As melhores viagens são, por vezes, aquelas em que partimos ontem e regressamos muitos anos antes
13 julho 2026
12 julho 2026
XV Domingo do Tempo Comum
EVANGELHO - Mt 13,1-23
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele dia,
Jesus saiu de casa e foi sentar-Se à beira-mar.
Reuniu-se à sua volta tão grande multidão
que teve de subir para um barco e sentar-Se,
enquanto a multidão ficava na margem.
Disse muitas coisas em parábolas, nestes termos:
"Saiu o semeador a semear.
Quando semeava,
caíram algumas sementes ao longo do caminho:
vieram as aves e comeram-nas.
Outras caíram em sítios pedregosos,
onde não havia muita terra,
e logo nasceram porque a terra era pouco profunda;
mas depois de nascer o sol, queimaram-se e secaram,
por não terem raiz.
Outras caíram entre espinhos
e os espinhos cresceram e afogaram-nas.
Outras caíram em boa terra e deram fruto:
umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um.
Quem tem ouvidos, oiça".
Os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe:
"Porque lhes falas em parábolas?"
Jesus respondeu-lhes:
"Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos Céus,
mas a eles não.
Pois àquele que tem dar-se-á e terá em abundância;
mas àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado.
É por isso que lhes falo em parábolas,
porque vêem sem ver e ouvem sem ouvir nem entender.
Neles se cumpre a profecia de Isaías que diz:
'Ouvindo ouvireis, mas sem compreender;
olhando olhareis, mas não vereis.
Porque o coração deste povo tornou-se duro:
endureceram os seus ouvidos e fecharam os seus olhos,
para não acontecer
que, vendo com os olhos e ouvindo com os ouvidos
e compreendendo com o coração,
se convertam e Eu os cure'.
Quanto a vós, felizes os vossos olhos porque vêem
e os vossos ouvidos porque ouvem!
Em verdade vos digo: muitos profetas e justos
desejaram ver o que vós vedes e não viram
e ouvir o que vós ouvis e não ouviram.
Vós, portanto, escutai o que significa a parábola do semeador:
Quando um homem ouve a palavra do reino
e não a compreende,
vem o Maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração.
Este é o que recebeu a semente ao longo do caminho.
Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos
é o que ouve a palavra e a acolhe de momento,
mas não tem raiz em si mesmo, porque é inconstante,
e, ao chegar a tribulação ou a perseguição por causa da palavra,
sucumbe logo.
Aquele que recebeu a semente entre espinhos
é o que ouve a palavra,
mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza
sufocam a palavra, que assim não dá fruto.
E aquele que recebeu a palavra em boa terra
é o que ouve a palavra e a compreende.
Esse dá fruto,
produz ora cem, ora sessenta, ora trinta por um".
11 julho 2026
Pensamentos impensados
Velocidades Há dias fui ultrapassado por um daqueles motoristas que fazem condução agressiva e não respeitam as regras; apeteceu-me dizer-lhe: chegas a casa mais cedo e arriscas-te a uma surpresa desagradável. x
Comodidade. A burka deve ser a vestimenta mais prática e cómoda que há. A mulher enfia aquilo pela cabeça, não se penteia, não põe rouge, rimmel ou blush, não lava as orelhas, não lava os dentes, não põe baton, e o mais que se queira pensar. Enfia aquilo pela cabeça, e já está.
Datas. Para Jesus Cristo, o ano de 33 foi crucial. x
Tracção animal Dizia-se que a bicicleta era o único meio de transporte em que a besta que puxava ia sentada. Então e o barco a remos?
Vi, na TV, um polícia a arrastar um tipo, isto é, levava um sujeito a reboque. Será que esse tipo estaria parado em frente duma garagem que dizia sujeito a reboque?
SdB (I) x
10 julho 2026
Poemas dos dias que correm
FADO DO HOMEM VELHO .
09 julho 2026
08 julho 2026
Textos dos dias que correm
dicionário imperfeito
guimarães editores
2008
07 julho 2026
06 julho 2026
Carta a um anjo
Nasceste hoje, mas há 32 anos.
***
Estes últimos dias fui pensando no que escrever no dia de hoje. Veio-me sempre ao alcance dos olhos a expressão serendipismo (do inglês serendipity). Conheci a expressão há um ror de anos (parece-me até que me lembro de quem ma apresentou) e ela foi ganhando em mim uma actualidade permanente. Ou seja, não é uma expressão datada, localizada num contexto e num momento. E ganhou foros de notoriedade quando, para efeitos da minha tese de doutoramento, entrevistei vários Pais em luto, maioritariamente mães.
