— Pequim é um monstro! — disse Camilloff oscilando refletidamente a calva. — E agora considere que a esta capital, à classe tártara e conquistadora que a possui, obedecem trezentos milhões de homens, uma raça subtil, laboriosa, sofredora, prolífica, invasora... Estudam as nossas ciências... Um cálice de Médoc, Teodoro!... Têm uma marinha formidável! O exército, que outrora julgava destroçar o estrangeiro com dragões de papelão donde saíam bichas de fogo, tem agora tática prussiana e espingarda de agulha! Grave!
— E todavia, general, no meu país, quando, a propósito de Macau, se fala do Império Celeste, os patriotas passam os dedos pela grenha, e dizem negligentemente: «Mandamos lá cinquenta homens, e varremos a China...»
A esta sandice — fez-se um silêncio. E o general, depois de tossir formidavelmente, murmurou, com condescendência:
— Portugal é um belo pais...
Eu exclamei com secura e firmeza:
— É uma choldra, general.
Eça de Queiroz, in O Mandarim
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