial.
E disse-lhe:
‘Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?’.
Mas ele ficou calado.
O rei disse então aos servos:
‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores;
aí haverá choro e ranger de dentes’.
Na verdade, muitos são os chamados,
mas poucos os escolhidos».

sábado, 14 de outubro de 2017

Pensamentos Impensados

Promoções de Outono
Chamam ao Ronaldo capitão, não sei porquê; quem comanda 10 homens é um sargento.

Lavagens
Vi Assunção Cristas a receber luvas e a branquear a capital, e era tudo legal.

Bola
Os jogadores que marcaram os golos no Portugal-Suiça chutaram de tal maneira que a bola foi parar à Rússia.

Negócios
O  que é que o Zezé Camarinha faz na época baixa? Vende camas? Novas ou usadas?

Parentescos
Auto-golo deve ser parente de auto-clismo: ambos são um balde de água fria.

Partidos-quebrados
O Partido Comunista consegue levar a dele avante? Só se for a vender o jornal.

Bok-se
Os pigmeus não jogam boxe, pois só dariam golpes baixos.

Cata vento
Foi considerado um desmancha-prazeres quando decidiu ir para o Alto de S. João.

SdB (I)

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Crónica de um viajante a Washington (3)

Jardim Botânico, Washington (pormenor visto por um iPhone)
4ª feira foi dia de meet and greet. Durante duas horas, normalmente, os representantes das associações, os sobreviventes, os Pais, encontram-se para confraternizar. Conhecem-se pessoas, reveem-se pessoas, conversa-se com amigos - sobre a vida, sobre as dificuldades das associações, sobre o futuro, ou sobre o que se supõe ser um ponto de viragem nesta associação global. Hoje em dia fala-se menos de casos pessoais; fala-se mais de estratégia, de caminhos a seguir, de opções funcionais ou organizativas, não porque tenhamos perdido a dimensão humana, mas porque a dimensão humana tem hoje outros requisitos. Todos queremos prestar um melhor serviço às crianças / jovens com cancro: queremos eliminar as enormes diferenças no seio da Europa, não queremos perder de vista as dificuldades de África, queremos trabalhar mais com os médicos, estabelecer boas parcerias. Mas todos temos, muito naturalmente, a nossa visão do mundo, o nosso estilo pessoal, a ideia do que é mais importante neste momento. E tudo isso, para o melhor e para o pior, assume uma dimensão maior do que há 10 anos, quando comecei nestas andanças internacionais. Há, talvez, uma necessidade maior de profissionalismo que precisa de ser temperada com uma emotividade saudável.

***

Saio do hotel em direcção ao meet and greet. Washington está sob uma chuvinha miúda, quase apenas humidade. Apanhamos um taxi, porque há uma senhora australiana entre o grupo de quatro. Vou à frente na viatura, porque sou muito grande e têm consideração por mim - ou por eles... No tablier, uma estatueta de Nossa Senhora e uma imagem de Santa Teresa de Ávila, o que não deixa de ser curioso. Pergunto por isso ao motorista de que nacionalidade é. Etíope, responde-me; ortodoxo. Faz sentido.

O motorista é simpático, reservado, com uma pronúncia difícil e um tom de voz muito baixo. Segue calado e põe música com um volume suficiente para se ouvir com conforto. Durante 20 minutos ouvimos Carlos Santana (oye como va e samba pa ti, entre outras), depois Temptations (papa was a rolling stone) e, por fim, Ben E King (stand by me). Falamos de música, da boa música daquele tempo, da música que perdura. Acabo por perguntar-lhe a idade: nasceu em 1958, um ano fantástico. Dei por mim a cantarolar tudo, a entusiasmar--me com memórias musicais. Entre o Carlos Santana (de quem me tinha já esquecido) e o que me traz aqui a Washington não há um vazio, apenas um taxista etíope da minha idade - e com muito bom gosto musical.

JdB

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Crónica de um viajante a Washington (2)

Ontem cumpriu-se o segundo dia de reuniões da direcção da Childhood Cancer International, a organização que agrega mais de 180 associação de Pais de crianças / jovens com cancro em mais de 90 países.

Estar com estas pessoas é estar, também, com o melhor e o menos bom destas pessoas. Gente que perdeu filhos, que lutou pelas sobrevivência dos filhos num tempo de menos informação, de menos técnica, de menos internet e de menos apoio. Gente que, podendo largar tudo quando os filhos partiram para o céu ou para as suas vidas felizes ou mais limitadas, decidiu ficar e olhar para os outros e pelos outros. Gente que investe dinheiro, tempo, horas de voo e dos seus tempos de lazer numa tentativa de deixar o mundo um lugar melhor. Foi isto que encontrei de volta de uma mesa quando aceitei o desafio de fazer parte da Direcção, depois de já ver tudo isto nas cadeiras anónimas das palestras anuais.

