Caros leitores amigos, detentores de uma fidelidade e persistência que roçarão a generosidade inexplicável,
Ele há dias em que a escuridão nos invade, fruto de datas que estão para chegar e nos perturbam o sossego a que nos sentíamos com direito. Tudo parece então bizarro, confuso, difícil - aqui e ali angustiante. A nossa amiga Luiza Azancot alegaria leão em casa de carneiro, ou virgem no domicílio de plutão. Seguramente um desalinhamento dos astros, um ligeiríssimo desvio do centro de gravidade da terra, um crescimento infinitesimal no achatamento dos pólos.
Se olharmos para a despensa percebemos que colocámos o açúcar pilé ao lado do hipoclorito, as alcaparras encostadas ao detergente , o sabão macaco apoiado no veuve cliquot. Em tudo perceberemos um tom de falsidade, uma nota dissonante, uma assimetria preocupante. São dias dolorosos, feitos de uma certeza marcadamente sofredora.
Perguntar-se-ão, dilectos leitores dotados de uma resistência quase para-normal, a que data funesta me refiro e que me provoca erisipela ao nível do sistema nervoso. Eu revelo, porque não sou rapaz para segredos: hoje termina o prazo para a entrega trimestral da declaração do iva e respectivo pagamento, algo que deixa qualquer profissional liberal com um ataque de mau génio.
Deixo-vos com António Zambujo e as vozes búlgaras, algo que, à primeira vista, pode ser semelhante a uma lata de sardinhas arrumada na gaveta dos fatos de banho: um casamento bizarro. Se gostarem manifestem-se ruidosamente; se não tiverem gostado digam-me, que eu conheço blogs bons, bonitos, modernos e originais.
JdB