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17 abril 2019

Da frugalidade

Primeiro pensamento: contam-me que a mãe de Bertrand Russell (3.º Conde Russell, Inglaterra, 1872 - 1970) uma senhora da aristocracia inglesa, só se permitia sentar-se numa cadeira com braços a partir das 19.00h, quando o dia de trabalho (talvez não o dela, sei lá eu...) estava terminado.

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Segundo pensamento: conta-me um professor que, quando era novo (é de 1952) chegou a casa da avó e disse-lhe que tinha visto uma mesa que ficava bem na sala. A avó, num misto de espanto e indignação, perguntou-lhe: mas não está lá uma mesa? Para que havia eu de querer outra? 

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O que liga uma história e outra? Uma certa ideia de frugalidade, uma expressão que está tão na moda como bote e milorde. Num caso uma certa frugalidade de comportamento, noutro caso uma certa frugalidade aquisitiva. A segunda história espanta as gerações mais novas (e até uma parte significativa da minha) porque as coisas em geral deixaram de ter uma valência utilitária, para passar a ter uma valência estética. Não se compra porque é preciso, compra-se porque fica bem. Nesse sentido, os armazéns são negócios de tempos ricos, não de tempos frugais. Armazena-se porque sim, não porque faça falta.  A frugalidade, expressão a usar-se, é aplicável à alimentação: não por uma questão de pudor do excesso, mas por uma opção estética. As pessoas não se querem gordas porque não é bonito, não porque não faz sentido o excesso. A frugalidade é um iogurte cheio de coisas que fazem bem, não um modelo de vida.

Olho para o texto acima e noto uma certa frugalidade, talvez ao nível da criatividade, discernimento, inteligência. Estou frugal...

JdB

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