Viktor Frankl (prisioneiro em vários campos de concentração), um autor sobre o qual pensei muito e escrevi muito, partilha a sua experiência em Um homem em busca de sentido:
[s]enti como transcendia aquele mundo de desespero sem sentido e, vindo não sei bem de onde, escutei um vitorioso ‘Sim’ em resposta à minha pergunta sobre a existência de um sentido último. Nesse momento, numa quinta distante, uma luz acendeu-se e permaneceu no horizonte como se tivesse sido pintada nele, no meio do cinzento miserável de um alvorecer na Baviera. ‘Et lux in tenebris lucet’ - e a luz brilhou nas trevas [...] [e]stive durante horas a tentar escavar o chão gelado. O guarda passou, insultando-me, e uma vez mais comunguei com a minha amada. Sentia a sua presença com cada vez maior intensidade, sentia que estava comigo; tinha a sensação de poder tocá-la, de poder esticar a minha mão para pegar na dela. Esse sentimento era muito forte: ela estava ali. Então, nesse preciso momento, um pássaro voou em silêncio e veio pousar mesmo à minha frente, num monte de terra que tinha escavado da vala, e ficou a olhar fixamente para mim.
Fora já das discussões / entrevistas para efeitos de tese, três mães partilharam comigo os seus episódio de serendipismo.
A filha de uma delas, e que morrera, tivera sempre uma paixão por França, embora nunca lá tivesse vivido. A mãe, divorciada do seu marido após a morte da filha de ambos, refez a vida com um francês. Impossibilitada de comparecer, a conservadora que os iria casar delegou a tarefa numa colega que tinha o nome da filha. Na ilha onde tinham decidido passar a lua de mel cruzaram-se com um cartaz turístico: bem-vindos a... Desconheciam por completo que a capital da ilha tinha o mesmo nome da filha que
O filho de uma outra mãe, fã de um cantor português, identificava uma determinada música como sendo dele e da mãe. Um dia, por alturas do aniversário da morte da criança, a mãe foi a Paris com o marido e o outro filho. Sentada nos degraus de uma igreja, terá pedido um sinal de que o filho estaria “por ali”. Desceu as escadas, palmilhou uma rua e cruzou-se com o tal cantor.
Por último, uma outra mãe contava que gostava muito de pássaros. Numa das missas por alma da filha, num momento de silêncio após a homilia, ouviu-se na igreja o piar de um pássaro. Talvez fosse o mesmo pássaro que olhou fixamente para Viktor Frankl.
A investigação de Christian Busch (um professor norte-americano que se debruçou sobre estes temas) sugere que “o serendipismo apresenta três características principais. Começa com um gatilho de serendipismo – o momento em que a pessoa se depara com algo invulgar ou inesperado. Em seguida, é necessário ligar os pontos – isto é, observar o gatilho e ligá-lo com algo aparentemente não relacionado, percebendo assim o valor potencial dentro do evento fortuito (por vezes chamado momento ‘Eureka!’). Finalmente, são necessárias perspicácia e tenacidade para prosseguir e criar um resultado positivo inesperado.”
Há quem diga que a capacidade para perceber estas características é uma faculdade; há quem lhe chame um dom. Acima de tudo é um momento de enorme conforto interior, porque é a evidência de que os nossos filhos andam por aí.
***
JdB, em nome de todos os que te lembram.
05 julho 2026
XIV Domingo do Tempo Comum
EVANGELHO - Mt 11,25-30
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo, Jesus exclamou:
"Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra,
porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes
e as revelaste aos pequeninos.
Tudo me foi dado por meu Pai.
Sim, Pai, Eu Te bendigo,
porque assim foi do teu agrado.
Ninguém conhece o Filho senão o Pai
e ninguém conhece o Pai senão o Filho
e aquele a quem o Filho o quiser revelar.
Vinde a Mim,
todos os que andais cansados e oprimidos,
e Eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo
e aprendei de Mim,
que sou manso e humilde de coração,
e encontrareis descanso para as vossas almas.
Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve".
04 julho 2026
Pensamentos impensados
Atendendo a que Portugal é um dos melhores fabricantes de calçado, são de acarinhar os turistas de pé descalço, pois são potenciais compradores de sapatos.
Visitas guiadas. Há cerca de 50 anos visitei o Paço dos Duques de Bragança, em Guimarães; nesse tempo não havia guias nem cicerones, e as visitas eram guiadas por contínuos ou porteiros. A pessoa que guiou o grupo lá foi debitando umas patacodas até que a certa altura, e para acabar, encolheu os ombros e disse: coisas dos tempos dos Condes e dos Marqueses.
Derrapagem. Quando há derrapagens nas obras públicas, alguém se lembra de mandar soprar no balão os ministros envolvidos?
SdB (I)
03 julho 2026
Textos dos dias que correm
Aprendiendo
Después de un tiempo, uno aprende la sutil diferencia entre sostener una mano y encadenar un alma, y uno aprende que el amor no significa acostarse y una compañía no significa seguridad, y uno empieza a aprender...
Que los besos no son contratos y los regalos no son promesas, y uno empieza a aceptar sus derrotas con la cabeza alta y los ojos abiertos, y uno aprende a construir todos sus caminos en el hoy, porque el terreno de mañana es demasiado inseguro para planes...y los futuros tienen una forma de caerse en la mitad.
Y después de un tiempo uno aprende que si es demasiado, hasta el calor del sol quema. Así que uno planta su propio jardín y decora su propia alma, en lugar de esperar a que alguien le traiga flores. Y uno aprende que realmente puede aguantar, que uno realmente es fuerte, que uno realmente vale, y uno aprende y aprende... y con cada día uno aprende. Con el tiempo aprendes que estar con alguien porque te ofrece un buen futuro, significa que tarde o temprano querrás volver a tu pasado.
