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11 novembro 2014

Duas Últimas

Estive no concerto que Jorge Palma deu dia 6 deste mês, no CCB.

Bem acompanhados, diga-se em abono da verdade, eu pela minha querida cara-metade, ele pelos excelentes músicos que com ele tocaram.

A casa estava a abarrotar, o que não admira tratando-se de JP (o mesmo sucede, felizmente, com vários outros músicos cá da terra). Uma rápida vista de olhos pela assistência permitia ver gente muito diferente, em termos etários mas não só. Um artista para plateias vastas e gentes multifacetadas. E ao longe …..  

Gostei, como sempre, eu que já o ouvi ao vivo várias vezes. Do piano ou da guitarra, das letras singulares, da voz rouca nem sempre segura, das piadas monossilábicas, que a capacidade de expressão não é o seu forte, da simplicidade que lhe permite ultrapassar com naturalidade os enganos vários que vão aparecendo.

No final, mais um êxito garantido, executando uma música de Dylan na 3ª encore.

Escolhi duas músicas que JP tocou nesse dia, esperando que as apreciem pelo menos tanto como eu. 


fq







30 outubro 2012

Duas Últimas

Na semana passada assisti no Tivoli a um concerto de Jorge Palma com casa cheia, o que nos tempos actuais sempre pode ser visto como uma bofetadinha na crise. Embora fosse uma enchente previsível, atendendo à exiguidade da velha sala, aos preços módicos e à qualidade e empatia de JP com o publico lisboeta. Muito mais difícil será por certo encher, ou perto disso, o Estádio do Restelo, o maior estádio do país por isso mesmo! Foi a segunda vez que o ouvi ao vivo – a primeira foi no Coliseu, se não me engano em 2007 – e gostei francamente mais desta última.  

Tratou-se de um espectáculo mais intimista, em que Jorge Palma esteve muito tempo e muitas músicas entregue apenas ao seu magnífico piano ou à viola. No resto simplesmente acompanhado, e bem, por um acordeão, um saxofone e uma segunda viola. Um espectáculo longo, com músicas do seu álbum mais recente e outras (muito) mais antigas, em que agarrou bem o publico. Que gosta dele, dos seus ritmos, arranjos e letras, da sua voz rouca e propensa a uma ou outra fífia, do piano, da sua presença próxima e calorosa em palco.

Jorge Palma tem uma carreira comprida e singular, talvez de acordo com a sua personalidade algo estrambólica. O sucesso alcançou-o já sobre o tarde, mas pressinto que não devia estar muito preocupado com isso. Também eu o descobri tarde e aos poucos, mas ainda a boas horas, e hoje em dia posso dizer que sou apreciador deste lisboeta nascido no início dos anos cinquenta, ao ponto o ir ver em noite chuvosa que mais convidava ao remanso do lar. 

Dele escolhi três músicas que não serão das mais conhecidas ou óbvias, mas que estão entre as minhas preferidas.

 Espero que também gostem.

fq



05 agosto 2010

Deixa-me rir...

Tive o privilégio de acompanhar um grupo de arquitectos do Porto a um local intitulado “Moderno Escondido” num destes últimos fins-de-semana. Trata-se de um local perdido no Nordeste Transmontano, lá para os lados de Mogadouro e Miranda do Douro, na terra de 9 Meses de Inverno, 3 Meses de Inferno, uma espécie de Alentejo nortenho. Planalto ondulado, paisagens a perder de vista, uma mão cheia de povoações, cores térreas e secas, castanheiros, muitas oliveiras, amoreiras, penedias ao jeito beirão … e veados, javalis, abutres necrófagos, lobos e cobras (para meu horror, vi uma esmigalhada e ressequida numa estrada que atravessámos). Senti-me noutro país, num outro mundo, e esqueci, completamente, a minha realidade lisboeta.

Mas para explicar o que é concretamente o “Moderno Escondido”, prefiro transcrever as seguintes citações (que tirei da net), e que ilustram muito melhor do que eu em que consiste este título tão curioso e que desde logo me fascinou:

O “Moderno Escondido” é o titulo dado pelos arquitectos Cannata (italiano) e Fernandes a uma exposição sobre o trabalho de pesquisa numa aldeia perdida em Trás-os-Montes.… um dos maiores tesouros arquitectónicos portugueses. Nos confins de Portugal, com Espanha à vista, esconde-se uma aldeia perdida no calendário mas não no tempo.

Há cerca de 50 anos, aquando da construção dos três aproveitamentos hidroeléctricos do douro internacional, num dos mais remotos pontos do país, houve necessidade de alojar uma enorme quantidade de trabalhadores, onde é hoje a aldeia de Barrocal do Douro, junto à barragem do Picote.

3 arquitectos recém-formados pela Escola de Belas Artes do Porto, tiveram liberdade para dar azo à criatividade e transformar um morro nas escarpas do Douro Internacional num local habitável e «revolucionário» numa região isolada onde faltava praticamente tudo. Archer de Carvalho, Nunes de Almeida e Rogério Ramos projectaram há cinquenta anos o que os entendidos da arquitectura moderna classificam hoje como «uma cidade ideal», fundada a partir do nada com todas as infra-estruturas e serviços, inacessíveis à maioria da população daquela época.

O novo aglomerado tinha capacidade para suportar o quotidiano de quatro mil pessoas, número em muito superado durante a construção do empreendimento. Actualmente a aldeia "ideal" é considerada património nacional pelo IPPAR.

......

A política de electrificação do país nos anos 50 promoveu a construção de numerosas barragens no leito de alguns dos mais importantes rios portugueses. A Hidroeléctrica do Douro contou com a participação de um conjunto de arquitectos recém-formados na Escola de Belas Artes e voluntariamente dedicados à Arquitectura Moderna – João Archer de Carvalho, Nunes de Almeida e Rogério Araújo Ramos. As construções das barragens do Douro Internacional, divulgadas na exposição “Moderno Escondido”, são um testemunho da vontade transformadora da arquitectura no interior do país e de uma colaboração estreita e frutuosa entre arquitectos e engenheiros.

E ainda um link para um artigo do blogue “O Dolo Eventual” que nos remete para a negligência que caracteriza, grosso modo, a nossa maneira de ser e de estar e que é transversal a quase todos os sectores deste país tão, tão, tão imensamente cheio de potencial. Sem palavras.


Isto tudo para dizer que adorei o passeio, as pessoas com quem fui, as conversas entabuladas e a frescura, leveza, juventude, quase alegria que estes edifícios, escondidos no Portugal profundo, transmitem. Pergunta: e não estariam alegres, super entusiasmados, electrizados, os recém-formados arquitectos a quem deram a responsabilidade, e a oportunidade, de desenhar, algo de novo, de diferente, no contexto da arquitectura do nosso país? Claro que sim! E isso VÊ-SE completamente. (por acaso sei que estavam neste estado de espírito porque um destes arquitectos, agora com 80 e poucos anos, um senhor deliciosamente sedutor, cativante e criativo, contou histórias que o ilustravam na perfeição - para quem pudesse ter alguma dúvida!).

Recomendo a visita a este canto da nossa pátria. Que constitui o retrato de um Portugal radical, fresco, imponente, dramático, longínquo, revolucionário, inovador, pleno de criatividade. Revi-me, verdadeiramente, neste Portugal. Quem dera que tudo fosse assim…

Mas adiante – não quero ser “Velha do Restelo” - … vamos, então, à música. Claro que hoje só poderia ser música portuguesa. E aí sim, temos feito coisas muito boas nas últimas décadas. Aqui ficam algumas “pérolas”:






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