Mostrar mensagens com a etiqueta Maria Ana Bobone. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Maria Ana Bobone. Mostrar todas as mensagens

22 novembro 2016

Duas Últimas



Na semana passada estive quatro dias em Roma, com a minha mulher e pessoas amigas, algumas talvez só conhecidas.

Deparou-se-nos uma agenda carregada, que passou pela presença na Praça de S. Pedro na audiência Papal das quartas-feiras, em lugares sentados de privilégio, pela visita guiada ao túmulo que muito presumivelmente contém os restos mortais de São Pedro, por um agradável jantar na embaixada de Portugal junto da Santa Sé, pelas termas de Caracala ou pelas inúmeras igrejas e palácios por mim visitados tendo por critério principal a pintura de Caravaggio.

Sou incondicional adepto da obra deste pintor milanês, mas que fez vida por outras paragens, da força, luminosidade e religiosidade dos seus quadros. “Persegui-o” por toda a Roma com afinco e dores nas articulações, mas lá consegui ver mais ou menos o que tinha em mente. Em cima têm um deles, que vi numa sala do sumptuoso palácio Borghese. Ao seu lado mais três ou quatro pérolas do grande mestre. Salinha bendita!

Depois Roma tem todo o resto. Aquelas ruas, aquelas montras, aquelas massas, aquelas….

Deixo-vos com um fado de Maria Ana Bobone, que muito abrilhantou o serão na embaixada.

Espero que apreciem.


fq


27 agosto 2015

"O Fado, canção de vencidos"

O filme Fado, História de uma cantadeira, é acompanhado, do princípio ao fim, por um fado particularmente bonito - o Fado de Cada Um, com música de Frederico de Freitas e letra de Silva Tavares. Por questões da tese de mestrado, já devo ter visto este filme algumas dez vezes. Vejo, revejo, volto atrás, fixo uma frase, apanho uma ideia. Sempre, mas sempre, a voz deslumbrante de Amália, nessa altura com 28 anos.

A letra do fado não é uma letra de fado: é o fado em si ou, talvez melhor, a vida de cada um de nós que acredita no destino, na má sorte, em Deus que decide tudo sobre nós, mesmo sabendo, cada um destes "nós", que nada é assim, que o destino somos nós que o construimos, que nada do que nos acontece está escrito nas estrelas.


Fado é sorte
E do berço até à morte
Ninguém foge por mais forte
Ao destino que Deus dá

Que bom seria, poder um dia, trocar-se o fado
Por outro fado qualquer
Mas a gente já traz o fado marcado
E nenhum mais inclemente
Do que este de ser mulher

Bem pensado
Todos temos nosso fado
E quem nasce mal fadado
Melhor fado não terá

Fado é sorte
E do berço até à morte
Ninguém foge, por mais sorte
Ao destino que Deus dá

JdB


Acerca de mim

Arquivo do blogue