Grande sorte é
não se saber exactamente
em que mundo se vive.
uma existência longuíssima,
decididamente mais longa
que a do próprio mundo.
conhecermos outros mundos.
que nada sabe fazer tão bem
como limitar
e criar obstáculos.
da clareza da imagem
e das conclusões finais,
elevarmo-nos para lá do tempo,
no qual tudo em turbilhão se precipita.
desistam para sempre
de detalhes e episódios.
deveria parecer
um acto sem sentido,
pôr uma carta no correio
capricho da louca mocidade,
uma tabuleta estúpida.
paisagem com grão de areia
trad. júlio sousa gomes
relógio d’água
1998
As melhores viagens são, por vezes, aquelas em que partimos ontem e regressamos muitos anos antes
28 agosto 2026
Poemas dos dias que correm
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