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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Duas Últimas

Não devo estar sozinho neste meu pensamento: há músicas que são tão fantásticas que não se imagina por que motivo o compositor, depois de dá-las por terminadas, ainda se aventura a compor mais. Um adia abalançar-me-ei a fazer uma lista destas músicas, mas agora quero focar-me no Tico Tico no Fubá. Não sei se Zequinha de Abreu compôs mais alguma coisa, se o Tico Tico foi a primeira ou a última das suas composições. Aquilo que eu digo é que não precisa de ter composto mais nada para ser elevada à categoria de grande compositor mundial. Mai' nada! Oiçam e gozem, mesmo que não seja a melhor versão. Mas enternece a conchinha do casal Siqueira Lima 

JdB


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Duas Últimas

Para ouvir, mas também para ver.

JdB


quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Texto e música dos dias que correm

“Bridge over troubled water”: 50 anos de um hino à amizade

A 26 de janeiro de 1970 saia “Bridge over troubled water”, de Paul Simon e Art Garfunkel, um dos álbuns de maior sucesso na história da música ligeira.

Todo o álbum é muito belo, como se pode confirmar, por exemplo, com “The boxer” ou “The only living boy in New York”, mas hoje detemo-nos na canção de abertura, que dá o título ao disco, canção que, nestes 50 anos, foi interpretada por muitos, de Elvis Presley a Aretha Franklyn (ambos insistindo na sonoridade “gospel” já presente na versão original).

“Bridge over troubled water é um hino à amizade, um tema que Simon e Garfunkel tinham já narrado, partindo da sua experiência biográfica, em “Bookends”, com trechos explícitos como “Old friends”, mas com esta composição há um salto qualitativo.

Trata-se, sem dúvida, de uma das mais belas canções dedicadas à amizade, que C.S.Lewis define no ensaio “Os 4 amores” «não em sentido pejorativo o menos natural dos afetos naturais, o menos instintivo, orgânico, biológico, gregário e indispensável. (…) Única entre todos os afetos, ela parece elevar o homem ao nível dos deuses, ou dos anjos».

Há um “anjo” entre as linhas do texto, e não é tanto a misteriosa “silver girl” com que se abre a terceira estrofe, mas é a amizade que liga os dois e os mantém em contacto precisamente como uma ponte.

Alguma coisa de sólido que sobressai sobre as «águas agitadas», porque a vida é inquietude, e esta agitação pode ser mortal se não se está em companhia de alguém para enfrentar o momento «when darkness comes».

É esta a imagem poderosa intuída pelos autores: o amigo é uma ponte, e é esplêndido o verbo utilizado, «I will lay me down”: o amigo estende-se, e assim lança uma ponte entre ele e o outro, e por isso conseguirá intervir «quando as lágrimas estiverem nos teus olhos, enxugá-las-ei todas» (clara citação de Apocalipse 21,4: Ele [Deus] enxugará todas as lágrimas dos seus olhos; e não haverá mais morte, nem luto, nem pranto, nem dor. Porque as primeiras coisas passaram»).

É belo voltar a escutar, com gratidão, esta canção que recorda as coisas elementares que constituem a vida humana, num momento como o atual, em que de amigos, isto é, de “pontífices”, há urgente necessidade.

Andrea Monda
In L'Osservatore Romano
Trad.: Rui Jorge Martins
Publicado pelo SNPC em 28.01.2020

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Duas músicas (sugerido por mão amiga)

Com excepção da Sinfonia do Novo Mundo (sobre a qual já escrevi neste estabelecimento) conheço alguma coisa, não muita de Dvorak; não conhecia nenhuma parte da obra de que sugiro aqui o 2º andamento. Foi-me sugerido por mão amiga, acompanhada da frase está ali sempre quase quase a "tropeçar" para uma valsinha mas há uma nuance qualquer que não deixa e do texto abaixo. Oiçam, que vale a pena.

