O caso parece que aconteceu mesmo, em Minas Gerais, faz tempo. Uma fábrica contratou o melhor génio do Brasil em determinada tecnologia, que, para vocês e para mim, não faz a menor diferença, mas que, para eles, fazia a maior diferença. O cara tinha carta-branca, cartão de crédito, passe multi-modal. Trabalhava horas a fio, dia e noite, noite e dia, numa máquina que para os doutores lá da fábrica, lhes daria uma enorme vantagem competitiva. Quando, ao cabo de dois anos, finalmente decidiram inaugurar a desejada e prometida máquina.. depararam-se com uma gigantesco órgão de tubos, ligado a computadores monstruosos. Um informe instrumento musical, nem moderno nem arcaico, mas isso tudo a um só tempo. Milhões de reais transformados em quê? - gritaram, furibundos. O cara, o nosso engenheiro-génio, foi dentro, por burla ou coisa assim. Em sua defesa alegou Kant, e a noção de "imperativo categórico". Mas o meretíssimo juíz não tinha lido Kant, tal como a comissão estadual de psiquiatria chamada para dar também o seu parecer. Desde então, nunca ninguém tocou (n)o instrumento que durou aqueles dois laboriosos anos a ser construído, consumindo milhões de reais. E é bem verdade que já ninguém lê os clássicos. E ainda dizem que não há poesia no "non-sense". Vai, Brasil - lá diz a outra.
gi.
gi.