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26 agosto 2021

De Harare para Chiredzi (publicado hoje, mas há 13 anos)

Explicar o caminho de Harare para o nosso destino, neste caso a 450km, não é, em termos de orientação, como informar as estadas a seguir quando se vai de Lisboa para Santarém. A nossa capital tem duas saídas principais – para Norte e para o Sul -, mas não passaria pela cabeça de ninguém instruir o viajante da seguinte forma: - sobes a Fontes Pereira de Melo, continuas pela Avenida da República, apanhas a Estados Unidos da América e, chegando ao fim, viras à esquerda para subir a Gago Coutinho. Fruto, seguramente, da organização da cidade em termos de saídas, o facto é que abandonar Harare passa por uma explicação semelhante. Posso afirmar a tendência, porque é a segunda vez que comprovo. Ir da capital do Zimbabué até a Chiredzi, a terra mais próxima do Nduna Safari Lodge, é conhecer várias Áfricas: - a África de que nos apercebemos em Harare, e que já descrevi por duas ou três vezes; - a África dos subúrbios: Chitungwiza, por exemplo, uma espécie de margem sul semi-industrializada, com dezenas e dezenas de pessoas nas ruas, nas estradas, pedindo boleias, apanhando camionetas, migrando para aqui e para ali naquilo que me parece, ignorantemente, uma diáspora desorganizada, caótica, sem destino definido.
- a África das pequenas cidades rurais, construídas em cima de duas ou três ruas, se tanto, um ou dois pequenos estabelecimentos comerciais com ar decadente e, na generalidade, fechados; nalgumas terras maiores, um posto de polícia pode conferir ao lugarejo uma maior importância. - por último, mas não menos relevante (com maior intensidade à medida que caminhamos para sul), a maior predominância da África profunda e tribal, onde as casas, tal como nós as concebemos, mesmo que pobres, são substituídas por aglomerados de cubatas, e as regras de convivência e de organização se modernizam à velocidade das coisas quase imóveis.

São cerca de 4,5 horas de um caminho que se faz num instante, no entretenimento de uma paisagem que é sempre fascinante, sempre diversa, nunca monótona: o capim, mais alto aqui e ali, bordejando uma estrada que serpenteia muito suavemente; os tons de verde e castanho, que predominam nos nossos olhos, salpicados por manchas de um acobreado escuro; um ar que cheira permanentemente a seco, porque a época das chuvas é de Novembro a Março ou Abril; numa determinada zona da jornada, macacos aos bandos, saltando, vendo os carros que passam, subindo às árvores, comendo mansamente no meio do capim. Por último, mas não menos importante, o espaço – essa coisa imensa, infinda, inalcançável. Sempre tive algumas dúvidas – que se baseiam na estética do olhar, mais no que na evidência da certeza - que a terra fosse verdadeiramente redonda, ainda que achatada nos pólos. Aqui, como no Alentejo (numa ínfima parte quando comparado com a realidade que vivo), o que deixa de se ver não pode estar relacionado com a esfericidade do globo terrestre, mas com a limitação da visão humana. Com efeito, que bom seria vermos a África toda de uma vez só, do Atlântico ao Índico, apercebendo-nos da savana, do mato, da organização das populações, da proximidade do animal selvagem.

