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28 janeiro 2021

Comparações dos dias que correm

Fado Sagitário

se foi deus que quis assim 

nem tu sabes nem eu sei

mas tenho-te presa a mim

por tudo o que não te dei


se eu te desse o que tu queres

quem sabe se nesse dia

depois de tu me prenderes

eu nunca mais te prendia


e se me queres como sou

não me queiras prisioneiro

não te daria o que dou

se me desse por inteiro

só posso dar-te o que dou

porque não me dou por inteiro


E por muito que te queixes

só espero que tu entendas

que prefiro que me deixes

a deixar que tu me prendas


bem sei que é contradição

eu pedir-te liberdade

sabendo que a condição

é ficar preso à saudade


Letra de Manuela de Freitas

***

Cavalos De Corrida

Agora é que a corrida estoirou

E os animais se lançam num esforço

Agora é que todos eles aplaudem

A violência em jogo

Agora que eles picam os cavalos

Violando todas as leis

Agora é que eles passam ao assalto

E fazem-no por qualquer preço


Agora, agora, agora, agora

Tu és um cavalo de corrida, eh


Agora é que a vida passa num flash

E o paraíso é além

Agora é que o filme deste massacre

É a rotina Zé Ninguém

Agora é que perdeste o juízo

A jogar esta cartada

Agora é que galopas já ferido

Procurando abrir passagem


Agora, agora, agora, agora

Tu és um cavalo de corrida, eh


Agora, agora, agora, agora

Tu és um cavalo de corrida

Agora, agora, agora, agora

Tu és um cavalo de corrida, eh


Letra de António Manuel Ribeiro


15 novembro 2019

Duas Últimas

Seguem, abaixo, duas letras de canções que, no seu tempo, fizeram sucesso: Cavalo de Corrida (cantado pelos UHF) e Fiz Leilão de mim, cantado por Tony de Matos. Vale a pena atentar nas letras, esta conta uma história, aquela diz coisas que não sei se fazem sentido.

É isto, no fundo.

JdB




Cavalo de Corrida

Agora é que a corrida estoirou, e os animais se lançam num esforço
Agora é que todos eles aplaudem, a violência em jogo
Agora é que eles picam os cavalos, violando todas as leis
Agora é que else passam ao assalto e fazem-no por qualquer preço

Agora, agora, agora, agora, tu és um cavalo de corrida, eh

Agora é que a vida passa num flash e o paraíso é além
Agora é que o filme deste massacre é a rotina Zé Ninguém
Agora é que perdeste o juízo, a jogar esta cartada
Agora é que galopas já ferido, procurando abrir passagem

Agora, agora, agora, agora tu és um cavalo de corrida, eh

Agora, agora, agora, agora tu és um cavalo de corrida
Agora, agora, agora, agora tu és um cavalo de corrida, eh

***



Fiz Leilão de Mim

Talvez de razão perdida
Quis fazer leilão da vida
Disse ao leiloeiro
Venda ao desbarato
Venda o lote inteiro
Que ando de mim farto
Meus versos que não são versos
Atirei ao chão dispersos
A ver se algum dia
O mundo pateta
Por analogia
Diz que sou poeta

Refrão:
Fiz leilão de mim
E fui por fim apregoado
Mas de mau que sou
Ninguém gritou arrematado
Fiz leilão de mim
Tinhas razão minha almofada
Com lances a esmo
Provei a mim mesmo
Que não valho mais que nada

Também quis vender meu fado
Meu modo de ser errado
Leiloei ternura
Chamaram-me louco
Mostrei amargura
E o mundo fez pouco
Depois leiloei carinho
E em praça fiquei sozinho
Diz-me a pouca sorte
Que para castigo
Até vir a morte
Vou ficar comigo.

24 outubro 2013

Duas últimas


Há muito que deveria ter trazido a esta rubrica os UHF, grupo da outra banda nado e criado em Almada, que posso considerar como o meu “concelho adoptivo”, pois nele vivi e cresci desde tenra idade.

Fui pois vizinho deles durante largo tempo. Lembro-me vagamente de ver no liceu de Almada o vocalista e guitarrista, António Manuel Ribeiro, mais velho do que eu uns dois ou três anos, numa época anterior a 1974 em que as escolas dos subúrbios eram terreno propício à instigação do protesto e da subversão. Se calhar sem grandes diferenças para o que se passa hoje em dia, afinal….

Lembrei-me da minha falha quando me apareceram na net, ao fazer umas pesquisas sobre o Pedro Barroso, apresentado neste blogue há dias. Músico que também me atrasei a postar, e uma (a menor!) das razões para isso é certamente porque é o autor do hino do meu clube, e seu adepto incondicional. Mas o PO antecipou-se e fê-lo, e muito bem!

Os UHF são um dos grupos de topo do rock português, há mesmo quem lhes atribua a paternidade do mesmo, mas não vou por aí, que há vários a reclamarem-se dessa qualidade. Limito-me a constatar que são “antigos” (1978), resistentes (ainda este ano editaram um álbum comemorativo dos 35 anos de carreira) e genuinamente portugueses.
Músicas como “Cavalos de Corrida” e “Rua do Carmo”, ambas com mais de 30 anos, continuam a ser referências do rock nacional.

António Manuel Ribeiro é a alma do grupo. Não o acompanhando de todo nas suas preferências políticas e futebolísticas, ambas demasiado avermelhadas para meu gosto, acompanho-o todavia enquanto músico e compositor.

Espero que também gostem!

fq

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