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08 outubro 2008

Poemas dos dias que correm

O QUE EU QUERIA DE TI

O que eu queria de ti?
Talvez não muito mais que o que me deste…
Apenas um perfume mais agreste
um ramo de ervas bravas, que não vi

O que esperei em vão?
Quem sabe um pouco menos de certezas…
Ver-te brilhar nos olhos, indefesas
invioladas fontes de ilusão

Eu queria essa aventura de encontrar-te
Sem ter de me perder dentro de mim
por labirintos, dúvidas sem fim
Sem ter sequer, amor, de procurar-te

Tão pouco… um gesto só me encantaria!
Tão fácil… bastaria uma palavra!
Mas a terra que sou, ninguém a lavra
Sem um arado feito de magia

Guardo de ti o quase que tivemos
Esboço de um mais que teimo em alcançar
E digo adeus, por não poder ficar
Onde tudo me diz que nos perdemos

(Ana Vidal, Seda e Aço, Edições DG, 2005)

17 julho 2008

Marés Cheias


Ponham-me sonhos a correr nas veias

Deixem-me navegar em fantasia

E as vinte e quatro horas do meu dia

serão sublimes como marés cheias!

Quero palpitante tudo aquilo que toco

Quero o que existe para lá do espelho

E quero tingir de azul e de ouro velho

as cores pardas dum mundo que não foco

Que eu feche os olhos e me leve o vento!

Que cada dia seja o meu primeiro!

Que eu saiba sempre fazer um veleiro

do banco de jardim onde me sento...


(AnaVidal, Seda e Aço, DG Edições)

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