Por trás desta dedicação totalmente louvável, que nalguns casos vem de muito fundo da alma, há a fragilidade humana: a desorganização das reuniões, as necessidades de atenção, as susceptibilidades, os estilos próprios, os desejos de ficar, porque a saída deste ambiente de solidariedade é o confronto com um certo vazio ou um sentido de desemprego. Talvez achasse, na minha ingenuidade, que o facto de trabalharmos para uma causa tão nobre suscitasse desejos de eliminação de vontades ou fraquezas individuais e nos concentrássemos no que nos une. Mas de facto não é assim, e talvez este ano tenha sentido isso com maior acuidade. Sinto-me, pela minha juventude no cargo ou por alguma característica pessoal que não descortino, como um recipiente de queixas alheias: A queixa-se-me de B, que por sua vez se queixa de A mas também de C e talvez de D, que só se queixa de B...

Estou numa organização humana; talvez, num certo sentido, de seres humanos mais fragilizados. Continuo a ser ex-funcionário de uma multinacional que privilegiava a eficiência das reuniões e a disciplina da agenda. Talvez isso, ao contrário da ignorância que é uma benção, seja uma maldição. O resto é simples: nas fraquezas dos outros vejo as minhas, mesmo que sejam diferentes.

JdB

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Música e sentido para o dia de hoje

Foi hoje, mas há 28 anos.

Para a minha filha Teresa, porque todos estes anos foram, para já, inesquecíveis.

J

Vai um gin do Peter’s? 

O MILAGRE DO SOL CELEBRADO PELA GULBENKIAN, COM MÚSICA

No centenário das Aparições, o Santuário de Fátima encomendou a dois compositores – Carrapatoso e McMillan – obras de inspiração mariana, que terão estreia absoluta, no dia 13 de Outubro, em Fátima (18h30 na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima) e no dia 15, Domingo, na Gulbenkian (17h00, na zona dos Congressos da sede da Fundação, com entrada livre). 

Nos dois eventos, a orquestra e o coro Gulbenkian actuarão sob a batuta da maestrina Joana Carneiro, coadjuvados pela soprano portuguesa consagrada nos principais palcos do mundo – Elisabete Matos. 

O programa abrange as seguintes peças musicais: «Salve Regina» de Eurico Carrapatoso; «The Sun Danced» da autoria do escocês James MacMillan a evocar o milagre testemunhado por crentes e não-crentes, a 13 de Outubro de 1917; e a Sinfonia n.º 3, op.36, do polaco Henryk Górecki também designada de «Sinfonia das lamentações». Esta obra é a única audível via youtube, porque data de 1976. Com três andamentos, começa pelo canto da solista, a dar voz a um lamento atribuído a Nossa Senhora e escrito no séc.XV. O segundo andamento respeita à mensagem grafitada por uma rapariga de 18 anos na parede de uma prisão da Gestapo, durante a Segunda Guerra Mundial. Compreensivelmente, a primeira palavra é «Mãe», replicando o clamor mais profundo do ser humano, que pede para ser amado! É a essa necessidade prioritária da Humanidade que a Senhora de Fátima se propõe atender, maternalmente, incansavelmente. Por isso, multidões sem fim continuam a acorrer ao Santuário do pequeno povoado português. O terceiro andamento inspira-se na tradição folclórica e narra a busca incessante de uma mãe pelo filho que fora assassinado, numa denúncia directa ao genocídio perpetrada em 1919, durante a insurreição na Silésia. Uma sinfonia de homenagem aos milhões de filhos mortos e de pietás, que resultaram das inúmeras matanças do século mais sangrento da História: 



Na temporada da Gulbenkian, este concerto insere-se numa série que a Fundação intitulou «Entre o Céu e a Terra», visando «criar pontes entre várias obras que exploram a qualidade transcendente daquilo que se encontra para além da razão e da palavra».  A série estende-se a oito concertos, que incidem sobre «crenças e valores presentes na cultura de distintas geografias, das Suites para Violoncelo de Bach à música síria ou ao canto sacro argelino».

Cem anos depois da Mensagem do Céu transmitida a Três Pastorinhos de Aljustrel, é extraordinário a música também querer contribuir para recordar e celebrar uma história feita de imprevistos e improbabilidades, que suplantou as fronteiras de Portugal, chegando aos recantos mais recônditos o planeta. Tudo ao contrário do marketing e da lógica do deve&haver. Um mistério que só no silêncio daquele recinto tocado pelo sagrado, se pode intuir.  


Maria Zarco
(a preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas, numa Quarta-feira)

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Crónica de um viajante a Washington (1)

Cheguei ontem a Washington. Entre sair de casa e entrar no hotel de destino passaram-se 20 horas. Quase 50% passaram-se dentro de um avião apertado, cheio, com gente que dá encontrões, com tripulação que dá encontrões. Em bom resumo, achei o avião indigno de uma viagem de 8 horas. Das viagens longas que fiz este ano, talvez este avião tenha sido o pior. Registo o desconforto na Air France. 

Da minha ingenuidade derivada dos livros e dos filmes de espionagem ou com isso parecidos, não há palavra que inspire mais terror, mais sensação de estado policial e de esbirros ao serviço do ditador comunista do que securitate. Não sei bem porquê, mas sei que segurança ou security ou securité não traduzem uma espécie de cacofonia temível. Penso que a palavra será romena, ou coisa parecida - e eu nunca estive na Roménia, mas entrei na Hungria e na Checoslováquia quando a cortina de ferro não era um adereço da Zara Home.

