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13 maio 2020

Duas Últimas

Nunca se usou tanto a palavra separação como agora: pais separados de filhos, avós separados de netos, namorados separados entre si, alunos separados dos professores, sonhos separados da realidade. Foi tudo muito súbito, muito rápido. Foi tudo de repente, não mais que de repente, dirá Vinicius, o poeta.

JdB

11 outubro 2018

Duas Últimas

Aparentemente, a música e interpretação de Elis Regina nada têm a ver com o texto de Rainer Maria Rilke.  Só aparentemente, porque na realidade há algo que as liga: a estética, a sensação de uma certa beleza, de um certo encanto. Podia ser um quadro de Rembrandt e uns versos de Daniel Faria, a fotografia de uma janela isolada e a capa de um livro. Neste caso é Elis Regina e Rilke, interpretação e poesia.

JdB   



«Os versos não são, como as pessoas julgam, sentimentos (esses aparecem bastante cedo) - são experiências. Para conseguir um verso é preciso ver muitas cidades, pessoas e coisas, é preciso conhecer os animais, é preciso sentir como voam os pássaros e conhecer o gesto das pequenas flores quando se abrem de manhã. É preciso poder recapitular caminhos que há muito se via aproximarem-se - dias da infância ainda por esclarecer, pais que era preciso magoar quando nos traziam uma alegria que nós não compreendíamos, doenças infantis que tão estranhamente começam acompanhadas de tantas transformações profundas e difíceis, dias passados em quartos calmos e contidos e manhãs passadas junto ao mar, o próprio mar, os mares, as noites passadas em viagem que nas alturas se dissipavam sussurrando e voavam com todos os astros. É preciso ter recordações de muitas noites de amor em que nenhuma a outra se assemelhava, de gritos de mulheres em trabalhos de parto e de parturientes leves, brancas, adormecidas, que se fecham. Mas também é preciso ter estado junto de moribundos, ter ficado sentado junto de mortos no quarto com a janela aberta e os ruídos intermitentes. E também não basta ter recordações. É preciso poder esquecê-las quando são muitas, e é preciso ter a grande paciência de esperar que elas regressem. Pois as próprias recordações ainda não são o que mais importa. Só quando se tornam sangue dentro de nós, olhar e gesto, quando deixam de ter nome e já não se distinguem de nós mesmos, só então pode acontecer que, no decurso de uma hora muito rara, a primeira palavra de um verso delas se erga e delas saia.»

Rainer Maria Rilke, in As Anotações de Malte Laurids Brigge (tirado daqui)

24 outubro 2017

Duas Últimas

Da minha sequência de posts sobre a viagem a Washington falei brevemente sobre a viagem de avião. Não há muito a dizer, a não ser recorrer a adjectivos / advérbios / expressões do tipo: apertado, desconfortável, dores no cóccix, comer com a tigela junto à boca, interminável, inumano, humilhante, francês. De facto, o avião é um meio de transporte onde o conforto reside na executiva, porque na económica tudo é mau. 

De Paris para Washington viajei na coxia. À minha frente um americano volumoso e mal encarado usou de um direito: reclinar a cadeira sem um mínimo de consideração por quem ia atrás. Resultado: não consegui ler, abrir o computador, escrever. Oito-horas-oito a ver filmes, a gemer, a abanar a cadeira do americano que não reagiu.

Vi o filme-biografia de Elis Regina. Pouco conhecia dela, a não ser a música, a filha e o fim trágico. Tudo o resto - o começo, os casamentos, a infelicidade, os excessos, as críticas, a política, tudo o resto, dizia, era uma massa informe de informações vagas. Gostei de ver e de ouvir. 

Deixo-vos com Elis Regina, numa música particularmente bonita, tornada conhecida em Portugal por causa de uma novela - O Casarão, parece-me. E Elis Regina só passou pelo estabelecimento uma vez,  há quatro anos, pelo que era altura de repetir.

Em podendo vejam o filme que há pouco tempo passava num cinema perto de si.

JdB

  

05 julho 2013

Duas últimas

Os jornais falam do sucesso que Carminho e António Zambujo tiveram, no passado dia 12 de Junho, no Prémio da Música Brasileira 2013, realizado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. 

Fica a pequena reportagem que encontrei no site Música Portuga, ó pá!:

Foram convidados para fazerem parte das atrações do evento que neste ano homenageou o Maestro brasileiro Tom Jobim. Interpretaram a música Sabiá de Jobim e Chico Buarque. Música essa, aliás, que foi escrita no período da ditadura militar no Brasil e narra a estória de um personagem exilado em sua própria terra...

A música foi apresentada pela primeira vez durante o III Festival Internacional da Canção e foi vaiadíssima (nessa época ainda não estava na moda o "politicamente correto"). Mesmo assim foi a canção premiada naquele ano.

A apresentação de Zambujo e principalmente de Carminho foi largamente elogiada por Caetano Veloso e longamente aplaudida por todos os presentes (que eram em sua maioria músicos e personagens da industria fonográfica brasileira) como um dos pontos altos da cerimônia.

Deixo-vos com a versão dos dois portugueses, assim como a da Elis Regina. Fica ainda a letra.

JdB






Sabiá - Chico Buarque e Antônio Carlos Jobim
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra
De um palmeira
Que já não há
Colher a flor
Que já não dá
E algum amor Talvez possa espantar
As noites que eu não queira
E anunciar o dia
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
E é pra ficar
Sei que o amor existe
Não sou mais triste
E a nova vida já vai chegar
E a solidão vai se acabar
E a solidão vai se acabar

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