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28 janeiro 2022

Da minha declaração de voto

Faço parte de um grupo de amigos que se junta(va) regularmente para almoçar, tendo criado um grupo de Whatsapp. Um dias destes perguntava um dos confrades: 

Pergunta: que recomendam os meus amigos quanto a voto: Voto util no RIO( para ter mais deputados ? será inglório ? ), ou voto no CDS ( para proporcionar mais 1 deputado desperdiçando menos votos ? ), ou até mesmo no IL. Eu voto antecipado no dia 23 mas mantenho duvidas. A Vossa recomendação será util.

Algumas pessoas responderam:

- Não faço recomendações de voto mas estou indeciso entre o CDS e IL. 

IL, não vão ganhar e podem pôr algum realismo nas questões económicas se tiverem que negociar com outros.

- PSD. Para não dividir votos e perder deputados. Com o método de Hondt a divisão de votos é altamente penalizante, e eu não quero voltar a ver o …

- Meus amigos. É preciso um Ventura para abanar o sistema.... Não é nenhum papão. (Um toque de humor: um dos confrades respondeu a esta sugestão de voto no Chega afirmando de forma diplomática: conheço alguns Chegas e têm todos uma coisa em comum: Não são de confiança…

Indeciso entre CDS e PSD… Mais provável CDS.

Meu único objetivo: que o Costa perca as eleições! Voto útil, é o que farei!

A melhor resposta foi a última, considerando que a alguns destes confrades une-os uma amizade com mais de 50 anos:

Embora toda a gente saiba como eu penso (de que aliás não faço nenhum segredo), como considero que o voto de cada um é secreto, não vos acompanho na respectiva divulgação. Penso que partilho convosco a necessidade de virar a actual página político-partidária.

Achei que já ninguém dizia que o voto é secreto (a não ser pela quase vergonha de se dizer em quem se vota), mas pelos vistos estou enganado...

Num almoço de outros amigos voltou a falar-se de política, da necessidade do voto útil e, por isso, do voto no PSD, da urgência em correr com o Costa, etc. Ao almoço, assim como no grupo de Whatsapp, disse claramente: votarei CDS. Embora perceba a lógica da utilidade, vários argumentos me levam a votar no CDS - o que faço, aliás, desde que tenho idade para votar (a partir de 1976):

1. Não quero que o CDS desapareça.

2. Acho que deve haver uma coligação de direita que galvanize uma parte do eleitorado. Excluo deste coligação o Chega, não porque dizem que é fascista, mas porque não confio neles. 

3. No dia em que o CDS desaparecer do mapa parlamentar, desaparece a única voz que, globalmente, discorda daquilo que eu discordo, e que são, nalguns casos, (quase) linhas vermelhas: o aborto, a eutanásia, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a disciplina de Cidadania tal como está concebida, a proibição das corridas de touros ou da caça, etc. Uns partidos são a favor, outros dão liberdade de voto; o CDS tem uma posição clara - e é contra.

Fica a minha declaração de voto. 

JdB    

07 outubro 2019

Do meu cão e das eleições

Momento 1: o  meu cão antes das primeiras projecções

Momento 2: o meu cão ao ouvir as primeiras projecções

As fotografias acima reflectem de forma inequívoca a atitude do meu cão - um setter inglês com 4 anos - face às eleições de ontem. Embora não pareça claro, se o mundo fosse justo e desenhado segundo o modelo do PAN, o meu cão teria direito a voto. Para além de poder vir a ter um Serviço Nacional de Saúde, de valer mais do que um ser humano em coma, o meu cão teria direito a voto, que seria exercido segundo moldes a definir em sede própria, ou seja, uma comissão adequada para o efeito. 

Volto ao dia de ontem: num primeiro momento, o meu cão - um setter inglês com 4 anos, repito - está espojado numa almofada que o protege do frio do lajedo. A postura física é um misto de abandalhamento, desinteresse e despudor. Eram 19h59 minutos. Depois, 1 singelo minuto depois, na mesma almofada que o protege do frio do lajedo, ouve as projecções e a sua atitude torna-se mais digna, mais interessada, mais expectante. Não há alegria nele - apenas um movimento de corpo, um rodar da cabeça na direcção do parlamento. Afinal, o CDS, um partido que defende a vida e as pessoas, está em risco de disputar o eleitorado com um partido que defende um vegetarianismo que não saberia qualificar e o direito dos animais a entrar em restaurantes e estabelecimentos similares.

O meu cão está feliz, o que é uma ironia. Ou será um sinal, o que também é uma ironia. Portugal, mais do que ser nevoeiro, tornou-se um lugar perigoso, que requer atenção. 

JdB

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