Con el tiempo comprendes que sólo quien es capaz de amarte con tus defectos, sin pretender cambiarte, puede brindarte toda la felicidad que deseas. Con el tiempo te das cuenta de que si estás al lado de esa persona sólo por acompañar tu soledad, irremediablemente acabarás no deseando volver a verla. Con el tiempo entiendes que los verdaderos amigos son contados, y que el que no lucha por ellos tarde o temprano se verá rodeado sólo de amistades falsas.
Con el tiempo aprendes que las palabras dichas en un momento de ira pueden seguir lastimando a quien heriste, durante toda la vida. Con el tiempo aprendes que disculpar cualquiera lo hace, pero perdonar es sólo de almas grandes. Con el tiempo comprendes que si has herido a un amigo duramente, muy probablemente la amistad jamás volverá a ser igual. Con el tiempo te das cuenta que aunque seas feliz con tus amigos, algún día llorarás por aquellos! que dejaste ir. Con el tiempo te das cuenta de que cada experiencia vivida con cada persona es irrepetible.
Con el tiempo te das cuenta de que el que humilla o desprecia a un ser humano, tarde o temprano sufrirá las mismas humillaciones o desprecios multiplicados al cuadrado. Con el tiempo aprendes a construir todos tus caminos en el hoy, porque el terreno del mañana es demasiado incierto para hacer planes. Con el tiempo comprendes que apresurar las cosas o forzarlas a que pasen ocasionará que al final no sean como esperabas. Con el tiempo te das cuenta de que en realidad lo mejor no era el futuro, sino el momento que estabas viviendo justo en ese instante.
Con el tiempo verás que aunque seas feliz con los que están a tu lado,añorarás terriblemente a los que ayer estaban contigo y ahora se han marchado. Con el tiempo aprenderás que intentar perdonar o pedir perdón, decir que amas, decir que extrañas, decir que necesitas, decir que quieres ser amigo, ante una tumba, ya no tiene ningún sentido. Pero desafortunadamente, solo con el tiempo...”
Jorge Luis Borges
02 julho 2026
01 julho 2026
Vai um gin do Peter’s ?
AMOR COMO ARTE
Se há palavra gasta no vocabulário comum é ‘amar’ em todas as derivações, até ao expoente, quando merece ser substantivado. A centralidade do tema para os humanos explica o seu uso intensivo (por vezes, abusivo), com os inevitáveis desvios semânticos que as visões pessoais vão imprimindo ao conceito. Para o caso, serão residuais as manipulações de uns poucos, que se apropriam do termo para o instrumentalizar, apostando na relevância daquele som mágico para a maioria.
Apesar das adulterações (especialmente intensas, a partir do séc. XIX, misturando-se equívocos conceptuais com jogadas de marketing), não é fácil recuperar o conceito original com uma abordagem simples, sem simplismos, e concisa, apanhando-lhe o epicentro semântico. Esse será o grande mérito de uma breve reflexão baseada no pensamento do sociólogo, psicanalista e filósofo germano-americano judeu – Erich Fromm (1900-1980). Nalguns aspectos, poderá soar algo extremada, como se percebe num académico que sabe estar em contra-corrente com a cultura dominante do pós Guerra, no Ocidente. Porém, Fromm consegue apontar à essência de um tema tão vasto e escorregadio, focando-se nas suas principais coordenadas, associadas à consciência, à liberdade exercida com lucidez e sentido positivo, e menos à emoção, aos sentimentos, à paixão per se.
Talvez as convicções de Fromm não sejam as esperadas, pois reconhece sacralidade no amor, enquanto se autodefine como ateu místico. Nascido numa família alemã judia muito religiosa, com uma dinastia de rabinos, acabou por perder a fé e abandonar a Alemanha, logo em 1934, depois de Hitler subir ao poder. Doutorou-se em sociologia e enveredou pela psicanálise freudiana, depois seguindo derivas próprias. Politicamente, era socialista marxista, mas viveu anos nos EUA, onde se assumia como pacifista. Acabou por se incompatibilizar com as universidades norte-americanas e mudou-se para o México. Acabou os seus dias na Suíça.
A reflexão aqui postada retira ideias do seu livro de 1956: «A Arte de Amar». O arranque interpelativo tira-nos da zona de conforto – «Love is not a feeling, it’s a practice» – assim forçando um reposicionamento do tema, que vai directo ao âmago da questão: «Love is an act of faith. (…) Love is an art. Like music or painting, it demands knowledge, effort, discipline (…). There’s a dangerous idea that love is passive, that it happens to us. To love is to give, without losing yourself (…), to be responsible for another’s heart, without trying to own it. (…) It take roots in small acts. (…) We were not born knowing how to love, we were born needing it. Learning to give it is a work of a lifetime. (…) Next time you wonder why love feels hard, remember, it’s not that it’s impossible, it’s that it’s sacred. And sacred things take time.».