JdB



Just like delivering good news to someone has a positive rub-off effect on the messenger, performing Dvořák's Serenade is really a very therapeutic endeavor for performers. There is so much 'pure goodness' in it. Somehow even the moments which could cast a gloomy shadow – light melancholy of the Waltz, or the fragility of the opening of Larghetto – retain the wonderfully cloudless atmosphere... The remarkable thing about Dvořák's Serenade – this 'cloudless goodness' is fully sufficient for sustaining meaningful communication for nearly half an hour of music.

Misha Rachlevsky, 2000, in Wikipedia

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Duas Últimas (sugerido por mão amiga)





De Alfonsina y el mar diz a Wikipedia de língua castelhana:

La canción es un homenaje a la poeta de la misma nacionalidad Alfonsina Storni, que se suicidó en 1938 en Mar del Plata, saltando al agua desde una escollera, aunque, según la canción, se internó lentamente en el mar. Esta conexión ha originado un rumor muy extendido pero erróneo, según el cual la letra de la canción fue originalmente la carta de suicidio de la poetisa, musicalizada más tarde por los autores de la zamba.

Aunque Ariel Ramírez no conoció directamente a la poetisa, ésta fue alumna de su padre, Zenón Ramírez, quién trasmitió a su hijo el drama de Storni. Impresionado por estos recuerdos y por las poesías de Storni, que le trajo Luna, Ramírez compuso la música y Luna aportó después la letra.

***

Qual a relação com a segunda música? O título da música e o mito que rodeia o suicídio de Alfonsina Storni. 

Apreciem.

JdB

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Duas Últimas (enviado por mão amiga)


Eu seguro

Quando o tempo for remendo, Cada passo um poço fundo E esta cama em que dormimos For muralha em que acordamos, Eu seguro E o meu braço estende a mão que embala o muro.

Quando o espanto for de medo, O esperado for do mundo E não for domado o espinho Da carne que partilhamos, Eu seguro. O sustento é forte quando o intento é puro.

Quando o tempo eu for remindo, Cada poço eu for tapando E esta pedra em que dormimos Já for rocha em que assentamos, Eu seguro. Deixo às pedras esse coração tão duro.

Quando o medo for saindo E do mundo eu for sarando Dessa herança eu faço o manto Em que ambos cicatrizamos E seguro. Não receio o velho agravo que suturo.

Abraços rotos, lassos, Por onde escapam nossos votos. Abraso os ramos secos, Afago, a fogo, os embaraços E seguro, Alastro essa chama a cada canto escuro.

Quando o tempo for recobro, Cada passo abraço forte E o voto que concordámos É o amor em que acordamos, Eu seguro: Finco os dedos e este fruto está maduro.

Quando o espanto for em dobro, o esperado mais que a morte, Quando o espinho já sarámos No corpo que partilhamos, Eu seguro. O que então nascer não será prematuro.

Uníssonos no sono, O mesmo turno e o mesmo dono, Um leito e nenhum trono. Mesmo que brote o desabono Eu seguro, Que o presente é uma semente do futuro.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Duas Últimas *



Escada Sem Corrimão

É uma escada em caracol
E que não tem corrimão
Vai a caminho do Sol
Mas nunca passa do chão

Os degraus quanto mais altos
Mais estragados estão
Nem sustos nem sobressaltos
Servem sequer de lição

Quem tem medo não a sobe
Quem tem sonhos também não
Há quem chegue a deitar fora
O lastro do coração

Sobe-se numa corrida
Corre-se perigos em vão
Adivinhaste... é a vida
A escada sem corrimão

David Mourão Ferreira

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* sugestão enviada por mão amiga


quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Duas Últimas

Ouvi muito Patxi Andion numa fase da minha vida, talvez porque houvesse um disco qualquer lá por casa. Aqui fica uma lembrança pela morte dele, ontem.