Estação de Woodley Park, Washington

Vem isto a propósito da entrada no aeroporto em Washington. Seria uma coisa temível, do tipo securitate, se não tivesse estado este ano na Índia, pelo que me habituei aos procedimentos que são iguais lá e cá: longas filas de gente, leitura digital do passaporte e dos quatro dedos dedos de uma mão, fotografia (derivado ao facto da câmara estar fixa, a fotografia foi-me tirada de baixo, o que me deu um ar absolutamente facínora), seguido de uma inspecção visual muito apurada por parte da gente do SEF local, mais leitura digital dos cinco dedos de cada mão (primeiro quatro, depois um, depois mais quatro, depois mais um) com uma conversa do tipo: de onde vem, quanto tempo fica, em que hotel, o que vem cá fazer. Respondi que vinha para uma série de reuniões com associações de pais e médicos ligados à oncologia pediátrica. Talvez o meu inglês não seja muito bom e haja uma outra tradução para a palavra, ou a menina que me interrogou não ouviu nada do que eu disse, porque se despediu com um sorridente enjoy

Enfim, é isto.  Durante os próximos dias é tempo de falar sobre oncologia pediátrica, de ouvir falar de oncologia pediátrica, de ouvir histórias de drama, sofrimento e esperança, e de descobrir o que me comove agora, nesta fase da vida, porque as minhas comoções já não são iguais às de 2006, quando comecei nestas reuniões.  E é tempo de rever amigos que se vão fazendo. Talvez não seja tempo de turismo, porque o tempo é pouco.

JdB

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Duas Últimas

Tomei contacto com os letristas de fado com mais atenção e pormenor aquando da preparação da minha tese de mestrado. Li o que se escrevia até ao advento da censura, em 1925, li o que passou a escrever-se quando Amália Rodrigues lançou o álbum Busto, em 1967. Entre uma data e outra aquilo que Daniel Gouveia e Francisco Mendes chamaram a idade de ouro dos letristas. Em três sextilhas ou numa quadra glosada em décimas há uma história que se conta, um destino que se canta. Quem compunha tudo isto era gente pouco letrada, marinheiros, motoristas de praça, presidiários, empregados de escritório.

Deixo-vos com a Casa da Mariquinhas, do novo álbum de Camané que canta Marceneiro. Independentemente de se gostar do fadista, tomem atenção à letra, a alguns pormenores, a algumas preciosidades, como a expressão "quadros de gosto magano". Eram grandes poetas, digam lá o que disserem...

JdB

domingo, 8 de outubro de 2017

27º Domingo do Tempo Comum

EVANGELHO – Mt 21,33-43

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo,
disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo:
«Ouvi outra parábola:
Havia um proprietário que plantou uma vinha,
cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar
e levantou uma torre;
depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe.
Quando chegou a época das colheitas,
mandou os seus servos aos vinhateiros para receber os frutos.
Os vinhateiros, porém, lançando mão dos servos,
espancaram um, mataram outro, e a outro apedrejaram-no.
Tornou ele a mandar outros servos,
em maior número que
os primeiros.
E eles trataram-nos do mesmo modo.
Por fim, mandou-lhes o seu próprio filho, dizendo:
‘Respeitarão o meu filho’.
Mas os vinhateiros, ao verem o filho, disseram entre si:
‘Este é o herdeiro;
matemo-lo e ficaremos com a sua herança’.
E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no.
Quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?».
Eles responderam:
«Mandará matar sem piedade esses malvados
e arrendará a vinha a outros vinhateiros,
que lhe entreguem os frutos a seu tempo».
Disse-lhes Jesus: «Nunca lestes na Escritura:
‘A pedra que os construtores rejeitaram
tornou-se a pedra angular;
tudo isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos’?
Por isso vos digo:
Ser-vos-á tirado o reino de Deus
e dado a um povo que produza os seus frutos».

sábado, 7 de outubro de 2017

Pensamentos Impensados

Mãozinha
Em Oeiras já não é o primeiro que rouba mas faz.

Festas
Os partidos pequenos não fazem manifestações, fazem minifestações.

Velocidades
O campeão dos 100 metros planos é um best célere.

Mudanças de estado
Só consigo adormecer quando estou acordado.

Lembranças
Uma das vantgens de se ser amnésico é que não se tem saudades do futuro.

Igualdades
Eram gémeos mas não eram verdadeiros nem falsos, eram apenas músculos das pernas.

Vistas
Camões olhava para os inimigos olho nos olhos.

Baralhar
Jogar às cartas é mais fácil do que dirigir uma orquestra sinfónica; o baralho só tem quatro naipes.

SdB (I)

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Pensamento Impensado

Justiça

Ricardo Salgado é um dos lesados de BES. Agora até lhe arrestaram a pensão. Qualquer dia tem fome. Sede de justiça é que não me parece.

SdB (I)

Ousadias dos dias que correm

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

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