30 junho 2026
Crónica de um doutorando tardio
Em 1984 formei-me em Engenharia Mecânica no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL). Em 2012, desafiado por uma amiga, inscrevi-me numa pós-graduação intitulada Artes da Escrita (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa). Nesse mesmo ano, impulsionado por um professor, candidatei-me ao Programa em Teoria da Literatura da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tendo concluído o mestrado em 2015. Em Setembro deste ano, em correndo tudo bem, completarei o doutoramento no mesmo programa, na mesma universidade.
O parágrafo acima tem pouco de vaidade, tem muito - quase tudo de gozo. Em bom rigor, há dois momentos de vaidade: a conclusão de um curso em engenharia que detestei desde o primeiro dia; e a (re)entrada aos 55 anos numa faculdade totalmente desconhecida, para ouvir e discorrer sobre temas que, nalguns casos, me foram particularmente difíceis de seguir. A vaidade está na saída - quase forçada num caso, e totalmente voluntária noutro - da minha zona de conforto. Tudo o resto - e esse resto é muito - é gozo, puro gozo.
Desde 2013 que me sento na mesma aula, quase sempre no mesmo lugar (as obsessões funcionam assim...) a ouvir falar de temas e de autores que, ou conhecia pouco, ou sobre os quais / de quem tinha lido quase nada, ou que desconhecia por completo. As estantes de minha casa encheram-se de livros que nunca leria, de autores que não constavam da minha lista de intenções. A vida é maldosamente irónica: há 40 anos eu tinha uma memória óptima e sabia muito pouco da vida, e talvez fosse incapaz de relacionar estes autores / temas uns com os outros, ou com o meu próprio caminho. Hoje tenho uma experiência de vida diferente e consigo relacionar (quase) tudo; já não tenho é a memória de antes...
Nestes últimos 15 anos fiz bons amigos na Faculdade, todos com idade para serem meus filhos. Conheci muitos outros estudantes com quem tive menos contactos ou proximidade. Todos eles são pessoas muito interessantes, a defenderem teses ou mestrados em temas difíceis, a discorrerem sobre temas que me interessaram. A maioria deles, talvez, terá um futuro interrogado na área que escolheram...
O doutoramento não conclui quase nada, a não ser um capítulo da minha vida que tem 25 anos e que, por isso, merece ser posto no papel. A minha relação com a oncologia pediátrica foi de tal forma humanamente rica que merecia que eu fizesse alguma coisa com isso. O resto não se altera. Em Setembro conto sentar-me na mesma aula, no mesmo lugar, a ouvir professores que já conheço que me apresentarão teorias interessantes sobre livros que não li, de cujos autores li outras coisas ou nada. Vou encher-me de gozo com mais estas descobertas, vou encher-me de frustração com a memória e capacidade de retenção que vão desaparecendo. E vou ver caras conhecidas de pessoas que me tratam com amizade e deferência. Afinal, entre eles e eu há 40 anos de diferença...
JdB
29 junho 2026
28 junho 2026
XIII Domingo do Tempo Comum
EVANGELHO - Mt 10,37-42
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos:
"Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim,
não é digno de Mim;
e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim,
não é digno de Mim.
Quem não toma a sua cruz para Me seguir,
não é digno de Mim.
Quem encontrar a sua vida há-de perdê-la;
e quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la.
Quem vos recebe, a Mim recebe;
e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou.
Quem recebe um profeta por ele ser profeta,
receberá a recompensa de profeta;
e quem recebe um justo por ele ser justo,
receberá a recompensa de justo.
E se alguém der de beber,
nem que seja um copo de água fresca,
a um destes pequeninos, por ele ser meu discípulo,
em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa".
27 junho 2026
Pensamentos Impensados
A espada de Dâmocles pode ser considerada uma pena suspensa?
Quando há incêndios e os jornalistas querem saber quantos homens o combatem, perguntam quantos meios estão no terreno. Será que 40 homens equivalem a 80 "meios"?
O ouriço-do-mar, devido a um fenómeno chamado partenogénese, não precisa de parceiro para se reproduzir. Poderá chamar-se família monoparental?
Os hooligans gritam palavras de ordem ou palavras de desordem?
SdB (I)
26 junho 2026
Poemas dos dias que correm
25 junho 2026
24 junho 2026
Textos dos dias que correm
"Isto de religião está cada vez pior dentro de mim. Depois de uns arrancos fundos e angustiosos, a coisa foi secando, secando, até chegar a esta mirra mística, que já não há Jordão teológico capaz de vivificar.
Mas quanto mais pobre estou desse conteúdo humano, mais cheio me sinto de desespero. O que eu dava para me levantar cedo esta manhã, ir à missa, e voltar da igreja com a cara que trazia o meu vizinho!Não é que eu tenha verdadeiramente pecados, ou que, se os tivesse, algum Deus fosse capaz de me lavar deles. (Até o último aldeão sabe que quando muda um marco não há céu que lhe benza a maroteira).
Queria era sentir-me ligado a um destino extra-biológico, a uma vida que não acabasse com a última pancada do coração."
(Miguel Torga (“Diário I vol.)
"Ser incréu custa muito! É dia de Páscoa. O gosto que eu teria de beijar também o Senhor, se acreditasse! Assim, olho a fé dos outros em aleluia, e fico nesta tristeza agnóstica que faz da vida uma agónica aventura sem esperança de ressurreição."
