Na semana passada assisti no Tivoli a um concerto de Jorge Palma com casa cheia, o que nos tempos actuais sempre pode ser visto como uma bofetadinha na crise. Embora fosse uma enchente previsível, atendendo à exiguidade da velha sala, aos preços módicos e à qualidade e empatia de JP com o publico lisboeta. Muito mais difícil será por certo encher, ou perto disso, o Estádio do Restelo, o maior estádio do país por isso mesmo! Foi a segunda vez que o ouvi ao vivo – a primeira foi no Coliseu, se não me engano em 2007 – e gostei francamente mais desta última.
Tratou-se de um espectáculo mais intimista, em que Jorge Palma esteve muito tempo e muitas músicas entregue apenas ao seu magnífico piano ou à viola. No resto simplesmente acompanhado, e bem, por um acordeão, um saxofone e uma segunda viola. Um espectáculo longo, com músicas do seu álbum mais recente e outras (muito) mais antigas, em que agarrou bem o publico. Que gosta dele, dos seus ritmos, arranjos e letras, da sua voz rouca e propensa a uma ou outra fífia, do piano, da sua presença próxima e calorosa em palco.
Jorge Palma tem uma carreira comprida e singular, talvez de acordo com a sua personalidade algo estrambólica. O sucesso alcançou-o já sobre o tarde, mas pressinto que não devia estar muito preocupado com isso. Também eu o descobri tarde e aos poucos, mas ainda a boas horas, e hoje em dia posso dizer que sou apreciador deste lisboeta nascido no início dos anos cinquenta, ao ponto o ir ver em noite chuvosa que mais convidava ao remanso do lar.
Dele escolhi três músicas que não serão das mais conhecidas ou óbvias, mas que estão entre as minhas preferidas.
Espero que também gostem.
fq
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