Adeus, até ao meu regresso
As melhores viagens são, por vezes, aquelas em que partimos ontem e regressamos muitos anos antes
23 abril 2026
22 abril 2026
Vai um gin do Peter’s ?
FLANNERY (II) POR PEDRO MEXIA E POR FILÓSOFA
Em Novembro passado, num encontro cujo mote era uma frase inspiradora de Tchekov – «Diz-me o que desejas, dir-te-ei quem és» – comemorou-se o centenário do nascimento da escritora norte-americana Flannery O’Connor (menção no ‘gin’ de 14.JAN.2026). Por sorte, a conferência com a filósofa Maria João Mayer Branco e o poeta Pedro Mexia está gravada (cf link no final), pelo que pode descobrir-se uma abordagem invulgarmente profunda e original da polémica e q.b. ácida escritora do Sul dos EUA.
Na sessão de Novembro, as primeiras considerações couberam à académica de filosofia, doutorada sobre arte e filosofia no pensamento de Nietzsche – Maria João Mayer Branco – que nos oferece uma chave de leitura extraordinária para se percorrer a obra áspera e indigesta de Flannery. A filósofa alerta para o alcance maior das bizarrias desagradáveis das personagens dos contos da norte-americana, pejadas de maleitas, taras, baixezas e de aparência repugnante, com comportamentos desprezíveis e venais, as mais das vezes, sem plena consciência, nem necessariamente vontade de praticar o mal. Lembram «O Estrangeiro», de Camus. Misteriosamente, essa escumalha humana está também sujeita ao dom, que lhe é completamente estranho, embora capaz de a transfigurar: «Todas as minhas histórias são sobre a acção da graça numa personagem que não é [sequer] muito capaz de a suportar». Mais: a graça actua imprevistamente, desinstalando a personagem, deixando-a sem chão (dir-se-ia, hoje) e, desse modo, proporcionando-lhe um horizonte infinitamente maior, mas não necessariamente confortável ou desejado. O leitor é igualmente desinstalado, num efeito próximo da placagem (no primeiro embate), surpreendendo-se com o adensar de uma narrativa focada no misterioso lusco-fusco, que envolve a existência humana.
A frase de Tchekov ajuda, depois, a explorar a obra de Flannery, apontando-se ao que move o ser humano, ao que está na raiz das suas decisões. Lembra a filósofa: quando está mal orientada a busca de totalidade, inscrita na natureza humana, os desejos surgem como impulsos indomáveis, excessivos e autodestrutivos.
Seguidamente, a filósofa faz uma comparação audaciosa entre as tragédias gregas e a norte-americana, católica à maneira dos Estados sulistas dos EUA: parte-se da premissa de que o sofrimento humano deriva de um erro moral, que pode ser compensado ou mesmo resolvido, se se optar pelo Bem. A vulnerabilidade ao mal marca as personagens de O’Connor e das tragédias gregas. Porém, na norte-americana, essa vulnerabilidade é também a chave da salvação humana. Mas a sua perspectiva não é psicológica, como em Dostoievski, porque as tramas de Flannery focam-se nas convulsões da alma. O seu estilo narrativo é seco até ao osso, os contextos básicos e até vulgares, assentes em factos sem justificações, nem atenuantes para a catadupa de comportamentos escabrosos (maioritariamente) das personagens. Os ambientes são desoladores; as paisagens tristes e brutais; o céu é duro como aço; as gentes feias e venais.
O mundo descrito por O’Connor é o da modernidade: vazio, em múltiplas acepções, pois Deus está morto. Não há alegria, nem confiança. Vive-se em extrema solidão, sem quaisquer laços afectivos. Apenas há interdependências funestas e degradantes. As relações humanas só se aprofundam e harmonizam, quando algo de sagrado acontece, para lá do que as próprias personagens poderiam ou saberiam desejar, pois nem se atreveriam a tanto, demasiado atoladas numa existência mesquinha, que confundem com a medida da realidade.
Em Flannery, assiste-se a uma disputa vital entre as forças do bem e as maléficas, muito activas no ser humano, cuja natureza tende para o caos. Tudo o que acontece de positivo provém de uma brecha imprevista de Bondade, que toca o humano, elevando-o. Fica patente a origem sobrenatural dessa potência transformadora. Inexplicávelmente, esse “ouro raro” tem uma predilecção pelos mais perdidos, mais deficientes, mais criminosos, querendo salvá-los para lá de toda a lógica humana. Se o mal predomina, o Bem é a raridade que irrompe, quando e onde menos se espera, para resgatar um infeliz aprisionado em vícios e num ciclo inexorável antropofágico.
