Mostrar mensagens com a etiqueta Pixinguinha. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pixinguinha. Mostrar todas as mensagens

12 março 2013

Duas últimas

Pixinguinha é, neste blogue, uma sensação de déjá écouté.

Ontem, ao fim da noite, debatia-me com uma falta de inspiração tremenda para o post de hoje, tentando não desmerecer da qualidade de escrita e escolha do meu querido amigo fq. Pedi sugestões ao meu filho porque, ao contrário do que poderá acontecer com outras pessoas, a dificuldade que sinto é a da escolha musical, porque a redacção do texto é (quase) sempre fácil.

A resposta do jovem foi rápida, e apresentou-me ao Yamandú Costa, a cantar o Carinhoso. Melhor, a tocar o Carinhoso à viola (oito cordas), enquanto o público do teatro canta primorosamente uma toada lindíssima. Estamos habituados ao público português que se pela por bater palmas a compasso, mesmo que se toque o Requiem de Mozart. Não sei se o homem do violão canta ou não. Aqui, neste youtube, não o faz, e o resultado é fantástico.

Depois, não contente com a sugestão feita, o rapaz arrimou-se e mandou-me o link para a mesma música, mas cantada deliciosamente pela Marisa Monte, acompanhada por Paulinho da Viola. No fundo, no fundo, isto é como uma esplanada num verão muito quente - há que beber sempre duas imperiais. A primeira, deliciosa, para limpar a goela de securas. A segunda, deliciosa, para apreciar lentamente, enquanto o sol se põe ao longe no mar, ou numa qualquer estrada monumental. Qual é a mais deliciosa das duas? Pois não sei...

Apreciem o Carinhoso - a música, a letra, a interpretação. São duas imperiais fantásticas. E agradeçam ao meu filho, que eu pouco fiz.

JdB   



24 julho 2012

Duas últimas

Há tempos, numa conversa sobre viagens, perguntavam-me qual teria sido o melhor banho de mar - ou talvez a melhor praia - que já tinha experimentado. Respondi que tinha sido, seguramente, no Rio de Janeiro.

Tenho de reconhecer que não sou um globetrotter no que diz respeito a praias. A mais exótica onde estive, por assim dizer, foi na do Savane, nas margens do rio com o mesmo nome (Beira, Moçambique). Foi o meu único banho no Índico. Fora isso, apenas no Atlântico, Mediterrâneo mais interior, Marrocos, ilhas gregas, Madeira e Açores. Na Grécia, por sinal, tomei talvez o pior banho de todos: um mar parado e quente, propício ao nojo que provocam as águas que nos parecem estagnadas.

Fui ao Rio de Janeiro pela primeira vez em 1975. O meu contacto com o estrangeiro resumia-se, até então, a Londres, Badajoz e Madrid. O cenário não era brilhante, mas não era pior do que o de muita gente da minha idade e condição. Era o que era... Desembarcar no Galeão no dia 26 de Dezembro de 1975, sentir o bafo quente e húmido do Verão à chegada, quando tinha sentido o frio cortante do Natal à partida já se afigurava uma emoção. Ir no dia seguinte à praia, ao Leblon parece-me, e ver aquele areal imenso, o mar batido, o brasileiro falado, o requebro das moças, o chá mate servido em copinhos na praia, as sanduíches de ovo ao fim da tarde no Bob's assemelhava-se, para um jovem de 17 anos como eu, a uma antevisão do paraíso. A praia, para um viajante reduzido, europeu e urbano, era muito mais do que um banho fresco num clima quente - era uma experiência. Era uma excitação.

Hoje, em lembrança desse tempo, deixo-vos com Alfredo da Rocha Viana Filho, mais conhecido por Pixinguinha, um dos maiores compositores da música popular brasileira e que mais contribuiu para a consolidação e divulgação do choro. As interpretações são diferentes, todas superiores, mas o tema é o mesmo. Porque cada um de nós, homens, tem a sua rosa.   

JdB






Acerca de mim

Arquivo do blogue