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19 março 2026

Lembranças (1975) dos dias que correm

Dennis is a menace with his "anyone for tennis?" And beseeching me to come and keep the score... And Maud says "Oh Lord! I'm so terribly bored!" And I really can't stand it anymore... I'm going out to dinner with a gorgeous singer To a little place I've found down by the Quay; Her name is Patricia, she calls herself Delicia, And the reason isn't very hard to see... She says God made her a sinner to keep the fat men thinner, As they tumble down in heaps before her feet, They hang around in groups like battle-weary troops, One van often see then queue right down the street... You see Patricia, or Delicia, not only is a singer She also removes all her clothing... For Patricia is the best stripper in town. And with a swing of her hips she starts to strip, To tremendous applause she took off her drawers, And with a lick of her lips she undid all the clips, Threw it all in the air, and everybody stared, Ans as the last piece of clothing fell to the floor, The police were banging on the door, On a Saturday night in nineteen twenty-four... Take it away boys! But poor Patricia was arrested and everyone detested The manner in which she was exposed, And later in court, well, everyone thought, That a summer run in Gaol would be proposed. But the Judge said, "Patricia, Or may I say, Delicia, The facts of this case lie before me... Case dismissed... this girl was in her working clothes!!" And with a swing of her hips she starts to strip, To tremendous applause she took off her drawers, And with a lick of her lips she undid all the clips, Threw it all in the air, and everybody stared, Ans as the last piece of clothing fell to the floor, The police were yelling for more!!! On a Saturday night in nineteen twenty-four... On a Saturday night in nineteen twenty-four...

04 maio 2020

Duas Últimas

Este comboio espanhol faz mais do que uma simples viagem entre Guadalquivir e a Velha Sevilha. Lá dentro, disputando as almas, duas forças em combate – o Bem e o Mal; a vida e o vírus, a doença e a saúde. And far away in some recess / The Lord and the Devil are now playing chess / The Devil still cheats and wins more souls / And as for the Lord, well, he's just doing his best. Deus ganha sempre, mas ainda não é hoje…

JdB




13 maio 2014

Das frases que começam por "olha, olha..."

Imaginemo-nos a deglutir uma cápsula mágica. Não para que alguém que nos é externo e mais sabedor examine os órgãos de que se constitui o nosso corpo – baço, fígado, apêndice, cólon, esófago – mas para que nós próprios vislumbremos a imaterialidade do nosso físico: carácter, actos, feitios, comportamentos.

(Interrompo o parágrafo inicial para uma dúvida partilhada: a cápsula é mágica ou é maldita? Procuramos ou fugimos?)

Imaginarmos a possibilidade desta fantasia da técnica é ter a certeza de que veríamos a Luz e a Sombra – melhor, Deus e o Diabo – a conviverem no mesmo espaço e no mesmo tempo, digladiando-se pela nossa alma frente a uma mesa de poker ou a um tabuleiro de xadrez.

(Revisitar a letra do Spanish Train, de Chris de Burgh, é perceber esta menção.) 

Qual o desenlace desta contenda entre as Trevas e a sua inversa? O desenlace é sempre incerto, porque incerta é a alma humana.

***

Ir à missa, rezar, entregar-se a uma espiritualidade possível ou reconfortante é (quase) tudo. É perceber a debilidade daquilo que nos forma, mas é também aforrar reforços para os momentos de maior necessidade: a fraqueza da fé, o confronto com tempos particularmente difíceis, a lembrança permanente do que é o bem e o mal. Ir à missa não é uma recompensa. Uma igreja não é uma espécie de olimpo onde residem os deuses da moral e dos bons costumes, nem é um senado onde só ingressam os virtuosos da pátria.

Ir à missa não é um prémio – é a procura de um prémio. Apesar disto, que me parece ser de uma meridiana clareza e um fortíssimo lugar-comum, subsiste a ideia pontual, porém reiterada, de que aos fiéis se exige um comportamento irrepreensível, porque a coerência lhes é imposta como a pulseira electrónica a um condenado. “Olha, olha, tantas missas e depois é isto...”

Desconheço a motivação dos milhões de pessoas que assistem à missa por esse mundo fora. Não conheço, sequer, a motivação daqueles que frequentam a mesma missa que eu, muito embora conheça algumas vidas com que me cruzo semanalmente. A minha imaginação lista todas as motivações: os que cumprem uma rotina desconcentrada, os que vão como companhia absorta, os que estão atentos e disponíveis para aprender, os que entendem já saber o suficiente, surdos por convencimento.

Errar no dia a dia – o rancor, o orgulho, o mau feitio, a inveja, a falta de caridade ou de atenção, o egoísmo, a ausência de ética – atinge-nos a todos, sejamos crentes ou ateus, budistas ou muçulmanos. Afirmar “olha, olha, tantas missas e depois é isto”, porque um praticante se portou menos bem – ou mesmo mal... - numa determinada área da sua vida, não será muito diferente da intolerância manifestada aos desportistas arredados do pódio: “olha, olha, tantos treinos e depois é isto”.

Continuarei a ir à missa - e continuarei a falhar. Se a minha panóplia de motivos contemplasse apenas um, teria a clareza que advém da ausência de dúvidas: nada nem ninguém me desafiou tanto à santidade como a Igreja Católica, com todos os seus defeitos, falhas, incoerências, vergonhas. Não vou à missa porque sou, vou à missa para ser. E como não o consigo, repito todas as semanas. Quem olhar para mim – ou para outros, infinitamente melhores do que eu – e,  face às minhas falhas, lhe ocorrer a frase “olha, olha, tantas missas e depois é isto ...“ tem ferroada para o resto da (minha) vida.

Dentro de mim – como dentro de muitos que me lêem, estou certo – Deus e o Diabo travam uma luta constante num comboio que, canta Chris de Burgh, runs between Guadalquivir and old Seville. Ambos disputam a minha alma, ambos me apresentam os seus argumentos. Deus mostra-me o Amor, por vezes difícil, exigente; o Diabo mostra-me a sua inversa – por vezes mais divertida, por vezes com uma ideia falsa de gozo imediato. Só me resta torcer pelo meu clube, dando-lhe trunfos para que o jogo seja mais manso...

Olha, olha...

JdB 

13 outubro 2010

Moleskine (II)

Imprevisibilidades do destino permitiram que visse, em directo (eram 4 da manhã, pouco mais ou menos), o resgate do primeiro mineiro - Florencio Avalos, se a memória não me engana. Chegou bem, depois de uma viagem de 10 ou 15 minutos, barbeado e feliz, abraçado por muita gente. Comovi-me, como não podia deixar de ser, angustiei-me com o aperto daquela cápsula - Fénix - a subir 700 metros.

Do que ouvi, retenho duas ideias. A da mulher de um mineiro, afirmando que a mina tinha finalmente parido. A de um dos mineiros que disse mais ou menos isto: lá em baixo viveu-se uma guerra entre Deus e o diabo; Deus venceu.

Num tom mais ligeiro, fica o video de Spanish Train, de Chris de Burgh, música que fez as minhas delícias de adolescente. Vale a pena atentar na letra, porque o mineiro sabe do que fala...




JdB

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