Há um exercício tão difícil que talvez seja quase impossível: qual é a música da nossa vida? Seguramente que, se tivesse de escolher numa situação de vida ou de morte, não faria a escolha pelo critério beleza. Há tantas músicas - de todos os géneros possíveis - tão bonitas e que me tocam tanto que seria impossível escolher. O critério teria de ser outro: uma música associada a um momento, a uma época, a um enquadramento, a uma ideia.
Já aqui escrevi abundantemente sobre a ideia de regresso a casa, pelo que vou poupara os meus leitores a teorias e lugares-comuns repetidos. Mas, talvez não haja tema que seja tão importante para mim, que persista na minha mente ao longo de tanto tempo, que seja motivo para metáforas interiores.
Para o dia de hoje, e para ilustrar esta minha obsessão pelo regresso a casa escolhi duas músicas cujos títulos são iguais. São ambas músicas muito bonitas, sendo que a primeira - soberbamente cantada - tem um poema muito bonito que assenta numa peça musical de que gosto particularmente. A segunda música - só música - é superiormente tocada.
GOING HOME
Going home, going home I am going home Quiet like, some still day I am going home It's not far, just close by Through an open door Work all done, care laid by Never fear no more
Mother's there expecting me Father's waiting too Lots of faces gathered there All the friends I knew I'm just going home
No more fear, no more pain No more stumbling by the way No more longing for the day Going to run no more Morning star light the way Restless dreams all gone Shadows gone, break of day Real life has begun
There's no break, there's no end Just living on Wide awake, with a smile Going on and on, going on and on Going home, going home I am going home Shadows gone, break of day Real life has begun I'm just going home
Music from Dvorak’s Symphony from the New World. Lyrics by David Downes
Há músicas fantásticas que deram versões muito diferentes, cantadas por gente muito diferente. Lembro-me, em particular, de Falling Leaves / Les Feuilles Mortes, cantada por Yves Montand ou Eric Clapton. No domingo conheci uma versão de What a Wonderful World, tornada famosa por Louis Armstrong, cantada desta feito por Mark Knopfler. Vale muito a pena ouvir.