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08 março 2017

Duas Últimas

Parceria é uma das várias palavras de que se usa e abusa no dicionário economicista que diária e crescentemente nos fustiga. Nem sempre pelos melhores motivos: lembremos por exemplo as famigeradas parcerias “público-privadas”, que no meu entender merecem (ou mereceram) tal adjectivo sobretudo porque o nosso bem-amado estado nunca conseguiu ser eficaz na defesa do interesse publico que lhe deve pertencer. 

A despropósito, lembro-me ainda de uma frase que há já alguns anos ouvi ao meu antigo patrão. Mais ou menos isto: “cuidado com os sócios, espécie em regra ingrata e traiçoeira”. Na altura não liguei muito, mas hoje em dia penso que a deve ter proferido em épocas como a da “distribuição de resultados” ou a da “venda da empresa x, normalmente industrial, para investir na y, normalmente de serviços”. Lá teria as suas razões. Não tendo a concordar com a frase, certamente por ingenuidade ou boa vontade! 

Entretanto, um exemplo feliz de uma parceria de sucesso é sem dúvida a que em boa hora (2015) foi feita, ou talvez reforçada, entre Ana Moura e Abrunhosa. Casando bem a inspiração do primeiro com a voz sensual e muito própria da multifacetada artista ribatejana. 

Espero que apreciem a escolha.

fq

07 abril 2015

Duas últimas

Voámos e continuamos a voar em contramão. Há demasiado tempo. Em longo “Interregno”, como diria um amigo meu.

Os acidentes de percurso são conhecidos e os resultados a que se chegou também: a independência nacional diminuída, a troco de alguns milhares de milhões que foram chegando e desaparecendo sem mudar decisivamente o País, por incompetência, falta de seriedade ou outro motivo qualquer. Nos últimos tempos, a intervenção da troika para nos salvar da falência certa que nos estava prestes a ser servida.

A agora tão proclamada “ética republicana” não resolveu os problemas, nem os poderia resolver. O “conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta humana, individual ou colectiva, na sociedade” não se vislumbra nesta república dos casos e mais casos. É precisa grande dose de desfaçatez para invocar a “ética” nesta barafunda. E a palavra “republicana” está manifestamente a mais….

O problema é de representação política. Que nos tempos actuais sentimos estar cada vez mais distante dos cidadãos, das famílias. O regime construiu-se e blindou-se a ele próprio, proibindo alternativas. Defendido à prova de bala pela preciosa Constituição de 76.

Os valores permanentes precisam de instituições perenes, não de políticas do momento. Precisam do exemplo agregador. Caso contrário tenderão a desaparecer, e imperará o relativismo a respeito de tudo e mais alguma coisa, do principal ao acessório. Até que outros venham pôr ordem na casa. Porque virão, se não mudarmos. Será uma questão de tempo.

Espero que apreciem, se não o texto, ao menos a música.


fq

09 setembro 2014

Duas Últimas

Para recomeçar as hostilidades post estivais, nada melhor do que 2 músicas portuguesas:

- A primeira dos Tara Perdida, grupo português de punk rock, fundado em 1995 à volta de João Ribas, prematuramente desaparecido em Março deste ano, com uma música sobre Lisboa, bastante diferente das que fazem o género da banda (para melhor, ao meu singelo gosto), contando para mais com a prestimosa colaboração de Tim.

- A segunda do portuense Pedro Abrunhosa, a que me ligam afinidades para lá da música, relativas por exemplo à freguesia comum de nascimento ou a questões tão prosaicas como as capilares. Música essa retirada do seu último álbum, de finais do ano passado.

Espero que gostem!


fq



18 outubro 2011

Duas últimas


Desta feita escolho um dos nomes que a cidade onde nasci deu à música portuguesa. E realço que o Porto foi pródigo nessa matéria, pois deu-nos sem dúvida alguns dos melhores compositores e músicos portugueses da minha geração. Embora alguns deles tenham sentido necessidade de vir para a centralidade da capital para dar nas vistas e fazer carreira.

Pedro Abrunhosa lá tem as suas manias e peneiras – quem não as tem? –, alguns gostos e simpatia por certo discutíveis. Mas, no essencial, acho-o um excelente compositor e um intérprete (ao estilo de “diseur”) personalizado e diferente. Como li algures, trata-se de alguém que chegou à música pela via erudita e cujo caminho tem sido no sentido da simplificação, da depuração, da procura do essencial. Vi-o também ao vivo mais do que uma vez e gostei da presença em palco, passe alguns comentários dispensáveis, e da força das suas interpretações.

Esta sua musica não é das mais conhecidas e já agora, destas, há 3 ou 4 absolutamente imperdíveis. Mas acabei por seleccionar “Ilumina-me”, talvez pela leve pronúncia do Norte, pelo “beijo louco no Porto”, porque gosto de ser iluminado nestes tempos de trevas.

Espero que gostem!

fq


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