JdB



quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Duas Últimas

Sem qualquer intuito de classificação de quem é melhor, vale a pena ouvir estes dois fados e compará-los naquilo em que são semelhantes: um (ou algum) acompanhamento ao piano. O primeiro, cantado por Amália e retirado do álbum "Busto" é acompanhado por Alain Oulman; o segundo, do disco "Aqui está-se sossegado", é cantado por Camané e acompanhado por Mário Laginha. O exercício, para quem lhe encontrar algum interesse, é ouvir o piano, mesmo que num caso haja um conjunto de guitarras também e no segundo ele seja o único instrumento.

JdB  





segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Poema e música para o dia de hoje

Não Choreis os Mortos

Não choreis nunca os mortos esquecidos
Na funda escuridão das sepulturas.
Deixai crescer, à solta, as ervas duras
Sobre os seus corpos vãos adormecidos.

E quando, à tarde, o Sol, entre brasidos,
Agonizar... guardai, longe, as doçuras
Das vossas orações, calmas e puras,
Para os que vivem, nudos e vencidos.

Lembrai-vos dos aflitos, dos cativos,
Da multidão sem fim dos que são vivos,
Dos tristes que não podem esquecer.

E, ao meditar, então, na paz da Morte,
Vereis, talvez, como é suave a sorte
Daqueles que deixaram de sofrer.

Pedro Homem de Mello, in "Caravela ao Mar"

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Sugestões (musicais) dos dias que correm *


Oitavo andar

Quando eu te vi fechar a porta
Eu pensei em me atirar pela janela do oitavo andar
Onde a dona Maria mora
Porque ela me adora e eu sempre posso entrar

Era bem o tempo de você chegar no T
Olhar no espelho o seu cabelo, falar com o seu Zé
E me ver caindo em cima de você
Como uma bigorna cai em cima de um cartoon qualquer

E aí, só nos dois no chão frio
De conchinha bem no meio fio
No asfalto riscados de giz
Imagina que cena feliz

Quando os paramédicos chegassem
E os bombeiros retirassem nossos corpos do Leblon
A gente ia para o necrotério
Ficar brincando de sério deitadinhos no bem-bom

Cada um feito um picolé
Com a mesma etiqueta no pé
Na autópsia daria pra ver
Como eu só morri por você

Quando eu te vi fechar a porta
Eu pensei em me atirar pela janela do oitavo andar
Invés disso eu dei meia volta
E comi uma torta inteira de amora no jantar

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* sugerido por mão amiga

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Duas Últimas

Seguem, abaixo, duas letras de canções que, no seu tempo, fizeram sucesso: Cavalo de Corrida (cantado pelos UHF) e Fiz Leilão de mim, cantado por Tony de Matos. Vale a pena atentar nas letras, esta conta uma história, aquela diz coisas que não sei se fazem sentido.

É isto, no fundo.

JdB




Cavalo de Corrida

Agora é que a corrida estoirou, e os animais se lançam num esforço
Agora é que todos eles aplaudem, a violência em jogo
Agora é que eles picam os cavalos, violando todas as leis
Agora é que else passam ao assalto e fazem-no por qualquer preço

Agora, agora, agora, agora, tu és um cavalo de corrida, eh

Agora é que a vida passa num flash e o paraíso é além
Agora é que o filme deste massacre é a rotina Zé Ninguém
Agora é que perdeste o juízo, a jogar esta cartada
Agora é que galopas já ferido, procurando abrir passagem

Agora, agora, agora, agora tu és um cavalo de corrida, eh

Agora, agora, agora, agora tu és um cavalo de corrida
Agora, agora, agora, agora tu és um cavalo de corrida, eh

***



Fiz Leilão de Mim

Talvez de razão perdida
Quis fazer leilão da vida
Disse ao leiloeiro
Venda ao desbarato
Venda o lote inteiro
Que ando de mim farto
Meus versos que não são versos
Atirei ao chão dispersos
A ver se algum dia
O mundo pateta
Por analogia
Diz que sou poeta

Refrão:
Fiz leilão de mim
E fui por fim apregoado
Mas de mau que sou
Ninguém gritou arrematado
Fiz leilão de mim
Tinhas razão minha almofada
Com lances a esmo
Provei a mim mesmo
Que não valho mais que nada

Também quis vender meu fado
Meu modo de ser errado
Leiloei ternura
Chamaram-me louco
Mostrei amargura
E o mundo fez pouco
Depois leiloei carinho
E em praça fiquei sozinho
Diz-me a pouca sorte
Que para castigo
Até vir a morte
Vou ficar comigo.

