4ª feira à noite, a convite de um amigo, fui ouvir o Fernando Santos. Saí de casa numa noite fria para ouvir o cristão, não o treinador. Fernando Santos Falou-nos da sua vida, da sua história, do seu percurso. Sempre que abordou o tema futebol foi para contar uma história relacionada com fé, com missa, com a Bíblia. Mais do que falar dele - e falar de si já é bom - ele falou-nos de testemunho: da carta que leu quando nos sagrámos campeões europeus (e que é pública) da forma como aborda as amizades com agnósticos ou como lida com jovens futebolistas que são muçulmanos, judeus - ou apenas nada.
Vem este texto muito a propósito do texto que publiquei ontem e dos comentários que algumas pessoas tiveram a amabilidade de fazer - no blogue ou por mail. Nada me levaria a escrever duas vezes seguidas sobre um tema semelhante, mas a expressão testemunho, tão usada por Fernando Santos, a isso me impele.
Acredito, como comentava ontem alguém, que há uma campanha para destruir valores que são essenciais a um conjunto alargado de pessoas, valores que estão por trás - e foram o suporte - da Europa que se construíu e que se vai destruindo com uma alegria que confrange. Acredito que há uma campanha para destruir a Igreja Católica. Acredito ainda que muitos dos inimigos da Igreja estão intra muros, não são apenas os comunistas ou os bloquistas ou os pretensamente ateus. Muitos tiros - e tiros graves - são dados nos próprio pés.
Talvez, portanto, esta ameaça requeira uma defesa diferente da Igreja Católica e dos verdadeiros valores de solidariedade e atenção aos mais desfavorecidos que ela defende, valores esses que se revelam nas pequenas igrejas domésticas ou locais, nas inúmeras ipss de inspiração cristã, nos milhares e milhares de membros do clero que, no anonimato de vidas santas, fazem do mandamento novo o seu ideário.
Testemunhar tem de ser mais do que fazemos - seguramente muito mais do que eu faço. Testemunhar tem de ser defender o forte, uma árvore fundamentalmente sã, ainda que vergada ao peso de maçãs podres. Testemunhar é afirmarmo-nos católicos apesar de tudo, é defender a credibilidade da igreja mesmo em tempos de grande falta de credibilidade. Testemunhar é afirmar que nada de tão bondosamente revolucionário se "inventou" depois de Cristo. Testemunhar é também, nas possibilidades de cada um, estar presente, falar dentro da Igreja, colaborar, ajudar, criticar e sugerir e, se necessário, por a nu. Testemunhar tem de passar por escrever ao Observador a criticar e a manifestar indignação. Testemunhar tem de passar por denunciar textos como o do José Diogo Quintela pela sua falta de respeito (e o respeito tem de vir antes da gargalhada alvar). Testemunhar tem de ser dizer o que somos por onde passamos.
Nunca o testemunho dos católicos e dos cristãos foi tão importante como agora. A nossa consciência e o futuro não nos perdoarão se perdermos por falta de comparência.
JdB