Não há palavras, seguramente as minhas, para descrever o que é a beleza sufocante e exaltante de um espaço sem limites, nalguns casos de uma planura que parece tirada a regra e esquadro, noutros com uma elevação suave e pouca; árvores surpreendentes que se erguem do meio do nada, como se tudo não fosse mais do que a natureza a proteger-nos do hipnotismo do lugar. Sou um turista essencialmente urbano, atraído pelas casas, igrejas, palácios, ruas movimentadas, praças povoadas de gente que se senta e levanta, conversa, ri, cumprimenta quem está ao lado e sobre as quais posso inventar histórias. Encontro facilmente beleza no equilíbrio arquitectónico de Praga, na estética organizada de Paris, na esquadria do arranha-céus em Nova Iorque. Aqui tudo parece ser desorganizado, espontâneo e isento, quase sempre, da mão artificial do homem. E, no entanto, há um extraordinário equilíbrio do todo face ao possível desarranjo das partes. Talvez aqui, como noutras partes do mundo, o encanto não esteja no detalhe. Nesta África rural e profunda, parece-me, a maravilha está naquilo que os nossos olhos abarcam globalmente, e que tem de ser visto dessa forma. O campo nem sempre está arranjado, ordenado, emparcelado, fruto da desordem política ou da cultura local. Mas, o que se vislumbra aos nossos olhos, é a imensidão – e essa nem sempre carece de uma grandeza organizada. O relógio rondava a uma da tarde quando chegámos ao Nduna Safari Lodge. O resto da descrição fica para amanhã, para que o repouso dos sentidos e a contemplação do espaço infinito não sejam perturbados. Nada me daria maior satisfação do que provocar saudades nos que por cá passaram, e curiosidade nos que olham África com desconfiança.

Adeus, até ao meu regresso...

19 agosto 2015

Game viewing

Há sete anos, que se completam no final do mês, estava num Lodge no Zimbabwe para alguns dias (luxuosos, a 12€ / dia) de safari fotográfico. Poderão relembrar os pormenores abaixo.

Hoje ainda estarei com um amigo recente que, volta não volta, vai a Moçambique caçar, tendo inclusivamente assumido um negócio nessa área. Um destes dias disse-lhe que gostava de ir com ele, tudo dependendo da evolução da vida profissional e financeira. Nunca disparei uma arma contra um animal, mas gostaria de ter essa experiência. Como me sentirei depois? Incomodado, como penso, ou todo entregue a um espírito ancestral de caçador? Acima de tudo move-me uma certa curiosidade sociológica: estar uma semana (não quererei estar mais) no meio do mato, isolado de comunicações e comodidades. Como me darei?

JdB

***

Dados que parecem relevantes para um melhor enquadramento da reportagem que segue:

Hóspedes do Nduna Safari Lodge: JdC e este vosso criado; uma diplomata relativamente júnior da embaixada inglesa e a sua irmã, ainda mais júnior; um casal com um filho dos seus 16 anos e com uma altura obscenamente elevada. O pai (presume-se que fosse, dado que o ADN não se observa a olho nu) neozelandês; a mãe, natural deste país, e que sofreu um qualquer trauma que lhe solta um conversar ininterrupto num inglês dificilmente compreensível. Tentou explicar o drama ao JdC, mas interpôs sempre uma outra história, e mais outra. E outra ainda… Resta-nos pois, a especulação – e o descanso do ouvido, não obstante a amabilidade da interlocutora.

Rotinas de Game Viewing: alvorada pelas 05.30h, chá, café e bolinhos trinta minutos depois; debandada para o mato decorrido igual período de tempo. Chegada pelas 09.30h, para pequeno-almoço. De tarde, o mesmo cerimonial das bebidas e biscoitos, mas a começar pela hora terceira com arranque passada meia hora. Chegada pelas 19.30h, a tempo de um banho retemperador e de um jantar ao som da savana.


Os meus leitores, fiéis ou ocasionais, perguntarão se vi animais diferentes, aves raras, insectos únicos. Indagarão se temi pela vida ante a investida feroz do búfalo, o rugido tremendo do leão ou o riso escarninho (imaginado, porque não vi) da hiena. Quererão saber se as aves piam diferente, se imitam o rufar dos tambores ou gritam toufraca em shona. A resposta é: não!

