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10 janeiro 2012

Duas últimas


João tem sido um nome central na minha vida. Ainda bem que se trata de um nome curto e aprazível, pois circunstâncias várias fazem com que tenha de salivá-lo com frequência ao longo do dia.

O meu filho mais novo é João, um dos meus irmãos, com quem me dou particularmente bem e de quem sou padrinho de casamento é João, os meus maiores amigos são Joões.

Sendo bíblica a origem do nome João, o “agraciado de Deus”, como não lembrar João Baptista, que preparou a vinda de Jesus, ou João Evangelista, o amigo dilecto. E também esse Papa único que foi João Paulo II.

E não posso deixar de pensar que, em períodos marcantes da nossa história, quando nos aventurámos pelo mundo ou quando tivemos que lutar bravamente pela nossa independência, eram Joões os nossos Reis.

Claro que muitos outros exemplos poderiam ser dados de Joões: melhores ou piores, santos ou vilões, grandes triunfadores ou heróis desconhecidos. Como afinal acontece com qualquer outro nome. Mas João para mim é especial, tive sorte com o nome. Já agora, da internet retirei que João indica uma pessoa com forte espírito de liderança, impulsiva e com nobreza de carácter.   
 
Em homenagem aos Joões que conheço e que fazem parte da minha vida, em especial aos que são aniversariantes neste mês de Janeiro, deixo-vos com duas músicas de um João famoso: uma por ele composta ainda no tempo dos Beatles, outra posterior ao desaparecimento do grupo.

Tenho ideia que a primeira já foi postada neste blogue há tempos, se assim é, que tal não vos impeça de a ouvir de novo!

fq

25 novembro 2010

Deixa-me rir...

O mundo está a mudar. Talvez mais rapidamente do que imaginamos ou queremos. Há uma nova ordem que está a emergir, sinto-o, pressinto-o. E mesmo que Portugal ainda se mantenha neste status quo intolerável por mais uns anos, o mundo, por junto, está em convulsão. Novos valores, uma nova forma de estar e uma nova consciência colectiva estão a irromper por entre as nossas mentes entorpecidas pelo dinheiro, pela ambição, pelo lucro e luxo desproporcionados, pelo esmagamento dos mais fracos e desprotegidos. Agora, diz-me quem me conhece… Quem és tu para falar sobre política, economia, sociedade ou o que quer que seja? Raramente lês os jornais! E quando o fazes, é sobretudo a secção da Cultura. É bem verdade! Mas quando os leio, ou quando vejo certos programas na televisão, apercebo-me de que há algo de diferente no ar: doações milionárias a serem feitas por bilionários; um número incontável de ONG’s dedicadas aos sectores mais frágeis da sociedade (nem tanto cá, mas às toneladas espalhadas pelo mundo); particulares, alguns meus conhecidos, que se dedicam a fazer o bem de uma forma militante; jovens para quem o sucesso profissional não faz grande sentido e com vontade de ajudar o mundo; artistas que adoptam crianças (mesmo que seja uma moda, vale a pena); vigílias de oração pelas mais variadas causas; a multiplicação dos debates de ideias, muitos transmitidos pela televisão, que, quanto mais não seja, servem para fazer-nos reflectir e sair do nosso umbigo; peditórios em prol de tudo e mais alguma coisa; intelectuais a manifestarem-se contra a situação vigente; gente endurecida e desencantada a converter-se (e outros tantos a afastarem-se, é verdade); programas na televisão a ensinarem a sermos poupados e ecológicos; greves que, em muitos casos, têm justa causa (pessoalmente, não fora a situação tremendamente débil da economia portuguesa, acho que devíamos fazer greve até derrubar este governo – e depois convidar um gentleman, com pulso e espírito de serviço, para nos liderar); organizações para a defesa do meio ambiente e das espécies em vias de extinção ou ameaçadas…
É claro que podem argumentar que as economias emergentes ainda vão provocar muitos danos neste nosso mundo já tão maltratado. Pois vão. E que esta tomada de consciência está sobretudo a acontecer nas economias há muito desafogadas, que se aperceberam dos seus erros e onde a massa crítica é maior. É verdade. Mas cada coisa a seu tempo. Os timings divinos não são os nossos. O mundo, em meu entender, é uma espécie de gigantesco puzzle com apenas algumas partes preenchidas. Há uns bocadinhos de céu, há uns cantos já feitos, umas árvores que encaixam …. mas imensos espaços em aberto. É preciso “elevarmo-nos” enquanto seres humanos para conseguirmos preencher as partes que faltam. No fim dos tempos, o puzzle estará preenchido … digo eu ….
O importante é não se ser passivo, é não se ser indiferente, como bem diz o Papa Bento XVI. Porque o Bem não vem de fora para dentro, antes brota do coração e ilumina a realidade. Se cada um de nós fizer o seu papel individualmente, não tenho uma dúvida que o "efeito dominó" será poderosíssimo. Mas tudo isto na maior simplicidade, sem apostolados irritantes e impositivos. Tudo pelo exemplo, pela serenidade, pela tolerância, pelo diálogo firme e convicto.
Chamem-me lírica ou o que quiserem. Acredito intrinsecamente nisto tudo. Não vale a pena intelectualizar a simplicidade. Isso acaba por ser uma fuga, um não saber, ou não querer, lidar com a realidade. Um acto de vaidade, em última análise. Acredito que é pelo Amor que vamos lá. E o Amor não é uma entidade abstracta, fora de nós, que de vez em quando nos envolve no seu abraço doce e nos faz sentir muito felizes e contentes. O Amor é também uma batalha. Contra os nossos lados “lunares” e contra os aspectos mais sombrios da sociedade.
Cito, uma vez mais, Santo Agostinho: Ama e faz o que quiseres (já o devo ter citado aí umas 3 vezes desde que escrevo para este blogue!).
E agora a música. Talvez A música, A MINHA música.



pcp

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