MÚSICA EM MAFRA, QUANDO O REI FAZ ANOS - 22.OUT.-16h00
O Palácio-convento de Mafra – edificado a mando de D.João V, em 1717 – celebra, amanhã, em cerimónia pública, a conclusão do projeto dedicado ao património musical português, intitulado «A BÚSSOLA BARROCA». Inclui também uma surpresa, para os sortudos que conseguirem participar no evento…
A escolha do dia 22 de Outubro coincide com o aniversário do nascimento do rei de cognome Magnânimo, fazendo jus aos grandes monumentos construídos por sua iniciativa: Aqueduto das Águas Livres, a lindíssima Biblioteca Joanina de Coimbra, a Capela de S.João Baptista na Igreja de S.Roque, a renovação do Palácio das Necessidades, o restauro e enriquecimento de inúmeros conventos e palácios de Norte a Sul do país. Essa azáfama obreira trouxe para Portugal um escol de artistas, arquitectos, engenheiros e construtores, que tornaram depois possível a (relativamente) rápida reconstrução de Lisboa, após a razia da cidade no terramoto de 1755. Inclusive, coube-lhes a proeza arquiectónica anti-sísmica, com a invenção de uma estrutura de madeira para embutir nas paredes dos edifícios e lhes conferir flexibilidade, que ficou conhecida por ‘gaiola pombalina’.
Voltando aos festejos em Mafra, no Museu Nacional da Música, instalado no Real Palácio, o programa começa às 16h00 e desdobra-se em duas grandes apresentações:
i) do CD e LP com a gravação de A BÚSSOLA BARROCA, que reúne música barroca e contemporânea. O projeto nasceu de uma parceria italo-portuguesa – Museu da Música, Fundação Gaudium Magnum e Fondazione Pietà de' Turchini – e culminou na gravação (2025) de um repertório multissecular, executado num cravo Antunes, de 1758 e interpretado pela cravista francesa Béatrice Martin. Tem a originalidade de explorar o património musical antigo e de colocar em diálogo a época barroca do período joanino (Carlos Seixas, Domenico Scarlatti) com o vanguardismo hodierno de António Pinho Vargas;
ii) da tela do italiano Giorgio Domenico Duprà (1689–1770) com um retrato de D.João V, executado em 1727, durante os anos da estadia do pintor em Lisboa, entre 1719 e 1730. A tela foi adquirida pela Colecção Gaudium Magnum, de Maria e João Cortez de Lobão, em Maio de 2025. Logo no momento da aquisição – na edição de 2025 da LAAF- Lisbon Art & Antiques Fair – o meio artístico nacional, incluindo os antiquários e os coleccionidaores festejaram o facto de a peça ter integrado uma colecção portuguesa e aplaudiram a «oportunidade única de unir um grande rei e um grande artista» em solo português. A obra foi cedida, por empréstimo, ao museu sediado em Mafra:
Giorgio Domenico Duprà pintou mais retratos de D.João V, alguns dos quais também permanecem em Portugal: no MNAA, adquirido em 2017, através de crowfunding, a comemorar a exaltação da armada e da Batalha do Cabo Matapão (1717); na Biblioteca Joanina, em Coimbra; no tecto do Paço Ducal de Vila Viçosa, na Sala dos Tudescos.
Seguem mais detalhes sobre a cerimónia em Mafra, na tarde de Quinta-feira, que será o ponto de partida para revelar uma nova (e muito especial) surpresa na exposição de longa duração no Museu de Música:
«Quando o Rei faz anos
A Bússola Barroca regressa a Mafra
No dia 22 de Outubro, a Fundação Gaudium Magnum – Maria e João Cortez de Lobão, o Museu Nacional da Música e a Fondazione Pietà de’ Turchini reúnem-se em Mafra para assinalar a conclusão de A Bússola Barroca, um projecto desenvolvido ao longo dos últimos dois anos em torno do património musical português.
A data coincide com o aniversário do nascimento de D. João V, cujo reinado marcou um importante período de desenvolvimento artístico e musical em Portugal. O Palácio Nacional de Mafra, onde se encontra actualmente instalado o Museu Nacional da Música, permanece uma das expressões mais visíveis deste legado cultural.
É neste enquadramento histórico que se cruzam dois momentos importantes: o lançamento da gravação de A Bússola Barroca em CD e LP e a apresentação de um retrato de D. João V, da autoria de Giorgio Domenico Duprà, pertencente à Colecção Gaudium Magnum e cedido ao Museu em regime de empréstimo de longa duração.
Editado pela Turchini Records, o álbum reúne sete sonatas de Carlos Seixas, interpretadas pela cravista francesa Béatrice Martin, e Il Ritorno, do compositor português contemporâneo António Pinho Vargas. A gravação foi realizada no histórico cravo construído em 1758 por Joaquim José Antunes, classificado como Tesouro Nacional e pertencente ao acervo do Museu.
A apresentação terá lugar às 16h00, no auditório do Museu Nacional da Música, e incluirá uma conversa informal entre Edward Ayres de Abreu, Director do Museu, e Maria Cortez de Lobão, co-Presidente da Fundação Gaudium Magnum, em torno do contexto histórico e musical do projecto e do empréstimo. A entrada é livre.
Em conjunto, a gravação e o empréstimo reflectem o compromisso da Fundação com a preservação e divulgação do património cultural português, promovendo simultaneamente a colaboração entre instituições em Portugal e no estrangeiro.»
Para mais informações: A Bússola Barroca regressa a Mafra · Fundação Gaudium Magnum
É espantoso haver mecenas da música nacional, relativamente pouco conhecida, mesmo nos círculos melómanos. Mais invulgar ainda, é o mecenato estender-se à música contemporânea clássica. Quinta-feira será, por isso, dia de festa para a arte musical portuguesa!

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