Num dia, após uma aturada busca e uma condução arrojada pelo mato e pela savana, já o sol tinha recolhido, encontrámos dois casais leoninos. Soubemos, por quem conhece o seu rebanho, que estavam em digestão de um búfalo deglutido, sem preocupação estética, mas com furor sanguíneo, havia quatro dias. A mansidão era tal que quis levantar-me e afagar-lhes o estômago cheio, sussurrando-lhes bichaninho ao ouvido. Não rugiram, e levantaram a cabeça vaga com uma indiferença que me desiludiu. Talvez eu ficasse pior, se tivesse um búfalo como pitéu...


Na véspera, fazia o grupo o seu descanso, aproximou-se um rinoceronte. Olhou-nos com um ar indiferente a meia dúzia de metros e seguiu a sua vidinha, naquele corpo de antes da criação do mundo. Acontecera o mesmo com um elefante trombudo que, de tanta proximidade, quase nos aquecia a nuca com um bafo quente. A hiena esteve à distância de dois metros; ao gnu quase lhe vi a cor dos olhos; distingui, claramente, o código de barras da zebra.


Dir-me-ão, então, queridos leitores, que não há grande diferença entre os habitantes do Zoo lisboeta e a fauna que povoa este espaço imenso. Poderia ter ido a Sete Rios e poupava a destruição de uma mala. Erro! O bicho pode ser o mesmo, ter a mesma mansidão aparente, mas o habitat é que marca a diferença. Aqui vemos o reino animal nos seus domínios, passeando-se com ferocidade ou ligeireza consoante a sua espécie. Apercebemo-nos das rotinas próprias, dos momentos de caça, dos esquemas de fuga, das regras de acasalamento, dos hábitos alimentares.

Compreendemos que o impala (ou um dos seus inúmeros primos direitos) confraterniza com o babuíno – não porque lhe aprecie a traquinice, mas porque o macaco é um excelente alerta para a presença de predadores; deparamo-nos, a todo o momento, com a fúria destruidora do elefante, que derruba árvores por onde passa para comer uma ramagem carnuda lá do alto; vemos, quase, a obediência da hiena jovem, que permanece na sua toca até que a mãe regresse da caça; descortinamos o piar de alerta dos pássaros e os animais que caçam apenas de noite, como se fossem homens viciados em bas fonds.



Fazer um game viewing é muito mais do que ver a girafa, o mocho, o ginete ou o hipopótamo. É estar ali, onde tudo se passa, ver o mato e a savana, o espaço e a cor (sempre as mesmas referências), o cheiro e a luz, o sol a pôr-se por trás das acácias, a brisa do fim da tarde a agitar as folhas do mopane, o calor confortável do meio do dia a contrastar com o frio tremendo da noite, a paisagem verdejante ou desoladoramente lunar. Fazer um game viewing é sentir, também, a frustração de não ter visto o leopardo, o único dos big five que não se quis mostrar… O que fizemos foi mais do que encontrar bicharada escondida numa ramagem, a assomar por detrás de uma árvore, a escapulir-se na margem de um rio seco.


Por último, mas não menos importante, fazer um game viewing também é sair do jipe e, na orla de um charco, à vista de uma bola amarela que se põe no fio do horizonte, beber um gin and tonic, e realizar que nem tudo se perdeu neste país que já se chamou Rodésia.

29 agosto 2014

Nduna Safari Lodge (hoje mas há seis anos, para matar saudades...)

Tal como disse ontem, é em cima da hora de almoço que nos aproximamos do Nduna Safari Lodge. À entrada da reserva, logo à boca da saída da estrada, Fortune, que será o nosso guia nos próximos dois dias e meio, espera por nós, simpático, informal, prestável, num jeep aberto com 8 lugares. Iremos segui-lo durante um trilho de 15km, onde a vegetação é predominantemente mato, mais cerrado nuns pontos do que noutros, e onde imaginamos animais escondidos.

JdC, que teve um problema da última vez que cá esteve, pergunta-lhe, prudente, se não passaremos por uma zona de areia onde o carro, sem tracção às quatro rodas, ficou atolado. A resposta veio pronta, com um fraseado curioso:
- There’s a place where we will have to negotiate a first gear.

