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| Algarve, ontem, cerca das 20.30h |
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| Algarve, ontem, cerca das 20.30h |
Tal como milhões de outras pessoas, em Portugal ou na Europa, tenho vindo a viver sob o signo do calor. Ao contrário de muitos outros, no entanto, passei o mês quente de Julho em condições favoráveis, numa casa confortável, suficientemente perto de uma praia algarvia para se dispensar o carro, rodeado de ar condicionado, piscina e cerveja gelada, em a querendo. Apesar disso, deste burguesismo que consola o corpo, sofro com o calor. Atento na minha temperatura de conforto e percebo que posso estar 15ºC acima do que considero digno para um homem com um termostato próprio.
Não se liga muito aos que sofrem com o calor; na verdade, acha-se um bizarria - pode perceber-se, mas não deixa de ser uma bizarria. A sociologia (ou outra ciência semelhante) ou talvez mesmo a história das nações concorre para esta ideia. De facto, o sofrimento com o calor é esquisitice; já o sofrimento com o frio pode ser pobreza. Salvo em condições especiais - e tem havido casos - morre-se menos com o calor do que com o frio. Pode não ser preciso nada para se manter uma casa moderadamente fresca no pinho do Verão mas, no pico do Inverno será preciso recorrer a equipamentos e incorrer em despesas mensais para manter a casa moderadamente quente. E muitas das pessoas que morrem por efeitos do calor terão sido vítimas de descuido - pouca hidratação, golpes de calor excessivos para idades avanças, demasiado sol. O raciocínio não é replicável para as pessoas que morrem de frio, ou que vivem em pobreza energética. Por último, a uma criança com calor dá-se um cornetto e a vida segue em frente; ninguém aceita que uma criança tenha frio.
Sim, tenho cerveja gelada, ar condicionado, piscina, praia a oito minutos de caminhada lenta. Sou um privilegiado. Porém, não obstante, sofro com o calor...
JdB


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