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Duas Últimas (ou na morte de Teresa Tarouca)





Fado dor e sofrimento com letra de D. António de Bragança.

Saudade, silêncio e sombra com letra de Nuno Lorena.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Duas Últimas (sugerido por mão amiga)



I was always working steady
But I never called it art
I got my shit together
Meeting Christ and reading Marx
It failed my little fire
But it’s bright the dying spark
Go tell the young messiah
What happens to the heart

There’s a mist of summer kisses
Where I tried to double-park
The rivalry was vicious
The women were in charge
It was nothing, it was business
But it left an ugly mark
I’ve come here to revisit
What happens to the heart

I was selling holy trinkets
I was dressing kind of sharp
Had a pussy in the kitchen
And a panther in the yard

In the prison of the gifted
I was friendly with the guards
So I never had to witness
What happens to the heart

I should have seen it coming
After all I knew the chart
Just to look at her was trouble
It was trouble from the start
Sure we played a stunning couple
But I never liked the part
It ain't pretty, it ain't subtle
What happens to the heart

Now the angel’s got a fiddle
The devil’s got a harp
Every soul is like a minnow
Every mind is like a shark
I’ve broken every window
But the house, the house is dark
I care but very little
What happens to the heart

Then I studied with this beggar
He was filthy, he was scarred
By the claws of many women
He had failed to disregard
No fable here no lesson
No singing meadowlark
Just a filthy beggar guessing
What happens to the heart

I was always working steady
But I never called it art
It was just some old convention
Like the horse before the cart
I had no trouble betting
On the flood, against the ark
You see, I knew about the ending
What happens to the heart

I was handy with a rifle
My father’s .303
I fought for something final
Not the right to disagree

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Duas Últimas

Junto segue um concerto ligeiro, para dias mais tristes ou desinteressantes. Não faço ideia se a máquina de escrever é ainda uma HCESAR. Provavelmente não, porque o cavalheiro é espanhol; além disso, já não haverá muitas pessoas a lembrarem-se do que era esse teclado. Não porque eu seja muito velho, mas porque tenho memória para coisas inúteis. Foi numa máquina dessas (manual) que comecei a escrever em 1979, no saudoso jornal O Dia. Num assomo de modernidade, o jornal investiu em máquinas eléctricas, com teclado AZERTY. Durante três dias suei dos dedos, à procura das letras. Coisas do passado, no fundo. Divirtam-se, se o vídeo vos der para isso. 

JdB


segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Da Cartuxa


Mão amiga mandou-me mais um artigo sobre o fecho da Cartuxa de Évora (de onde tirei a imagem acima). Ironicamente, a meio de um trabalho académico sobre silêncio monástico, a única cartuxa portuguesa vai fechar. Este facto não significa nada, é apenas uma coincidência - mas é curioso, contudo.

Nos últimos meses li e pensei muito sobre silêncio, sobre ruído e sobre som, que são coisas diferentes, sobre lentidão, sobre música triste ou força centrípeta, sobre Outono e recolhimento, sobre contemplação e acção. Está tudo relacionado e cada vez estou mais convencido daquilo em que acredito, ou que me faz bem.

"Para louvar da glória de Deus, Cristo, Palavra do Pai, escolheu pelo Espírito Santo, desde o princípio, homens que conduziu à solidão para os unir a Si em íntimo amor. Fiel a esta vocação, no ano do Senhor de 1084, Mestre Bruno entrou com seis companheiros no deserto da Chartreuse, onde se instalou.” (dos estatutos da Ordem Cartusiana).

Deixo-vos com algo celestial, para compor o silêncio reconfortante. Enviado pela mesma amiga.

JdB

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