E seguiu, deixando um rasto de poeira, até ao lodge onde nos instalaremos. Dez minutos depois chegamos. No sítio onde paramos o carro, o responsável de serviço, um zimbabueano branco com a minha altura mas o dobro do meu peso, aguarda-nos para as formalidades de boas vindas, tratando-nos imediatamente pelo nome próprio - o que é uma variante ao português moderno que prefere o senhor João. Ao seu lado, dois locais que nos levarão as malas, e um terceiro, pronto a servir chá frio e menta – com ou sem açúcar...


O Nduna Safari Lodge é um dos dois resorts a funcionar neste momento, e que pertencem ao Malilangwe Trust, uma organização particular totalmente zimbabueana e sem fins lucrativos, que se dedica a iniciativas de conservação da natureza, actividades comerciais e programas comunitários. O Trust emprega actualmente quase 300 pessoas, exclusivamente cidadãos nacionais. Para além disso, ao abrigo do programa benefits beyond boundaries, alimenta diariamente 25.000 crianças em idade pré-escolar em cerca de 500 pontos do Distrito.

As terras do Malilangwe Trust estendem-se por cerca de 70.000 hectares, onde habitam 25 espécies selvagens, destacando-se os elefantes (160), rinocerontes (130), leões (30), búfalos (1.500), leopardos (40), hipopótamos (60), impalas (3.300) e muitos outros, entre mamíferos, aves, insectos.

O Nduna Safari Lodge é composto por seis cabanas, cada uma com capacidade para duas pessoas, em cima de um lago onde vivem meia dúzia de hipopótamos e, ao que parece, um crocodilo com cerca de três metros, pelo que a aproximação demasiada da água é fortemente desaconselhada.

No ponto mais elevado do lodge, com uma vista deslumbrante e extensa, ficam o bar, a sala, a zonas das refeições ao ar livre. Do lado oposto, escarpas elevadas que absorvem o calor do sol que ali bate durante todo o dia, e onde nasce alguma vegetação teimosa e resistente.

As habitações, rodeados por acácias, figueiras, palmeiras e outras árvores locais e exóticas, garantem total privacidade, e estão elevadas cerca de três metros relativamente ao lago, pelo que oferecem uma proximidade e uma vista ao nível verdadeiramente surpreendentes. Totalmente equipadas – inclusivamente mosquiteiros –, são um convite ao repouso absoluto.

Sento-me a escrever ou a ler na varanda. No lago, a poucas dezenas de metros, veja a cabeça de quatro hipopótamos, que dão sinal sonoro da sua presença por meio de ruídos potentes, estranhos, que me acordam durante a noite; um pássaro pousa no varandim a pouco mais de um metro, como se eu não constituísse ameaça; ao longe, muitos outros cantam ou comunicam no seu piar próprio; algumas moscas zunem infatigáveis ao sol de Agosto; uma ave bate as asas num descolar de anfíbio; um rapaz lança o anzol numa barcaça junto à margem; na outra ponta do lago, mas com visibilidade suficiente para gerar encanto, uma manada de elefantes, com machos, fêmeas, crias, cruza o mato lento na procura de outras paragens; ao longe, escondidos, babuínos velando, esperando pela manhã para invadirem, às dezenas, as zonas habitadas.


Conheci o silêncio quase absoluto no campo inglês onde não se ouvia um ladrar, uma motoreta, um comboio que apita à vista de uma passagem de nível, um carro que circula numa violência de escape furado. Um tal silêncio, embora agradável, pode oprimir, fazer-nos sentir num vazio de tudo o que vive, se agita, tem movimento. Aqui, o silêncio tem um som que nos repousa, nos sossega, nos leva mentalmente aonde quisermos - às memórias mais felizes da nossa vida, aos momentos mais tristes do nosso caminho. Mas, e falo por experiência própria, esta tranquilidade convida à renovação, como se tudo nos incitasse a ser terra que se oferece à queimada, para renascer mais fértil, mais forte. Há um convite ao recolhimento, à contemplação desta natureza que se disponibiliza colorida, com um tom de fim de dia impossível de descrever. Aqui, estou convencido, até a música suave seria uma violência sonora.

