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14 fevereiro 2012

Duas últimas

Tenho dois tipos de amigos: aqueles que o são inteiramente; e os que eu denominaria como amigos parcelares. Eu explico.

Os primeiros são os verdadeiros amigos. São os confidentes, os conselheiros, aqueles com quem conto nas horas difíceis e com quem partilho as minhas alegrias. Com eles falo de quase tudo, desde assuntos pessoais até trivialidades mundanas, passando por política, futebol ou os peitos da Bárbara Guimarães.

Já os parcelares são isso mesmo. Não deixam de ser amigos, mas são-no só para determinados efeitos. Com eles converso de assuntos específicos e evito questões pessoais. A escolha dos temas de conversa é alternativa e não já cumulativa como com os amigos verdadeiros.

Vem este intróito a propósito da música que eu posto hoje e principalmente do seu autor, Ludovico Einaudi.

Descobri o Einaudi exactamente através de um desses amigos parcelares. Mas o mais curioso é que a música não era de maneira nenhuma um tema da nossa agenda bilateral. Sem que nada o fizesse esperar, esse tal amigo resolveu um dia oferecer-me a obra completa do Ludovico Einaudi. Fiquei sem jeito como se um tabu se tivesse quebrado. Apeteceu-me dizer que a nossa amizade estava a ser extravazada e que eu não estava preparado para iniciar esta nova relação musical. Por fim aceitei o presente, agradeci e não voltámos a falar no assunto.

Chegado a casa ouvi toda a obra do Einaudi de uma enfiada, quase compulsivamente. É de facto um compositor fantástico com dezenas de músicas muito bonitas.

Escolhi esta por duas razões: porque tem a inspirá-la um tema africano e porque se chama Chanson d' Amour e hoje é o dia dos namorados. Percam 9 minutos do vosso tempo e garanto-lhes que não se vão arrepender.
 
JdC

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