Talvez o mais espantoso seja o facto dessa Salvação se dispor a descer aos infernos para salvar mais alguém (que não merece), sem se deixar enojar pela acumulação de imundice, que Flannery nos obriga a encarar com um realismo dispensável (diria).
Se o mal é difícil de justificar, a graça é ainda mais incompreensível, qual pai que corre a abraçar um filho pródigo, regressado por motivos de sobrevivência. O lado solar da vida, o amor surgem sem explicação e as nossas abordagens racionalistas de pouco servem para tentar entender o indizível. Naturalmente, também esbarramos com os mistérios do mal e do sofrimento. E revoltamo-nos, porque não lhes encontramos motivo suficiente, nem forma de os controlar e erradicar. Que difícil aceitar esse inexplicável, com boa cara, como Flannery nos lembra em cada conto! Que difícil tolerar a dor considerada injusta, por querermos aplicar à realidade uma harmonia capaz de cancelar as realidades dolorosas, que teimam em ensombrar-nos. Nas palavras da filósofa (citada por aproximação): nós queremos uma explicação para o mal, para a dor. Mas a dor só é ilógica se for olhada de um ponto de vista, em que a vida teria uma ordem. Isso provém de um ponto de vista que me parece preguiçoso. Os livros de O’Connor exigem do leitor o contrário da preguiça: são filosóficos, suscitam espanto e choque e reflexão e pensamento. A perspectiva religiosa presente nestes livros também é muito exigente, porque não consola, não facilita, não há fé na humanidade, per se. ‘Apenas’ se crê num sentido transcendente (na mais pura acepção), que desafia a própria realidade e os limites humanos, por ser ilógico para os nossos padrões, desafiante para a própria religião.
Pedro Mexia (a partir do 36:50’) também faz uma reflexão inspiradora sobre Flannery, representativa da literatura do Sul dos EUA, conhecida por grotesca. Aplicou aos seus contos uma máxima do Pe.António Vieira sobre os pregadores brilhantes: o ideal não é as pessoas saírem do sermão contentes com o pregador, mas descontentes consigo próprias. O mesmo visam os escritos de Flannery para acordar os leitores, maioritariamente entorpecidos.
Comparou-a ao grande génio literário dos EUA, também sulista – Faulkner, e ainda a Kafka pelas estranhas personagens, e a Samuel Beckett pelo humor negro. A agudeza de Flannery sobre o mal é invulgar. Sintetizava O’Connor sobre a diferença entre crentes e não crentes na percepção do mal: ‘a maioria das pessoas acha que através do pecado obtém a liberdade, enquanto um cristão acha que através do pecado perde a liberdade’. Sobretudo, não tinha ilusões de que para falar do humano, com a incontornável (over)dose de fraquezas e de lama, é indispensável sujar os sapatos.
Flannery atinha-se aos factos, porque, segundo ela, «Um facto revela um mistério». Assim professava o que designava de ‘realismo cristão’, puro e duro, desprovido de sentimentalismo e emotividades consoladoras. O seu catolicismo – num contexto geográfico de grande tensão com o protestantismo (dominante, onde vivia) – resultava viril, nos antípodas (quase) do culto latino-americano ou do europeu do Sul, afectivamente enriquecido pela devoção mariana, maternal. Na sua literatura, ressalta essa abordagem austera ao cristianismo, numa busca de autenticidade, apenas orientada para o objetivo (à americana), sem facilitações e muito confrontacional.
No livro «Mistério e costumes», que reúne as suas inúmeras palestras universitárias, Flannery expõe o sentido da sua obra. Partindo da mediocridade humana, evidenciava melhor o efeito extraordinário da graça «em território amplamente dominado pelo diabo», dizia.
Por último, Mexia lembra a actualidade de O’Connor, quando nos intima a viver a fundo, com garra, aceitando expormo-nos ao risco que a vida comporta, na senda do verso de Höderlin – «Onde está o perigo, está aquilo que salva». Num spot publicitário do detergente skip, o slogan vai na mesma linha: ‘as nódoas também fazem parte do jogo’. Todavia, Flannery enjeita ferozmente qualquer forma de vida utilitarista, que privilegia uma certa obsessão (bastante americana) pela produtividade. A existência humana é antes mostrada em todos os cambiantes de mal, com todo o seu mistério, sem vislumbres de explicações plausíveis. Menos ainda acomodatícias:
21 abril 2026
Planear as cidades que queremos habitar *
Dez anos depois da publicação da Laudato Si’ (LS), é com alegria que reconhecemos que este texto do Papa Francisco – cuja importância tem vindo a ser reforçada pelo Papa Leão XIV – não foi apenas uma encíclica sobre o ambiente, mas um documento vivo, capaz de gerar processos. Em Portugal, como em vários outros países, têm surgido comunidades mais conscientes, práticas pastorais renovadas e movimentos que articulam fé, justiça social e cuidado da Criação. Estes frutos mostram que a conversão ecológica é um caminho possível.