(Miguel Torga, Diário XIII)
23 junho 2026
De como os outros nos vêem
Nos últimos anos tenho frequentado aquilo a que talvez se chame clubes de homens - e uso esta expressão para diferenciar estes clubes de outras agremiações - clubes de futebol, de bairro, de outras actividades lúdicas ou desportivas mais ou menos amadoras. A expressão clubes de homens também está actualmente parcialmente desactualizada; apesar de muitos terem começado com sócios masculinos apenas, outros sempre foram mistos ou, noutro caso, embora não aceitando senhoras como sócias, recebem-nas com gosto ao almoço, ficando numa sala diferente, juntamente com os homens que também não são sócios.
Sentarmo-nos à mesa nestes clubes é uma actividade social: vamos com amigos, encontramos amigos, fazemos amigos ou limitamo-nos a conhecer pessoas. As conversas são variadas: pode falar-se de futebol ou de política (pouco, felizmente), de finanças ou de corridas de touros, podem contar-se histórias antigas da família ou do Portugal de outros tempos, ou lembrar sócios ausentes. À mesa podem estar 7 pessoas ou 20 e tudo isso também contribui para que as conversas variem muito; por vezes fazem-se grupos, por vezes todas as pessoas conversam sobre o mesmo tema. Por vezes a companhia é boa, por vezes nem por isso. Nada de muito espantoso, portanto - menos ainda de secreto. Quando se chega a casa é natural que nos perguntem: então a mesa no clube X? Era uma boa mesa? Reportamos quem estava, do que se conversou, o que era o almoço. Igualmente, nada de muito espantoso.
É natural que nestes clubes haja um ou mais empregados a servirem à mesa, ou a darem apoio à refeição - estão por ali, em movimento ou parados, prontos para o que for preciso. Ao contrário de um restaurante, estes empregados podem servir apenas uma mesa composta por um grupo homogéneo de pessoas. Um dia destes, ao olhar para um deles que seguia de forma muito interessada uma conversa sobre a actividade bancária do antigo regime - quem era quem, quem tinha feito o quê ou quem tinha sido administrador de que banco - dei por mim a pensar: o que lhe pergunta a mulher quando ele chega a casa, e o que lhe diz ele? Isto é, como olha ele para um conjunto de 15 ou 20 pessoas engravatadas, que falam disto e daquilo, desde o golfe à Feira de Sevilha, passando pelos novos sócios ou pela comparação com outros clubes? E o que diz ele à mulher como informação relevante: fala nos nomes (todos estes empregados conhecem os nomes dos sócios), no que cada um disse, no nível da gorjeta, nas conversas?
O sócio olha para o empregado e vê-lhe simpatia, educação, bom serviço. Mas não lhe exige discrição, pelo que, chagado a casa, o empregado X se sente à vontade para comentar o almoço e os comensais. O que dirá ele, caso alguém se interesse pelo seu dia de trabalho? Como é que os empregados de um clube vêem os sócios?
JdB
21 junho 2026
XII Domingo do Tempo Comum
EVANGELHO - Mt 10,26-33
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos:
"Não tenhais medo dos homens,
pois nada há encoberto que não venha a descobrir-se,
nada há oculto que não venha a conhecer-se.
O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia;
e o que escutais ao ouvido proclamai-o sobre os telhados.
Não temais os que matam o corpo,
mas não podem matar a alma.
Temei antes Aquele que pode lançar na geena a alma e o corpo.
Não se vendem dois passarinhos por uma moeda?
E nem um deles cairá por terra
sem consentimento do vosso Pai.
Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados.
Portanto, não temais:
valeis muito mais do que os passarinhos.
A todo aquele que se tiver declarado por Mim
diante dos homens
também Eu Me declararei por ele
diante do meu Pai que está nos Céus.
Mas àquele que me negar diante dos homens,
também Eu o negarei
diante do meu Pai que está nos Céus".
20 junho 2026
Pensamentos Impensados
Coisas impensáveis
O Museu Arqueológico de S. Miguel de Odrinhas fica a meio caminho entre Sintra e Ericeira. Foi construído em 1995 pela Câmara Municipal de Sintra e consta, principalmente, de "pedras" romanas, tais como lápides, sarcófagos etc. Há cerca de 50 anos visitei-o pela primeira vez, e não passava de um amontoado de pedras que estavam ao ar livre num terreno murado.
(Se não era assim era parecido; já lá vão 50 anos).
Quando quis entrar deparei-me com a porta fechada; indaguei quem tomava conta e informaram-me que era a "Sra. Maria", que estaria no campo a trabalhar; fui ter com a senhora e pedi-lhe para me franquear a entrada; acedeu contrariada, pois estava a trabalhar. Durante a visita vi vários sarcófagos, em pedra, que continham esqueletos do tempo dos romanos; também vi que por ali passeavam cães. Mostrei estranheza à guia / conservadora, que só me disse: É, às vezes abalam com os ossos.