Voltarei amanhã, para que me acompanhem na observação da hiena que não vi rir, do elefante na sua voragem destruidora, do rinoceronte na sua figura pré-histórica, das aves cujo nome não consegui fixar e da paisagem cuja beleza serei incapaz de transmitir.

JdB

25 agosto 2008

Ainda estou no Sul...


Hoje é segunda-feira, embora esteja a escrever este post na 6ª feira, véspera da partida para Chiredzi.

Se quiserem saber mais alguma coisa do que estou a fazer, vão a este site. E invejem.

Amanhã chegarei pela hora de almoço. Voltem pela cedinha, que há sempre qualquer coisa para deleite de quem me segue.

Adeus, até ao meu regresso...

23 agosto 2008

Vou-me embora, vou pró Sul...


Para aqueles que por obsessão persecutória, preocupação genuína ou ausência de alternativa mais interessante seguem os meus passos ao nível do mapa, sugiro que cantem comigo, como cantariam com o Vitorino:

Vou no vapor da madrugada
A minha estrada vai prò Sul
Dá-me um abraço d´encantar
Volto para o fundo dum olhar
Meiga paixão ao Sol do Estilo
Rubra papoila fugidia
Encontro certo no trigal
Nada me prende, vou-me embora
Vou pró Sul...

Com efeito, à hora em que a maioria dos meus leitores – fiéis ou ocasionais – me lê, estarei a caminho de Chiredzi, no sudeste do Zimbabué, a menos de 50km do Parque Nacional de Gonarezhou, na fronteira com Moçambique. Sairemos de Harare pela fresca da manhã, passando por Chitungwiza, Chivu, Gutu e Zaka, numa estirada matinal de 450km. Contamos chegar ao nosso destino pela hora de almoço.

Estaremos até 3ª feira instalados no Nduna Safari Lodge, junto ao um lago onde os hipopótamos vêm escorropichar uma aguinha e fazer, eventualmente, as suas abluções. Fruto de uma prática legal que foi explorada com mestria e noção do tempo, de uma vontade indómita de dois amigos e de um furor cambial a que nunca me habituarei, pagaremos uma obscenidade de 11 ou 12 euros por dia.

Imaginam os meus queridos amigos e visitantes que pernoitaremos junto ao Hippopotamus amphibius, enquanto ele gargareja ao pôr-do-sol? Comeremos capim ao relento? Estender-nos-emos junto a uma fogueira que aquece o corpo gelado e afugenta a chita esfomeada? Desenganem-se, então. Estaremos instalados em chalets individuais (assim reza o dépliant), com direito a três-refeições-três, bar aberto, e dois safaris diários: um de manhã, para ver como o animal africano reage ao nascer do dia; o outro à tarde, para ver a fauna a recolher, enquanto a escuridão se instala.

No entretanto estaremos por ali, escutando os ruídos próprios da savana, pensando na vida, em estado de prontidão e resposta para enfrentar o animal feroz que se aproxima, desejoso, quem sabe, de carne branca. E lembraremos todos os amigos que por esse Portugal fora preparam orçamentos, enquanto nós observamos a hiena.

O preço é tão convidativo que considerei seriamente a hipótese de me quedar por ali, habituar-me à ausência de tudo, porque as comunicações com o exterior são impossíveis: não há telemóveis, rede fixa, internet. Durante três dias o mundo isola-se de mim, restando-me o rufar dos tambores para saber se Vicente Moura se demite, se recandidata ou reivindica uma condecoração por alturas do 10 de Junho.

Se quiserem ter um cheirinho do que irei encontrar, abro a ponta do véu (muito poucochinho, porque o país está, todo ele, em construção...) com este site. O resto virá depois.

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