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03 agosto 2010

O silêncio

Há um ano publicava, neste mesmo espaço, este pensamento retirado do site dos jesuítas em Portugal. Fala sobre algo - o silêncio - que, por um motivo ou por outro, tem vindo a ser muito importante para mim nestes últimos anos.

JdB

O silêncio é um valor inestimável. Sem silêncio não se ouve e ainda menos se escuta. O homem que não se escuta a si próprio, desconhece-se. O que não tem espaço e tempo para meditar, para ouvir o significado dos sons e das palavras, anda neste mundo a reboque, sem leme. Só no silêncio é possível descobrir outros sinais de comunicação. Aproveitemos este tempo de férias para fazer silêncio. O silêncio é o segredo de uma melhor comunicação.

(Vasco P. Magalhães, sj)

27 junho 2010

Textos dos dias que correm...

Não se pode confundir felicidade com facilidade.
A felicidade não cai do céu, é luta e dá trabalho. É Graça, também!
A felicidade cristã tem três "efes": fé, fidelidade e fecundidade!
Fé, que é confiança em Deus.
Fidelidade que é nunca desistir de alcançar o que se propôs.
Fecundidade que significa abertura ao que Deus nos pede, capacidade de gerar futuro.
Se alguma destas coisas não existe, não podemos encontrar a felicidade.
Feliz equivale a ser pessoa de fé, confiante, fiel aos seus propósitos, fecunda, aberta aos outros e à vida.


Vasco P. Magalhães, sj (pensamento enviado por mão amiga)

29 maio 2010

Textos dos dias que correm...

De onde procede a energia do agricultor que não vê a árvore dar frutos imediatamente, mas que cava e rega, um dia após outro, e que poda e aguenta uma geada e recomeça de novo? É porque acredita na colheita que virá a seu tempo, é porque já a viu e percebeu isso da sua experiência. A experiência, a nossa historia pessoal, ajuda-nos a ter esperança. Já ter passado por dificuldades, ter ajudado outros a passar por elas, ter sofrido, tudo isso ajuda muito. Devemos aprender a ler a nossa história e perceber que não temos nada que deitar as mãos à cabeça, desesperados.


Texto do Pe.Vasco Pinto Magalhães, que mão amiga me enviou por sms.

21 março 2010

Reconciliação - desejar mudar e mudar mesmo

« Há tanto tempo que não me confesso que já nem sei… já nem sei como se faz! Até parece que mudou de nome, oiço falar de reconciliação… mas a verdade é que até me confesso muitas vezes a Deus e Ele lá sabe…. » Quantas vezes ouvimos este desabafo ou não será um grito a pedir ajuda? E também é certo que vemos muita gente que se vai confessar, com frequência até, e nem por isso tem cara de reconciliada.

Na verdade, de um modo ou de outro, andamos todos longe como “filhos pródigos” a esbanjar e a estragar talentos, bens e relações num novo riquismo próprio da nossa época consumista mas recheada de bolsas de miséria. Fazemos de conta ou fazemos o que queremos, como pensam alguns, achando-se evoluídos sem precisar de perdão nem remissão…. Outros, porém, temem. E, nem uns nem outros, se mostram muito felizes, nem são cartaz de que a coisa vai bem. No fundo, todos desejamos um mundo melhor, mais reencontrado consigo mesmo, com os outros, com a natureza, com Deus.

Façamos um bom Exame de Consciência.

E – porque não – fazer este ano uma grande revisão geral de toda a minha vida? Uma “confissão geral”, como se chamava antes, pode haver razão para a fazer, mesmo que os meus pecados já tenham sido perdoados. Mas não é por isso. É que nos faz bem rever o grande filme da nossa vida, certamente cheio de graças e falhas; mas a proposta, agora, seria revisitar o passado com Deus e não sozinho: ter o atrevimento de convidar Jesus Cristo a ver este filme e vê-lo com Ele e pelos olhos d’Ele. Rever tudo – graça e pecado – com olhos de misericórdia, para de tudo tirar proveito, para descobrir que “o amor é mais forte do que a morte”, que “onde abundou o pecado superabundou a graça”. Então, sairemos mais fortes e perdoados pela mão d’Ele para enfrentar o futuro com renovada Sabedoria e Fortaleza. São esses dois dons necessaríssimos que recebemos numa sincera confissão.

Deus só quer que cada um de nós nasça de novo. E nós – quem não? – queremos ter forças para começar de novo: mais ajustados a Deus, mais capazes de justiça… isto é, reconciliados.

Pego em mim e vou ter com Deus e digo-lhe “Pai pequei contra o céu e contra ti…” ou seja, digo-lhe o que sofro, digo-lhe o que faço sofrer, falo-lhe do egoísmo e da vaidade que me cegam, da impaciência e da mentira com que me justifico, dos desânimos e das consequentes compensações em que caio… Etc., digo-lhe “a vida dura” – e Ele já sabe e por isso me quer dar a mão e o abraço – e atrevo-me a gaguejar “quero ser melhor e parece-me que não sou capaz… sem Ti!” E Ele que é Pai e quer as coisas bem sentidas precisa de um “Padre”, de um instrumento concreto, vivo, para me transmitir a sua força e o seu perdão, através de um sinal eficaz que me ajuda a levantar e a caminhar para que o mal não torne a acontecer. A Absolvição liberta-me e dá-me liberdade.

