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12 abril 2017

Duas Últimas

Ontem fui sozinho ouvir dois requiem - o de Fauré e o de Mozart. Há quem ache que um requiem é violento, quanto mais dois...

A música não me provoca sentimentos depressivos, como já devo ter escrito por aqui várias vezes. Oiço música triste quando estou alegre, sendo que a inversa também é verdadeira. Se estiver muito triste não fico mais por ouvir música triste, nem recorro a música alegre para puxar por mim acima. Ouvir dois requiem é, portanto, um exercício inócuo do ponto de vista do ânimo, sendo que não é do ponto de vista da elevação do espírito.

Conhecia partes do Requiem de Fauré. Acheio-o bonito, talvez muito triste. O Requiem de Mozart é bonito, triste, inspirador, espectacular, lindíssimo, comovente. Talvez seja, para mim, uma das três obras de arte mais fantásticas da história da música - são quase 60 minutos de beleza.

Deixo-vos com dois excertos de cada um dos requiem.

In Paradisum:

Que os anjos te recebam no paraíso;
e que os mártires te esperem
e te levem até à cidade Santa, Jerusalém.
Que o coro dos anjos te receba
e com Lázaro, que foi pobre,
tenhas repouso eterno

JdB



15 dezembro 2015

Duas Últimas

Dos dicionários: Pavana: antiga dança espanhola, de movimentos pausados e graves.

Há um jogo de salão em que alguém faz perguntas sobre outro alguém: se fosse um animal o que era? Se fosse uma cor o que era? Se fosse uma música / género musical, o que era? O objectivo é identificar a pessoa em questão através das respostas. 

Há uma certa confusão - natural, seguramente - entre o que somos enquanto género musical e a música de que gostamos. Se perguntarem a meu respeito o que sou enquanto género musical, quem me conhece bem arrisca o fado ou o requiem. Talvez o digam porque sou apreciador de ambos os géneros musicais. Significa isso que sou aquilo de que o fado fala? A miséria, a desgraça, o destino, o ciúme, a traição, a saudade? Significa isso que sou triste, com uma ligação muito profunda aos mortos?

O que sou eu, enquanto género musical? Talvez nem eu próprio saiba exactamente. Há alturas em que sou fado, há alturas em que sou requiem, como há alturas em que sou um Te Deum, um slow ou algo mais agitado da minha juventude. Ou serei um tango, naquela dolência sensual que nem sequer terei. Ninguém sabe quantos tem dentro de si.

Hoje sou uma pavana.

JdB



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