16 dezembro 2009

58 para o Rato

- Sente-se aqui!
- Não se preocupe, eu estou habituada a ficar de pé. Sabe, o meu paizinho era uma pessoa muito ontoritária.

Para a próxima já sei: Vou de ontomóvel. Continuo a achas que o mundo está virado oncontrário.

E porquê?

Não sei. Pergunta-me outra vez... Continuo sem saber. Espera, foi a areia do Guincho! Não... foi o vento desordenado que mexe as ondas e nos baralhou as ideias? Pois, eu não sei.

Só sei só que me encheste o coração numa altura em que o via como uma bóia velha a esvaziar a cada segundo. Não sei qual foi a razão para me desarmares, me despires a alma e os sentimentos. Mas baralhaste-me. Baralhas-me, confundes-me e desnorteias o meu Norte tão regrado e sempre tão composto.

Não sei, mas fazes-me chorar sem ser por ti, fazes-me rir sem razão aparente e fazes-me sentir que existo, mesmo quando me ignoras.

Não sei qual é o poder que tens sobre mim e às vezes nem sei se existes. Não sei se é possível a barriga doer de tanta dor, morrer de tanto rir ou sofrer de tanto amor.

Eu não sei. Falta-me saber tanta coisa. Não sei se deva, se quero ou se posso. Não sei se quero para sempre ou se quero nunca mais. Sei que o mundo está virado ao contrário. Eu não sei.

TdB

2 comentários:

Anónimo disse...

Que bonito, TdB. Percebo-a muito bem. pcp

Anónimo disse...

Pois em verdade lhe digo (e não fui eu quem primeiro o disse): quem sabe que pouco sabe, sabe o mais importante.

Gostei muito. Muita da melhor poesia alguma vez escrita utilizou a prosa para se expressar. De certa maneira, foi o que senti, ao ler as suas palavras.

As minhas flores,

gi.

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