Um dia perguntaram-me qual achava ser o melhor disco de Amália: Busto ou Com que voz (gravado em 1970). Não hesitei, nessa ousadia que é prerrogativa dos ignorantes: Busto, respondi. Nesta 6ªfeira, num programa da RTP1 Em Casa da Amália (penso que é assim que se chama), Pedro Abrunhosa terá dito (espero não me enganar) que o álbum Com que Voz rompia com um estilo de fado - até porque cantava poetas consagrados - dando origem a outro estilo (estou a reproduzir de forma simplista). Se interpretei bem o raciocínio dele, tendo a discordar.
Em 1957 Amália Rodrigues grava o seu primeiro longa-duração: Amália no Olympia. Quase todas as letras são de poetas (populares) da chamada “Idade de Ouro”: Amadeu do Vale, Avelino de Sousa, Linhares Barbosa, José Galhardo, Silva Tavares, entre outros. No alinhamento do disco, Perseguição é a quarta faixa:
Em 1957 Amália Rodrigues grava o seu primeiro longa-duração: Amália no Olympia. Quase todas as letras são de poetas (populares) da chamada “Idade de Ouro”: Amadeu do Vale, Avelino de Sousa, Linhares Barbosa, José Galhardo, Silva Tavares, entre outros. No alinhamento do disco, Perseguição é a quarta faixa:
Se de mim nada consegues
Não sei porque me persegues
Constantemente na rua
Sabes bem que sou casada
Que sempre fui dedicada
E que não posso ser tua.
O segundo LP de Amália - Busto - será gravado em 1962. É o início da colaboração com Alain Oulman, que compõe quase todas as músicas, bem como da inclusão de poetas nunca cantados até então: Luís de Macedo, David Mourão-Ferreira, Pedro Homem de Mello.
Da primeira faixa:
Asas fechadas são cansaço ou queda,
Pedra lançada ou voo que repousa.
Em meu sorriso a minha entrega
Que o meu olhar não ousa.
O disco marca o início, também, de uma mudança substantiva no fado: acompanhamento ao piano, incursão por músicas novas não tradicionais, poetas eruditos, discos conceptuais (por contraponto a gravações de temas soltos). Amália no Olympia é, de alguma forma, o fado como Portugal o conhecia nos últimos trinta anos. Busto inaugura um novo tempo, patente também numa nova linguagem poética. E é por isso, por causa destas mudanças em letras e músicas, que eu considero Busto o álbum de rompimento. O Com Que Voz (um disco fantástico, que torna a escolha mais desafiante) só surgiria oito anos depois.
JdB
JdB
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