SdB (I)
19 junho 2026
Poemas dos dias que correm *
the horizon just laughed
vinte anos para descobrir que afinal houve uma fresta,a possibilidade de uma centelha e de toda uma vida diferente
entre esse ponto A e este ponto B onde, desalegres e bebidos,
matamos mágoas destes vinte anos tão bem e tão mal vividos.
de súbito, eras outra vez tu nos teus vinte e poucochinhos anos
ou, creio bem, seria eu, num etilizado e furioso "rewind",
em busca destes anos, destes tantos anos tontos.
a luz do cigarro iluminou-te tenuemente - como és bela, pensei -,
enquanto semi-dançavas sentada canções antigas.
sim, sempre o amor, agora como dantes como amanhã,
a única coisa viva em toda uma cidade que dorme.
os anos passaram, rapariga (obrigado, Manuel, pelas palavras)
e nós estamos apenas mais longe de termos acertado
e tão mais perto de termos falhado essa nossa outra vida.
o horizonte riu-se.
o táxi cruzou a jamais nossa cidade.
e eu disse-te adeus, até outra vida, menina.
gi
18 junho 2026
17 junho 2026
Vai um gin do Peter’s ?
AUSCHWITZ NO TEMPO DE NERO
Lembro-me bem da visita ao aterrador Campo de Concentração em Auschwitz, a 70 km da lindíssima cidade polaca de Cracóvia. Enregelei com o frio cortante de janeiro, apesar de estar bem agasalhada e de haver algum sol, ainda que pálido. Os -15º C pioram com a mais leve brisa, doendo até aos ossos. Nem imagino o que seja aguentar aquelas temperaturas negativas nas longas noites da Europa Central, apenas vestida com as célebres fardas de sarja às riscas azuis e brancas.
No horror que aquele espaço evoca, chocou-me o aspecto organizado e harmonioso do casario imenso de Birkenau, ordenado como um magnífico acampamento romano a espraiar-se por uma planície imensa, coberta do branco lustroso da neve fofa. Do lado de fora do muro, erguiam-se cedros de folhagem verdejante, dando solenidade e força àquela paisagem límpida. Que paradoxo aquela beleza tranquila ter sido o cenário de um genocídio monstruoso, felizmente erradicado há 81 anos!
A crueldade da paisagem de Auschwitz, insensível à barbárie sanguinária ali perpetrada, reverbera de forma ampliada nas festas sumptuosas do imperador romano, que instituiu uma perseguição pérfida e incompreensível a um grupo religioso, que nada lhe fizera. Depois de Nero ter ateado fogo à cidade de Roma (segundo reza a história), resolveu passar as culpas do tremendo flagelo para os cristãos, impondo-lhes o pior anátema: a morte da forma mais escabrosa e indigna, sacrificando as vítimas como joguetes de diversão nos espectáculos insanos do Coliseu romano. Ou, pior ainda, usando-os como tochas vivas para iluminar as alamedas dos jardins imperiais! Não há palavras para tamanho horror, mas felizmente ficou a memória histórica desses crimes indecorosos e do escândalo daqueles festins hediondos, manchados de sangue inocente.
A arte tem sido pródiga na denúncia do mal e na revelação da subtileza complexa daquela iniquidade. Além de fazer jus aos factos, relembrando séculos de mortandade gratuita, tem sido incansável a expor o emaranhado paradoxal de um tipo de perfídia estranhamente compatível com uma certa beleza exterior. Coube, precisamente, a um pintor polaco compor a tela intitulada «As Tochas de Nero», também conhecida por «As Velas da Cristandade», referindo-se aos lampiões de carne-e-osso que iluminaram as repugnantes festas de um dos imperadores mais depravados e ferozes da Roma antiga. Nem de propósito, a obra de Henryk Hektor Siemiradzki (1843-1902) está exposta no Museu de Cracóvia, a uns escassos 70 km de Auschwitz…
| «As Tochas de Nero» - pintado por Henryk Hektor Siemiradzki, em 1876/78. © Museu Nacional de Cracóvia |
Para dificultar esta difícil equação onde o belo e a infâmia desumana se autoalimentam, calhou aqueles lampiões inofensivos terem dado a vida por Quem lhes pedia para amarem os inimigos! Volta-se à tela de Siemiradzki e não parece fácil sequer tolerar, quanto mais amar, um anfitrião e uns convidados impiedosos, que aceitam participar em festejos onde inocentes são queimados vivos, à sua frente! O pintor capta com especial acuidade a opulência inebriante dos jardins romanos e o fausto luxuoso da festa de um dos governantes mais poderosos do seu tempo. Em contraponto, o especialista em arte, depois ordenado sacerdote e encarregue da Catedral londrina de Westminter – Pe. Patrick van der Vorst – faz a ponte entre essa mundanidade bela, mas desumana, e a bondade desmesurada (desproporcionada para os padrões humanos) do Mestre dos archotes vivos. No fundo, coloca o dedo na ferida ao convocar a base do amor cristão, que emerge sempre de um acto luminoso de liberdade autêntica, inalcançável para a IA: «when Jesus calls his disciples to love their enemies, he is not speaking primarily about emotions or feelings. He is speaking about an act of the will. Christian love is not sentimental. It means choosing not to hate, refusing to seek revenge, resisting bitterness, and continuing to recognise the dignity of the other person, even when relationships are wounded. To love an enemy does not mean approving of what they have done; it means refusing to allow darkness to have the final word in our own hearts.»