Apesar destes avanços, quando falamos de cuidado da Casa Comum, os territórios urbanos (cidades) continuam muitas vezes ausentes do nosso horizonte imediato de conversão ecológica. Pensamos na floresta, no oceano, no clima. Pensamos menos no espaço urbano — apesar de ser aí que grande parte das populações nasce, vive, trabalha e envelhece.
As cidades são a expressão mais visível da ação humana sobre a terra e o espaço por excelência onde se constroem e alimentam as relações comunitárias. Se “tudo está interligado” (LS §91), então não podemos separar a crise ecológica da forma como organizamos as nossas cidades, distribuímos o solo, planeamos a habitação, o transporte e o espaço público. A ecologia integral passa, inevitavelmente, pela ecologia urbana.
Neste contexto, o planeamento e o urbanismo acompanhados de políticas de reconversão urbana que, de modo integrado, conjuguem as temáticas da mobilidade, do espaço público, da circulação em modos suaves, da promoção de mais árvores e espaços verdes, entre outras, são decisivas. Apenas com um conjunto articulado de políticas e medidas é possível um resultado amplo e satisfatório.
Planear não significa encontrar soluções infalíveis para todos os problemas, mas preparar e orientar decisões políticas de forma coerente, reduzindo o risco de iniciativas desarticuladas (muitas vezes, contraditórias) e promovendo uma utilização mais justa e eficiente dos recursos públicos. O planeamento territorial é, por isso, um exercício de responsabilidade coletiva.
Este imperativo torna‑se particularmente evidente nas regiões interiores, de fronteira ou em processo de desertificação. São estes territórios que sofrem de forma mais aguda os efeitos do envelhecimento da população, do abandono, da estagnação económica e da perda de acesso a serviços essenciais. São também, cada vez mais, os territórios mais expostos aos impactos das alterações climáticas e às consequências devastadoras de fenómenos extremos, como os incêndios florestais ou as cheias, tal como vivemos no início deste ano.
Esta leitura encontra eco em diagnósticos recentes, como o 9.º Relatório da Coesão Económica, Social e Territorial, publicado pela Comissão Europeia em 2024, que alerta para o risco real de agravamento das desigualdades sociais e regionais no contexto das transições climática, digital e demográfica. O relatório sublinha que a convergência entre países esconde assimetrias territoriais profundas e que, sem políticas públicas sensíveis às pessoas e aos lugares, estas transformações tendem a penalizar sobretudo os territórios mais frágeis, envelhecidos ou menos conectados.
Não é possível um país desenvolver‑se de forma sustentada e sustentável se for deixando partes do seu território para trás. A forma como desenhamos as cidades e organizamos o território tem impacto direto na nossa consciência coletiva, na coesão social, na eficiência económica e na capacidade de resposta aos desafios presentes e futuros. Ecologia urbana implica garantir equidade no acesso à habitação digna, à educação, aos cuidados de saúde, ao trabalho, ao tempo, à cultura e à participação cívica e comunitária.
O diálogo construtivo entre municípios, académicos, sociedade civil e agentes económicos é condição para alcançar estes objetivos. O planeamento e o urbanismo são, por isso, instrumentos de concretização da justiça social e não apenas domínios técnicos reservados a especialistas. O território reflete escolhas, prioridades e exclusões, tornando visível quem fica à margem.
A Laudato Si’ alerta para o risco de cidades “que se tornam inabitáveis por causa da poluição, do caos e da ausência de espaços verdes” (LS §44), mas reconhece também que a cidade pode ser lugar de criatividade e solidariedade, quando é pensada a partir da pessoa humana e do bem comum. Não se trata de rejeitar a cidade, mas de a reconciliar com a vida.
Felizmente, temos bons exemplos nos quais nos podemos inspirar. Paris, como se pode ver nesta reportagem da Bloomberg, é a prova de que é possível fazer e viver as cidades de modo diferente. Os resultados são já visíveis, por exemplo, ao nível da qualidade de vida e da redução da poluição do ar e da água. E embora ainda haja caminho a fazer neste processo de transformação, a direção parece estar a trazer frutos e a fazer a cidade (re)florescer.