Mas, Ele precisa de padre? Ele e nós, claro, e por três razões, por ordem de importância: a primeira é de ordem psicológica, pois, me ajuda, a mim, a ser concreto, objectivo e enfrentando-me diante de outro posso aceitar-me sem falsas humildades; a segunda é de ordem eclesial, comunitária, porque tudo o que fiz ou deixei de fazer – as omissões – teve a ver com outros, foi a outros e por isso, a comunidade ofendida deve estar representada e não só imaginada. Por fim, a terceira razão é teológica: é que se trata de ir receber uma força divina, uma graça de Deus que não posso dar a mim próprio. É aqui que está o ponto: não se trata de despejar o saco e de ficar aliviado; trata-se de encher a cabeça e o coração, esvaziados do amor pelo pecado, com a força de Deus, com o seu amor e a sua fidelidade. Confissão é um nome perigoso.

Confessar-me, deitar para fora, posso fazer sozinho, ou como uns dizem, directamente a Deus. Fazê-mo-lo muitas vezes na oração mas, receber a graça, encher o vazio que o pecado deixou, isso tem de me ser dado. Então, reconciliação, sacramento do perdão, são nomes melhores. Na parábola do Pai do filho perdido, não é o filho que abraça o pai, é o Pai que vem abraçar o filho e levá-lo para casa. O filho só cai de joelhos e confessa a sua desgraça e o seu desejo de mudar. É o abraço do Pai que o muda.

Há quem pense assim: eu, primeiro, converto-me e depois faço o favor de me ir confessar e buscar a medalha de bom comportamento. Mas não. Primeiro desejo mudar – arrependo-me – e compreendo que sozinho não sou capaz, declaro-o, confesso-me e peço que me seja dada a graça. Então Deus dá-me o perdom: o dom que me cura e fortalece e orienta. Só então mudo; só então posso mudar de vida.

Nesta peregrinação, a ordem não é pecado confessado – conversão – perdão. É antes pecador arrependido – perdão – conversão. Quem o fizer fica reconciliado, re-encontrado com o seu verdadeiro “eu”, com os irmãos, com Deus e com a criação …

Fico sempre a pensar naquela frase de S. Paulo (Ef. 3, 20) mais ou menos assim: não somos capazes de imaginar o que Deus faria de nós se nós deixássemos.

P. Vasco de Magalhães, S. J.

21 dezembro 2008

Pensamentos dos dias que correm

Prendas ou presentes de Natal. Na caixa do correio estão dois envelopes. Um dizia: “você acabou de receber um automóvel, venha buscar”. O outro dizia: “você acaba de receber a missão de estar atento às pessoas que sofrem em sua casa e de ir ver quem tem necessidades no seu trabalho”. Verdadeiramente, só o segundo envelope traz um presente de Natal! O primeiro cartão acrescentava: “sinta-se orgulhoso”. O segundo dizia: “não tenha medo, a força está dentro de si”.

Vasco P. Magalhães, sj

(Nota: pensamento roubado hoje aqui)

10 outubro 2008

Pensamentos dos dias que correm

O ressentimento é uma das experiências humanas mais negativas. O ressentido está sentido com os outros e está sentido consigo, e remorde-se, não se perdoa nem perdoa, acha que tem todo o direito a isso. É a cegueira do ressentimento! Só um acto de humildade, e saber perder os falsos direitos a que me agarro, pode fazer-me sair dessa dor de andar magoado com a vida.

Vasco P. Magalhães, sj

02 agosto 2008

O valor do silêncio

Fui buscar ao site Essejota este pensamento, publicado ontem, 1 de Agosto. O silêncio é um tema que me encanta, sobre o qual gosto de ler e de pensar. A minha vida dos últimos anos foi atravessada, aqui e ali, por momentos de grande parcimónia na utilização das palavras - ditas ou ouvidas. Foram tempos reconfortantes, de olhar para dentro e para fora, de escutar vozes que só nós ouvimos, de proferir frases que mais ninguém ouve; foram alturas esmagadoras, em que o que não se dizia tinha um peso infinitamente doloroso, constrangedor, revelador de um incómodo que era filho do diálogo que já não existia. O silêncio é, de facto, uma ferramenta poderosíssima, capaz do melhor e do pior. Assim eu a soubesse usar para os fins mais elevados.

O silêncio é um valor inestimável. Sem silêncio não se ouve e ainda menos se escuta. O homem que não se escuta a si próprio, desconhece-se. O que não tem espaço e tempo para meditar, para ouvir o significado dos sons e das palavras, anda neste mundo a reboque, sem leme. Só no silêncio é possível descobrir outros sinais de comunicação. Aproveitemos este tempo de férias para fazer silêncio. O silêncio é o segredo de uma melhor comunicação.
(Vasco P. Magalhães, sj)

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