SABEDORIA AOS 65 ANOS, ACOMPANHADA À GUITARRA
Numa balada caribenha, ao jeito do recanto mais musical da Havana dos anos 50 do séc. XX – o Buena Vista Social Club – começou a correr na net, antes do Verão, um balanço de vida dançante e de tom positivo sobre um tabu bem empedernido da actualidade (menos livre do que se julga): o envelhecimento, invulgarmente assumido com galhardia.
De autor anónimo, a voz, no espanhol meigo da América Latina, ensaia uma reflexão sábia sobre o avanço da idade, propondo valorizar tudo o que é construtivo e descartar o que inquina o olhar sobre a realidade! A guitarra e as batidas ritmadas da bateria, em fundo, asseguram o meneio saleroso dos sons latino-americanos.
A música arranca «A los sesenta y cinco años, uno empieza a comprender que la vida no se mide por lo que no pueda tener, sino por lo que uno ha podido dar… Ayer soñaba con el futuro e hoy recuerdo lo que vivi».
Quer se queira, quer não, os anos acumulados dão forma e peso ao passado, que, tornado incontornável, ganha em ser revisitado e (no geral) arquivado, em paz, desapegadamente, sem branquear nada, evitando que se imponha a um futuro ainda em aberto, a merecer ser vivido em pleno, até ao último respiro. Sim, há (algumas) vantagens nos cabelos grisalhos: ajudam a afinar as prioridades e evidenciam a urgência de purificar a memória para guardar ‘apenas’ o que nos ajuda a crescer e a espalhar vida fecunda urbi et orbi. Saibamos e queiramos nós… O foco tende a orientar-se para o que, finalmente, emerge como o maior tesouro: a família, os amigos, as experiências positivas e enriquecedoras, que foram tecendo a trama da vida, desde o primeiro minuto… Antes, permitíamo-nos deixar escorrer os dias, as semanas, sem nos darmos conta do valor incalculável de cada instante, no típico luxo (e imaturidade) da pouca idade… Mas, a los sesenta y cinco años…
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