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16 maio 2012

Ponto de Vírgula

Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.

Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.

Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo ...

(...)


Sei isso muitas vezes,
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
Não me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.



"Dobrada à moda do Porto", Álvaro de Campos


Dobrada à moda do Porto

Ingredientes:
1 kg de feijão branco
1 orelheira
2 kg de dobrada
1 mão de vaca grande, chouriço de colorau
1 salpicão, tira média de toucinho fresco
4 pés de porco
1/2 frango
250 gramas de carne de vaca
1 chouriço de sangue
1 tira de bacon, linguiça, presunto
1 toco de porco fumado
2 tomates maduros, salsa, cebola média, 3 alhos
colorau, pimenta, sal, azeite

Preparação:
Coza o feijão e aproveite a água. Coza a orelheira, os pés de porco e a dobrada e o toco em águas diferentes. Faça um refogado com a cebola, os alhos, os tomates, o colorau e a salsa.
Refugue aqui o chouriço de colorau, o presunto e o frango. Parta as carnes que cozeu e a dobrada aos bocados e acrescente ao refugado.
Junte e feijão branco já cozido e coloque o chouriço de sangue por cima para não se desfazer. Deixe refogar lentamente para engrossar o môlho.
Veja os temperos e ponha a pimenta. Quando pronto sirva com arroz seco.

Nota: receita tirada daqui

MFM

11 janeiro 2012

Ponto de Vírgula

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

(...)
"Aniversário",  Álvaro de Campos

Trouxas de ovos

Ingredientes:

Para as capas:
10 gemas
1 ovo

Para os fios de ovos:
1/2 kg de açúcar
10 gemas
3 dl de água

Para a calda
:
1 kg de açúcar
1/2 litro de água

Preparação:

Misture o açúcar com a água e leve ao lume até fazer ponto de fio forte. Bata as gemas com o ovo. Deite-as às colheradas dentro da calda até cozerem. Retire para um prato e reserve. Prepare os fios de ovos: aqueça o açúcar com a água até levantar fervura. Deite as gemas no aparelho próprio e deixe-as escorrer em fios. Retire-os com a ajuda de um garfo para um prato molhado. Recheie cada capa com os fios de ovos, enrole, coloque numa travessa e regue com a restante calda.


MFM

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