Maria Zarco
(a preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)
16 junho 2026
Do regresso ao Regimento de Infantaria de Abrantes, 45 anos depois
Há pouco mais de um ano recebi um telefonema proveniente de um número que me era desconhecido: o senhor foi aspirante em Abrantes em 1981?. Confirmei que sim, que estava a cumprir o serviço militar nessa altura e naquele local. O meu nome é x, e o senhor foi meu instrutor há 44 anos... Com mais curiosidade do que indignação, perguntei como tinham conseguido o meu telemóvel. De lá veio uma resposta que me pareceu carregada de malícia, não de arrependimento: "o camarada y é funcionário das Finanças..."
Infelizmente não consegui ir ao almoço que se estava a organizar para juntar os recrutas e instrutores daquela longínqua primeira incorporação de 1981. Este ano, para celebrar os 45 anos desse tempo, juntámo-nos também para uma visita ao quartel de Abrantes, que já foi Regimento de Infantaria 2, Regimento de Infantaria de Abrantes, e agora é Regimento de Apoio Militar de Emergência.
O que retive deste encontro (e não vale a pena falar do almoço que se seguiu, que foi convívio apenas):
1. Desde que passei à disponibilidade - Agosto de 1981 - nunca mais tinha entrado no quartel. Curiosamente, achei tudo muito maior; da porta de armas à parada, passando pelas diversas companhias, a minha memória dava a tudo uma dimensão mais pequena.
2. Parte substantiva do quartel está quase ao abandono ou, pelo menos, sem ocupação nem actividade.
3. No grupo estavam 3 ou 4 recrutas do pelotão a que me coube em sorte dar a recruta. Contaram histórias a meu respeito (nenhuma de que me envergonhe, talvez de que me arrependa) e só me apeteceu perguntar: de quem é que estão a falar?
4. A memória dos soldados que fizeram parte desta incorporação era muitíssimo superior à minha. Penso até que muito superior à memória que tenho da minha própria recruta. e eu sou uma pessoa com boa memória...
5. Nunca tive dúvidas do que liga pessoas que cumpriram o serviço militar em conjunto. Nalguns casos - e que não é o meu - essas pessoas fizeram tropa em tempo de guerra: mataram, viram morrer, confrontaram-se com os estropiados e com o medo, correram perigo de vida, sentiram um grande alívio no regresso à metrópole ou numa cerveja numa esplanada. Eu - e estes recrutas - fomos confrontados com o desconforto de uma farda ou de um rancho pouco melhorado, com um aspirante que podia ser mais duro ou com uma cidade onde não havia vida nocturna. Mas, mesmo assim, há algo que os liga uns aos outros que quase enternece: foram todos contemporâneos de uma fase marcante da vida - ou que parece ser marcante.
6. Fizemos 1 minuto de silêncio em homenagem a um camarada que morrera há uns anos, vítima de doença, talvez, ou de um desastre de automóvel. De todos os locais do quartel onde poderíamos fazê-lo, escolheu-se o monumento dedicado aos soldados que morreram no ultramar. O meu nome foi referido enquanto pessoa mais graduada do grupo, e o sargento-mor presente (há muito na disponibilidade) proferiu umas palavras a propósito. Atrás de nós, gravado na pedra, o nome dos que morreram ao serviço da Pátria.
7. A tropa - ou o serviço militar - tem uma carga afectiva muito maior do que aquilo que eu imaginava. Não é sou um tempo de camaradagem, de solidariedade no desenraizamento de casa, de afastamento das rotinas que confortam e do confronto com uma vida feita de regras e disciplina; é um tempo que marca enquanto escola de vida e de valores, que deixa saudades e cria lembranças impactantes, mesmo em tempo de paz. Há todo um vocabulário afectivo e linguístico que acabou. Para as gerações de hoje, ouvir um recruta da primeira incorporação de 1981 em Abrantes é ouvir um ET.
JdB
15 junho 2026
14 junho 2026
XI Domingo do Tempo Comum
EVANGELHO - Mt 9,36-10,8
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo,
Jesus, ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão,
porque andavam fatigadas e abatidas,
como ovelhas sem pastor.
Jesus disse então aos seus discípulos:
«A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos.
Pedi ao Senhor da seara
que mande trabalhadores para a sua seara».
Depois chamou a Si os seus doze discípulos
e deu-lhes poder de expulsar os espíritos impuros
e de curar todas as doenças e enfermidades.
São estes os nomes dos doze apóstolos:
primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão;
Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão;
Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano;
Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu;
Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem O entregou.
Jesus enviou estes Doze, dando-lhes as seguintes instruções:
«Não sigais o caminho dos gentios,
nem entreis em cidade de samaritanos.
Ide primeiramente às ovelhas perdidas da casa de Israel.
Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus.
Curai os enfermos, ressuscitai os mortos,
sarai os leprosos, expulsai os demónios.
Recebestes de graça, dai de graça».
13 junho 2026
Pensamentos Impensados
A árvore estava tão velha que até a própria sombra era uma sombra do que já tinha sido.
O Estado está preocupado com a evasão fiscal. O contribuinte está preocupado com a invasão fiscal.