Também São Paulo, mestre na arte de converter comunidades, nos oferece imagens que ajudam a pensar a cidade para lá da técnica. Tal como a comunidade é comparável a um corpo com muitos membros, diferentes e interdependentes, também a cidade não pode ser concebida como um conjunto de fragmentos isolados. Um território verdadeiramente ecológico é um corpo integrado, onde cada parte conta e onde as fragilidades não são empurradas para fora do campo de visão.
Quando o território é organizado sem esta lógica, tudo se transforma em barreira: à mobilidade, ao encontro, à dignidade. Mas quando o planeamento assume a sua função social, do betão pode florescer a beleza de um espaço que acolhe, cuida e integra.
Cuidar da Casa Comum é também acolher a cidade como lugar humano, social e espiritual. E aprender a ver novas oportunidades no espaço urbano, porque a beleza que procuramos pode não estar fora dele, mas na forma como escolhemos habitá‑lo.
Margarida Ferreira Marques
20 abril 2026
19 abril 2026
III Domingo da Páscoa
EVANGELHO – Lucas 24,13-35
Dois dos discípulos de Emaús
iam a caminho duma povoação chamada Emaús,
que ficava a sessenta estádios de Jerusalém.
Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido.
Enquanto falavam e discutiam,
Jesus aproximou Se deles e pôs Se com eles a caminho.
Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem.
Ele perguntou lhes.
«Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?»
Pararam entristecidos.
E um deles, chamado Cléofas, respondeu:
«Tu és o único habitante de Jerusalém
a ignorar o que lá se passou estes dias».
E Ele perguntou: «Que foi?»
Responderam Lhe:
«O que se refere a Jesus de Nazaré,
profeta poderoso em obras e palavras
diante de Deus e de todo o povo;
e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes
O entregaram para ser condenado à morte e crucificado.
Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel.
Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu.
É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram:
foram de madrugada ao sepulcro,
não encontraram o corpo de Jesus
e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos
a anunciar que Ele estava vivo.
Mas a Ele não O viram».
Então Jesus disse lhes:
«Homens sem inteligência e lentos de espírito
para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram!
Não tinha o Messias de sofrer tudo isso
para entrar na Sua glória?»
Depois, começando por Moisés
e passando por todos os Profetas,
explicou lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito.
Ao chegarem perto da povoação para onde iam,
Jesus fez menção de ir para diante.
Mas eles convenceram n’O a ficar, dizendo:
«Ficai connosco, Senhor, porque o dia está a terminar
e vem caindo a noite».
Jesus entrou e ficou com eles.
E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção,
partiu-o e entregou-lho.
Nesse momento abriram se lhes os olhos e reconheceram n’O.
Mas Ele desapareceu da sua presença.
Disseram então um para o outro:
«Não ardia cá dentro o nosso coração,
quando Ele nos falava pelo caminho
e nos explicava as Escrituras?»
Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém
e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com ele,
que diziam:
«Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão».
E eles contaram o que tinha acontecido no caminho
e como O tinham reconhecido ao partir o pão.
18 abril 2026
Pensamentos Impensados
Os engarrafamentos de trânsito poderão fazer com que aumente a taxa de alcoolémia?
O filho de um português e de uma francesa é luso-gaulês, se for de doi portugueses é luso-português.
Há tempos, uns comerciantes decidiram pôr nas montras dos seus estabelecimentos as dívidas dos caloteiros; eram facturas expostas.
Pedro era poeta; a sua especialidade eram versos delico-doces, por isso era chamado Pedro Homem de Mel.
Músicos que toquem um requiem têm de estar afinados, quando não é toque a finados.
SdB (I)
17 abril 2026
Textos dos dias que correm *
Os pássaros assobiam as primeiras claridades lá fora, declarando oficialmente mais uma noite em branco. Tenho sono. Não teria qualquer dificuldade em adormecer se tentasse, a cama é do melhor que se pode pedir, macia e bem guarnecida de coberturas, o cansaço é do que pesa no corpo, como uma subtil multiplicação da força de gravidade que se traduz numa lentidão de paquiderme à medida que me vou arrastando de divisão em divisão, só não me apetece ir dormir, por enquanto. O silêncio do meu dia velho vai sendo interrompido, a espaços, pelo bulício do dia novo dos outros.
Esqueço-me sempre, algures entre a rotina e a inércia, que cada dia é, espante-se, um dia novo. Pior, tendo a confundir uns dias com os outros e acuso-os, injustamente, de serem todos iguais. Reclamo da ausência da novidade como quem reclama que a sopa está insossa, e atrevo-me a apontar o dedo aos que, de uma forma ou de outra, estão próximos o suficiente para serem responsáveis pela falha.
