Começa hoje o Harare International Festival of Arts (HIFA). Para quem vive no Zimbabwe, como eu, esta é uma semana fantástica, durante a qual é possível tirar a barriga da miséria cultural que este país vive ao longo do resto do ano. São espectáculos musicais, teatro, leitura de poesia, dança e todas as demais manifestações artísticas que se possam imaginar, interpretadas por gente de todo o mundo, com estilos o mais diferentes possível.
À frente do Festival estão dois irmãos luso-descendentes, Manuel Bagorro e Maria Wilson, que à custa de muita perseverança têm conseguido ano após ano reinventar esta iniciativa contrariando a vontade do regime (ainda) no poder no Zimbabwe que odeia o multi-culturalismo e a diversidade. Mesmo quando a inflação em 2008 chegou aos 23 mil milhões ao ano e um simples pão custava 100 triliões de dólares zimbabweanos, o HIFA não deixou de realizar-se e nem sequer baixou o nível das actuações.
Este ano vou assistir a ópera, música tradicional zimbabweana, jazz moçambicano, flamenco espanhol, rock americano, música italiana, música cabo-verdeana, música nigero-alemã, dança indiana, teatro inglês, teatro zimbabweano e fado portuguesíssimo interpretado por Jorge Fernando e Fabia Rebordão, acompanhados por Guilherme Banza. E a mais não posso ir porque há vários espectáculos a ocorrerem ao mesmo tempo e eu não tenho o dom da ubiquidade.
O post de hoje é de alguém que, para minha pena, não vai estar no HIFA. A voz é do melhor, a presença muito agradável à vista e a interpretação do "Come Together" dos Beatles de arrepiar. Minhas senhoras e meus senhores: "Sugarland".
JdC