Será que o Perfeito da Congregação para as Causas dos Santos é tão pobrezinho que tem de andar às beatas?
Incongruente: aquele que não queria pagar a côngrua.
A propósito de dívidas, dinheiros, ajudas, etc., usa-se a palavra tranche; prefiro a tranche de salmão.
SdB (I)
12 junho 2026
Poemas dos dias que correm
Sonhei que vi St.º Agostinho
11 junho 2026
10 junho 2026
10 de Junho
O INFANTE
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma.
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!
s.d.
Mensagem. Fernando Pessoa. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1934 (Lisboa: Ática, 10ª ed. 1972). - 57.
***
Poema e imagem tirados daqui
09 junho 2026
Do controlo da imperfeição *
* publicado originalmente em 20 de Fevereiro de 2015
08 junho 2026
07 junho 2026
X Domingo do Tempo Comum
EVANGELHO – Mt 9,9-13
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo,
Jesus ia a passar,
quando viu um homem chamado Mateus,
sentado no posto de cobrança dos impostos,
e disse-lhe: «Segue-Me».
Ele levantou-se e seguiu Jesus.
Um dia em que Jesus estava à mesa em casa de Mateus,
muitos publicanos e pecadores
vieram sentar-se com Ele e os seus discípulos.
Vendo isto, os fariseus diziam aos discípulos:
«Por que motivo é que o vosso Mestre
come com os publicanos e os pecadores?».
Jesus ouviu-os e respondeu:
«Não são os que têm saúde que precisam de médico,
mas sim os doentes.
Ide aprender o que significa:
‘Prefiro a misericórdia ao sacrifício’.
Porque Eu não vim chamar os justos,
mas os pecadores».
06 junho 2026
Pensamentos impensados
Leadership é uma peça de metal que se põe por baixo da pele dos cães guia.
Ofídios: as cobras, se falassem, seriam bilingues.
Bifidus activos é um produto que se extrai por destilação das línguas das cobras vivas.
Lojas de conveniência, sabe-se o que são. E lojas de inconveniência? Serão as sex shops?
O desdentado não pode ser sorridente.
Se eu comprar vinho tinto a granel, será que o posso vender como produto branco?
SdB (I)
05 junho 2026
04 junho 2026
Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo
EVANGELHO - Jo 6, 51-58
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Naquele tempo,
disse Jesus à multidão:
«Eu sou o pão vivo descido do Céu.
Quem comer deste pão viverá eternamente.
E o pão que Eu hei de dar é a minha Carne
pela vida do mundo».
os judeus discutiam entre si:
«Como pode Ele dar-nos a sua Carne a comer?»
Jesus disse-lhes:
«Em verdade, em verdade vos digo:
Se não comerdes a Carne do Filho do homem
e não beberdes o seu Sangue,
não tereis a vida em vós.
Quem come a mina Carne e bebe o meu Sangue
tem a vida eterna;
e Eu o ressuscitarei no último dia.
A minha Carne é verdadeira comida
e o meu Sangue é verdadeira bebida.
Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue
permanece em Mim, e Eu nele.
Assim como o Pai, que vive, Me enviou, e Eu vivo pelo Pai,
também aquele que me come viverá por Mim.
Este é o pão que desceu do Céu;
não é como aquele que os vossos pais comeram, e morreram;
quem comer deste pão viverá eternamente».
03 junho 2026
Vai um gin do Peter’s ?
O PAPA E «2001 ODISSEIA NO ESPAÇO»
O Papa vindo do Novo Mundo ecoa na recém publicada Encíclica sobre IA o alerta de Stanley Kubrick em «2001 - Odisseia no Espaço». No famosíssimo filme de 1968, o computador HAL preparava-se para controlar os humanos e liderar a missão espacial, entre outras peripécias, de uma humanidade fascinada com a exploração do espaço. Numa explicação deliciosa, Kubrick contou como se inspirara no título de Homero – Odisseia – para a sua obra magna do cinema: «Ocorreu-nos que, para os gregos, as vastas extensões do mar devem ter tido o mesmo tipo de mistério e de afastamento que o espaço tem para a nossa geração.»
O predomínio da máquina, que soava a ficção longínqua, há 50 anos, aproximou-se demasiado depressa da nossa realidade, hoje! Daí o alerta papal, diferenciando muito bem entre a imensidão de benefícios da IA e da tecnologia (ou não fosse um craque a matemática, além de nado & criado no país campeão dos maiores avanços tecnológicos do séc. XX) e o risco de redução do ser humano. ’Apenas’ essa possível e profunda subalternização preocupa Leão XIV. Recorro-me de óptimas súmulas já circuladas sobre o conteúdo da pequena (mas densa) encíclica e sobre a originalíssima cerimónia de lançamento, fora de todos os cânones:
| cafe.com.tradicao: A primeira encíclica de um papa define o tom do pontificado. Leão XIII escreveu sobre o trabalho na Revolução Industrial em 1891. Exatamente 135 anos depois, Leão XIV escreveu sobre a inteligência artificial. O nome não foi escolhido por acaso |
No portal do Vaticano, está disponível uma sinopse com as inúmeras ramificações temáticas associadas à IA:
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