Salpico o vidro da janela com impressões da ponta do nariz, alternando as ideias entre quem é o chefe da cozinha da vida e quantidade de tons de azul novos que são inventados todas as madrugadas. Decido ir dormir, afinal, para amanhã estão guardadas vinte e quatro horas, todas novas, se eu quiser.
ZdT
* publicado originalmente a 2 de Novembro de 2010
16 abril 2026
15 abril 2026
Poemas dos dias que correm
Maria Andrade
Maria Andrade
só com o Ciclo Preparatório
e sem saber
o que é um adjectivo
dedica-se ao estudo
da Termodinâmica Generalizada
frequenta mesmo um curso pago
no Centro Paroquial dos Anjos
o professor diz aos alunos
que ao fim de umas tantas lições
o que uma dona de casa
poupa no gás
dá-lhe para pagar o curso
e depois começa a dar-lhe mesmo
para fazer poupança
e investir
é assim que é feita
a auto-avaliação dos conhecimentos
Maria Andrade delicia-se
com a teoria
da água a ferver
do banho-maria
do frigorífico
da panela de pressão
da garrafa termos
(ah as paredes adiabáticas)
da caixa Tupperware
do demónio de Maxwell
gere o arquivo dos virginais tricots
como um sistema
minimizando a entropia dele
ou seja as traças
e a moda
influenciando
o ambiente turbulento de mudança
pelo uso do marketing
e da publicidade
que funciona com a moda
mas não com as traças
dobra
poesia reunida
a continuação do fim do mundo (1995)
assírio & alvim
2021
14 abril 2026
Das engrenagens *
![]() |
| Fotografia tirada da net |
A interdependência, que não é mais do que uma engrenagem perfeitamente concebida - não é um vantagem ou um exercício de eficácia fabril. A interdependência é apenas aquilo que nos salva.
13 abril 2026
12 abril 2026
II Domingo da Páscoa
EVANGELHO – João 20,19-31
Na tarde daquele dia, o primeiro da semana,
estando fechadas as portas da casa
onde os discípulos se encontravam,
com medo dos judeus,
veio Jesus, colocou Se no meio deles e disse lhes:
«A paz esteja convosco».
Dito isto, mostrou lhes as mãos e o lado.
Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.
Jesus disse lhes de novo:
«A paz esteja convosco.
Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós».
Dito isto, soprou sobre eles e disse lhes:
«Recebei o Espírito Santo:
àqueles a quem perdoardes os pecados ser lhes ão perdoados;
e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».
Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo,
não estava com eles quando veio Jesus.
Disseram lhe os outros discípulos:
«Vimos o Senhor».
Mas ele respondeu lhes:
«Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos,
se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado,
não acreditarei».
Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa
e Tomé com eles.
Veio Jesus, estando as portas fechadas,
apresentou Se no meio deles e disse:
«A paz esteja convosco».
Depois disse a Tomé:
«Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos;
aproxima a tua mão e mete a no meu lado;
e não sejas incrédulo, mas crente».
Tomé respondeu Lhe:
«Meu Senhor e meu Deus!»
Disse lhe Jesus:
«Porque Me viste acreditaste:
felizes os que acreditam sem terem visto».
Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos,
que não estão escritos neste livro.
Estes, porém, foram escritos
para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus,
e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.
11 abril 2026
Pensamentos Impensados
Auto-estima: diz-se de quem trata bem os automóveis.
Os filhos ilegítimos também descendem dos antepassados?
Quem estiver proibido pelos médicos de comer sal também estará proibido de receber salário?
Se à Beatriz Costa tivessem cortado a franja, teria ficado com um aspecto confrangedor?
Mouzinho de Albuquerque tinha furor ultramarino?
Os flambeados também podem fazer-se com aguardente; neste caso chama-se lume brandy.
SdB (I)
10 abril 2026
09 abril 2026
Imagem e poema dos dias que correm
***
Nós os vencidos do catolicismo
que não sabemos já donde a luz mana
haurimos o perdido misticismo
nos acordes dos carmina burana
não é que no mais fundo não creiamos
mas não lutamos já firmes e a pé
nem nada impomos do que duvidamos
depois de ouvir como a samaritana
que em espírito e verdade é que se adora
Deixem-me ouvir os carmina burana
e no homem que dizem que criaste
se temos o que temos e jogamos
"Meu deus meu deus porque me abandonaste?"
Ruy Belo | "Obra Poética de Ruy Belo" - Vol. 1, pág. 147 | Editorial Presença Lda., 1984
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